Síndrome
de Boreout: entenda condição causada pelo tédio dos profissionais
Quando
falamos em adoecimento no trabalho associamos rapidamente à Síndrome de
Burnout, doença ocasionada pelo excesso de demandas. Há, porém, um fenômeno
menos conhecido que parte do oposto: o Boreout, sofrimento psicológico ligado
ao tédio e a falta de estímulos profissionais.
Em
entrevista à CNN Brasil, a psicóloga Denise Milk Vargas explicou que, apesar do
Boreout ainda não ser reconhecido como diagnóstico clínico nos principais
sistemas de classificações de doenças, ele descreve uma condição de
desinteresse que merece atenção e que pode ocasionar em problemas maiores no
futuro.
O
trabalho ocupa um espaço importante na construção da nossa identidade, da
autoestima e do sentimento de pertencimento. Quando uma pessoa passa a perceber
que suas capacidades estão sendo desperdiçadas e que sua contribuição não faz
diferença, pode surgir um processo progressivo de sofrimento emocional. -
Psicóloga Dra. Denise Milk Vargas
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O trabalho seria o "brinquedo" do adulto?
Segundo
Vargas, sim. Quando as atividades estão alinhadas às características e as
necessidades de cada pessoa, isso pode causar uma sensação de prazer e
realização. Por outro lado, quando o ao contrário acontece um sentimento de
frustração pode ser tomado por aquele (a) trabalhador (a).
Existe
uma condição fundamental: precisamos ser desafiados na medida adequada. Quando
as exigências ultrapassam continuamente nossos recursos, podemos adoecer pelo
excesso. Quando permanecem muito abaixo das nossas capacidades, podemos
experimentar tédio, desmotivação e perda de significado - .Psicóloga Dr. Denise
Milk Vargas
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O que provoca o Boreout?
Entre
os principais fatores no ambiente profissional, estão:
1. Atividades excessivamente repetitivas;
2. Falta de desafios compatíveis com as
capacidades;
3. Ausência de perspectivas de crescimento;
4. Percepção de que o trabalho não tem
significado;
5. Gestores que não lideram de maneira
adequada e não definem objetivos claros aos profissionais.
De
acordo com a psicóloga, o problema não está em trabalhar menos, mas em
permanecer por longos períodos em uma atividade em que não vê mais
perspectivas. "Existe uma diferença importante entre ter uma rotina
tranquila e sentir-se profissionalmente esvaziado", disse.
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Sinais de alerta
Os
sinais mais frequentes são:
• desmotivação persistente;
• apatia;
• irritabilidade;
• dificuldade de concentração;
• sensação de inutilidade;
• queda da autoestima;
• cansaço mental, mesmo quando a carga de
trabalho não é alta;
• alterações no sono;
• ansiedade;
• tristeza;
• sintomas físicos relacionados ao
estresse.
Os
sintomas não são exclusivos da Síndrome e podem estar associados à outras
doenças, por este motivo é importante passar com um profissional.
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Tratamento
De
acordo com a psicológica, o primeiro passo é reconhecer e buscar avaliação
profissional, principalmente quando os sintomas são persistentes ou ultrapassam
e afetam a vida pessoal. "O acompanhamento psicológico pode ajudar a
compreender os fatores envolvidos, recuperar a percepção de valor pessoal,
desenvolver estratégias de enfrentamento e construir caminhos para uma relação
mais saudável com o trabalho", explica.
Dependendo
da intensidade dos sintomas, pode ser necessária avaliação médica,
principalmente diante de sinais de depressão, ansiedade ou alterações
importantes no sono.
• Pesquisa mostra disparidade de efeitos
do trabalho na saúde mental
A
relação entre o ambiente de trabalho e a saúde mental dos funcionários está
mais evidente do que nunca.
Um
levantamento recente da Inmar Intelligence, empresa de tecnologia e dados,
entrevistou mil trabalhadores nos Estados Unidos e revelou o seguinte: 34%
afirmam que o trabalho impacta positivamente sua saúde mental, enquanto 33%
relatam efeitos negativos.
A
conclusão dos pesquisadores é de que essa disparidade de percepções reforça o
papel crucial das lideranças e do desenho organizacional em promover ambientes
mais saudáveis e inclusivos.
“Os
dados confirmam que saúde mental e condições de trabalho estão profundamente
interligados”, destacou a Inmar, que recomenda que as companhias melhorem a
comunicação e a clareza nas funções. Além disso, o suporte da liderança é um
dos caminhos para mudanças efetivas em ambientes de trabalho.
A
pesquisa apontou que os principais fatores positivos no ambiente de trabalho
são: segurança no emprego (45%), carga de trabalho razoável (40%), gestão
acolhedora (40%), opções de trabalho flexível (39%) e cultura organizacional
saudável (38%).
Em
contrapartida, os principais fatores negativos incluem: comunicação ineficaz
(32%), excesso de trabalho ou demandas pouco claras (30%), cultura tóxica ou
estressante (29%), falta de reconhecimento (25%) e gestão não solidária (24%).
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Ambientes de apoio aumentam produtividade
Na
mesma linha, um estudo da Simon Fraser University mostrou que funcionários têm
55% mais probabilidade de compartilhar problemas de saúde mental quando
percebem um ambiente acolhedor.
Já a
falta de abertura sobre esses temas está relacionada a maiores níveis de
ansiedade, absenteísmo e queda de desempenho.
“Ambientes
com apoio emocional não só promovem bem-estar, mas também garantem maior
engajamento e retenção de talentos”, destaca o relatório.
Corroborando
essa tendência, a Universidade de Iowa encontrou indícios de que licenças
remuneradas podem reduzir taxas de suicídio, quando implementadas de forma
estruturada.
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Empresas começam a agir globalmente
Apesar
dos desafios econômicos, muitas organizações já dão passos concretos para o fim
de uma cultura tóxica.
Um
levantamento do Business Group on Health revelou que 93% dos 131 empregadores
globais entrevistados pretendem manter ou ampliar suas ofertas de bem-estar em
2025, com quase metade dando prioridade absoluta à saúde mental.
Entre
as iniciativas mais frequentes estão programas de assistência aos funcionários,
gestão de stress, treinamentos em resiliência e práticas de mindfulness.
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No Brasil
Nos
últimos tempos, a discussão sobre o bem-estar no ambiente corporativo ganhou
destaque também no Brasil, impulsionada por mudanças importantes na legislação
trabalhista.
Um dos
marcos é o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, iniciativa do governo
federal que reconhece organizações comprometidas com práticas voltadas à saúde
mental dos seus colaboradores.
Para
obter o selo, as empresas precisam cumprir uma série de exigências, como
oferecer apoio psicológico e psiquiátrico, promover campanhas de
conscientização e garantir transparência nas suas ações internas.
Outra
medida relevante é a revisão da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), elaborada
pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A partir de 2026, a norma passará a
incluir os riscos psicossociais no escopo do Gerenciamento de Riscos
Ocupacionais, o que representa um avanço significativo na proteção da saúde
mental dos trabalhadores.
Originalmente
prevista para entrar em vigor em 2025, essa atualização foi adiada para dar
mais tempo às empresas se adaptarem aos novos requisitos. Ainda assim, o
primeiro ano de vigência terá caráter educativo, com foco em esclarecimento e
orientação, em vez de de punição.
Para
Alex Araújo, CEO da 4LifePrime, empresa especializada em saúde ocupacional,
para que essas ações realmente gerem impactos positivos e sustentáveis, ''é
fundamental que as empresas comecem pelo mapeamento dos riscos
psicossociais".
"Esse
diagnóstico permite identificar as principais carências internas e, a partir
disso, desenvolver estratégias eficazes e personalizadas para transformar o
ambiente organizacional e promover o bem-estar dos colaboradores'', explica.
Fonte:
CNN Brasil

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