terça-feira, 20 de outubro de 2026

Luís Nassif: Com os jovens nas ruas, nada será como antes

A campanha das diretas não foi um acidente de percurso na política brasileira, mas o sinal mais evidente de que o país amadurecera antes que a classe política se desse conta.

De fato, a emenda Dante de Oliveira – que trouxe de volta as eleições diretas -, inicialmente foi recebida com ceticismo pela classe política. Só quando as ruas começaram a se coalhar de gente, que os artistas entraram na luta, que os estudantes saíram às ruas, é que caiu a ficha de que o País estava pronto.

Algo semelhante começa a acontecer no país. Os últimos anos foram de encolhimento total da política, acuada pelo Centrão e pelo fantasma do bolsonarismo, pelas emendas parlamentares, e por um mercado financeiro embalado pelo dinheiro do crime organizado, e sonhando com a volta à promiscuidade inaugurada por Roberto Campos Neto.

A estratégia Flávio Bolsonaro começou a ser preparada muito antes, com a participação fundamental da imprensa – especialmente os jornalões e o Jornal Nacional. A estratégia seguia os princípios de Steve Bannon, de saturar o noticiário com toda sorte de escândalos fabricados, de maneira a diluir os escândalos reais e comprovados de Flávio Bolsonaro.

Era nítida a estratégia, pelo menos para quem tinha olhos para ver e cérebro para pensar.

Como se sabe agora, o escândalo do INSS tinha relação direta com Flávio Bolsonaro, através do eixo Careca do INSS —> Willer Tomaz —> Flávio Bolsonaro. Do mesmo modo, o escândalo Master, com seus mil desdobramentos, tinha um dos eixos principais fincados no coração do bolsonarismo.

No entanto, o que a mídia fez foi, inicialmente, transformar o escândalo Master em um escândalo exclusivo do Supremo Tribunal Federal. Era nítida a intenção. Não se tratava de punir Dias Toffoli, mas de arrancar dele a relatoria do caso Master. Depois, com a colaboração preciosa do algoritmo do STF, direcionar o caso Master, o INSS a André Mendonça. O primeiro ato de Mendonça foi quebrar o sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva. Nada encontrou. Mesmo assim, abriu um terceiro inquérito, agora contra Fábio Luís. E toda essa manipulação era endossada, de forma vergonhosa, pelos jornalões. E jornalistas-sela, instrumentalizados por Mendonça no vazamento de informações sigilosas, eram saudados como grandes repórteres.

Ao mesmo tempo, havia todo um terrorismo em torno da “gastança” – entendida, exclusivamente, como o ato civilizatório de destinar recursos para políticas sociais. Tudo para ampliar o espaço para a dívida pública, em um momento em que, a expulsão do crime organizado do mercado, ameaça derrubar as pirâmides financeiras criadas nesses tempos de devassidão financeira.

Não apenas isso. A quebra da institucionalidade, acelerada pelo golpe do “impeachment”, produziu alguns dos períodos de maior devassidão da história da República. Brasília transformou em uma corte de Versailles. Daniel Vorcaro tornou-se Luis Felippe II, duque de Orleans, por sua vida libertina, suas amantes e pelas festas no Palais-Royal, centro de jogos, prostituição e encontros políticos. O encontro de Londres foi um dos episódios mais vergonhosos da corte de Versailles de Brasilia. Só faltaram as meninas ucranianas de Vorcaro.

Confira, abaixo, as cenas mais humilhantes da história contemporânea brasileira. Nela, as mais altas autoridades da República, e esposas deslumbradas, em salões imperiais, ao som de violino e cenas de balé. Nunca imaginei que um país da dimensão e da história do Brasil, seria exposto a tal humilhação.

A rapaziada assistia a tudo isso calada. Mesmo após as declarações de Flávio Bolsonaro, prometendo participação dos Estados Unidos no governo de transição, a Nação parecia tomada por uma inércia cívica, como se a responsabilidade total pela defesa da democracia repousasse exclusivamente nos ombros de um político octogenário, o mesmo que garantiu quatro décadas da manutenção da democracia e a última herança da Constituinte, as políticas sociais permanentemente ameaçadas. Mas que foi incapaz de enfrentar os desafios da financeirização e de falta de projetos para o futuro.

As manifestações dos últimos dias não apenas reeditam a campanha das diretas, mas também trazem a sensação de um corte no tempo, de um preparativo para a construção do futuro, como foram as diretas para a Constituinte e para a redemocratização.

Elegerão Lula e, mais que isso, impulsionarão o 4º governo. A partir de agora, nada será como antes. Não serão mais toleradas as vacilações, a demora em preparar o futuro nem as cautelas excessivas em nome de uma governabilidade que não leva a lugar algum. Lula não poderá ignorar a voz das ruas. Desde a transição, terá de reunir as forças intelectuais e produtivas do país, os movimentos sociais e o cooperativismo em um esforço coletivo para superar, de uma vez por todas, a síndrome do gigante adormecido.

•        Fim da liberdade de expressão? TSE rejeita pedido de Flávio Bolsonaro para restringir atuação política da UNE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou o pedido da campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para limitar a atuação política da União Nacional dos Estudantes (UNE) nas universidades. A decisão foi tomada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que destacou a proteção constitucional à liberdade de expressão e à manifestação política no ambiente universitário.

A campanha de Flávio havia solicitado que o TSE obrigasse a entidade a orientar organizações estudantis vinculadas a não utilizar espaços de universidades públicas para distribuir materiais de propaganda eleitoral.

Ao analisar o pedido, Cueva afirmou que o tema exige cautela, uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu a inconstitucionalidade de medidas que restrinjam a livre manifestação de ideias e a divulgação do pensamento nas universidades.

Em julgamento relatado pela ministra Cármen Lúcia, o STF também proibiu medidas como o recolhimento de documentos e a interrupção de aulas, debates e manifestações de professores e estudantes.

Segundo Cueva, a jurisprudência do Supremo estabelece que a liberdade de expressão, a pluralidade de ideias e a autonomia universitária são garantias fundamentais, que devem ser preservadas mesmo durante o período eleitoral e independentemente do posicionamento político defendido.

O ministro também considerou insuficientes os elementos apresentados pela campanha para justificar uma intervenção urgente. Além disso, avaliou que o pedido era genérico, pois pretendia impor à UNE a obrigação de orientar outras entidades estudantis sem delimitar adequadamente os destinatários, o conteúdo da medida e as situações que justificariam sua aplicação.

Cueva ressaltou, porém, que eventuais irregularidades no uso de espaços públicos para propaganda eleitoral devem ser examinadas individualmente, conforme as circunstâncias de cada caso e os limites estabelecidos pela legislação eleitoral.

<><> Ação contra Lula e Alckmin

Na mesma decisão, o ministro analisou outros pedidos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro e concedeu prazo de 72 horas para que o candidato detalhe as condutas atribuídas a dirigentes sindicais em uma ação que investiga suposto uso de recursos e estruturas de entidades em benefício das campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

A campanha de Flávio acusa sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais de utilizar recursos financeiros, sedes, funcionários e canais de comunicação para favorecer a candidatura à reeleição e prejudicar a campanha do senador.

Com base nas alegações, o candidato pede a cassação dos registros de candidatura de Lula e Alckmin, além da declaração de inelegibilidade por oito anos dos dois políticos e dos dirigentes que teriam participado dos supostos abusos.

Ao examinar a petição, Cueva observou que 37 dos 54 dirigentes mencionados não foram identificados nominalmente na descrição dos fatos nem na fundamentação jurídica da ação.

Por isso, o ministro determinou que a campanha apresente informações específicas sobre a participação de cada dirigente cuja inclusão no processo ainda será analisada, com a indicação das datas e das provas que sustentariam as acusações.

•        “Não se trata de votar no Lula ou no PT, mas na democracia. A outra opção é golpe”, diz José de Abreu

Em participação no TVGGN 20H na quarta-feira (14), o ator e diretor José de Abreu, que vem mobilizando as redes sociais ao cobrar o posicionamento de colegas de profissão, fez um novo chamado à classe artística e à sociedade contra o avanço do fascismo no Brasil. Para ele, o pleito que opõe Luiz Inácio Lula da Silva a Flávio Bolsonaro não é uma disputa partidária comum, mas uma escolha decisiva entre a manutenção da democracia e o risco de uma ruptura institucional.

Com décadas de militância política, tendo sido preso durante a ditadura militar e participado ativamente da campanha das Diretas Já, Abreu tornou-se, nos últimos meses, uma das vozes mais firmes das redes sociais na defesa do regime democrático.

“Não se trata de votar no Lula ou no PT, mas na democracia. A outra opção é golpe. Não precisa falar de eleição, Lula e PT, falem sobre o que vocês acham do fascismo que está querendo tomar conta do país. O mundo está se posicionando contra o fascismo que está chegando ao Brasil. Vocês vão ficar parados olhando para a parede? Não me conformo com colegas omissos! A vida quer é coragem”, manifetsou o ator.

<><> Trata-se de derrotar o fascismo

Para exemplificar a forma como vem atuando, Abreu dirigiu-se nominalmente a colegas de profissão que, segundo ele, ainda relutam em se manifestar. “Estou perplexo com alguns colegas que estão relutando em nos ajudar a vencer o fascismo. Giovanna Antonelli, cadê? Carolina Dieckmann, cadê esse pessoal? Danton? Eu fico meio indignado com esses meus colegas e amigos que não se posicionam numa hora dessas, é inacreditável, disse.

Coube ainda uma menção a Selton Mello, um dos protagonistas de Ainda Estou Aqui — filme sobre a ditadura militar que concorreu ao Oscar em 2025 e venceu na categoria de Melhor Filme Internacional —, que não teria se posicionado sobre o momento político atual. “Não é possível que uma pessoa como Selton Mello, que faz um filme a respeito da ditadura, não tenha se posicionado”, questionou.

<><> O espaço nas redes

O papel das plataformas digitais nestas eleições também foi pauta da conversa. Apesar do controle exercido pelas big techs e da desinformação promovida pela extrema-direita, que tem impulsionado a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), sobretudo após a censura ao canal do deputado André Janones (Rede-MG), o campo progressista conseguiu, de forma inédita, ocupar esse espaço de maneira orgânica e viral.

“Pela primeira vez na história, nós estamos ganhando nas redes sociais. Nós estamos dando um banho neles. É a primeira vez que a esquerda está na frente nas redes”, comparou.

A frase que se tornou sua marca nesta semana — “E não vai lutar contra o fascismo?” — nasceu justamente desse movimento. Abreu passou a comentar publicações de artistas com a pergunta, transformando a cobrança em um meme que ultrapassou o meio digital e ganhou as ruas.

“Foi uma coisa bem genérica que eu tinha visto da Ana Paula Renault, e ela foi muito inteligente, porque falou: ‘Não é votar no Lula ou votar no PT, claro, é votar na democracia porque a outra opção é golpe’”, relatou Abreu, ao revelar a origem do bordão.

O ator também comemorou o alcance expressivo de suas publicações nas redes digitais, destacando ter somado 31 milhões de visualizações no X (antigo Twitter) e 12 milhões no Instagram. O desempenho foi marcante sobretudo pela adesão do público jovem, já que 35% do alcance concentrou-se na faixa entre 18 e 24 anos e outros 30% entre 19 e 34 anos. O engajamento rendeu a ele o apelido de “vovô da internet”. “Eu não vejo a hora de passar o bastão. Eu fiz 80 anos esse ano. Todo mundo tá me chamando na internet de vovô”, brincou.

<><> A importância das manifestações e do movimento estudantil

A entrevista também abordou a importância das manifestações de rua e do movimento estudantil neste momento. José de Abreu mencionou especificamente a mobilização na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, e destacou o papel da juventude na resistência ao autoritarismo, cenário que ganha ainda mais gravidade diante dos recentes ataques contra universidades públicas, a exemplo dos incêndios registrados na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desde 30 de setembro.

“Eu acompanhava o pessoal da UFF e vi quando disponibilizaram o link para a assembleia. Na segunda-feira, a faculdade inteira desceu em passeata; na terça, realizaram outro ato. Isso mostra a força de um movimento espontâneo que se espalhou na defesa da democracia. Essa participação da rapaziada dá aquela sensação de alívio. A gente já tem para quem passar o bastão. Ou seja, a nossa geração já sabe que a rapaziada tá aí para defender o Brasil, para defender a democracia.”

O ator, que afirmou estar em “plena psicose eleitoral” por acompanhar o noticiário 20 horas por dia, destacou a organização espontânea dos atos recentes, como o registrado na Avenida Paulista, no domingo, que reuniu mais de 1 milhão de manifestantes. “É horizontal, não é vertical, não vem da direção da campanha. A rapaziada descobriu e alastrou essa questão da defesa da democracia, da defesa da ciência. Foi fantástico”, afirmou.

•        FUP denuncia intimidação de sindicalistas em ação de Flávio

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) denunciou uma tentativa de intimidação de dirigentes sindicais em uma ação apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na quarta-feira (14), que pede a cassação da chapa formada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin.

Segundo a FUP, a iniciativa questiona a atuação de movimentos sindicais e sociais na campanha pela reeleição de Lula, sob alegações de abuso de poder e abuso econômico. A federação critica o fato de a ação acionar dirigentes sindicais em seus CPFs, e não as entidades que representam, identificadas por seus CNPJs.

Para Cibele Vieira, coordenadora-geral da FUP, a medida constitui uma tentativa de intimidar as lideranças dos trabalhadores. A dirigente afirma que sindicatos e movimentos sociais têm legitimidade para defender direitos, apresentar reivindicações e debater com a sociedade os projetos políticos em disputa.

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<><> FUP relaciona ação à mobilização trabalhista

Cibele também relacionou a iniciativa à mobilização em torno de pautas trabalhistas, citando a votação pelo fim da escala 6×1 realizada no dia anterior. Na avaliação da dirigente, a ação apresentada ao TSE representa uma reação à força dos movimentos sindicais e sociais e à defesa dos direitos da classe trabalhadora.

A coordenadora-geral afirmou ainda que a federação continuará participando do debate público e comparando as políticas dos governos Jair Bolsonaro e Lula, mas mostrou preocupação com a possibilidade de a iniciativa integrar uma estratégia de contestação do resultado eleitoral caso ele não corresponda aos interesses dos adversários do atual presidente.

 

Fonte: Jornal GGN

 

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