quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Jeferson Miola: A complexidade do confronto do Lula com um miliciano sociopata

A maior parte do tempo do debate da Band foi um espetáculo de horrores. A extrema-direita confirmou que não tem compromisso com um mínimo de decência e dignidade, porque sua perspectiva de revolução reacionária e fascista implica em destruir “o sistema” e a civilidade moderna.

O bolsonarismo trouxe para a arena pública as práticas podres que dissemina no subterrâneo das redes sociais para catalisar a consciência de ressentidos e rancorosos.

Flávio Bolsonaro estava à vontade com o figurino Pablo Marçal, que formatou o tom burlesco para inviabilizar o debate. Ele se apresentou com a estratégia de embaralhar o enfrentamento para impedir a cobrança sobre seus vínculos criminosos e seu projeto de destruição da democracia e da soberania.

Esperava-se que com sua experiência e traquejo político, Lula iria desmascarar e demolir o miliciano, cuja trajetória é uma ficha criminal de corrupção, lavagem de dinheiro, peculato [“rachadinha”], ligação com milícias e facções criminosas.

Ficou patente, contudo, que Lula não estava suficientemente preparado para esse tipo de confronto. Por mais insuficiente que possa ter sido a preparação dele, é fundamental se reconhecer a dificuldade inerente ao confronto com um miliciano sociopata –frio e bem treinado– perante as câmeras de TV.

Assim como seu pai, Flávio Bolsonaro tem uma mente criminosa e o comportamento típico de sociopata – pessoa que padece do Transtorno de Personalidade Antissocial, como classifica o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana.

O Manual MSD descreve que “pessoas com transtorno de personalidade antissocial cometem atos ilegais, fraudulentos, exploradores e imprudentes para ganho pessoal ou prazer e sem remorsos. Eles podem enganar, explorar, fraudar ou manipular as pessoas para conseguir o que querem”.

O diagnóstico do transtorno considera o “desprezo persistente pelos direitos dos outros”, como agiu Bolsonaro-pai na pandemia, debochando das pessoas que sofriam e morriam asfixiadas por falta de ar.

Os Bolsonaro e o núcleo central do bolsonarismo são mentirosos contumazes; a mentira é como o ar que respiram. E são mestres em enganar e manipular, que é exatamente o que Flávio fez no debate da BAND, na entrevista ao Jornal Nacional e faz nos programas eleitorais de rádio e TV.

O gangsterismo incrustrado na institucionalidade e normalizado pela mídia na disputa política cobra dos setores democráticos de todos espectros ideológicos a formulação de técnicas e estratégias para enfrentar o fenômeno.

No preparo do Lula para o debate na TV Globo no dia 23, deveria ser considerada a inclusão de uma assessoria interdisciplinar que também integre, além das equipes política e de marketing, o aporte de especialistas em psicologia forense e ciências criminais.

No boletim de 2012 do FBI, um grupo interdisciplinar de policiais, psicólogos, psiquiatras e peritos criminais destacou que “em geral, os psicopatas são eloquentes e charmosos, e usam esses atributos para manipular os outros, levando-os a confiar e acreditar neles. Isso pode resultar em pessoas lhes dando dinheiro, votando neles para cargos públicos ou, possivelmente, sendo assassinadas por eles”.

Não se trata de psicologizar o comportamento de atores aberrantes da cena política, mas sim de compreender como a estratégia da extrema-direita com mentira, manipulação e engano pode ser enfrentada e desmascarada com eficácia política e eleitoral.

•        De Pablo “Cadeirada” para Flávio “Rachadinha”. Por Eduardo Guimarães

Na situação de abissal divisão da sociedade em torcidas que não se distinguem por duas das três pernas do tripé que sustenta as sociedades, ou seja, classe social e etnia, a crença religiosa tem sido um dos fatores de divisão do país.

Nesse contexto, em um país que chafurda na situação trágica de ter população característica dos países mais pobres do planeta, a situação de ter 90,5% de nosso povo acalentando alguma crença religiosa, a cisão da Nação em duas partes antagônicas é, simplesmente, aterradora.

É nesse ethos (valores, costumes, crenças e modos de agir que caracterizam um povo) que reside a explicação para o gosto pelo bizarro que reuniu, no mesmo evento – ou seja, no debate de ontem na TV Bandeirantes –, os “coaches” de Flávio “Rachadinha” Bolsonaro.

A associação dos estudos do Pew Research Center e do Gallup World Poll revela que, à exceção dos EUA – que são ricos, mas absurdamente desiguais –, todos os países tão religiosos acalentam uma população facilmente manipulável.

Picaretas como Pablo “Cadeirada” Marçal ou Flávio têm suas vidas infames facilitadas pelos “líderes religiosos” (bandidos que usam a religião para enriquecer) que vendem seus “rebanhos” aos políticos que pagam mais e/ou tenham eleitorado mais fiel.

“Cadeirada” orientou “Rachadinha” no debate da Band. Tal qual um técnico de futebol (ou coach) orienta seu time desde a beira do gramado, o instrutor de patifaria ensinava ao dedicado aprendiz como jogar sujo contra o ingênuo Lula.

É preciso ser um picareta para jogar como “Rachadinha” ou “Cadeirada”. Gente decente não sabe jogar assim, fazendo faltas, dando cotoveladas, caneladas e “carrinhos” retóricos.

Lula sempre se deu mal contra esse tipo de malandro. É acertada a tese que eclodiu ontem, de que o enfrentamento de Lula a “Rachadinha” emulou o de 1989, contra Fernando “Marajá” Collor de Mello.

Como o forte do primogênito do Jair não é a inteligência, descuidou de avaliar quais resultados Collor e Marçal colheram de suas respectivas “espertezas”.

Collor está na cadeia, ou melhor, numa gaiola dourada, em prisão domiciliar. Já Flávio “Rachadinha” começou a perder quando jornalistas de direita como Eliane Cantanhêde ou Merval Pereira indignaram-se com seu “jogo sujo” contra Lula.

Foi de revirar o estômago.

Quem brilhou ontem, pois, foi Adriana Araújo, apesar de as regras da Band terem sido formuladas para dar audiência via baixaria, como naquele programa do SBT nos anos 1980 “O Povo na TV”, que deu ao Brasil Roberto Jefferson.

Mas Adriana pedir ao “Rachadinha” para calar a boca e respeitar o adversário, a audiência e seus próprios eleitores, bastou para fazer os recortes da campanha de Lula darem uma surra nos do filho mais canalha do Jair, segundo o UL.

Graças a Galactus, Thanos e Doctor Doom – cada um escolhe os seus deuses favoritos. E, convenhamos, os meus são mais divertidos e nunca produziram vilões como Pablo “Cadeirada” ou Flávio “Rachadinha”. E Viva Stan Lee. R. I. P.

Na visão deste que escreve, portanto, Flávio comteu ontem seu pior erro nesta eleição. Gente decente ficou enojada com a sua malandragem, com sua recusa a dar satisfações sobre suspeitas graves e com as suas infames táticas de sarjeta.

•        Chico Buarque: “Os Bolsonaros têm que ser expulsos da vida pública”

O cantor e compositor Chico Buarque analisou o cenário político nacional e reafirmou seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista à emissora teleSUR, o artista expressou otimismo nesta reta final do segundo turno contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL) e declarou que o adversário representaria um risco para a soberania e a segurança pública do país.

Chico Buarque também enfatizou a importância de ampliar o diálogo com o segmento evangélico e de evitar a imposição de rótulos, destacando a existência de alas progressistas dentro desse grupo religioso. O músico fez menção ao encontro esportivo que compartilhou com os evangélicos e movimentos sociais.

“Estou otimista. Parece que algumas pessoas demoraram para compreender que o risco desse adversário nosso é concreto e muito grande. É uma ameaça a nossa soberania, sem falar de todos os descalabros que a gente já conhece, inclusive nessa zona onde a milícia atua fortemente. Tem que expulsar essa gente da política, tem que expulsar da vida pública esses Bolsonaros. Vamos lá, vamos acreditar. Estou confiante de que o Lula vai dar mais uma alegria para nós. Mais uma”, disse Chico Buarque.

“É uma prioridade. Talvez o pessoal da campanha do Lula tenha chegado um pouco tarde nisso. Os evangélicos não podem ser compartimentados nessa ou naquela posição. Muitos evangélicos são progressistas, tanto que eles vieram aqui e vão perder para nós no futebol. Ficamos alegres de derrotá-los no futebol e apoiá-los na nossa luta contra o fascismo”, acrescentou Chico Buarque.

•        ‘Extrema direita é sinônimo de ódio, vingança e subserviência’, afirma Celso Amorim

 Assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim defendeu o presidente Lula (PT) e criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL), dois candidatos que disputarão o segundo turno rumo ao Planalto no próximo dia 25. De acordo com o embaixador, a eleição presidencial brasileira é importante para todo o continente latino-americano. “Nós vemos a proliferação de governos de extrema-direita na América Latina, que é diferente da direita tradicional. É uma direita vingativa, odienta, militarista. Um militarismo que não é voltado para a soberania nacional, mas para opressão e para subordinação a potências estrangeiras”, disse o diplomata nesta segunda-feira (19) em vídeo no Instagram.

A gravação foi direcionada principalmente para brasileiros que vivem no exterior. “É uma eleição em que, de um lado, você tem o humanismo, a defesa dos valores civilizatórios. Do outro lado, você tem a negação total desses valores, o obscurantismo, a descrença na ciência e a total ausência de empatia social”, continuou.

“De um lado, aqueles que acreditam que o progresso só é real quando é para todos, pra brancos, negros, homens, mulheres, LGBTs e todos. De outro lado, aqueles que creem que o progresso é o progresso de uns poucos que podem acumular fortunas às custas da pobreza dos demais”, acrescentou.

Segundo Amorim, o segundo turno da eleição presidencial brasileira, marcado para o dia 25 deste mês, “não é uma eleição qualquer”. “Não é uma disputa entre partidos com ideologias ligeiramente diferentes, como tantas vezes acontece, nem entre personalidades que, com características também diversas”, destacou Amorim.

<><> Posição do presidente Lula

Em entrevista à Globo na última quinta-feira (15), o presidente Lula defendeu as negociações feitas com o governo estadunidense para uma relação comercial que atenda aos interesses das duas partes (Brasil e EUA).  Durante a conversa, o candidato à reeleição também ressaltou que o seu governo ampliou a parceria com outros mercados, mesmo em um contexto de guerra comercial lançada pelos EUA.

A Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada em 11 de abril de 2025, teve entre suas motivações as medidas comerciais adotadas pelo atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Naquele período, o governo norte-americano intensificou a disputa comercial com diversos países, incluindo o Brasil, ao anunciar novas tarifas sobre produtos importados.

A Lei nº 15.122 estabelece mecanismos que permitem ao Brasil suspender concessões comerciais em resposta a medidas, políticas ou práticas unilaterais de outros países que prejudiquem a competitividade da economia brasileira.

<><> Família Bolsonaro e as agressões ao Brasil

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL) fizeram articulações nos Estados Unidos para incentivar sanções contra o Brasil após a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por ministros do Supremo Tribunal Federal no inquérito da trama golpista. Magistrados condenaram o ex-mandatário a 27 anos de prisão, em setembro do ano passado.

Em 2026, os EUA anunciaram dois tarifaços contra o Brasil (um de 25% e outro de 12,5%). O governo Trump também classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. As tarifas e a classificação das facções incentivam sanções direcionadas ao país sul-americano.

Em junho deste ano, Flávio Bolsonaro atacou o sistema eleitoral brasileiro, durante uma reunião com embaixadores, em Brasília (DF), onde o senador tentou transmitir a mensagem de que as urnas eletrônicas não têm seguranças contra possíveis fraudes. A estratégia de atacar o Judiciário faz parte de uma tática golpista da extrema direita nos EUA e no Brasil caso seus representantes sejam derrotados em disputas eleitorais.

<><> Brasileiros no exterior

Mais de 918 mil brasileiros estão habilitados a votar fora do país, o equivalente a 0,5% do eleitorado nacional. De acordo com números divulgados pela Agência Brasil no dia 4 deste mês, quando ocorreu o primeiro turno, esses cidadãos podem participar exclusivamente das eleições para presidente e vice-presidente da República. Desse contingente, mais de 175 mil eleitores já apresentaram justificativa de ausência.

A quantidade de brasileiros com direito ao voto no exterior supera o eleitorado de estados como Roraima, Amapá e Acre. Em relação às eleições de 2022, quando pouco mais de 697 mil pessoas estavam cadastradas para votar em outros países, o total cresceu aproximadamente 221 mil eleitores, uma expansão de 31,82%.

A Justiça Eleitoral distribuiu urnas eletrônicas por seções instaladas em 186 cidades de 134 países. Os EUA lideram a concentração de eleitores brasileiros fora do território nacional, com cerca de 265 mil pessoas habilitadas. Portugal aparece na segunda posição, com mais de 134 mil, seguido pelo Japão, com aproximadamente 88 mil.

 

Fonte: Brasil 247

 

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