terça-feira, 20 de outubro de 2026

Sarampo é uma das doenças mais facilmente transmissíveis, diz especialista

O sarampo é uma das doenças que mais se espalha com facilidade e a vacinação continua sendo a principal barreira de proteção contra o vírus. O alerta foi feito neste sábado (17), considerado o Dia Nacional de Vacinação, pelo presidente da Câmara Técnica de Eliminação do Sarampo, Renato Kfouri, em entrevista ao CNN Agora, jornal da CNN Brasil.

Durante a conversa, o especialista explicou que há dois motivos principais para essa alta capacidade de transmissão. O primeiro é que a pessoa infectada começa a transmitir o vírus antes mesmo de apresentar sintomas, dificultando o isolamento e o reconhecimento dos casos. Já o segundo fator tem haver com a capacidade de o vírus permanecer por muito tempo no ar, mesmo que o infectado já não esteja mais presente.

"Aquele que está doente ao falar, ao espirrar, ele elimina o vírus, esse vírus fica em suspensão em partículas muito pequenas, que a gente chama de aerossóis, por horas, às vezes, no ambiente. Ou seja, você nem precisa de um contato próximo, entra alguém no seu estúdio, com sarampo, espirra, e vai embora. Mesmo que você entre depois de uma ou duas horas, o vírus está por ali, então é possível essa transmissão sem um contato muito próximo."Renato Kfouri, presidente da Câmara técnica de eliminação do sarampo

Até o momento, 61 casos de sarampo foram registrados no Brasil, segundo o último informe emitido pelo Ministério da Saúde. Todos os casos registrados são importados, ou seja, foram adquiridos fora do país e a maioria das pessoas não estavam imunizadas.

"O nosso desafio, a nossa missão é manter a população vacinada. Os vacinados funcionando como barreira impeçam que esses casos importados se traduzam numa transmissão novamente sustentada da doença aqui entre nós", ressalta o especialista.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), neste ano, a transmissão da doença em países das américas contabilizou o maior número de casos já registrados em mais de duas décadas.

<><> Vacina é a principal forma de combate ao vírus

O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas do mundo, o diagnóstico pode evoluir para quadros mais graves e levar ao óbito. Por não possuir um tratamento específico, a imunização é uma das principais ações para conter o aumento do vírus.

Segundo o especialista, dos casos registrados no Brasil e no mundo, aproximadamente 90% são de pessoas que não tomaram a vacina e isso reforça a necessidade de manter o calendário vacinal atualizado.

"Casos de falha vacinal, em que a pessoa com duas doses ainda assim adquire a doença, são raríssimos. Quando isso ocorre, o quadro costuma ser mais leve e raramente evolui para complicações. quem pega a doença com o esquema vacinal completo raramente desenvolve complicações, é uma doença muito mais leve", disse.

Associado a uma evolução simples, o sarampo é, na verdade, uma enfermidade grave. Os primeiros sintomas incluem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguidos pelo surgimento de manchas avermelhadas que começam no rosto e se espalham pelo corpo.

Em muitos casos, porém, a doença evolui para complicações sérias. Entre as mais frequentes estão a pneumonia, principal causa de morte por sarampo em crianças pequenas, otites, diarreia intensa e desidratação. Em casos mais raros, o vírus pode atingir o cérebro e provocar encefalite.

<><> Crianças estão mais vulneráveis

De acordo com Renato Kfouri, cerca de 60% dos casos são em crianças menores de 2 anos, que ainda não tiveram a chance de ser vacinadas. No entanto, isso não significa que o adulto não precise se vacinar, pois geralmente os bebês são contaminadas por pessoas mais velhas que não estão imunizadas.

"Aqui fica um recado que os números já mostram por si só. A vacinação começa na criança a partir de 1 ano, metade praticamente em menores de 1 ano de idade. Ou seja, crianças que não tiveram nem sequer ainda oportunidade de ser vacinadas adquiriram o sarampo de alguém adulto, maior, não vacinado. Então esse é o recado que fica. A gente precisa uma cobertura vacinal alta, porque é o que nós chamamos de imunidade coletiva, proteção de rebanho", conclui Kfouri.

<><> Orientações para vacinação

As campanhas intensas realizadas em São Paulo, onde abrange a maioria dos casos, foram finalizadas em agosto. No entanto, quem continua com doses em atraso deve procurar uma unidade de saúde para atualizar a caderneta, conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações. O principal público-alvo são crianças e pessoas com o sistema imunológico frágil.

Adultos que não têm certeza de ter sido vacinados também devem buscar orientação. Diante de febre acompanhada de manchas vermelhas, a orientação é procurar atendimento médico e evitar o contato com outras pessoas, especialmente bebês e gestantes, para não ampliar a cadeia de transmissão.

•        Quase 65% das cidades do Brasil têm vacinação contra sarampo abaixo da meta

Dados do Ministério da Saúde mostram os contrastes entre os 5.570 municípios brasileiros quanto à vacina tríplice viral, usada na proteção contra o sarampo, a caxumba e a rubéola. Quase 65% das cidades brasileiras têm a média da cobertura vacinal abaixo do ideal.

São 3.589 que tiveram menos de 95% da média de aplicação da segunda dose da vacina, o suficiente para considerar uma pessoa imunizada, entre janeiro a agosto de 2026.

A pasta explica que o Brasil tem 94,66% de cobertura vacinal em crianças de até um ano, o que considera ótimo para a primeira dose. Já na segunda dose, o número cai para 79,78%, patamar abaixo da meta ideal. O Brasil tem registrado casos da doença, e a maioria dos infectados sequer havia sido vacinada.

A vacina é oferecida nas redes municipais de saúde em todo o país. Crianças com 12 meses devem tomar a primeira dose e, a segunda, aos 15 meses. O imunizante também é indicado para adolescentes e adultos não vacinados, além de profissionais de saúde. Não é necessário tomar mais do que duas doses ao longo da vida.

<><> Imunização irregular

A CNN Brasil teve acesso a dados colhidos entre janeiro e agosto de 2026. A cidade de Adelândia, em Goiás, foi a que obteve a melhor média de vacinação, acima dos 100%, entre os municípios do país. No outro extremo, a cidade de Serra Azul, em São Paulo, ocupa a última posição no levantamento, com uma média acumulada de 6,78%, ou seja, quase 90% abaixo do ideal.

Fevereiro consolidou-se como o pior mês para a vacinação no Brasil, registrando uma média nacional de apenas 82,70%, de acordo com os dados do governo.

Entre as capitais, Curitiba (PR) despontou com a melhor média acumulada, acima de 95% ao longo do ano. Por sua vez, Belém (PA) registra a menor média nacional entre as capitais, com 79,29% de cobertura vacinal.

<><> O drama da segunda dose

A segunda dose da tríplice viral continua sendo um desafio na imunização brasileira. Embora 79,78% do público esteja vacinado em 2026, o Ministério da Saúde avalia que o número ideal seja de 95%.

A vacina apresenta índices abaixo da meta ideal em companhia dos imunizantes de febre amarela (77,80%), reforço da febre amarela (76,33%) e segunda dose de varicela (79,00%).

De acordo com o Ministério da Saúde, Buriti de Goiás é a cidade com a maior taxa de cobertura de segunda dose no Brasil. No outro extremo, Capela de Santana, no Rio Grande do Sul, tem cobertura de apenas 1,98% da segunda dose do imunizante.

O histórico também confirma que o problema é persistente no Brasil. Entre 2015 e 2026, o índice nacional mais alto foi de 81,55% de cobertura média em 2019. No entanto, o índice caiu vertiginosamente durante a pandemia de Covid-19, batendo o recorde negativo de 53,20% em 2021.

<><> Alerta na América

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) confirma que Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos de sarampo no continente.

O Brasil está livre da circulação endêmica do sarampo, de acordo com a OPAS, mas ainda registra casos esporádicos da doença.

Até o dia 5 de outubro, foram registrados 52 casos considerados importados do patógeno: 41 em São Paulo, dez no Amazonas e um no Rio de Janeiro, sem registro de óbitos. A cidade de São Paulo concentra sozinha a maior quantidade de ocorrências, com 37 doentes.

A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo alertou que, dos 41 casos registrados no estado, 37 dos contaminados (90,2%) não haviam sido vacinados ou estavam com o esquema vacinal incompleto.

Em 2019, o Brasil registrou 20 mil casos de sarampo. As campanhas de vacinação reduziram expressivamente as ocorrências. Entre 2023 e 2025, por exemplo, foram confirmados apenas 43 casos no país, sem mortes.

 

Fonte: CNN Brasil 

 

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