quarta-feira, 21 de outubro de 2026

João Lister: O moleque do fundo da sala

O auditório está cheio. Vieram pessoas preocupadas com a vida: o salário que termina antes do mês, a consulta que demora, o filho que precisa de trabalho, o medo de voltar para casa. À frente, um palestrante organiza os papéis. Trouxe números, informações, exemplos. Sabe que os problemas são difíceis e procura explicá-los sem fazer da dificuldade um espetáculo.

No fundo da sala, porém, há um moleque.

O palestrante começa a falar de saúde. O moleque solta uma gracinha. Tenta explicar uma questão econômica. Vem outra provocação. Apresenta um dado. Recebe uma insinuação. Algumas pessoas riem, outras se incomodam. O assunto fica suspenso, esperando que a conversa possa recomeçar.

O moleque percebe que consegue comandar a atenção sem precisar estudar a matéria.

Basta escolher o instante da interrupção. Quando o raciocínio começa a ganhar corpo, ele o atravessa com uma piada. Quando surge uma pergunta difícil, oferece uma provocação. Se o palestrante se irrita, melhor ainda: pode exibir a irritação que ajudou a produzir como se fosse uma vitória intelectual.

Foi essa a imagem que me ocorreu diante da participação de Flávio Bolsonaro no debate da Bandeirantes, na noite de domingo.

A desenvoltura para provocar ocupava o espaço em que se esperava encontrar disposição para discutir o país. O sorriso parecia chegar antes da resposta; a próxima alfinetada parecia importar mais que o desenvolvimento do assunto. Para quem aguardava uma discussão séria dos problemas nacionais, ficava a sensação de assistir ao moleque do fundo da sala, agora instalado diante de um microfone.

Há uma diferença enorme entre fazer uma pergunta incômoda e trabalhar para que nenhuma resposta possa ser ouvida. A primeira atitude pode esclarecer o público. A segunda consome o tempo de todos.

Na cena do auditório, o palestrante também enfrenta uma armadilha. Se continua a exposição, a provocação fica circulando pela sala. Se responde, abandona por alguns instantes o tema que levou as pessoas até ali. Se perde a paciência, o moleque abre os braços, satisfeito, como quem acaba de demonstrar alguma coisa.

Enquanto isso, a mulher que queria entender a fila do hospital continua sem resposta. O trabalhador interessado no salário espera. O jovem que procura uma perspectiva de futuro assiste a mais uma troca de ataques.

É esse desperdício que torna a molecagem tão grave quando ela sobe a um palco presidencial. O tempo gasto com a gracinha é tempo retirado de uma discussão que diz respeito à vida de milhões de pessoas.

Ao fim, pode até haver quem comemore: “Você viu como ele provocou?”

Vi. O que procurei, por trás da provocação, foi uma proposta suficientemente desenvolvida para ser examinada, uma ideia sustentada até o fim, algum sinal de que os problemas brasileiros mereciam mais atenção que a oportunidade de constranger o adversário.

O moleque do fundo da sala pode sair satisfeito por ter atrapalhado a palestra.

Mas, quando pretende governar o país, precisa explicar o que fará depois que o auditório parar de rir.

•        Flávio é política da molecagem: desprezo e deboche — Debate da Band não pode se repetir na Globo. Por Davis Sena Filho

No debate da Band, não houve debate, mas sim a arrogância e a soberba a mostrar até onde um sujeito desqualificado e irresponsável não tem limites éticos quando se trata de defender seus interesses pessoais, familiares e das “elites” do atraso deste País rico de povo pobre. Assim é Flávio Bolsonaro em busca, pasmem, de ser presidente da República do Brasil, um país continental e poderoso, que está entre as dez economias mais importantes do mundo e com uma população de quase 215 milhões de habitantes.

O filho chamado de 01 do presidiário de Jair Bolsonaro faz do escárnio seu modo de vida e do desrespeito sistemático sua maneira de fazer política, a política suja, bárbara e marginal, que tem por propósito, e apenas isso, evitar o debate propositivo, não responder às perguntas que incomodam e fazer da pilhéria a maneira mais sórdida de desrespeito ao adversário, no caso o Lula, por meio de mímicas, negações de cabeça e caretas dignas de um palhaço sem graça, mas brutalmente covarde e mentiroso.

A equipe de Lula tem que urgentemente conversar com a Globo sobre as condições e regras do debate, que será realizado no dia 23 de outubro. É inaceitável que Flávio Bolsonaro repita, na Rede Globo, seu comportamento nefasto com seu adversário e altamente desrespeitoso com o público e, principalmente, com a instituição política e eleitoral que são as eleições, sendo que a presidencial é a mais importante.

Lula não pode, aos 80 anos de idade, ser alvo de desrespeitos. Lula é um político de expressão planetária e respeitado nos fóruns internacionais por suas posições de independência e soberania com foco na cooperação entre os povos e as nações. O mandatário brasileiro não deve se sujeitar a ser alvo de um moleque da pior espécie como o é Flávio Bolsonaro. Trata-se do playboy irresponsável e inconsequente que exemplifica, ipsis litteris, a “rapaziada” endinheirada, branca e rica, que nasceu, cresceu e está a envelhecer com enorme desprezo pelo País e pela população brasileira, sem ter noção alguma de suas demandas, necessidades e realidades no dia a dia de suas vidas.

Flávio trata com desdém as questões brasileiras como se fossem sem importância, bem como ao enfrentar o Lula o trata como se fosse uma pessoa desimportante e sem biografia, quando a verdade é que Lula é um dos cinco brasileiros mais emblemáticos e importantes da história do Brasil e seu principal condutor há décadas em defesa da democracia, da Constituição e do Estado Democrático de Direito.

O presidente Lula, no passado, combateu a ditadura militar e no presente implementa um governo de ações pragmáticas quanto ao desenvolvimento econômico e social, a lutar incessantemente para garantir a emancipação do povo brasileiro e a soberania do Brasil, porque se um País é colonizado, não haverá condições de garantir a autodeterminação e, com efeito, ser dono do seu presente e futuro, do seu próprio nariz e assim implementar programas governamentais e projeto de País, sempre em busca de melhoria da qualidade de vida da sociedade brasileira.

Flávio, ao contrário desses valores e princípios republicanos, deseja recrudescer a desigualdade sociais e regionais, a estratificar ainda mais as classes sociais, porque impor e manter a segregação socioeconômica é a forma mais perversa e elitista que um governante associado aos seus apoiadores colocarão em prática com a intenção de concentrar brutalmente renda e riqueza, por intermédio do sequestro do Estado.

Um hipotético governo de extrema direita e ultraneoliberal de Flávio Bolsonaro passará a extinguir direitos, a congelar investimentos, a negar reposições salariais e previdenciárias, além de bloquear e diminuir recursos para a educação, a cultura, a saúde, a ciência e a infraestrutura, a paralisar milhares e milhares de obras, como fez, irresponsavelmente, seu pai, que ora se encontra preso por tentar um golpe de estado, dentre outros graves crimes.

O “tesouraço” que o filhinho do papai anuncia, entre risos debochados para realizar seu “ajuste fiscal” ultraneoliberal, é de R$ 200 bilhões. Isto mesmo, cara-pálida! Você viu e ouviu bem: R$ 200 bilhões. Você acha que para tomar posse desse dinheiro Flávio Bolsonaro vai cortar dos ricos? Você acredita que ele vai aumentar os impostos dos ricos, combater a sonegação de impostos e as remessas ilegais de dinheiro? Evidentemente que não, até porque você não seria tão ingênuo ou patético…

Flávio vai fazer o que ele, seus irmãos e seu pai sempre fizeram, ou seja, serão os Robin Hoods às avessas: um País de poucos, para beneficiar os ricos. Se você ficar indignado e revoltado, prepare-se, porque Flávio dirá: “Quem pode, pode; quem não pode, se sacode”. É capaz de ele falar até de “meritocracia”, como se Flávio tivesse feito alguma coisa na vida que dependesse de seu esforço e competência, porque sempre desde moço recebeu tudo nas mãos. Até seu primeiro emprego foi como funcionário fantasma, mas sempre a se esbaldar sob o dourado sol de Angra dos Reis.

Flávio Bolsonaro é a fina flor da desfaçatez em forma de cinismo e hipocrisia, a realizar um debate frontalmente desrespeitoso e pleno de caretas sarcásticas, gestos insolentes e palavras desairosas, porque sem decoro nenhum. Esse indivíduo de palavras sórdidas é, sem dúvida, a promessa da fome, da miséria, do desmonte do Estado e da entrega das riquezas brasileiras aos Estados Unidos. Este país da América do Norte é a sua paixão infantilóide, que no seu imaginário doentio e submisso é o paraíso na terra, mas que de fato é uma distorção da realidade, que foi ensinada pelo seu pai, o presidiário Jair Bolsonaro, o maior responsável pela morte de mais de 700 mil brasileiros por Covid-19.

Lula e sua equipe, volto a ressaltar, têm que urgentemente se reportar à direção da Globo e estabelecer que Flávio Bolsonaro não pode novamente fazer gestos, caretas e negações enquanto o presidente Lula apresenta suas propostas de governo ao povo brasileiro. De alguma forma, o candidato Lula tem que se apresentar em paz, de maneira a ser compreendido pelos brasileiros e não interrompido por uma pessoa de atos deletérios, que nasceu, foi criado e está a envelhecer a enganar as pessoas, mentir e dissimular, que é a forma dele fingir o que não é. Flávio é a política da molecagem, do desprezo e do deboche, a tônica de sua vida dedicada a enriquecer e a se divertir, de preferência com a dor das pessoas e com o subdesenvolvimento do Brasil. É isso aí.

•        ‘Postura de menino’ e despreparo institucional: José Eduardo Cardozo avalia desempenho de Flávio Bolsonaro

Em análise veiculada pela TV 247, o jurista e ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo teceu duras críticas à participação de Flávio Bolsonaro no debate entre candidatos à Presidência da República promovido pela TV Bandeirantes.

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Para além das divergências programáticas e ideológicas, Cardozo concentrou sua análise na dimensão comportamental e simbólica do postulante, sustentando que sua conduta revelou uma mistura de traços autoritários com infantilismo político — elementos incompatíveis com as exigências da Chefia de Estado.

<><> O contraste entre a experiência e a incógnita

Logo na abertura de seu comentário, Cardozo traçou um contraponto entre os dois principais polos do encontro. Segundo o analista, o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já era amplamente previsível para o público e analistas: com décadas de trajetória política, passagens reiteradas por debates e imagem pública consolidada, o mandatário atuou dentro dos parâmetros esperados de sua experiência prévia.

A expectativa central da noite, apontou Cardozo, recaía sobre Flávio Bolsonaro, que chegava ao estúdio como uma incógnita diante do formato de confronto direto. Tratava-se de testar, sob holofotes de alcance nacional, como o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro sustentaria um debate de alto nível.

<><> A fuga das perguntas incômodas e o DNA autoritário

Para o jurista, certos comportamentos exibidos ao longo da transmissão não causaram surpresa. O primeiro deles foi a recusa explícita em responder a temas delicados e questionamentos incômodos.

“Flávio Bolsonaro não responderia a perguntas incômodas: primeiro porque não sabe respondê-las e não tem como respondê-las; em segundo lugar, porque são assim os autoritários. Os autoritários se bastam a si próprios, não precisam explicar seus atos.”

De acordo com o ex-ministro, a prepotência observada no palco reflete o próprio DNA político do bolsonarismo, movimento no qual a recusa à prestação de contas e a postura refratária ao contraditório são tratadas não como falhas, mas como método de autopreservação.

<><> Do confronto político ao ridículo: caras, bocas e interrupções

O ponto de inflexão da crítica de Cardozo esteve na atitude cênica adotada por Flávio. Em tom contundente, o analista destacou que o que mais chocou não foram os argumentos, mas sim a postura que classificou como “de menino mimado” e de “playboy”.

O jurista fez questão de ressaltar que a crítica não tem relação com faixa etária — lembrando que ele próprio assumiu a Secretaria de Governo do município de São Paulo aos 28 anos —, mas com maturidade cívica e respeito às regras do jogo republicano:

•        Cenas desrespeitosas: O jurista apontou que, enquanto o oponente falava, o candidato gesticulava, fazia caretas e balançava a cabeça em sinal de deboche, tentando desestabilizar o adversário por meio de mímicas.

•        Ausência de compostura: Ao interromper sistematicamente e apostar no deboche visual, Flávio teria cruzado uma linha que seu pai, Jair Bolsonaro, evitava ultrapassar nos debates televisivos, mesmo com o histórico de polêmicas de sua gestão.

<><> O teste da ONU: a representação internacional em xeque

Cardozo levou a crítica ao plano geopolítico e institucional. Ao questionar como tal perfil reagiria em foros diplomáticos de alta relevância, o ex-ministro fez um alerta sobre a dignidade do cargo:

“Os senhores já imaginaram um presidente da República ficar atrás do outro fazendo caras e bocas? Isso é ridículo. Num congresso, numa sessão da ONU, vai falar um presidente e o mandatário do Brasil vai ficar atrás dizendo que não com a cabeça e fazendo careta?”

Para o comentarista, a chefia de Estado exige equilíbrio e liturgia independentemente do espectro político:

•        Um presidente representa a totalidade da nação, e não apenas seu núcleo de apoiadores.

•        A quebra reiterada do decoro compromete a credibilidade internacional do país e apequena as instituições democráticas.

<><> A liturgia do cargo esvaziada

Ao concluir sua análise, José Eduardo Cardozo resumiu o debate como um divisor de águas que expôs a inaptidão de Flávio Bolsonaro para o exercício da Presidência da República. Na visão do jurista, ao aliar arrogância retórica, fuga deliberada de respostas substantivas e atitudes pueris no tablado, o candidato demonstrou desconhecer o peso e a responsabilidade da liturgia presidencial.

 

Fonte: Brasil 247

 

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