Flávio
Bolsonaro e Comando Vermelho: entenda a relação entre o senador e políticos
ligados à facção criminosa
Após o
debate presidencial entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro,
realizado na noite deste domingo (18), na Band, quando Lula reagiu a uma
provocação de Flávio afirmando querer “distância de miliciano”, a expressão
“Flávio miliciano” cresceu entre os tópicos mais mencionados na ferramenta de
pesquisa do Google, assim como “Flávio Comando Vermelho”, com mais de 100 mil
buscas entre a noite de ontem e esta manhã.
A
associação entre o senador do PL e a facção criminosa tem levantado suspeitas
nos últimos meses, com a deflagração de operações de investigação da Polícia
Federal sobre políticos do campo de aliados de Flávio e o envolvimento com
organizações de milícia no Rio de Janeiro.
Um
levantamento elaborado pelo Instituto Fogo Cruzado em parceria com o GENI/UFF,
publicado pelo jornal Metrópoles no dia 11 de outubro, cruza dados do Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) para mapear as áreas de controle ou influência de
milícias em que Flávio foi o candidato mais votado. Segundo o estudo, Flávio
venceu em pelo menos 268 locais de votação situados nas áreas de influência da
milícia carioca, o que corresponde a aproximadamente 86% dos locais analisados.
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O que é o Comando Vermelho?
O
Comando Vermelho (CV) é uma das organizações criminosas mais antigas e
influentes do Brasil, junto ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O CV
nasceu no interior do sistema penitenciário do Rio de Janeiro, no fim da década
de 1970, no Instituto Penal Cândido Mendes, localizado em Ilha Grande (RJ).
Desde então, a organização expandiu sua atuação para o tráfico de drogas, o
comércio ilegal de armas e o controle territorial de comunidades.
A
facção logo se tornou conhecida por realizar assaltos a bancos e pelo controle
de uma cadeia do tráfico internacional de armas e drogas. O Comando opera,
hoje, um modelo descentralizado de organização criminosa, diferente do PCC, e
exerce domínio sobre vários territórios do Rio de Janeiro.
De
acordo com a inteligência da Polícia Militar do estado, a facção opera e tem
forte presença em cerca de 70% a 76% dos municípios fluminenses, incluindo
áreas como o Complexo do Alemão, o Complexo da Penha e o Complexo do Chapadão.
Ela
impõe o monopólio armado sobre a infraestrutura das regiões que controla,
incluindo o domínio de serviços essenciais que lavam dinheiro do crime
organizado. Operações da Polícia Federal têm investigado, neste mês de outubro,
acordos políticos firmados entre o CV e políticos fluminenses, com tentativas
de infiltração de membros da facção junto a agentes públicos para defender
interesses eleitorais no estado.
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Qual é a associação entre Flávio Bolsonaro e o CV?
As
suspeitas de associação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o Comando
Vermelho (CV) ganharam força com a repercussão de investigações recentes da
Polícia Federal (PF) sobre as relações
entre figuras ligadas ao campo de aliados do senador do PL na política
fluminense e integrantes da facção no Rio de Janeiro.
Em 15
de outubro, Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual
eleito, foi preso preventivamente na oitava fase da Operação Unha e Carne, que
apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de
postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar
dinheiro. Segundo a PF, ele é suspeito de envolvimento em negociações com
integrantes do Comando Vermelho para a retirada de barricadas em troca da
redução de operações policiais, além de manter relações com pessoas apontadas
como integrantes de uma milícia.
A
investigação também apura um esquema de lavagem de dinheiro por meio de postos
de combustíveis que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos,
segundo a PF.
Canella
teria participado de negociações com integrantes do Comando Vermelho durante
sua gestão à frente da Prefeitura de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O
capitão da Polícia Militar Alessander Ribeiro Estrella Rosa atuava como
intermediário entre lideranças do Comando Vermelho e a administração municipal.
Entre os nomes mencionados nos documentos estão também o de Edgar Alves de
Andrade, conhecido como Doca, e de José Severino da Silva Júnior, o Soró,
apontados pelos investigadores como lideranças da facção.
A
investigação também identificou supostos vínculos entre Canella e Juracy Alves
Prudêncio, conhecido como Jura, apontado como liderança do grupo miliciano
Somos Comunidade. De acordo com a representação policial, Giane Prudêncio,
mulher de Jura, foi nomeada para um cargo comissionado no gabinete parlamentar
de Canella na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
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Qual é a relação de Márcio Canella com Flávio Bolsonaro?
Canella
integra o União Brasil, partido que construiu alianças com o grupo bolsonarista
no Rio de Janeiro, e teve participação nas articulações para formar o palanque
estadual de Flávio na disputa presidencial de 2026.
Em
fevereiro, Canella havia anunciado Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, como
primeira suplente de sua pré-candidatura ao Senado, embora a composição não
tenha se concretizado, porque Canella desistiu da disputa pelo Senado após ser
alvo da PF em julho deste ano.
Ele
concorreu, no entanto, a uma vaga na Alerj, e foi eleito como o segundo
deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, com 197.178 votos.
A
associação política entre Canella e o núcleo de Flávio levantou questionamentos
sobre as alianças do senador com figuras investigadas por possíveis relações
com milicianos e integrantes do crime organizado.
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Rodrigo Bacellar e a investigação sobre proteção política ao Comando Vermelho
Rodrigo
Bacellar, do União Brasil, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de
Janeiro, foi preso em dezembro de 2025 e novamente em março de 2026, também em
desdobramentos da Operação Unha e Carne. Bacellar é aliado político de Flávio e
foi cogitado como candidato ao governo do Rio de Janeiro dentro da coalizão do
senador.
Entre
as investigações contra ele estão suspeitas de vazamento de informações
sigilosas de uma operação policial que tinha como alvo o então deputado
estadual TH Joias, apontado como articulador político do Comando Vermelho,
outro aliado de Flávio na política fluminense. Ele integrou a base de apoio do
ex-governador Cláudio Castro (PL) e orbitava no mesmo espectro político de
Flávio.
A
Procuradoria-Geral da República (PGR) mostrou indícios de uma possível
estrutura de proteção institucional ao crime organizado envolvendo o
ex-presidente da Alerj, TH Joias e um desembargador federal.
• Buscas por ‘Flávio miliciano’ e ‘Flávio
Comando Vermelho’ disparam após debate na Band
A
expressão “Flávio miliciano” chegou ao topo dos assuntos em alta no Google
Trends na noite deste domingo (18), com a repercussão do debate presidencial da
Band entre Lula e Flávio Bolsonaro. Segundo a plataforma, a tendência
ultrapassou 1 milhão de pesquisas relacionadas. Outra expressão associada ao
candidato, “Flávio Comando Vermelho”, também disparou e superou 100 mil
pesquisas.
Às
23h11, quando os dados foram registrados, “Flávio miliciano” ocupava a primeira
posição na lista de tendências consultada. As duas expressões permaneciam
ativas, com crescimento indicado de 1.000% na plataforma.
A
disparada ocorreu depois de Lula chamar Flávio de miliciano durante uma troca
de acusações no debate. Ao reagir a uma provocação do adversário, o presidente
afirmou: “Não quero ficar perto de você. Quero distância. Quero distância de
miliciano”.
A
declaração repercutiu nas redes sociais e coincidiu com o crescimento das
pesquisas relacionadas ao candidato. O Comando Vermelho também foi mencionado
durante o confronto, inclusive pelo próprio Flávio, ao defender o enquadramento
de facções criminosas como organizações narcoterroristas.
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De discursos favoráveis às milícias a homenagens e repasses de dinheiro público
A
associação de Flávio Bolsonaro às milícias não surgiu no debate. Durante sua
trajetória política no Rio de Janeiro, o candidato fez declarações favoráveis à
atuação desses grupos, homenageou policiais posteriormente apontados como
milicianos e manteve em seu gabinete familiares de um homem identificado pelo
Ministério Público como chefe de uma organização criminosa.
Em
2007, quando era deputado estadual, Flávio fez um discurso na Assembleia
Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) no qual relativizou o perigo da atuação
das milícias. Ao abordar a presença de policiais e bombeiros em comunidades
dominadas pelo tráfico, apresentou uma visão favorável à organização desses
agentes para impedir a entrada de traficantes.
Um dos
episódios mais conhecidos envolve Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope
posteriormente apontado pelo Ministério Público como chefe de uma milícia e do
chamado Escritório do Crime, grupo de matadores de aluguel.
Em
2005, Flávio concedeu a Medalha Tiradentes, maior honraria da Alerj, a Adriano,
que já estava preso havia mais de um ano sob acusação de homicídio. A
condecoração foi entregue pessoalmente pelo então deputado dentro do Batalhão
Especial Prisional da Polícia Militar. Na época, Adriano também acumulava
punições administrativas na corporação.
A
relação se estendeu ao gabinete parlamentar. A mãe e a mulher de Adriano foram
contratadas como assessoras de Flávio. A esposa permaneceu no gabinete por
aproximadamente 11 anos, enquanto a mãe trabalhou por cerca de dois anos e
meio. As contratações foram intermediadas por Fabrício Queiroz, ex-assessor do
parlamentar.
Mais
recentemente, uma investigação revelou outro episódio envolvendo recursos
públicos e um miliciano ligado ao assassinato da vereadora Marielle Franco.
Em
setembro, a revista piauí revelou que Flávio destinou aproximadamente R$ 200
mil em emendas parlamentares ao Instituto de Formação Profissional José Carlos
Procópio (Ifop), localizado na Taquara, zona oeste do Rio de Janeiro, após um
pedido de Robson Calixto Fonseca, conhecido como Peixe.
Ex-assessor
de Domingos Brazão, Peixe foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por
participação em organização criminosa no caso Marielle. Mensagens obtidas pela
reportagem mostram que ele procurou uma assessora do gabinete de Flávio para
solicitar recursos destinados a um projeto de futebol infantil.
O
repasse de R$ 199.999,79 foi realizado em novembro de 2023. A Polícia Federal
investiga suspeitas de desvio de recursos envolvendo a entidade e pessoas
ligadas aos irmãos Brazão, condenados como mandantes do assassinato de Marielle
e Anderson Gomes. Flávio não é investigado nesse caso e afirmou que a emenda
seguiu os critérios legais, cabendo à entidade beneficiada executar o projeto.
O
histórico também inclui a participação de policiais posteriormente presos em
uma operação contra uma organização criminosa nas atividades da campanha de
Flávio ao Senado, em 2018.
Os
irmãos gêmeos Alan e Alex Rodrigues de Oliveira, ambos policiais militares,
acompanharam agendas eleitorais do então candidato na zona oeste do Rio.
Segundo integrantes da campanha ouvidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, os
dois prestavam apoio de segurança durante os eventos.
Em
setembro daquele ano, os irmãos foram presos na Operação Quarto Elemento,
conduzida pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra uma organização de
policiais suspeita de praticar extorsões, corrupção e outros crimes. A
investigação apontava a participação de agentes públicos em um esquema que
utilizava operações policiais para exigir dinheiro de pessoas abordadas.
Alan e
Alex eram irmãos de Valdenice de Oliveira Meliga, então assessora de Flávio e
tesoureira do PSL no Rio.
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Rachadinha e outras controvérsias também apareceram nas pesquisas
Outros
assuntos relacionados ao histórico político de Flávio Bolsonaro também
apareceram entre as tendências do Google durante a noite.
A
expressão “flavio rachadinha” ultrapassou 20 mil pesquisas relacionadas. O
termo remete às investigações sobre suspeitas de recolhimento de parte dos
salários de funcionários do antigo gabinete do candidato na Assembleia
Legislativa do Rio. O procedimento foi arquivado após a anulação de provas.
Também
apareceram entre os assuntos em alta as expressões “flávio ana clara” e “134
milhões filme bolsonaro”, ambas com mais de 20 mil pesquisas relacionadas. Já a
tendência “filho do lula” superou 50 mil.
A
movimentação ocorreu em meio à mobilização de apoiadores de Lula nas redes
sociais. Segundo o Poder360, o deputado André Janones (Rede-MG) orientou
seguidores a pesquisar termos negativos associados a Flávio Bolsonaro. A
iniciativa pode ter contribuído para impulsionar as tendências, embora não seja
possível determinar seu peso no volume total.
O
Google Trends reúne diferentes consultas relacionadas a um mesmo assunto. Por
isso, as marcas de 1 milhão e 100 mil representam faixas estimadas de pesquisas
agrupadas pela plataforma, e não necessariamente o número de pessoas que
digitaram literalmente as expressões.
O
levantamento registra o crescimento do interesse por temas envolvendo milícias,
facções criminosas e episódios do histórico político de Flávio Bolsonaro
durante a repercussão do primeiro debate presidencial do segundo turno, marcado
para 25 de outubro.
Fonte:
Fórum/ICL Notícias

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