quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Jon Henley: Críticas ferozes de todos os lados sublinham o isolamento de Macron no governo francês

O coro quase unânime de condenação que saudou o discurso de Emmanuel Macron à nação no domingo, após um dos dias mais violentos de tumultos e saques na história recente da França, foi um reflexo claro de quão enfraquecido ele se encontra atualmente.

Falando de seu gabinete no Palácio do Eliseu, o presidente fez um discurso de oito minutos expressando "raiva e vergonha" após um fim de semana em que uma prefeitura foi incendiada, mais de 2.000 lojas foram saqueadas, 2.300 pessoas foram presas e 1.000 policiais ficaram feridos.

Um protesto de um mês realizado por alunos do ensino médio contra salas de aula superlotadas e em ruínas coincidiu com frustrações mais amplas sobre o aumento do custo de vida, a desigualdade crescente e a queda nos gastos públicos, unindo estudantes, professores, sindicalistas e um movimento dos coletes amarelos ressuscitado .

Esses protestos, em grande parte pacíficos, foram rapidamente sequestrados por grupos mascarados que incendiaram veículos, saquearam estabelecimentos comerciais e danificaram gravemente a infraestrutura pública, incluindo o incêndio da prefeitura de Limoges e a invasão da prefeitura de Marselha.

Macron reconheceu a “profunda ansiedade” dos jovens, mas não ofereceu iniciativas políticas concretas, nenhuma remodelação ministerial e nenhum novo gasto público, limitando-se a dizer ao seu primeiro-ministro para organizar consultas e a pedir aos políticos da oposição que se posicionassem.

A reação, em todo o espectro político, foi devastadora. A líder dos Verdes, Marine Tondelier, afirmou que, em vez de "sequer começar a apresentar algum tipo de mea culpa", Macron estava "nos convocando ao gabinete do primeiro-ministro como alunos ao quadro-negro".

Na extrema-direita, Jordan Bardella, do Reagrupamento Nacional, classificou o discurso como “lamentável” e afirmou que Macron “não tinha mais nada a dizer” aos franceses. A líder do partido, Marine Le Pen, disse que o país estava “preso num dilema entre a violência e a impotência”.

Bruno Retailleau, do centro-direita, afirmou que Macron estava "totalmente sobrecarregado", enquanto Jean-Luc Mélenchon, da esquerda radical, acusou o presidente de confiar na "inação e na brutalidade policial" na vã esperança de que os protestos simplesmente se dissipassem.

Talvez o mais prejudicial seja que até mesmo o ex-primeiro-ministro de Macron, Édouard Philippe, disse que teria preferido “decisões e iniciativas que pudessem levar ao retorno da ordem e à restauração da autoridade do Estado… Nosso país precisa ser governado”.

Críticas são de se esperar vindas de rivais que se posicionam a seis meses de uma eleição presidencial para escolher o sucessor de Macron. Mas a ferocidade dessas críticas evidencia seu isolamento, o desprezo que inspira e a raiva que provoca.

Trata-se de uma armadilha estrutural que ele próprio criou em grande parte. Macron chegou ao poder em 2017 como um presidente "jupiteriano" – uma estratégia deliberada que visa elevar o chefe de Estado acima da política cotidiana, projetando uma autoridade distante e um brilhantismo tecnocrático.

Mas, ao longo de nove anos no Palácio do Eliseu, esse estilo autoritário – em parte, segundo seus críticos, fruto da completa falta de experiência política básica de Macron como funcionário eleito em uma prefeitura ou como deputado de sua circunscrição – transformou-se em arrogância e distanciamento percebidos.

A situação foi agravada por erros estratégicos catastróficos e pelos crescentes problemas econômicos da França. Macron perdeu uma maioria parlamentar funcional ao se recusar a fazer campanha de forma significativa entre as eleições presidenciais e legislativas de 2022.

Dois anos depois, ele dissolveu a Assembleia Nacional. Essa aposta fracassou espetacularmente, com os eleitores elegendo um parlamento ainda mais dividido, entre uma esquerda fragmentada, um bloco centrista muito enfraquecido e a extrema-direita de Le Pen.

Sem uma maioria funcional, o governo recorreu repetidamente a manobras constitucionais controversas para aprovar leis sem votação parlamentar, expondo-o – e a Macron – a novas acusações de ilegitimidade democrática.

A esse impasse institucional se soma uma crise fiscal iminente. Em décadas passadas, presidentes franceses que enfrentavam protestos em massa nas ruas conseguiam, na prática, comprar um certo grau de tranquilidade social com pacotes de gastos direcionados ou concessões ao setor público.

Mas a dívida nacional da França, em 119% do PIB, está no seu nível mais alto desde 1946. Seu déficit orçamentário, de 5,1%, também está entre os mais altos da UE. Simplesmente não há dinheiro em caixa para aliviar a pressão do alto custo de vida que levou 550 mil pessoas às ruas no sábado.

Os mercados estão preocupados : os custos de empréstimo da França são mais altos do que os da Grécia. E com poucas opções fiscais, a resposta mais clara do governo – seguindo a tradição francesa consagrada – tem sido o uso de gás lacrimogêneo e cassetetes, às vezes contra crianças em idade escolar, agravando ainda mais as tensões.

As consequências para a eleição presidencial podem ser profundas. A coligação centrista construída em torno da imagem de Macron praticamente desmoronou. Se os protestos e a violência persistirem, os principais beneficiários serão os defensores da lei e da ordem da extrema-direita.

Jean-Baptiste Moreau, um influente ex-deputado do partido de Macron com quem o presidente, em grande parte em fim de mandato, ainda conversa ocasionalmente, teria chegado ao ponto de sugerir neste fim de semana que ele deveria renunciar e convocar eleições presidenciais antecipadas.

“Macron ainda acha que pode mudar as coisas”, disse ele ao Le Monde . “Mas, neste momento, Marine Le Pen está a caminho direto do Palácio do Eliseu.”

¨      Protestos na França ampliam pressão sobre governo Macron

O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, afirmou que algumas cidades do país receberam autorização para implementar toques de recolher parciais a fim de proteger pessoas e comércios após uma onda de violência e saques atingir o país durante o fim de semana, com episódios tidos como os mais graves de desordem pública da história recente francesa.

O governo convocou uma reunião de emergência nesta segunda-feira (19/10) e o ministro do Interior, Laurent Nuñez, tentou apresentar sua renúncia, informou o Palácio do Eliseu (sede da Presidência da França).

Mas o presidente Emmanuel Macron pediu que ele avalie medidas para reforçar a segurança nas ruas francesas e garanta que os responsáveis pelos atos de violência do fim de semana sejam levados à Justiça.

Mais de meio milhão de manifestantes, em sua maioria pacíficos, protestaram no sábado contra o aumento do custo de vida e o acesso cada vez menor a serviços públicos de qualidade, incluindo uma boa educação pública.

Mas os protestos se tornaram violentos após o aparecimento de grupos de ativistas e vândalos vestidos de preto e mascarados.

Estima-se que 1,5 mil lojas e estabelecimentos comerciais foram saqueados e destruídos. A polícia de choque usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra a multidão.

Em vários locais, policiais foram vistos agredindo pessoas com cassetetes. O Ministério do Interior francês informou que cerca de mil policiais ficaram feridos no sábado, sete deles gravemente.

Segundo Lecornu, cerca de 80% das pessoas presas por tumultos e violência durante o fim de semana de protestos enfrentam acusações criminais.

O primeiro-ministro culpou "grupos radicais de extrema esquerda" pela instabilidade e afirmou que os prefeitos das cidades mais atingidas têm agora o poder de introduzir toques de recolher parciais quando necessário.

Ele não especificou quais cidades receberam esses poderes, mas disse que essa é uma medida "mais apropriada" do que declarar estado de emergência em todo o país, apesar dessa opção não estar descartada completamente.

Quaisquer reparos necessários em propriedades danificadas serão financiados pelos responsáveis, com uma lei a ser implementada para tornar isso possível, disse ainda o premiê em uma coletiva nesta segunda.

Um fundo de desemprego parcial também está sendo criado para apoiar aqueles que não podem trabalhar porque seus negócios estão paralisados.

O ministro do Interior tem sido acusado por adversários políticos, por alguns sindicatos e nas redes sociais de não ter se preparado adequadamente e de ter mobilizado efetivo policial insuficiente para os diversos protestos programados para sábado.

A presidente da Câmara Baixa do Parlamento francês, Yaël Braun-Pivet, quer abrir um inquérito para apurar exatamente o que aconteceu.

"As coisas estão sombrias na Cidade Luz" (apelido de Paris) foi o grafite que li rabiscado com tinta vermelha em uma parede ao lado de uma fileira de lojas depredadas na capital francesa, na noite de domingo.

Macron usou um pronunciamento televisionado à nação no domingo para apelar à unidade nacional e tentar assegurar ao público francês que os autores da violência seriam punidos.

O porta-voz da União Europeia (UE), Markus Lammert, afirma que a violência generalizada, incluindo incêndios criminosos, saques e ataques a pessoas e edifícios públicos na França, é "inaceitável".

Ele acrescenta que o direito ao protesto pacífico na França deve ser protegido, mas que é importante não confundir isso com a violência generalizada.

No domingo, a secretária-geral do sindicato CGT, Sophie Binet, acusou Macron de não dar atenção às preocupações dos estudantes, à crise do custo de vida e à queda na qualidade dos serviços públicos na França.

O presidente aparentemente passou esse bastão para o primeiro-ministro Lecornu. Macron é amplamente visto na França como um presidente em fim de mandato, que já está de saída.

Uma acirrada disputa está em curso para a sucessão presidencial, com a eleição marcada para daqui a seis meses. A candidata presidencial da direita nacionalista anti-imigração (Marine Le Pen) e o candidato da esquerda anticapitalista (Jean-Luc Mélenchon) disputam espaço nos holofotes e tentam dominar o debate público.

Isso aparentemente colaborou com as tensões atuais na França, tanto na política quanto nas ruas.

O parlamento está paralisado — profundamente dividido entre três blocos políticos rivais.

Além disso, a França enfrenta problemas financeiros. Os investidores pressionam fortemente o país para que sua dívida pública crescente seja controlada. Mas o governo francês teme que, se cortar serviços públicos ou benefícios sociais, mais pessoas revoltadas irão às ruas.

E agora, o que vai acontecer? O país está em crise? Essas são perguntas que ouvimos com frequência ultimamente.

Os acontecimentos de sábado deixaram muitos franceses chocados e apreensivos. As imagens de cidades tomadas por gás lacrimogêneo, de saqueadores agindo aparentemente sem impedimentos e de prédios públicos em chamas causaram preocupação em todo o país.

Muitas das pessoas com quem conversei nas ruas expressaram frustração por ver que, enquanto estão preocupadas com o futuro, os principais líderes políticos do país parecem mais empenhados em trocar acusações e culpar uns aos outros pela instabilidade.

"Enquanto nos preocupamos com a nossa segurança, eles usam esta situação como moeda de troca política antes das eleições presidenciais", me disse Edouard, professor e pai de três filhos.

Macron e seu primeiro-ministro atribui o caos violento de sábado a grupos radicais de extrema esquerda e delinquentes. O líder da extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon, alega "incompetência" do governo. Marine Le Pen, da direita nacionalista, que gosta de ser vista como firme na defesa da lei e da ordem, publicou um vídeo sentada em frente à bandeira francesa, fazendo um discurso em estilo presidencial, culpando o "governo Macron que está sem fôlego, exausto e desorientado".

As autoridades francesas esperam um pouco de alívio nas próximas duas semanas. Os estudantes iniciam o recesso escolar na segunda-feira.

Mas, em 5 de novembro, uma ampla gama de sindicatos, além do movimento heterogêneo dos "coletes amarelos" (gilets jaunes) da França, que organizou manifestações por mais de um ano em 2018 — durante o primeiro mandato de Macron como presidente — anunciaram grandes protestos.

Agora, a França aguarda os próximos acontecimentos com apreensão.

¨      'Parece uma zona de guerra': França em choque com a continuação dos saques

Pouco antes da 1h da manhã de segunda-feira, duas motocicletas, cada uma com um passageiro, pararam em um semáforo em uma rua secundária perto da rue de Rivoli, uma das ruas comerciais mais movimentadas do centro de Paris.

“Você tem que ir onde tem muita gente, onde as vitrines estão decoradas”, disse um motociclista para o outro. Minutos depois, outros 10 homens, com os rostos cobertos por balaclavas de esqui, desceram a rua a pé, perseguidos por uma viatura policial.

Logo após o discurso televisionado de Emmanuel Macron na noite de domingo, no qual afirmou ser “insuportável ver nossas ruas saqueadas”, grupos de homens pilharam lojas no centro de Paris durante horas, pela segunda noite consecutiva. Dezenas de pessoas tentaram quebrar vitrines perto do shopping Les Halles e roubar mercadorias. Outros invadiram uma loja de eletrodomésticos em Belleville, na zona norte da cidade.

“Os homens estavam arrombando as vitrines das lojas, tentando invadir, e depois foram perseguidos pela polícia”, disse uma mulher de 73 anos perto de Les Halles.

“Havia grupos diferentes correndo por toda parte, com a polícia perseguindo a pé ou de carro, e ao mesmo tempo, algumas pessoas estavam incendiando lixeiras e bicicletas. Os grupos que invadiam lojas não eram hostis aos transeuntes, então você via moradores locais caminhando pela rua a caminho de casa tarde da noite, e adolescentes mascarados correndo na direção oposta carregando mercadorias saqueadas. É muito estranho – é como se fossem dois universos diferentes em mundos paralelos.”

Ela disse: “Isso diz muito sobre a sociedade – mostra que negligenciamos nosso sistema educacional e que vivemos em uma sociedade de consumo onde tudo o que dizemos aos nossos jovens é: 'compre, compre, compre'. Nesse tipo de capitalismo extremo, algumas pessoas não têm dinheiro suficiente para comprar tudo isso e, por isso, atacam.”

Nas proximidades, uma ótica na rua Beaubourg teve a vitrine quebrada e toda a fachada de vidro arrastada para a calçada. As prateleiras de óculos estavam vazias.

Os saques em Paris e outras cidades da França começaram no sábado. Naquele dia, a polícia se deparou com três grupos distintos. Primeiro, manifestantes pacíficos que reivindicavam mais verbas para escolas e serviços públicos marcharam calmamente em cidades por toda a França, incluindo estudantes, pais, avós e professores.

Paralelamente aos manifestantes pacíficos, outros grupos fizeram barricadas com bicicletas em chamas, entraram em confronto com a polícia e atacaram prédios públicos, como a prefeitura da cidade de Limoges , na região central do país, em atos que os prefeitos locais descreveram como violência sem precedentes. Por fim, saqueadores percorreram as ruas da cidade quebrando vitrines e roubando mercadorias.

Aparentemente, a polícia foi surpreendida por uma segunda noite de saques no centro de Paris, entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira.

A identidade dos saqueadores era desconhecida. Algumas pessoas vistas saqueando no centro de Paris durante o fim de semana pareciam ser adolescentes. Alguns carregavam com dificuldade várias caixas de sapatos nos braços enquanto corriam pela rua, fugindo de uma loja de tênis de grife destruída no bairro do Marais. Mas também havia uma grande presença de homens adultos mascarados.

O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, afirmou na segunda-feira que entre os homens presos em lojas vandalizadas na noite de sábado, estava um de 34 anos com antecedentes criminais por danos materiais, furto, violência e infrações de trânsito. Outros detidos incluíam um homem de 46 anos carregando roupas de uma loja, um jovem de 23 anos embriagado que supostamente portava as chaves de uma scooter roubada e um jovem de 19 anos preso enquanto se escondia no provador de uma loja vandalizada, com antecedentes criminais por tráfico de drogas.

Saqueadores quebraram as janelas e esvaziaram uma loja de tênis de grife na área do Marais.

Em algumas áreas do centro de Paris, sem presença policial na noite de sábado, dezenas de pessoas foram vistas correndo com os braços cheios de sapatos ou caixas de perfume. Na manhã de domingo, algumas ruas comerciais de Paris acordaram com vidros quebrados e pilhas de caixas de sapatos vazias, onde saqueadores haviam pegado tênis de grife e fugido, ou até mesmo caixas de tintura de cabelo. Lojas que anunciavam compra e venda de ouro perto da Place de la République tiveram placas e vitrines quebradas enquanto grupos tentavam invadir o local.

O fato de os saques terem continuado pela segunda noite consecutiva preocupou os lojistas na manhã de segunda-feira. Alguns tentaram proteger seus negócios. Outros estavam esvaziando o estoque. Uma loja da Adidas perto de Les Halles, no centro de Paris, estava carregando seu conteúdo em uma grande van na manhã de segunda-feira para evitar roubos. "Não se preocupem, não somos saqueadores", disseram os funcionários da mudança aos transeuntes enquanto retiravam araras de agasalhos esportivos.

<><> Bombeiros apagam incêndios em bicicletas elétricas em Paris

Na Praça da República, em Paris, a polícia disparou gás lacrimogêneo e avançou contra multidões de centenas de pessoas que se reuniram na praça na tarde de domingo. Durante a noite de domingo, mais adiante no Boulevard de Sébastopol, dezenas de pessoas gritaram slogans contra a polícia e atiraram garrafas de vidro na direção dos agentes. Na manhã de segunda-feira, bicicletas e scooters queimadas estavam empilhadas nas esquinas e a rua apresentava trechos de asfalto derretido.

Entre os grafites ao longo das estradas que saem de République, havia a frase "Taxem os ricos" em frente a um banco cujas janelas haviam sido quebradas.

“Parece uma zona de guerra por aqui”, disse um funcionário de uma instituição de caridade perto da Praça da República na manhã de segunda-feira, enquanto observava um café-bar incendiado ao norte da praça principal, que havia sido destruído no sábado. “Há uma angústia generalizada e as pessoas querem expressá-la, não dá para negar. Mas quem está destruindo coisas está passando dos limites.”

As vitrines de uma joalheria perto da Place de la République foram quebradas por saqueadores.

Um profissional de efeitos especiais digitais com escritório nas proximidades disse: “Este era o bar onde costumávamos ir tomar um drinque depois do trabalho. Há saqueadores se aproveitando das manifestações para criar o caos… Não sabemos quando isso vai acabar. Sempre houve alguns problemas em Paris depois dos protestos, mas isso é de uma escala completamente diferente.”

 

Fonte: The Guardian/BBC News Mundo

 

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