Diabetes
aumenta o risco de fraturas? Entenda a relação com a osteoporose
Uma
pessoa com diabetes pode apresentar ossos aparentemente saudáveis nos exames e,
ainda assim, ter maior risco de sofrer fraturas. Isso acontece porque a doença
pode comprometer não apenas a quantidade de massa óssea, mas também a qualidade
e a resistência dos ossos, uma alteração que nem sempre é identificada pela
densitometria.
O
assunto ganha destaque nesta terça-feira (20), Dia Mundial da Osteoporose, data
dedicada à conscientização sobre uma doença que enfraquece os ossos e aumenta a
possibilidade de fraturas, especialmente na coluna, no quadril e no punho.
De
acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), tanto o diabetes tipo 1
quanto o tipo 2 estão associados ao aumento do risco de fraturas. Por isso, a
saúde óssea também deve fazer parte do acompanhamento de quem vive com a
condição e atenção a osteoporose.
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Por que o diabetes pode enfraquecer os ossos?
A
relação entre diabetes e fragilidade óssea envolve diferentes mecanismos, que
variam conforme o tipo da doença.
No
diabetes tipo 1, a deficiência de insulina pode prejudicar a formação dos
ossos. Isso ocorre porque o hormônio, além de participar do controle da
glicose, também contribui para o desenvolvimento e a manutenção do tecido
ósseo.
Como
consequência, pessoas com diabetes tipo 1 podem apresentar menor massa óssea
desde a juventude, aumentando a vulnerabilidade a fraturas ao longo da vida.
No
diabetes tipo 2, a situação é diferente. A densidade mineral óssea pode estar
normal ou até elevada, mas isso não significa necessariamente que os ossos
estejam resistentes.
A
exposição prolongada à glicose elevada pode favorecer alterações no colágeno,
proteína que contribui para a resistência dos ossos, além de comprometer sua
estrutura interna.
Uma
revisão científica publicada em 2023 destaca que essas alterações ajudam a
explicar por que pessoas com diabetes tipo 2 podem apresentar fraturas mesmo
sem uma redução importante da massa óssea.
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O risco de fraturas é maior em quem tem diabetes?
Sim.
Estudos científicos mostram que pessoas com diabetes apresentam maior risco de
fraturas quando comparadas àquelas que não têm a condição.
Segundo
a diretriz da SBD, o aumento é especialmente expressivo no diabetes tipo 1.
Estudos citados no documento apontam que o risco de fratura de quadril pode ser
mais de seis vezes maior nessa população.
No
diabetes tipo 2, o risco também aumenta, embora geralmente em menor proporção.
Uma pesquisa com mais de 100 mil mulheres, acompanhadas durante 22 anos,
identificou um risco de fratura de quadril aproximadamente 2,2 vezes maior
entre aquelas com diabetes tipo 2.
Isso
não significa que todas as pessoas com diabetes desenvolverão osteoporose ou
sofrerão fraturas. O risco depende de diferentes fatores, incluindo idade,
tempo de diagnóstico, histórico de quedas e presença de complicações.
A SBD
também destaca que viver com diabetes há mais de dez anos e apresentar
hemoglobina glicada persistentemente igual ou superior a 9% são fatores
associados à maior vulnerabilidade óssea.
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Complicações do diabetes também favorecem quedas
Além de
comprometer a resistência dos ossos, o diabetes pode aumentar a possibilidade
de quedas, principalmente quando existem complicações relacionadas à doença.
A
neuropatia diabética, por exemplo, pode provocar perda de sensibilidade nos pés
e dificuldades de equilíbrio. Já os problemas de visão associados à retinopatia
podem dificultar a identificação de obstáculos.
Episódios
de hipoglicemia também merecem atenção, pois podem causar tontura, fraqueza e
confusão, favorecendo acidentes.
Em
pessoas idosas, essas situações são especialmente preocupantes, já que uma
queda pode resultar em fraturas com consequências importantes para a mobilidade
e a qualidade de vida.
Por
isso, a prevenção envolve tanto a avaliação da saúde óssea quanto o
acompanhamento das complicações do diabetes.
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Quando investigar a osteoporose?
A
osteoporose costuma evoluir silenciosamente. Em muitos casos, a pessoa não
apresenta sintomas até sofrer uma fratura.
A
diretriz de 2026 da SBD recomenda que homens e mulheres com diabetes tenham o
risco de fraturas avaliado a partir dos 50 anos, por meio de uma ferramenta
chamada FRAX, ajustada para considerar as particularidades do diabetes e riscos
da osteoporose.
Esse
cálculo estima a probabilidade de determinadas fraturas nos dez anos seguintes,
levando em conta fatores como idade, histórico de fraturas e outras condições
de saúde.
A
densitometria óssea também é recomendada a partir dos 50 anos quando existe
pelo menos um fator de risco adicional, como fraturas anteriores por
fragilidade ou quedas frequentes.
Outro
ponto importante é a interpretação dos resultados. Na população geral, um dos
critérios utilizados para diagnosticar osteoporose é o T-score igual ou
inferior a -2,5, medida obtida pela densitometria.
Para
mulheres com diabetes na peri ou pós-menopausa e homens com diabetes a partir
dos 50 anos, a SBD recomenda considerar também o valor de -2,0 como critério
diagnóstico, além de outros indicadores clínicos.
Na
prática, isso significa que uma pessoa com diabetes pode apresentar fragilidade
óssea mesmo quando o exame não atinge o limite tradicionalmente utilizado para
identificar osteoporose.
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Como proteger os ossos e prevenir fraturas?
Alguns
cuidados podem ajudar a preservar a saúde óssea e reduzir a possibilidade de
quedas.
Manter
o acompanhamento do diabetes é importante, já que períodos prolongados de
glicose elevada podem contribuir para alterações nos ossos. Ao mesmo tempo, é
necessário evitar episódios frequentes de hipoglicemia, que também aumentam o
risco de acidentes.
A
prática regular de exercícios físicos, especialmente atividades de
fortalecimento muscular e equilíbrio, ajuda a preservar a força, melhorar a
estabilidade e reduzir a possibilidade de quedas.
A
alimentação também merece atenção. A diretriz da SBD recomenda uma ingestão de
1.000 a 1.200 miligramas de cálcio por dia no contexto do tratamento da
osteoporose. Leite, iogurte, queijos e alguns vegetais podem contribuir para
atingir essa quantidade.
A
vitamina D também participa da manutenção da saúde óssea, mas a necessidade de
suplementação deve ser avaliada individualmente pelo médico.
Quando
a osteoporose é diagnosticada, o tratamento pode incluir medicamentos
específicos, como os bisfosfonatos. Em situações de risco mais elevado, outras
opções podem ser consideradas.
A
escolha dos medicamentos para o diabetes também deve levar em conta a saúde dos
ossos. Segundo a SBD, classes como as tiazolidinedionas e o medicamento
canagliflozina exigem uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios, devido à
associação com fraturas. Nenhum tratamento deve ser interrompido sem orientação
profissional.
O Dia
Mundial da Osteoporose reforça um cuidado que muitas vezes passa despercebido:
acompanhar a glicemia é fundamental, mas proteger os ossos também faz parte da
atenção à saúde de quem vive com diabetes. Afinal, mesmo quando os exames
parecem normais, a avaliação individual pode identificar riscos e ajudar a
prevenir fraturas.
Fonte:
Um Diabético

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