Indicado
por Flávio Bolsonaro para a Saúde diz que não colocaria mais dinheiro no SUS
O
médico Cláudio Lottenberg, anunciado por Flávio Bolsonaro (PL) como futuro
ministro da Saúde em caso de vitória nas eleições presidenciais, afirmou que
não colocaria mais dinheiro no Sistema Único de Saúde (SUS) antes de melhorar a
utilização dos recursos existentes. O possível ministro também defendeu a
expansão dos planos privados de saúde, sob o argumento de que o crescimento do
setor particular beneficiaria o sistema público.
A
declaração foi feita em 2019, durante o debate “O SUS no Século 21: desafios e
mudanças necessárias”, promovido pela Fundação Fernando Henrique Cardoso, e
voltou a circular nesta segunda-feira (19), após ser divulgada pelo deputado
federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ).
“Eu
acho que a gente gasta bastante e gasta mal tanto na esfera privada quanto na
esfera pública. O mantra de que está faltando dinheiro é um mantra, na minha
interpretação, equivocado”, afirmou Lottenberg.
Na
sequência, o médico rejeitou a possibilidade de ampliar imediatamente os
recursos destinados à saúde.
“Eu não
colocaria nada mais, a não ser que a gente esgotasse ou pelo menos evoluísse na
forma de alocar os recursos que nós já dispomos.”
À
época, Lottenberg presidia a UnitedHealth Group Brasil, empresa do setor de
planos de saúde, e sustentou que parte significativa dos gastos poderia ser
evitada com melhorias na gestão. Segundo ele, pelo menos um terço dos recursos
seria desperdiçado com exames redundantes, medicamentos sem comprovação
adequada e internações desnecessárias.
A
avaliação, entretanto, contrasta com a posição do Conselho Nacional de Saúde
(CNS), que identifica perdas expressivas no financiamento do SUS e defende a
recomposição dos recursos federais.
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Conselho de Saúde cobra R$ 65 bilhões para o SUS
Em
recomendação aprovada em agosto de 2026 e divulgada pelo próprio Conselho
Nacional de Saúde, o órgão solicitou ao governo federal a apresentação de um
cronograma para recompor pelo menos R$ 65 bilhões em recursos perdidos pelo SUS
em decorrência da Emenda Constitucional 95, de 2016, que instituiu o antigo
teto de gastos.
O
documento, elaborado a partir de análises da Comissão Intersetorial de
Orçamento e Financiamento, também apontou problemas na execução de despesas
consideradas estratégicas para o funcionamento do sistema público.
A
recomendação cobra medidas urgentes para acelerar a aplicação dos recursos
previstos no orçamento de 2026, além de maior transparência na distribuição de
emendas parlamentares destinadas à saúde.
O
posicionamento do CNS acrescenta uma dimensão ao debate levantado por
Lottenberg: além de problemas na administração dos recursos disponíveis, o
órgão responsável pelo controle social das políticas de saúde identifica a
necessidade de recompor perdas acumuladas no financiamento federal.
O valor
de R$ 65 bilhões representa uma estimativa de perdas associadas ao antigo teto
de gastos, e não um montante que necessariamente seria incorporado
integralmente ao orçamento de um único ano.
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Futuro ministro defende crescimento dos planos privados
Durante
o mesmo evento de 2019, Lottenberg também apresentou a expansão dos planos de
saúde como um caminho para melhorar o funcionamento do SUS.
“Quanto
mais, aliás, o privado crescer, quer dizer, quanto mais houver emprego, quanto
mais houver seguro saúde, melhor é para o Sistema Único de Saúde”, declarou.
A
argumentação parte da ideia de que o crescimento do mercado de planos privados
reduziria a pressão sobre a rede pública. Entretanto, a expansão da saúde
suplementar não elimina as responsabilidades do SUS, que permanece responsável
por serviços universais, como vacinação, vigilância epidemiológica,
transplantes e atendimentos de alta complexidade.
A
declaração também não esclarece como seriam financiadas novas estruturas
hospitalares, a ampliação do atendimento especializado ou a contratação de
profissionais sem recursos adicionais.
Lottenberg
já presidiu o Hospital Israelita Albert Einstein e foi secretário municipal da
Saúde de São Paulo em 2005, durante a gestão de José Serra. Na administração
municipal, participou da implantação do modelo de Organizações Sociais de Saúde
na rede pública.
Desde
então, contratos com essas organizações se tornaram alvo de investigações e
auditorias por suspeitas de desvios de recursos, irregularidades contratuais e
falhas de fiscalização.
Em São
Paulo, as OSSs receberam R$ 13 bilhões em recursos municipais em 2024, quase
60% dos gastos da Prefeitura com saúde. Em 2025, o Tribunal de Contas do
Município alertou para problemas recorrentes na fiscalização desses contratos.
O
Tribunal de Contas da União também identificou riscos de fraude e corrupção no
modelo, incluindo possíveis direcionamentos na seleção de entidades. Em
dezembro de 2025, TCU, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da
União anunciaram uma ação conjunta para combater desvios de recursos públicos
na gestão de unidades de saúde por organizações sociais.
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Flávio promete atendimento de hospital privado no SUS
A
posição defendida pelo médico voltou a ganhar relevância após Flávio Bolsonaro
reafirmar, no debate presidencial da Band, realizado neste domingo (18), que
pretende nomeá-lo ministro da Saúde.
Na
ocasião, o candidato prometeu levar ao sistema público o padrão de atendimento
do Hospital Albert Einstein, instituição privada que já foi presidida por
Lottenberg.
“Eu
quero colocar padrão Einstein no SUS, aquele mesmo atendimento com tecnologia,
com médicos, com hora marcada, sem fila, que tem na rede privada, eu quero
levar para o SUS”, declarou Flávio.
O
candidato apresentou a criação de um prontuário eletrônico único, vinculado ao
CPF, como uma das principais medidas para melhorar a integração dos serviços de
saúde.
As
declarações anteriores de Lottenberg, porém, levantam uma questão sobre o
financiamento dessa promessa e como ampliar a oferta de consultas, exames,
profissionais e tecnologias sem necessariamente aumentar os investimentos
públicos.
Fonte: ICL Notícias

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