quarta-feira, 21 de outubro de 2026


 

Câncer de mama: aumento de casos reflete incidência e avanço no diagnóstico

Para o triênio de 2026 a 2028, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima 78.610 novos casos da doença por ano no Brasil, com risco estimado de 71,57 casos a cada 100 mil mulheres. Os números ganham destaque nesta segunda-feira (19), considerado o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama.

Na estimativa anterior, referente ao triênio de 2023 a 2025, eram previstos 73.610 novos casos anuais.

Para o oncologista Ângelo Bezerra, dois fatores principais contribuem para o aumento das estimativas: o crescimento da incidência da doença e os avanços da medicina que têm permitido diagnósticos mais precisos.

Segundo o especialista, embora haja esse aumento, a ampliação do rastreamento e os avanços nos métodos de diagnóstico também permitem identificar mais casos.

“Hoje, por exemplo, nós discutimos o início do rastreamento do câncer de mama a partir dos 40 anos. As mulheres fazem a mamografia, e isso tem identificado mais casos da doença”, explica o oncologista.

<><> Entenda os sinais de alerta

Segundo Bezerra, alterações nas mamas, como nódulos, mudanças na pele, saída de secreção pelo mamilo ou dores inexplicáveis, devem ser avaliadas por um profissional de saúde, como um oncologista ou mastologista.

A investigação pode incluir exames específicos, de acordo com os sintomas e a avaliação clínica.

O médico ainda ressalta que muitos casos de câncer de mama não apresentam sintomas perceptíveis e que a palpação não é suficiente para identificar todos os tumores. Por isso, ele destaca a importância do rastreamento por meio da mamografia, conforme as recomendações médicas.

<><> Conheça as formas de reduzir o risco de câncer de mama

A prevenção do câncer de mama envolve a redução de fatores de risco modificáveis e a adoção de hábitos saudáveis. Segundo o Inca, fatores hereditários e aspectos relacionados ao ciclo reprodutivo feminino, em sua maioria, não podem ser modificados.

Por outro lado, o excesso de peso corporal, a inatividade física e o consumo de bebidas alcoólicas são fatores que podem ser controlados. O uso de terapia de reposição hormonal também deve ser avaliado com orientação médica.

Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente e evitar o excesso de gordura corporal são medidas que podem contribuir para reduzir o risco de desenvolver a doença.

O Inca também destaca a amamentação como fator de proteção contra o câncer de mama e recomenda que ela seja mantida pelo maior tempo possível, respeitando as condições e necessidades de cada mulher.

<><> O que é o câncer de mama?

Excluídos os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama feminina é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, segundo o Inca.

A doença ocorre quando células anormais da mama se multiplicam desordenadamente, formando um tumor que pode invadir outros órgãos.

Existem diferentes tipos de câncer de mama, com características e ritmos de evolução distintos. Alguns se desenvolvem mais rapidamente, enquanto outros progridem de forma mais lenta.

Quando diagnosticada precocemente e tratada de maneira adequada, a doença apresenta melhores perspectivas de tratamento e maiores chances de resultados favoráveis.

<><> Risco de câncer de mama é maior em mulheres após os 50 anos; veja sinais

O risco de desenvolver câncer de mama aumenta a partir dos 50 anos, quando as mudanças biológicas do envelhecimento da mulher e o acúmulo de exposições ao longo da vida contribuem para a evolução da doença.

Segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de mama não tem uma causa específica e pode estar relacionado a diferentes fatores, como idade, histórico hormonal e reprodutivo, hábitos de vida, condições ambientais e predisposição genética.

A idade, no entanto, ainda segue como um dos principais fatores de risco para a doença. De acordo com o instituto, cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos.

<><> Fatores de risco

De acordo com o INCA, nessa faixa etária, os fatores endócrinos e relacionados à história reprodutiva estão associados, principalmente, à exposição a hormônios como o estrogênio, produzido pelo próprio organismo ou administrado externamente.

Na prática, isso significa que quanto maior o tempo de exposição, maior pode ser o risco.

Veja alguns dos fatores associados:

•        Menstruação antes dos 12 anos;

•        Menopausa após os 55 anos;

•        Primeira gravidez após os 30 anos;

•        Ausência de filhos;

•        Uso prolongado de contraceptivos orais combinados (estrogênio e progesterona);

•        Terapia de reposição hormonal após a menopausa, especialmente quando utilizada por mais de cinco anos.

Câncer de mama: entenda cada tipo e qual o tratamento indicado para cada um | CNN Sinais Vitais

<><> Diagnóstico tardio

Cerca de 51% dos casos de câncer de mama atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) foram diagnosticados nos estágios 3 e 4, considerados avançados.

O número indica que cinco em cada dez mulheres receberam o diagnóstico em fases mais avançadas da doença, segundo a nova edição do Panorama da Atenção ao Câncer de Mama.

O levantamento utiliza dados do INCA e foi realizado em parceria entre o Instituto Natura, a Avon, o Observatório da Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer e o Instituto Protea.

O relatório também analisou os diagnósticos por faixa etária. Os maiores percentuais de detecção em estágios avançados foram registrados entre mulheres mais jovens, de 20 a 29 anos: 68,3% dos casos. Na faixa dos 30 aos 39 anos, o índice foi de 61,9%. Entre mulheres de 40 a 49 anos, chegou a 53,7%.

Já entre as mulheres de 50 a 69 anos, faixa etária considerada alvo do rastreamento, 47,6% dos casos foram identificados em estágios avançados.

<><> Saiba quais são os principais sinais

O câncer de mama pode apresentar sinais e sintomas que permitem identificar alterações suspeitas. Entre eles estão:

•        Nódulo na mama em mulheres com mais de 50 anos;

•        Nódulo na mama em mulheres com mais de 30 anos que persiste por mais de um ciclo menstrual;

•        Nódulo endurecido, fixo ou que aumenta de tamanho, em mulheres adultas de qualquer idade;

•        Saída espontânea de líquido por um dos mamilos;

•        Lesão na pele da mama que não responde a tratamentos tópicos;

•        Aumento progressivo do tamanho da mama;

•        Pele da mama com aspecto semelhante ao de uma casca de laranja;

•        Retração da pele da mama;

•        Mudança no formato do mamilo;

•        Pequenos nódulos no pescoço ou nas axilas.

O INCA orienta que as mulheres observem as próprias mamas sempre que se sentirem confortáveis, seja durante o banho, ao trocar de roupa ou em outras situações do cotidiano.

Caso alguma mudança persista, a recomendação é procurar um serviço de saúde para avaliação. A atenção aos sinais e a investigação de alterações suspeitas são importantes para favorecer o diagnóstico precoce do câncer de mama.

 

Fonte: CNN Brasil


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