Euforia
com governos de direita perde força na América Latina e preocupa investidores
A onda
de otimismo dos mercados financeiros com a eleição de governos de direita na
América Latina começa a perder força. Depois de impulsionar bolsas de valores,
moedas e títulos públicos em diferentes países, investidores passaram a
questionar a capacidade dos novos presidentes de cumprir promessas econômicas,
equilibrar as contas públicas e preservar o apoio popular.
Segundo
reportagem da Folha de S.Paulo, gestores internacionais já começaram a reduzir
suas posições em ativos latino-americanos diante das dificuldades enfrentadas
por governos como os da Colômbia, do Chile, do Peru e do Equador. O movimento
também chama a atenção para o Brasil, onde parte do mercado financeiro aposta
em uma mudança de governo nas eleições presidenciais deste mês.
Na
Colômbia, a vitória de Abelardo de la Espriella no primeiro turno, em maio,
provocou uma forte valorização dos ativos locais. As ações chegaram a acumular
ganhos superiores a 20% em relação às mínimas, enquanto a moeda se fortaleceu e
os juros dos títulos públicos recuaram.
Entretanto,
apenas dois meses após assumir a Presidência, o político enfrenta uma grave
crise fiscal, descrita por integrantes de sua equipe como a pior do país desde
o século 19. O cenário contribuiu para enfraquecer o entusiasmo inicial dos
investidores.
No
Chile, o movimento também perdeu intensidade. A eleição do presidente de
ultradireita José Antonio Kast, há 11 meses, havia impulsionado a bolsa a
patamares recordes, mas a valorização perdeu fôlego diante dos desafios de seu
governo.
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Fundos internacionais reduzem investimentos na região
O
otimismo com a guinada política à direita levou investidores a ampliar suas
apostas na América Latina ao longo dos últimos meses.
Desde o
início de 2025, um índice da MSCI que acompanha ações latino-americanas
acumulou valorização superior a 70%. Os títulos públicos da Bolívia e do
Equador também estiveram entre os ativos de melhor desempenho dos mercados
emergentes.
Agora,
parte desses ganhos começa a ser revista.
Gestoras
como a Frontier Road, sediada em Londres, e a Fidelity International reduziram
sua exposição à região. Martin Bercetche, gestor da Frontier Road, afirmou que
diminuiu quase integralmente seus investimentos latino-americanos depois de
manter uma avaliação bastante positiva por mais de um ano e meio.
“Essa
tese, em grande parte, já se concretizou”, afirmou Bercetche. O gestor disse
que mantém interesse em ativos do Equador, mas que a exposição da empresa aos
demais mercados da região é pequena.
Nos
últimos três meses, títulos públicos em dólar do Equador e do Peru acumularam
perdas superiores a 3%, refletindo a deterioração das expectativas.
No
Equador, o presidente Daniel Noboa enfrenta queda de popularidade após um
período de apoio às suas políticas de segurança e reformas fiscais. A retomada
dos subsídios aos combustíveis, em meio aos efeitos da guerra no Irã sobre os
preços da energia, também aumentou a pressão sobre as contas públicas.
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Brasil entra no radar diante da disputa presidencial
A perda
de entusiasmo com governos de direita em outros países ocorre enquanto
investidores acompanham a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Desde
meados de agosto, as ações brasileiras acumularam valorização superior a 20%,
em um movimento associado, em parte, às expectativas de setores do mercado
financeiro sobre uma possível mudança na condução da política econômica.
Apesar
disso, a experiência de países vizinhos demonstra que uma vitória eleitoral não
garante a implementação de reformas nem a manutenção do otimismo dos
investidores.
Eric
Fine, da gestora VanEck, mantém uma posição relevante em títulos da dívida
brasileira denominados em reais, mas avalia que os desafios fiscais podem
limitar os ganhos futuros.
Já
Polina Kurdyavko, responsável por mercados emergentes da RBC BlueBay Asset
Management, considera que a trajetória dos ativos brasileiros dependerá da
capacidade do próximo governo de negociar com o Congresso e conduzir ajustes no
orçamento.
Segundo
ela, uma agenda voltada ao equilíbrio fiscal poderia favorecer os
investimentos, enquanto a priorização de outras questões políticas poderia
reduzir a duração de uma eventual valorização.
A
composição do Congresso eleito também entra nessa avaliação, já que os aliados
de Flávio Bolsonaro no PL deverão ocupar mais de um terço das cadeiras do
Senado a partir de 2027.
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Argentina e Peru também enfrentam desgaste político
As
dificuldades não se limitam aos países que passaram recentemente por mudanças
de governo.
No
Peru, a presidente Keiko Fujimori enfrenta queda de popularidade poucos meses
após assumir o cargo, em meio à preocupação da população com a economia e a
criminalidade.
Na
Argentina, o presidente Javier Milei também registra desgaste político diante
dos efeitos de sua política de austeridade, da fragilidade do mercado de
trabalho e do crescimento econômico desigual.
A
situação tem provocado preocupação entre investidores, com os rendimentos dos
títulos soberanos argentinos voltando a atingir níveis de dois dígitos.
Para
analistas internacionais, esses episódios colocam em dúvida a interpretação de
que as vitórias eleitorais da direita representem necessariamente um apoio
popular duradouro a políticas de austeridade e reformas favoráveis ao mercado.
O
desafio dos novos governos será transformar o apoio conquistado nas urnas em
resultados econômicos concretos, em um cenário marcado por endividamento
público, pressão sobre o custo de vida e dificuldades para preservar a
popularidade.
• Chico Alves: Imprensa banaliza baixarias
de Flávio Bolsonaro e depois cobra ‘propostas’ no debate
Chega a
ser cômica a lamentação de quase toda a imprensa pela falta de propostas para o
país no debate da Band, entre os candidatos a presidente Lula e Flávio
Bolsonaro. Nos últimos anos, o noticiário dos principais veículos normalizou
todas as barbaridades ditas e feitas pelos bolsonaristas. Agora, editores e
comentaristas se dizem surpresos com a ausência de discussão sobre os problemas
estruturais do Brasil, como se não tivessem colaborado para a baixaria.
Jair
Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, os demais integrantes do clã e os políticos que os
apoiam sempre basearam sua estratégia de ação em uma viga-mestra: a mentira.
Não aquela lorota que tradicionalmente todo político sempre contava para
aumentar suas qualidades e minimizar seus defeitos. Não. Para os Bolsonaros, a
mentira é ferramenta de trabalho.
Desde
2018, quando essa família se tornou protagonista na política, a imprensa tem
falhado miseravelmente em mostrar ao público o quão mentirosa ela é. Não é
difícil constatar que existe um espaço enorme nos grandes sites, jornais e
emissoras para propagar a invenções dessa gente — batizei de editoria “diz
Flávio”. Quase sempre as falsidades disparadas pelo filho 01 ficam sem a devida
contestação — algo que é, ou deveria ser, obrigação do jornalismo.
Por
conta disso, a mentira tornou-se comum.
Outro
sustentáculo do bolsonarismo é a truculência, a disseminação do ódio, a
oposição à civilidade, o culto à morte. Mesmo depois de todos comentários
racistas, machistas, homofóbicos e agressivos que o clã e seus apoiadores
distribuíram nos últimos anos, Flávio resolveu usar sua fala mansa para
apresentar-se como o candidato moderado que nunca foi. Apesar disso e das
conhecidas ligações do candidato do PL com milicianos, assassinos e criminosos
de vários tipos, o jornalismo hegemônico o trata como se fosse um gentleman.
Por
conta disso, a violência da extrema direita foi naturalizada.
Para
completar, no tripé do bolsonarismo temos ainda a conhecida aversão às
instituições democráticas. Desde que surgiu na política, Jair Bolsonaro louva a
ditadura militar, na votação do impeachment de Dilma invocou o facínora
Brilhante Ustra e na Presidência da República comandou uma tentativa de golpe
de Estado. Flávio segue a mesma linhagem golpista, agora em uma versão mais
branda, e, portanto, mais perigosa.
A
atuação do candidato da família Bolsonaro no movimento que culminou no 8 de
Janeiro é indiscutível. Mas não só: continua atentando contra a democracia
brasileira ao pedir ao presidente dos Estados Unidos que tome conta do Brasil.
Mesmo assim, é entrevistado a todo momento fazendo juras às instituições
republicanas sem que seja confrontado pelos jornalistas com sua prática na vida
real. É a condescendência travestida de imparcialidade.
Por
conta disso, o golpismo tornou-se rotina.
Era
esse personagem, integrante do grupo que jogou na lama a politica nacional, que
estava em um dos púlpitos do debate da Band.
No
outro, um estadista com décadas de serviços prestados à democracia, que
conviveu, debateu e trabalhou com alguns dos principais políticos da história
recente do país. Alguém que respeita tanto as instituições que submeteu-se a
ficar preso 580 dias até provar que foi vítima de injustiça. Um homem que é
respeitado e ouvido pelos maiores líderes mundiais.
Como a
imprensa permitiu que o patético Flávio Bolsonaro fosse ganhando tanto espaço
até chegar a esse ponto, de participar de um debate presidencial com alguém da
estatura monumental de Lula?
Não
foram “os candidatos” que baixaram o nível do debate. Foi um só, com a ajuda do
jornalismo da grande mídia.
Para
lançar mão da anedota clichê: debater com Flávio Bolsonaro é o mesmo que jogar
xadrez com um pombo: ele faz cocô no tabuleiro, derruba as peças e sai voando
cantando vitória.
A
imprensa falhou muito — e continua falhando — em identificar para o público
quem é o enxadrista e quem é o pombo.
• Flávio lidera em mentiras no debate,
apontam agências de checagem
As
checagens realizadas após o debate presidencial de domingo (18), na Band,
identificaram mais afirmações falsas, enganosas ou distorcidas de Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) do que do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre as
declarações selecionadas pelas principais equipes de verificação do país.
Levantamentos da Agência Lupa, Aos Fatos, UOL Confere e Estadão Verifica
contestaram acusações feitas pelo senador sobre criminalidade, corrupção,
gastos públicos e políticas do governo federal.
As
verificações também identificaram erros de Lula, principalmente sobre
indicadores econômicos e o patrimônio do adversário. Os levantamentos
utilizaram critérios próprios, mas registraram diferenças na quantidade de
declarações problemáticas atribuídas aos candidatos.
O ICL
Notícias reuniu os resultados das quatro equipes. As contagens abaixo
consideram os vereditos publicados e distinguem afirmações classificadas como
falsas daquelas consideradas enganosas, exageradas, incompletas ou sem
comprovação.
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O que apontaram as agências de checagem
• Agência Lupa: oito declarações de Flávio
foram classificadas como falsas, contra duas de Lula. Considerando também
exageros, falta de contexto e alegações insustentáveis, foram 19 declarações
problemáticas do senador e sete do presidente.
• UOL Confere: contestou dez declarações
de Flávio, sendo três falsas, cinco enganosas, uma exagerada e uma
insustentável. Entre as falas de Lula, identificou cinco problemas: uma falsa,
uma enganosa e três exageradas.
• Estadão Verifica: contestou 13
declarações de Flávio, sendo duas falsas, cinco enganosas, cinco sem contexto e
uma exagerada. Entre as cinco declarações contestadas de Lula, duas foram
consideradas enganosas, duas exageradas e uma imprecisa.
• Aos Fatos: publicou 26 registros de
checagem sobre Flávio, dos quais 24 apresentaram correções, ressalvas ou
contextualizações e dois confirmaram as informações. Entre os 23 registros
sobre Lula, quatro receberam correções ou ressalvas, enquanto 19 confirmaram as
afirmações ou seus elementos centrais.
Os
números correspondem às declarações selecionadas pelas equipes, não à
totalidade das falas do debate. Também não podem ser somados, porque algumas
afirmações foram verificadas por mais de uma agência e os critérios de
classificação são diferentes.
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Criminalidade e gastos públicos concentraram falsidades
Entre
as declarações mais contestadas de Flávio estão as acusações sobre a segurança
pública. O senador afirmou que a criminalidade havia explodido no governo Lula,
mas as verificações da Lupa e do Aos Fatos apontaram que a generalização não
corresponde aos indicadores disponíveis, que registraram redução em diferentes
modalidades de crime.
Flávio
também atribuiu ao presidente a iniciativa de recorrer à Justiça para
restabelecer as chamadas saidinhas de presos. A Lupa classificou a afirmação
como falsa, esclarecendo que a ação mencionada foi apresentada pela Associação
Nacional da Advocacia Criminal, e não pelo governo federal.
Outra
declaração contestada foi a de que 73% dos presidiários teriam votado em Lula.
O Aos Fatos identificou distorção no uso do dado, que não permite concluir que
essa proporção corresponda à população carcerária brasileira.
As
despesas com viagens também foram utilizadas pelo senador para atacar o
presidente. Flávio afirmou que Lula e a primeira-dama Janja haviam gastado R$ 7
bilhões, mas as verificações mostraram que o montante citado abrange despesas
de diferentes órgãos federais, não apenas viagens pessoais do casal.
Na
economia, o senador afirmou que o governo Lula registrou recorde de fechamento
de empresas. A declaração foi classificada como falsa pelo Aos Fatos.
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INSS, Vorcaro e acusações sem comprovação
O
debate também foi marcado por acusações envolvendo as fraudes em descontos de
aposentadorias e pensões do INSS e as investigações relacionadas ao Banco
Master.
Flávio
afirmou que Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, teria
integrado o governo Lula. A informação foi classificada como falsa pelo Aos
Fatos.
O
senador também negou manter escritório com Antunes. A checagem contestou a
declaração a partir de informações sobre o compartilhamento de endereço entre
empresas relacionadas aos dois. Esse vínculo de endereço, isoladamente, não
demonstra a existência de uma sociedade empresarial.
Outra
afirmação contestada foi a de que apenas parlamentares do PT teriam apresentado
emendas para flexibilizar regras de controle dos descontos associativos em
benefícios previdenciários. O Aos Fatos verificou que a atuação parlamentar não
se restringiu ao partido.
Flávio
ainda apresentou acusações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo a
alegação de um suposto pagamento de R$ 30 milhões ao Instituto Lula. O UOL
Confere considerou insustentável a acusação baseada em um áudio atribuído ao
empresário, cuja autenticidade não foi demonstrada.
A
Polícia Federal, a Procuradoria-Geral da República e a defesa do banqueiro
negaram a existência do depoimento mencionado pelo senador.
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Projeto sobre munições e acusações contra Lula
Outro
episódio que apareceu nas verificações envolveu a atuação de Flávio no Senado.
Questionado
sobre uma proposta de retirada da identificação de munições utilizadas pelas
forças de segurança, o senador omitiu que havia defendido a medida durante
discussão legislativa. O Aos Fatos confirmou o histórico parlamentar mencionado
por Lula no debate.
A
rastreabilidade de munições pode ser relevante para investigações criminais,
pois permite identificar lotes e reconstruir a circulação de materiais
utilizados em ocorrências policiais e crimes.
As
agências também contestaram afirmações de Flávio sobre a atuação internacional
do governo Lula. Entre elas, a acusação de que o presidente teria viajado aos
Estados Unidos para defender organizações criminosas e a declaração de que o
governo brasileiro não teria adotado medidas contra o tarifaço americano. O Aos
Fatos classificou ambas como falsas.
Fonte:
ICL Notícias

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