Adriano
da Nóbrega, Major Ronald e Peixe: veja histórico do relacionamente de Flávio
com milicianos
O
histórico do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro
(PL) reúne atuações parlamentares, indicações orçamentárias, condecorações
formais e discursos na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro
(Alerj) que o vinculam a integrantes de milícias e organizações paramilitares.
A
trajetória abrange desde homenagens a policiais condenados por assassinatos até
o direcionamento de recursos públicos federais a projetos geridos por alvos de
investigações de crimes de repercussão nacional.
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Adriano da Nóbrega
Um dos
casos de maior repercussão envolve a relação com o ex-capitão do Bope Adriano
Magalhães da Nóbrega. Em 2003, Flávio Bolsonaro concedeu moção de louvor ao
oficial. Em setembro de 2005, o então deputado estadual entregou pessoalmente a
Medalha Tiradentes, a mais alta honraria da Alerj, a Nóbrega dentro do Batalhão
Especial Prisional (BEP), onde o policial estava preso preventivamente sob a
acusação do assassinato do guardador de carros Leandro dos Santos Silva.
Expulso
da PM, Nóbrega foi apontado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro
(MPRJ) como chefe do grupo de exterminadores conhecido como Escritório do Crime
e líder da milícia de Rio das Pedras.
No
gabinete de Flávio na Alerj, a mãe de Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães, e a
ex-esposa, Danielle Mendonça da Costa, exerceram cargos comissionados, com
repasses financeiros investigados no esquema de “rachadinha”. Em depoimento ao
Ministério Público em 2020, o próprio parlamentar admitiu ter feito aulas
particulares de tiro com o ex-capitão, morto em operação policial na Bahia em
2020.
Flávio
Bolsonaro declarou em sabatinas que concedeu a honraria a Nóbrega quando o
oficial era considerado um “herói da Polícia Militar” por atuações de combate
ao crime e que não poderia prever desvios futuros na conduta do homenageado.
Sobre os cargos no gabinete, a defesa alegou que as contratações eram de
responsabilidade de assessores e que não havia irregularidades na prestação dos
serviços.
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Major Ronald
Em
março de 2004, Flávio Bolsonaro aprovou, na Alerj, uma moção de congratulações
ao então capitão da PM Ronald Paulo Alves Pereira. A homenagem ocorreu três
meses após o oficial passar a ser investigado pela participação na Chacina da
Via Show, caso em que cinco jovens foram executados na Baixada Fluminense em
dezembro de 2003.
Investigações
posteriores identificaram Pereira como liderança do Escritório do Crime ao lado
de Adriano da Nóbrega. Em março de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF)
condenou o já major Pereira a 56 anos de prisão por planejar o monitoramento e
a execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
A
equipe de Flávio Bolsonaro afirmou que as moções na Alerj eram apresentadas com
base em relatórios operacionais fornecidos pelos comandantes de batalhões sobre
ações de combate ao crime, afirmando que eventuais apurações criminais
posteriores não eram do conhecimento do parlamentar à época.
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Robson Calixto, o ‘Peixe’
Já no
exercício do mandato no Senado Federal, Flávio Bolsonaro destinou R$ 200 mil em
emenda parlamentar individual em 2023 para um projeto esportivo na Taquara,
área de atuação de milícias na zona oeste do Rio. Mensagens obtidas pela
Polícia Federal (PF) demonstraram que a liberação da verba foi solicitada por
Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, ex-PM e ex-assessor de Domingos
Brazão.
Nas
conversas registradas pela investigação, Peixe referia-se ao parlamentar como
“nosso Senador”. Peixe foi condenado a nove anos de prisão por integrar a
organização criminosa armada responsável pelo planejamento do homicídio de
Marielle Franco.
A
assessoria de Flávio Bolsonaro disse que a destinação de emendas segue
critérios técnicos voltados a projetos sociais em comunidades carentes, sem
vínculo com os solicitantes intermediários, e que a execução dos recursos na
ponta transcorreu de forma regular.
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Fabrício Queiroz
O
ex-segundo-sargento da Polícia Militar Fabrício Queiroz trabalhou como assessor
e motorista de Flávio Bolsonaro na Alerj, sendo agraciado pelo parlamentar com
uma moção de louvor em 2003 por “excepcional comportamento”.
As
investigações do Ministério Público apontaram Queiroz como o articulador do
recolhimento de salários de servidores comissionados no gabinete. O militar foi
o responsável direto por indicar e viabilizar a nomeação da mãe e da ex-esposa
de Adriano da Nóbrega na Alerj, mantendo repasses financeiros que vinculavam a
estrutura do gabinete parlamentar a operadores do Escritório do Crime.
As
defesas de Queiroz e de Flávio Bolsonaro sustentaram, ao longo dos processos,
que não houve prática de rachadinha no gabinete e que a nomeação de assessores
atendia aos requisitos regimentais da Alerj.
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‘Gêmeos da PM’
Os
policiais militares Alan e Alex Rodrigues Oliveira, conhecidos como os “gêmeos
da PM”, atuaram na segurança pessoal de Flávio Bolsonaro durante seus mandatos
como deputado estadual, enquanto a irmã da dupla ocupou cargo comissionado na
Alerj.
Em
2018, ambos foram presos na Operação Quarto Elemento, deflagrada pelo MPRJ e
pela Polícia Civil, sob a acusação de integrarem uma milícia voltada à extorsão
de comerciantes e cobrança de propinas na Baixada Fluminense.
Sobre
esse caso, a assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que o cadastramento de
agentes para a segurança de parlamentares seguia os trâmites administrativos
das corporações e que o candidato não tinha ciência de condutas ilícitas
praticadas pelos policiais fora do expediente.
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Oposição à CPI das Milícias
Um
levantamento jornalístico realizado pela revista Piauí na Alerj entre 2003 e
2018 mapeou que Flávio Bolsonaro aprovou moções de louvor e honrarias a pelo
menos 23 policiais militares e civis que posteriormente se tornaram réus ou
foram condenados pela Justiça por crimes diversos.
Além
das homenagens individuais, os registros das sessões da Alerj em 2007 e 2008
mostram que o então deputado estadual discursou em plenário contra a instalação
da CPI das Milícias. Na tribuna, Flávio Bolsonaro afirmou que “não se pode
estigmatizar as milícias”, defendendo que tais grupos eram formados por agentes
de segurança que levavam ordem e proteção a comunidades dominadas pelo tráfico
de drogas.
Agora,
a campanha de Flávio Bolsonaro afirma que o parlamentar sempre pautou sua
atuação pública pelo apoio às forças de segurança no combate à criminalidade, e
disse repudiar qualquer modalidade de grupo paramilitar e os ilícitos
praticados por agentes públicos.
• Filho de mandante da morte de Marielle,
Kaio Brazão faz campanha para Flávio Bolsonaro
Kaio
Brazão, filho do ex-deputado Domingos Brazão, está engajado na campanha de
Flávio Bolsonaro (PL). Nas redes sociais, Kaio convoca apoiadores de sua
família para um adesivaço na manhã desta terça-feira (20) na Taquara, Zona
Sudoeste do Rio.
Kaio
Brazão é o herdeiro político do clã e, em 2024, tentou sem sucesso se eleger
vereador no Rio de Janeiro pelo Republicanos. Desde a derrota na eleição, ele
havia parado de postar sobre política em suas redes sociais.
Domingos
e seu irmão — o deputado federal cassado Chiquinho Brazão — foram condenados a
mais de 76 anos de prisão por serem os mandantes do assassinato da vereadora
Marielle Franco, do PSOL, e de seu motorista Anderson Gomes, em março de 2018.
As
investigações da Polícia Federal mostraram que os irmãos Brazão atuavam junto a
milicianos da região de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, em negócios como
grilagem de terras. A Taquara, bairro escolhido por Kaio para o ato em favor de
Flávio, é uma das áreas sob influência dos grupos paramilitares ligados à
família Brazão.
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Flávio fez emenda para miliciano ligado a Brazão
Em
2023, Flávio Bolsonaro destinou R$ 200 mil em emendas parlamentares para uma
ONG a pedido do miliciano Robson Calixto Fonseca, o Peixe, ex-assessor de
Domingos Brazão. Peixe foi condenado a 9 anos de prisão por sua participação no
plano de assassinato de Marielle Franco.
Conforme
revelou a revista piauí, o miliciano Peixe negociou a liberação da emenda
diretamente com Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora de Flávio Bolsonaro
no Senado até hoje. O pedido ocorreu em outubro de 2023. Em mensagens, Peixe
escreveu: “Amiga vê com o nosso Senador se consegue nos ajudar.” Fátima
responde poucos minutos depois: “Manda a solicitação meu amigo.”
Dois
dias depois, Fátima convidou o miliciano para um evento do mandato de Flávio
Bolsonaro no Rio de Janeiro — era a entrega de coletes balísticos para a
Polícia Militar. Fátima pergunta a Peixe:
“O deputado brazão, vc ainda tá com ele?”. O miliciano responde:
“Positivo”. A confirmação motivou outra mensagem da assessora de Flávio
Bolsonaro poucos minutos adiante. “Vc
vai tbm e já reforça o pedido com senador.”
O lobby
do miliciano com o mandato de Flávio deu certo. Em novembro, o Instituto de
Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop) — ONG controlada por Peixe na
Taquara, justamente o bairro onde o ato de Kaio Brazão ocorre — recebeu quase
R$ 200 mil da Emenda Parlamentar nº 92190012-2023, liberada pelo
presidenciável.
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PL tentou salvar mandato de Chiquinho Brazão
A
emenda não foi o único momento em que a relação de proximidade entre Flávio
Bolsonaro e a família Brazão ficou demonstrada.
No
período em que eram deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de
Janeiro (Alerj), Flávio e Domingos Brazão frequentemente votaram juntos. O
episódio mais marcante dessa aliança ocorreu em 2008: os dois foram os únicos
votos contrários à criação da CPI das Milícias, presidida por Marcelo Freixo,
então no PSOL.
Mesmo
diante das revelações da PF ligando diretamente os irmãos Brazão ao assassinato
da ex-vereadora Marielle Franco, o PL, partido do senador, tentou salvar o
mandato de Chiquinho Brazão na Câmara dos Deputados.
Uma
articulação do partido tentou impedir a votação do pedido de cassação. Diante
da forte repercussão negativa, o caso foi pautado. Ainda assim, o PL se opôs:
dos 95 deputados federais que o partido tinha à época, 83 votaram para salvar o
mandato do mandante da morte de Marielle.
Fonte:
ICL Notícias

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