João
Lister: O moleque do fundo da sala
O
auditório está cheio. Vieram pessoas preocupadas com a vida: o salário que
termina antes do mês, a consulta que demora, o filho que precisa de trabalho, o
medo de voltar para casa. À frente, um palestrante organiza os papéis. Trouxe
números, informações, exemplos. Sabe que os problemas são difíceis e procura
explicá-los sem fazer da dificuldade um espetáculo.
No
fundo da sala, porém, há um moleque.
O
palestrante começa a falar de saúde. O moleque solta uma gracinha. Tenta
explicar uma questão econômica. Vem outra provocação. Apresenta um dado. Recebe
uma insinuação. Algumas pessoas riem, outras se incomodam. O assunto fica
suspenso, esperando que a conversa possa recomeçar.
O
moleque percebe que consegue comandar a atenção sem precisar estudar a matéria.
Basta
escolher o instante da interrupção. Quando o raciocínio começa a ganhar corpo,
ele o atravessa com uma piada. Quando surge uma pergunta difícil, oferece uma
provocação. Se o palestrante se irrita, melhor ainda: pode exibir a irritação
que ajudou a produzir como se fosse uma vitória intelectual.
Foi
essa a imagem que me ocorreu diante da participação de Flávio Bolsonaro no
debate da Bandeirantes, na noite de domingo.
A
desenvoltura para provocar ocupava o espaço em que se esperava encontrar
disposição para discutir o país. O sorriso parecia chegar antes da resposta; a
próxima alfinetada parecia importar mais que o desenvolvimento do assunto. Para
quem aguardava uma discussão séria dos problemas nacionais, ficava a sensação
de assistir ao moleque do fundo da sala, agora instalado diante de um
microfone.
Há uma
diferença enorme entre fazer uma pergunta incômoda e trabalhar para que nenhuma
resposta possa ser ouvida. A primeira atitude pode esclarecer o público. A
segunda consome o tempo de todos.
Na cena
do auditório, o palestrante também enfrenta uma armadilha. Se continua a
exposição, a provocação fica circulando pela sala. Se responde, abandona por
alguns instantes o tema que levou as pessoas até ali. Se perde a paciência, o
moleque abre os braços, satisfeito, como quem acaba de demonstrar alguma coisa.
Enquanto
isso, a mulher que queria entender a fila do hospital continua sem resposta. O
trabalhador interessado no salário espera. O jovem que procura uma perspectiva
de futuro assiste a mais uma troca de ataques.
É esse
desperdício que torna a molecagem tão grave quando ela sobe a um palco
presidencial. O tempo gasto com a gracinha é tempo retirado de uma discussão
que diz respeito à vida de milhões de pessoas.
Ao fim,
pode até haver quem comemore: “Você viu como ele provocou?”
Vi. O
que procurei, por trás da provocação, foi uma proposta suficientemente
desenvolvida para ser examinada, uma ideia sustentada até o fim, algum sinal de
que os problemas brasileiros mereciam mais atenção que a oportunidade de
constranger o adversário.
O
moleque do fundo da sala pode sair satisfeito por ter atrapalhado a palestra.
Mas,
quando pretende governar o país, precisa explicar o que fará depois que o
auditório parar de rir.
• Flávio é política da molecagem: desprezo
e deboche — Debate da Band não pode se repetir na Globo. Por Davis Sena Filho
No
debate da Band, não houve debate, mas sim a arrogância e a soberba a mostrar
até onde um sujeito desqualificado e irresponsável não tem limites éticos
quando se trata de defender seus interesses pessoais, familiares e das “elites”
do atraso deste País rico de povo pobre. Assim é Flávio Bolsonaro em busca,
pasmem, de ser presidente da República do Brasil, um país continental e
poderoso, que está entre as dez economias mais importantes do mundo e com uma
população de quase 215 milhões de habitantes.
O filho
chamado de 01 do presidiário de Jair Bolsonaro faz do escárnio seu modo de vida
e do desrespeito sistemático sua maneira de fazer política, a política suja,
bárbara e marginal, que tem por propósito, e apenas isso, evitar o debate
propositivo, não responder às perguntas que incomodam e fazer da pilhéria a
maneira mais sórdida de desrespeito ao adversário, no caso o Lula, por meio de
mímicas, negações de cabeça e caretas dignas de um palhaço sem graça, mas
brutalmente covarde e mentiroso.
A
equipe de Lula tem que urgentemente conversar com a Globo sobre as condições e
regras do debate, que será realizado no dia 23 de outubro. É inaceitável que
Flávio Bolsonaro repita, na Rede Globo, seu comportamento nefasto com seu
adversário e altamente desrespeitoso com o público e, principalmente, com a
instituição política e eleitoral que são as eleições, sendo que a presidencial
é a mais importante.
Lula
não pode, aos 80 anos de idade, ser alvo de desrespeitos. Lula é um político de
expressão planetária e respeitado nos fóruns internacionais por suas posições
de independência e soberania com foco na cooperação entre os povos e as nações.
O mandatário brasileiro não deve se sujeitar a ser alvo de um moleque da pior
espécie como o é Flávio Bolsonaro. Trata-se do playboy irresponsável e
inconsequente que exemplifica, ipsis litteris, a “rapaziada” endinheirada,
branca e rica, que nasceu, cresceu e está a envelhecer com enorme desprezo pelo
País e pela população brasileira, sem ter noção alguma de suas demandas,
necessidades e realidades no dia a dia de suas vidas.
Flávio
trata com desdém as questões brasileiras como se fossem sem importância, bem
como ao enfrentar o Lula o trata como se fosse uma pessoa desimportante e sem
biografia, quando a verdade é que Lula é um dos cinco brasileiros mais
emblemáticos e importantes da história do Brasil e seu principal condutor há
décadas em defesa da democracia, da Constituição e do Estado Democrático de
Direito.
O
presidente Lula, no passado, combateu a ditadura militar e no presente
implementa um governo de ações pragmáticas quanto ao desenvolvimento econômico
e social, a lutar incessantemente para garantir a emancipação do povo
brasileiro e a soberania do Brasil, porque se um País é colonizado, não haverá
condições de garantir a autodeterminação e, com efeito, ser dono do seu
presente e futuro, do seu próprio nariz e assim implementar programas
governamentais e projeto de País, sempre em busca de melhoria da qualidade de
vida da sociedade brasileira.
Flávio,
ao contrário desses valores e princípios republicanos, deseja recrudescer a
desigualdade sociais e regionais, a estratificar ainda mais as classes sociais,
porque impor e manter a segregação socioeconômica é a forma mais perversa e
elitista que um governante associado aos seus apoiadores colocarão em prática
com a intenção de concentrar brutalmente renda e riqueza, por intermédio do
sequestro do Estado.
Um
hipotético governo de extrema direita e ultraneoliberal de Flávio Bolsonaro
passará a extinguir direitos, a congelar investimentos, a negar reposições
salariais e previdenciárias, além de bloquear e diminuir recursos para a
educação, a cultura, a saúde, a ciência e a infraestrutura, a paralisar
milhares e milhares de obras, como fez, irresponsavelmente, seu pai, que ora se
encontra preso por tentar um golpe de estado, dentre outros graves crimes.
O
“tesouraço” que o filhinho do papai anuncia, entre risos debochados para
realizar seu “ajuste fiscal” ultraneoliberal, é de R$ 200 bilhões. Isto mesmo,
cara-pálida! Você viu e ouviu bem: R$ 200 bilhões. Você acha que para tomar
posse desse dinheiro Flávio Bolsonaro vai cortar dos ricos? Você acredita que
ele vai aumentar os impostos dos ricos, combater a sonegação de impostos e as
remessas ilegais de dinheiro? Evidentemente que não, até porque você não seria
tão ingênuo ou patético…
Flávio
vai fazer o que ele, seus irmãos e seu pai sempre fizeram, ou seja, serão os
Robin Hoods às avessas: um País de poucos, para beneficiar os ricos. Se você
ficar indignado e revoltado, prepare-se, porque Flávio dirá: “Quem pode, pode;
quem não pode, se sacode”. É capaz de ele falar até de “meritocracia”, como se
Flávio tivesse feito alguma coisa na vida que dependesse de seu esforço e
competência, porque sempre desde moço recebeu tudo nas mãos. Até seu primeiro
emprego foi como funcionário fantasma, mas sempre a se esbaldar sob o dourado
sol de Angra dos Reis.
Flávio
Bolsonaro é a fina flor da desfaçatez em forma de cinismo e hipocrisia, a
realizar um debate frontalmente desrespeitoso e pleno de caretas sarcásticas,
gestos insolentes e palavras desairosas, porque sem decoro nenhum. Esse
indivíduo de palavras sórdidas é, sem dúvida, a promessa da fome, da miséria,
do desmonte do Estado e da entrega das riquezas brasileiras aos Estados Unidos.
Este país da América do Norte é a sua paixão infantilóide, que no seu
imaginário doentio e submisso é o paraíso na terra, mas que de fato é uma
distorção da realidade, que foi ensinada pelo seu pai, o presidiário Jair
Bolsonaro, o maior responsável pela morte de mais de 700 mil brasileiros por
Covid-19.
Lula e
sua equipe, volto a ressaltar, têm que urgentemente se reportar à direção da
Globo e estabelecer que Flávio Bolsonaro não pode novamente fazer gestos,
caretas e negações enquanto o presidente Lula apresenta suas propostas de
governo ao povo brasileiro. De alguma forma, o candidato Lula tem que se
apresentar em paz, de maneira a ser compreendido pelos brasileiros e não
interrompido por uma pessoa de atos deletérios, que nasceu, foi criado e está a
envelhecer a enganar as pessoas, mentir e dissimular, que é a forma dele fingir
o que não é. Flávio é a política da molecagem, do desprezo e do deboche, a
tônica de sua vida dedicada a enriquecer e a se divertir, de preferência com a
dor das pessoas e com o subdesenvolvimento do Brasil. É isso aí.
• ‘Postura de menino’ e despreparo
institucional: José Eduardo Cardozo avalia desempenho de Flávio Bolsonaro
Em
análise veiculada pela TV 247, o jurista e ex-ministro da Justiça José Eduardo
Cardozo teceu duras críticas à participação de Flávio Bolsonaro no debate entre
candidatos à Presidência da República promovido pela TV Bandeirantes.
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Para
além das divergências programáticas e ideológicas, Cardozo concentrou sua
análise na dimensão comportamental e simbólica do postulante, sustentando que
sua conduta revelou uma mistura de traços autoritários com infantilismo
político — elementos incompatíveis com as exigências da Chefia de Estado.
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O contraste entre a experiência e a incógnita
Logo na
abertura de seu comentário, Cardozo traçou um contraponto entre os dois
principais polos do encontro. Segundo o analista, o desempenho do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva já era amplamente previsível para o público e
analistas: com décadas de trajetória política, passagens reiteradas por debates
e imagem pública consolidada, o mandatário atuou dentro dos parâmetros
esperados de sua experiência prévia.
A
expectativa central da noite, apontou Cardozo, recaía sobre Flávio Bolsonaro,
que chegava ao estúdio como uma incógnita diante do formato de confronto
direto. Tratava-se de testar, sob holofotes de alcance nacional, como o filho
mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro sustentaria um debate de alto nível.
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A fuga das perguntas incômodas e o DNA autoritário
Para o
jurista, certos comportamentos exibidos ao longo da transmissão não causaram
surpresa. O primeiro deles foi a recusa explícita em responder a temas
delicados e questionamentos incômodos.
“Flávio
Bolsonaro não responderia a perguntas incômodas: primeiro porque não sabe
respondê-las e não tem como respondê-las; em segundo lugar, porque são assim os
autoritários. Os autoritários se bastam a si próprios, não precisam explicar
seus atos.”
De
acordo com o ex-ministro, a prepotência observada no palco reflete o próprio
DNA político do bolsonarismo, movimento no qual a recusa à prestação de contas
e a postura refratária ao contraditório são tratadas não como falhas, mas como
método de autopreservação.
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Do confronto político ao ridículo: caras, bocas e interrupções
O ponto
de inflexão da crítica de Cardozo esteve na atitude cênica adotada por Flávio.
Em tom contundente, o analista destacou que o que mais chocou não foram os
argumentos, mas sim a postura que classificou como “de menino mimado” e de
“playboy”.
O
jurista fez questão de ressaltar que a crítica não tem relação com faixa etária
— lembrando que ele próprio assumiu a Secretaria de Governo do município de São
Paulo aos 28 anos —, mas com maturidade cívica e respeito às regras do jogo
republicano:
• Cenas desrespeitosas: O jurista apontou
que, enquanto o oponente falava, o candidato gesticulava, fazia caretas e
balançava a cabeça em sinal de deboche, tentando desestabilizar o adversário
por meio de mímicas.
• Ausência de compostura: Ao interromper
sistematicamente e apostar no deboche visual, Flávio teria cruzado uma linha
que seu pai, Jair Bolsonaro, evitava ultrapassar nos debates televisivos, mesmo
com o histórico de polêmicas de sua gestão.
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O teste da ONU: a representação internacional em xeque
Cardozo
levou a crítica ao plano geopolítico e institucional. Ao questionar como tal
perfil reagiria em foros diplomáticos de alta relevância, o ex-ministro fez um
alerta sobre a dignidade do cargo:
“Os
senhores já imaginaram um presidente da República ficar atrás do outro fazendo
caras e bocas? Isso é ridículo. Num congresso, numa sessão da ONU, vai falar um
presidente e o mandatário do Brasil vai ficar atrás dizendo que não com a
cabeça e fazendo careta?”
Para o
comentarista, a chefia de Estado exige equilíbrio e liturgia independentemente
do espectro político:
• Um presidente representa a totalidade da
nação, e não apenas seu núcleo de apoiadores.
• A quebra reiterada do decoro compromete
a credibilidade internacional do país e apequena as instituições democráticas.
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A liturgia do cargo esvaziada
Ao
concluir sua análise, José Eduardo Cardozo resumiu o debate como um divisor de
águas que expôs a inaptidão de Flávio Bolsonaro para o exercício da Presidência
da República. Na visão do jurista, ao aliar arrogância retórica, fuga
deliberada de respostas substantivas e atitudes pueris no tablado, o candidato
demonstrou desconhecer o peso e a responsabilidade da liturgia presidencial.
Fonte:
Brasil 247

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