terça-feira, 20 de outubro de 2026

Rodrigo Karmy: Assassinos da Palestina, assassinos da América Latina

“A ideia sionista de colonização da Palestina nunca consistiu na simples ‘ocupação’ do território para esvaziá-lo, expulsando inteiramente a sua população. A sua aposta foi sempre além: não apenas expulsar a população, mas negar por completo a sua existência”. A reflexão é de Rodrigo Karmy, em artigo publicado por Brecha, 16-10-2026. A tradução é do Cepat.

E acrescenta: “Os assassinos da Palestina agora vêm para a América Latina. Vêm em busca da água para intensificar o capital da grande agricultura em detrimento dos pequenos, para municiar as Forças Armadas e nos envolver em suas guerras, para fornecer cibersegurança às proliferantes empresas de segurança e intensificar os dispositivos de controle”.

>>> Eis o artigo.

A Palestina relegada ao esquecimento, como deseja o sonho sionista. A Palestina confinada, mais uma vez, ao ser negada. Os meios de comunicação não são neutros em relação à Nakba; constituem parte dela, de sua maquinaria de apagamento, precisamente no instante em que docilizam o espectador diante de um genocídio ao vivo – um processo destinado a normalizar as paixões e a atenuar o horror que vivenciamos. A ideia sionista de colonização da Palestina nunca consistiu na simples “ocupação” do território para esvaziá-lo, expulsando inteiramente a sua população. A sua aposta foi sempre além: não apenas expulsar a população, mas negar por completo a sua existência.

O projeto de colonização sionista não implicou apenas a substituição da população nativa pela população colona, mas também a negação de que tal população nativa realmente existisse. Como bem observaram Elías Sanbar e Gilles Deleuze no início da década de 1980: o projeto sionista sobre a Palestina consistiu na produção de um vazio.

No entanto, este processo de apagamento já não é apenas um projeto circunscrito à Palestina. É, sobretudo, uma aposta que se desenrola em nível global: os meios de comunicação não apenas negam a existência da Palestina, colaborando, assim, diariamente com a empreitada da Nakba perpetrada por Israel e pelo imperialismo ocidental, mas também se voltam contra as multidões que resistem à imposição do seu domínio.

Os assassinos da Palestina agora vêm para a América Latina. Vêm em busca da água para intensificar o capital da grande agricultura em detrimento dos pequenos, para municiar as Forças Armadas e nos envolver em suas guerras, para fornecer cibersegurança às proliferantes empresas de segurança e intensificar os dispositivos de controle – tornando possíveis milhares de “Cerimedos” –, de modo que as repúblicas latino-americanas sejam destruídas e o sujeito “povo” seja substituído pelo sujeito “algoritmo”.

Mas, acima de tudo, a penetração estadunidense e israelense – o sionismo, afinal de contas – na América Latina gira em torno dos recursos naturais: a água e as terras raras. O desenvolvimento da indústria da inteligência artificial (IA) pelos Estados Unidos e por Israel exige isso. Hoje, presenciamos uma “palestinização” da América Latina. Os Estados Unidos não apenas submeteram o continente por meio do Escudo das Américas, como também, em conjunto com Israel – a partir dos Acordos de Isaac firmados com a Argentina –, buscam projetar-se na região em função da sangrenta disputa pela IA. Nesse contexto, a “sionização” das oligarquias latino-americanas e a “palestinização” de seus povos já são uma realidade: o governo de José Antonio Kast é o primeiro governo sionista da República do Chile.

A palestinização do mundo e a sionização do imperialismo não constituem uma novidade histórica. Em 1492, enquanto as embarcações de Cristóvão Colombo chegavam às imaginárias “Índias” em busca de um atalho para a China, os Reis Católicos concluíam a conquista de Al-Andalus, forçando a rendição do último reino muçulmano, Granada. Os métodos empregados pelos católicos contra muçulmanos e judeus durante a conquista da Península Ibérica foram, posteriormente, utilizados na conquista das terras americanas. Por isso, a palestinização do mundo não é uma anomalia no funcionamento da ordem imperial, mas sim a sua regra. Assim como ocorreu na experiência andaluza, as tecnologias de espoliação que Israel aplica contra os palestinos são vendidas globalmente por meio de suas empresas dos setores de armamentos, segurança e recursos hídricos.

<><> O nome da coisa

Pois bem, detenhamo-nos no nome dado aos acordos reservados para a América Latina: Isaac. É preciso lê-lo sob a ótica da teologia política sionista, que traduz o relato bíblico em uma narrativa de morte, a qual projeta sua vocação para o domínio planetário. Trata-se de uma expropriação do vocabulário da teologia judaica, colocando-o a serviço de um léxico neofascista que, em nome da “liberdade”, aposta no domínio totalitário. Nesses termos, Isaac condensa a ideia de eleição, do filho e do território.

Em primeiro lugar, sob mandato divino, Isaac foi originalmente levado ao cadafalso para ser sacrificado por Abraão. A irrupção do anjo permitiu que seu pai largasse a faca com a qual o executaria. Sob esse prisma, Isaac já é um “eleito” de Deus que foi salvo do sacrifício, situando-se, portanto, no campo dos vencedores.

Em segundo lugar, é relevante que Abraão seja o pai de Isaac, precisamente porque os acordos que levam seu nome apresentam-se como uma réplica ou, se quisermos, como o “filho” daqueles acordos assinados entre Israel e os Emirados Árabes Unidos: os Acordos de Abraão. Um filho que, por sê-lo, deve depender do legado paterno em uma relação de absoluta dependência.

Em terceiro lugar, Isaac, segundo o relato bíblico, teria sido o único dos patriarcas a permanecer na “Terra de Israel”, ao não se deslocar para Canaã. Sob a hermenêutica da teologia política aqui em questão, Isaac constitui o nome daquele que permanece no território; ele indica a vocação conquistadora do imperialismo sionista (simultaneamente estadunidense e israelense) – o salto mortal para a apropriação dos territórios da América Latina.

Trata-se, enfim, de três características da modalidade imperialista pela qual os Estados Unidos e Israel se aferram ao “hemisfério ocidental”. A sionização da política latino-americana nos mostra uma questão decisiva: por mais que pretendam nos fazer esquecer a Palestina, a Palestina está necessariamente aqui, onde os assassinos da Palestina pretendem agora se apropriar da América Latina.

É claro que tudo isso não tem nada a ver com o famoso Plano Andinia – um suposto plano, de cunho antissemita, inventado pelos nazistas latino-americanos, que acusava Israel de querer colonizar a Patagônia. É algo muito pior do que esse plano ingênuo e conspiratório. Trata-se de uma forma de domínio imperial, impulsionada pelo sionismo estadunidense e israelense, para fincar seus interesses no continente, transformar os países da região em meros centros de dados e consumir seus recursos naturais a fim de ampliar as fortunas de Peter Thiel e dos oligarcas da tecnologia.

Que papel desempenha Israel, com sua leitura pervertida da própria Bíblia hebraica, na ofensiva geopolítica dos Estados Unidos na América Latina? Antes de tudo, Israel está para o sacerdote assim como os Estados Unidos estão para o príncipe. O primeiro abençoa a guerra de conquista, tornando-a “justa”; o segundo a executa, valendo-se da legitimação promovida pelo primeiro. Juntos, eles articulam a engrenagem “moral” do último reduto do cristianismo imperial que, desesperado e agonizante, intensifica seu poder letal, acelera incondicionalmente o capital e, assim como Colombo, busca um atalho para a China.

¨      Guerra pelas oliveiras na Cisjordânia, símbolo da resistência palestina. Por Helena Pelicano

Na Cisjordânia, a colheita da azeitona sempre chega tingida de sangue. Abdelatif Bazari pode apontar a árvore exata: “Um dos meus primos morreu debaixo desta oliveira e a regou com seu sangue”, relata este agricultor de 59 anos, professor de inglês em uma escola pública de Burca, ao norte de Nablus.

Ali al-Bazari, de 44 anos, tombou no último dia 7 de outubro, quando cerca de vinte colonos apareceram no campo com fuzis, barras de metal e pedras. “Foi como uma guerra”, recorda Abdelatif. Seu irmão levou um tiro na perna, seu filho de 18 anos foi atingido na cabeça por mais de dez homens e outros sete membros da família acabaram feridos. Outro primo permanece internado em estado grave no Hospital Rafidia, em Nablus.

O Exército israelense afirma que soldados e colonos abriram fogo após o aviso de que um palestino havia atirado uma pedra contra um colono, sem explicar o que os colonos faziam no olival. Não está claro quem matou Ali.

Segundo Abdelatif, os soldados se limitaram a observar, mantiveram as ambulâncias retidas a dois quilômetros de distância e algemaram os profissionais de saúde. Os feridos só puderam sair duas horas depois em um trator. Os colonos levaram as escadas, as mantas e os sacos. “Eu disse ao oficial que olhasse como estavam nos roubando. Ele respondeu que sabia.”

A estrada de Jerusalém a Burca está repleta de bandeiras israelenses e cartazes eleitorais. Bezalel Smotrich, ministro das Finanças, e Itamar Bem-Gvir, ministro da Segurança Nacional, sorriem ao longo da rodovia a menos de duas semanas das eleições de 27 de outubro. Em uma cafeteria na estrada de Nablus, na noite do próprio dia 7 de outubro, um grupo de colonos perfurou o solo e fincou mais de cem bandeiras israelenses.

Entre os colonos que sonham em anexar o que chamam de Judeia e Samaria, os dois líderes ultranacionalistas despertam um fervor que não encontram na muito mais secular Tel Aviv. “Continuamos a revolução dos assentamentos”, proclamou Smotrich no fim de setembro, durante a inauguração de duas novas colônias perto de Hebron, no sul da Cisjordânia. Dias depois, Bem-Gvir foi ainda mais longe na televisão israelense. “Não há diferença entre as zonas A, B e C. Toda a terra é nossa”, afirmou.

A Autoridade Palestina abre oficialmente a colheita nesta quinta-feira, mas muitos agricultores se antecipam para evitar o roubo de suas azeitonas. Entre 27 de setembro e 10 de outubro, a organização israelense Yesh Din registrou 174 incidentes ligados à colheita, um terço de toda a violência de colonos nesse período.

Por sua vez, o observatório ACLED registrou 39 incidentes diários nos primeiros nove dias de outubro, o dobro do registrado em setembro, que já tinha sido o pior mês desde o início de seus levantamentos, há uma década. Em 68% dos casos, os ataques foram dirigidos contra agricultores, trabalhadores da colheita ou suas terras, e seis palestinos morreram. Segundo a Yesh Din, 93,6% das denúncias contra israelenses por ataques a palestinos são arquivadas sem acusação formal.

Vista com zoom digital, as colinas que cercam os olivais estão repletas de postos avançados, um par de caravanas e uma torre de vigilância. Os agressores dos Bazari desceram da chamada fazenda de Abraão, instalada há cerca de meio ano a poucos quilômetros dali, embora o olival esteja localizado na zona A, teoricamente sob controle palestino.

Do outro lado da colina, em Masoudiya, doze famílias e cerca de 70 moradores viram chegar, há três anos, o primeiro posto avançado às suas terras e, há seis meses, convivem com outro a apenas 300 metros de suas casas. “Há três anos vivemos com dor e sob ataques o tempo todo”, explica Dhiab Hajeh, representante da comunidade. “Mas, apesar da dor, ainda nos resta a esperança”, acrescenta.

Para a organização israelense B’Tselem, que fala de um projeto de eliminação da vida palestina na Cisjordânia, a violência se soma às restrições de circulação e a um medo que não aparece nas estatísticas: o dos agricultores que já nem se arriscam a chegar às suas terras.

O Exército exige agora uma “coordenação” prévia para o acesso a 90 mil dunams de olivais, cerca de 9 mil hectares, a 30% mais do que há um ano. E a colheita, que antes reunia famílias inteiras no campo, transformou-se em uma atividade masculina, realizada sem mulheres nem crianças por medo.

Abdelatif, que obtém cerca de 3 mil dólares por ano com seu azeite em um dos três lagares da aldeia, deixou de colher e pede a voluntários que o ajudem a concluir a colheita, como os ativistas israelenses e internacionais que, nesta quinta-feira, acompanhavam os agricultores de Beit 'Anan, perto de Ramallah. “Não podemos voltar. Precisamos que alguém nos proteja”, disse.

Durante sessenta anos, sua família trabalhou nessa terra sem sofrer um único ataque. Algumas de suas oliveiras têm mais de 500 anos e, na aldeia, recebem o nome de romanas. “A oliveira não é como o trigo ou a cevada. Ela é a identidade do povo palestino”, insiste.

¨      Abordagem dos EUA ao conflito com o Irã não contribui para a resolução pacífica, diz Lavrov

A abordagem dos Estados Unidos ao conflito com o Irã não contribui para a resolução da situação, disse neste domingo (18) o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

Participando da nona rodada de diálogo estratégico entre a Rússia e o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), no Bahrein, Lavrov se reuniu com o rei do país, Hamad bin Isa al-Khalifa, e com o ministro das Relações Exteriores do país, Abdullatif bin Rashid Al Zayani.

Na coletiva de imprensa final, ele lembrou as palavras do presidente dos EUA, Donald Trump, que disse abertamente que os EUA "destruíram toda a liderança do Irã" várias vezes.

"Provavelmente, esta não é uma abordagem que possa ajudar uma região distante a buscar os mesmos acordos que o meu amigo [ministro das Relações Exteriores do Bahrein] disse agora – com base no respeito mútuo, com base no direito internacional", comentou Lavrov.

Na avaliação do chanceler russo, a situação na região do Oriente Médio está à beira de uma guerra em grande escala e, para garantir a paz, é necessário restaurar e eliminar as causas subjacentes do que está acontecendo no estreito de Ormuz e em torno dele.

O acordo que foi alcançado entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã, no âmbito do chamado Memorando de Islamabad, deve ser implementado para alcançar esse objetivo, acrescentou Lavrov.

<><> EUA sofrerão grandes danos se a atacarem, diz ministro da Defesa iraniano

Os EUA não se atreverão a atacar o Irã, caso contrário sofrerão grandes danos, disse o novo ministro da Defesa da República Islâmica, Mehrdad Akhlaghi.

O Parlamento iraniano aprovou a candidatura de Akhlaghi como ministro da Defesa.

"É muito provável que eles não se atrevam a nos atacar. Se eles atacarem, tanto eles quanto a região sofrerão danos muito grandes", disse o ministro citado pelo canal de TV iraniano SNN.

Akhlaghi acrescentou que ele justificaria a alta confiança demonstrada em sua candidatura pelo Parlamento.

O Irã concebeu as medidas necessárias em caso de uso pelos EUA contra a República Islâmica da mais poderosa bomba não atômica em seu arsenal, disse o novo ministro da Defesa.

A CNN, citando o Exército americano, havia argumentado anteriormente que os Estados Unidos poderiam usar a bomba não atômica mais poderosa em seu arsenal, "a mãe de todas as bombas", se os ataques contra o Irã retomassem.

<><> Líder ucraniano não quer negociações e as frustrou várias vezes, enfatiza Lavrov

No decorrer da reunião em Manama, no Bahrein, Sergei Lavrov abordou também a questão da resolução do conflito na Ucrânia, dizendo que o líder ucraniano, Vladimir Zelensky, está contra a realização das negociações de paz.

"Temos apenas uma conclusão: Zelensky não quer negociações. Ele já as quebrou mais de uma vez, inclusive depois de dezembro de 2019, quando a reunião ocorreu em Paris", disse Lavrov.

Segundo ele, então foi acordada a decisão sobre a necessidade de cumprir os Acordos de Minsk, mais tarde, realizou-se uma reunião trilateral em Abu Dhabi, após a qual não ocorreu nenhum movimento, e não por culpa da Rússia. O fato de Zelensky não querer sequer avançar para acordos é óbvio, acrescentou o ministro das Relações Exteriores da Rússia.

Os países europeus, por sua vez, encorajando os ataques da Ucrânia à infraestrutura da Rússia, estão tentando salvar o regime de Zelensky, ressaltou o chanceler russo.

Além disso, Lavrov sublinhou que o acordo de diesel entre os Estados Unidos e a Rússia é uma questão que diz respeito apenas às relações entre Moscou e Washington.

"Se a União Europeia acredita que isso é uma traição à Ucrânia, e o próprio Zelensky declara que a questão da exportação de diesel russo deve ser resolvida com ele, porque só ele pode dar permissão, isso não é mais do campo da segurança energética. É do campo da auto-ostentação e de mais uma palhaçada", disse.

Em 9 de outubro, os presidentes da Rússia e dos EUA, Vladimir Putin e Donald Trump, realizaram uma conversa telefônica, durante a qual discutiram o fornecimento de produtos petrolíferos, incluindo o diesel. Segundo o líder russo, Moscou confirmou sua disposição de fornecer petróleo e derivados para os mercados norte-americano e mundial.

<><> Solução para crise em Ormuz agora depende dos EUA, declara chanceler do Irã

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou neste sábado (17) o país persa apresentou um plano integral de sete dias — cuja implementação se realizaria por meio do Catar — para reabrir o estreito de Ormuz, e que agora cabe aos Estados Unidos decidir o que fazer a respeito.

Em discurso durante sessão do Conselho de Ministros das Relações Exteriores da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), o ministro reiterou que os crimes e erros já cometidos não ajudarão a restabelecer a segurança.

Ele afirmou que não se pode bombardear o Irã e ameaçá-lo, esperando ao mesmo tempo que o tráfego marítimo através do estreito de Ormuz volte à normalidade.

A declaração é feita dias depois do anúncio de que a Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA não para de cair desde o início do conflito com o Irã, em 28 de fevereiro, que afetou severamente o trânsito no estreito de Ormuz, por onde passa um quarto do petróleo comercializado no mundo via marítima.

Anteriormente, Abbas Araghchi, disse que as perdas reais dos EUA no conflito com o Irã superam em muito as 81 unidades de aeronaves declaradas, e o Comando Central dos EUA estava "enganando a todos".

A 52ª sessão do Conselho de Ministros das Relações Exteriores da OCI está ocorrendo em Bagdá, no Iraque, neste fim de semana. que sedia o evento pela primeira vez em 45 anos, período no qual o Iraque assumiu a presidência rotativa do bloco.

 

Fonte: IHU/La Vanguardia/Sputnik Brasil

 

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