Vanessa
Martina-Silva: 8 razões pelas quais Flávio saiu derrotado no debate, e 13
lições para a campanha Lula
Se
você, como milhares de brasileiros, não conseguiu assistir ao debate da Band
neste domingo (18), eu conto o que aconteceu e apresento oito razões para Lula
ter saído vencedor e Flávio Bolsonaro, derrotado – apesar do que disseram
analistas da grande mídia e parte da esquerda.
Flávio
perdeu a medida, se perdeu e pode ter perdido a eleição. Os relatos de grupos
focais com indecisos sinalizam que sua estratégia não foi bem recebida por quem
ainda não decidiu o voto.
Irônico,
arrogante, debochado e violento, Flávio interrompeu Lula repetidas vezes,
invadiu seu espaço e se colocou como um espírito obsessor, sempre atrás do
presidente, gesticulando enquanto ele tentava responder.
Na
plateia, Pablo Marçal orientava Flávio como se estivessem num ringue. Foi
macabro vê-lo vibrar ao apontar Deltan Dallagnol e Sergio Moro, protagonistas
da farsa que foi a Lava Jato, diante do homem que ajudaram a prender e a
afastar da eleição de 2018. O objetivo dessa encenação era evidente:
desestabilizar Lula.
Havia
um presidente candidato à reeleição e um adversário sedento do ódio coletivo de
um Coliseu.
Em
casa, pensei no meu pai. Ninguém fala assim com meu pai sem me despertar os
piores sentimentos possíveis.
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1 – A intimidação pode se voltar contra quem intimida
Nos
grupos focais relatados pela jornalista Thais Bilenky, no UOL, indecisos
avaliaram que Lula estava destreinado e caiu nas provocações, mas se assustaram
com a agressividade de Flávio. Em outro grupo, a percepção foi de que o deboche
funcionava entre bolsonaristas, sem conquistar novos votos.
A
intimidação serviu para desorganizar Lula, que perdeu o fio ao falar da
pandemia depois das interferências. Só que as pessoas também olham para quem
provoca. E podem não gostar do que veem.
Como
observou Letícia Casado, do UOL, Flávio repetiu uma tática de Donald Trump
contra Hillary Clinton em 2016: posicionar-se atrás da adversária enquanto ela
falava. Hillary descreveu depois o desconforto e a tentativa de intimidação.
Ali
havia uma dimensão misógina: um homem impondo sua presença física sobre uma
mulher que disputava a Presidência. Com Lula, o desrespeito passa também pela
idade. É possível cobrar um presidente de 80 anos sem tentar humilhá-lo.
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2 – Flávio contrariou os valores das famílias que diz representar
Imagino
que outras pessoas também tenham pensado no pai ou no avô. Domingo à noite,
famílias reunidas, crianças na sala, aquela correria para organizar a semana. E
o candidato da “defesa da família” tratando um idoso de um jeito que muita
gente não admitiria dentro de casa.
Seu avô
pode até estar falando besteira. Você discorda, discute com ele. Mas aceitar
que um sujeito arrogante venha constrangê-lo na sua sala? Não conheço muita
gente que ficaria confortável com isso.
Aliás,
eles não defendem Deus, pátria e família? O respeito pelos mais velhos faz
parte de quê?
Esse
valor está na educação recebida em casa, nos ensinamentos cristãos, nas
tradições africanas e indígenas que constituem o Brasil. O bolsonarismo espera
que essas famílias aplaudam um comportamento que repreenderiam à mesa. Ou os
valores agora são outros? Gostaria de ouvir os “conservadores cristãos”.
Também
imaginei o desconforto de quem precisou explicar às crianças as referências a
estupro e abuso lançadas no meio das acusações. Um circo de horrores. Minha
hipótese é que essa postura tenha incomodado justamente pessoas que Flávio
pretende representar.
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3 – O vínculo afetivo com Lula continua tendo força política
Flávio
pode produzir o efeito Juliette, vencedora do BBB. No Brasil, o público muitas
vezes abraça quem vê sendo humilhado e injustiçado. Ao insistir em constranger
Lula, corre o risco de despertar solidariedade até em quem não pretendia votar
nele.
Milhões
de brasileiros têm uma história com Lula. Votaram nele, melhoraram de vida, se
decepcionaram, voltaram a apoiá-lo ou se afastaram. A crítica ao governo não
apaga necessariamente o afeto.
Talvez
fosse esse o raciocínio da campanha ao resgatar as realizações dos governos
Lula: reativar lembranças e criar uma vacina contra o que viria. Fazia sentido,
mas não funcionou como se esperava. Precisamos rever o que sabemos sobre
eleições quando o adversário usa os próprios instrumentos da democracia para
corroê-la por dentro.
Lula é
uma figura familiar. Seu jeito de falar, contar um caso e se aproximar das
pessoas atravessa décadas. Flávio parece acreditar que pode tratá-lo com
desprezo sem mexer com nenhum desses vínculos.
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4 – A provocação serviu para escapar das perguntas
E havia
muito a responder. Lula fez perguntas que Flávio tentou deixar pelo caminho:
– Por
que votou contra a ampliação da licença-maternidade das servidoras estaduais do
Rio de Janeiro?
– Para
onde foram os R$ 134 milhões que pediu a Daniel Vorcaro?
– Por
que atuou em defesa do policial acusado de matar Ana Clara, uma menina de cinco
anos?
– Por
que apoiou a retirada da marcação das munições, que permite rastreá-las?
– Se
eleito, vai adotar o programa de Javier Milei?
– Topa
abrir os sigilos bancário e telefônico?
“Mas,
Vanessa, Lula também não respondeu sobre Roberta Luchsinger.”
Respondeu.
Disse que ela deveria ser investigada pela Polícia Federal e que seu filho
prestaria depoimento. Era o que precisava dizer: investigar e apurar
responsabilidades, sem proteger ninguém por ser próximo do presidente. Acusação
não é prova.
A
entrevista de Luchsinger à CNN também não foi uma surpresa completa. Renato
Rovai, da Revista Fórum, já havia alertado para o conteúdo e relatado conversas
com pessoas ligadas à campanha e jornalistas que acompanhavam o assunto. A
entrevista “bomba” circulava nos bastidores.
No meio
da cachorrada envolvendo a cúpula do poder, a elite econômica e o “Epstein
brasileiro”, a campanha conseguiu ativar a vacina antes que o veneno se
espalhasse, para usar um jargão das redes.
Cabe
cobrar da CNN: quais documentos sustentam as acusações de Luchsinger? Em 30 de
agosto, o Fantástico mostrou processos por dívidas não pagas, relatos de
credores e o contraste com a vida de luxo que Luchsinger exibia. Na minha
leitura, os indícios apontam para uma vigarista. A pretendida bala de prata da
campanha Bolsonaro, por ora, saiu pela culatra.
A noite
ainda terminou com uma suspeita de bomba no estacionamento da Band. Segundo o
UOL, o carro era da equipe de Flávio. O Gate descartou a ameaça: não havia
pacote, e os cães haviam reagido a um componente químico do veículo. Alarme
falso. Meu jurídico me orienta a dizer que não há informação comprovada para
tratar o episódio como suposta armação para funcionar como a facada de 2018.
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5 – No caso Ana Clara, a menina desaparece do argumento
“Pesquei”
nas redes um comentário no post em que Rachel Sheherazade convidava as pessoas
a pesquisar no Google o vínculo de Flávio com o caso Ana Clara.
Anna
começa dizendo que a menina foi vítima do lugar onde morava. Depois vêm o
tráfico, as “regalias”, as saídas temporárias e o auxílio-reclusão. A pergunta
sobre a defesa do policial acusado de matar uma criança desaparece.
A
responsabilidade passa para o território, seus moradores, os direitos dos
presos, até chegar a Lula. A menina de cinco anos fica pelo caminho. Cobrar
justiça por Ana Clara não diminui a importância de nenhuma outra vítima.
Leio aí
um desprezo de classe atravessado pela lógica racial que transforma a favela
inteira em suspeita. O comentário não menciona a cor da menina, mas trata o
lugar onde vivia como explicação suficiente para sua morte. Uma criança não
perde o direito à proteção por morar numa favela.
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A periferia é atravessada pelas detenções
Sou de
Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo. Conheço o medo de viver
numa cidade marcada pelos estabelecimentos penais. O cadastro da administração
penitenciária paulista lista ali três penitenciárias, um centro de detenção
provisória, um centro de progressão penitenciária e dois hospitais de custódia.
Saídas temporárias, rebeliões e precariedade prisional fazem parte dessa
realidade há décadas, muito antes de Lula chegar à Presidência.
Esse
medo precisa ser ouvido. Presídio, porém, não é aterro de gente. A pena
restringe a liberdade, não elimina a condição humana. A integração social está
entre os objetivos da própria Lei de Execução Penal.
A
Constituição de 1988, escrita na reconstrução democrática depois da ditadura,
proíbe penas cruéis e perpétuas e veda a pena de morte, salvo em guerra
declarada. Essas garantias não podem virar um inconveniente a cada eleição.
Mas não
precisamos aceitar que essa discussão desvie a campanha de suas cobranças. O
debate sobre mudanças na legislação penal deve ser feito com a sociedade, com
responsabilidade e profundidade.
Sou
contra a redução da maioridade penal. Há quem queira colocar crianças de 14
anos atrás das grades. Como isso chega às mães das periferias, sobretudo às
mulheres negras, cujos filhos já vivem sob suspeita? Quantos meninos sem
vínculo com o crime foram presos por estar na hora errada, no lugar errado, e
nunca voltaram para casa com a mesma inocência?
Estamos
falando de vidas. Não de um recurso para ganhar discussão eleitoral.
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6 – Quem vai pagar pelo ajuste de Flávio?
Também
faltou explicar de onde sairia o dinheiro do ajuste. Em 10 de outubro, Reinaldo
Azevedo foi direto, no Metrópoles: os pobres pagarão a conta. Como preservar
gastos sociais, reduzir impostos e cortar centenas de bilhões em despesas?
Não foi
Lula quem inventou essa discussão. Em 7 de outubro, Fernando Canzian, da Folha
de S.Paulo, revelou que a equipe econômica de Flávio estudava um ajuste de até
250 bilhões de reais. Entre as medidas estavam desvincular aposentadorias e BPC
dos ganhos reais do salário mínimo e alterar os pisos da saúde e da educação.
Segundo
a reportagem, interlocutores apresentaram as propostas a empresários, agentes
do mercado financeiro e ao jornal. A campanha negou que fosse sua posição
oficial.
É
preciso traduzir: uma aposentadoria corrigida só pela inflação deixa de
acompanhar os aumentos reais do mínimo. A pessoa recebe menos do que receberia
pela regra atual. Na saúde e na educação, os recursos poderiam deixar de
acompanhar o crescimento da arrecadação. A economia tem endereço.
Se não
vão cortar dos pobres nem cobrar do empresariado, de onde virá o dinheiro? Ou
mentem sobre o que pretendem fazer, ou não sabem como cumprir o que prometem.
No
podcast Flow, Reinaldo lembrou que uma desigualdade como a brasileira não se
constrói numa geração. Cortar de quem já tem pouco é continuar uma longa
história de decisões sobre quem acumula e quem paga.
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7 – A soberania está no centro da
eleição
É nesse
sentido que Lula ocupa, nesta eleição, o lugar de verdadeiro antissistema.
Parece contraditório dizer isso de um presidente. Mas olhemos o que
enfrentamos: o poder econômico à espera de cortes de direitos, as plataformas
que controlam a circulação da informação e uma extrema-direita que transforma
ressentimento em força política.
Na
linguagem nerd, Lula é um Jedi enfrentando o Império e os Sith. A comparação
fica bastante concreta quando olhamos para os interesses dos Estados Unidos nas
nossas riquezas.
“Pátria
Submissa”, episódio do programa Revelando apresentado por Wagner Moura, conecta
a aproximação dos Bolsonaro com Trump à disputa pelas terras raras. Recupera a
fala de Flávio na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), oferecendo
o Brasil como solução para reduzir a dependência dos Estados Unidos dos
minerais chineses, e aborda o documento Prosperity Partnership.
Revelado
pelo Amado Mundo, o documento reúne propostas para explorar esses recursos num
eventual governo Flávio. André Marinho confirmou a autoria, mas negou vínculo
com a campanha.
A
ressalva não dispensa explicar o alinhamento a Washington. Oferecer nossas
riquezas em função das necessidades estratégicas de outra potência é
entreguismo. Está em disputa quem decide o que fazer com esses recursos e quem
se beneficia deles.
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8 – A comunicação popular está aprendendo a disputar a iniciativa
Nós,
das mídias independentes e alternativas, defendemos a guerrilha comunicacional
há anos, com poucos recursos e diante de uma enorme concentração de poder. Nas
redes, demoramos a entender como chegar além de quem já concordava conosco.
Denunciávamos, tentávamos desmentir fake news e continuávamos conversando entre
nós, enquanto a extrema direita pautava o debate.
Agora
vejo um aprendizado coletivo, quase catártico. Gente que estava paralisada
começou a agir. Graças a todos os orixás, a Deus, aos santos e às forças da
natureza, tivemos tempo de observar o que aconteceu nos Estados Unidos, na
Argentina, na Europa e aqui. Essa experiência começa a virar organização.
O
Revelando faz parte disso: pega uma discussão restrita ao noticiário econômico
e diplomático e a torna compreensível para mais gente. Todos os episódios estão
disponíveis aqui e cada um revela um plano mais obscuro dos aliados de Flávio
Bolsonaro em torno desta eleição.
O
grande fator desestabilizador dessa campanha, porém, tem sido a militância
voluntária organizada em iniciativas como o Exército do Lula, mobilizado por
André Janones
(REDE-MG),
e a tropa de Erika Hilton (PSOL – SP).
Durante
o debate, os intervalos mostravam as buscas em alta no Google. Praticamente
todas eram pautas favoráveis à esquerda. Das 30 principais hashtags no Twitter,
todas foram pautadas pela esquerda. Como não cumpri todas as missões como
soldado do Exército do Lula hoje porque estava em outras trincheiras, não tinha
visto o comando do Janones de “hackear” as buscas.
Depois
encontrei a explicação. Sabrina Freire, do Poder360, relatou que Janones
convocara os integrantes do Canal Exército do Lula a pesquisar expressões
negativas sobre Flávio, avisando que a Band exibia as principais buscas.
Guerrilha virtual entrando pelas tendências e aparecendo na televisão.
A
reportagem registrou a alta dos termos, embora não permita medir quanto veio
diretamente da convocação.
Para
quem trabalha há tanto tempo na comunicação independente, ver pessoas
descobrindo que podem conversar, produzir e fazer informação circular tem um
significado enorme. Estamos aprendendo a ocupar um espaço em que estávamos
perdendo toda a batalha. Seja quem for que estiver orientando o Janones,
agradeço.
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É preciso popularizar e traduzir as pautas
Mas
fazer uma palavra circular não garante que as pessoas entendam seu significado.
Uma conversa no Threads perguntava se quem vive fora do Rio sabia como era
morar sob o domínio das milícias. Uma resposta descrevia moradores reféns de
cobranças sobre a casa, o comércio e os serviços. Outra recorria a Tropa de
Elite 2 para explicar.
São
comentários, não uma pesquisa. Mas a questão importa: não basta dizer
“miliciano” e esperar que todo mundo entenda. É preciso explicar o controle
armado do território, a extorsão, os serviços impostos e a participação de
agentes públicos nessas organizações. Investigações e denúncias do Ministério
Público do Rio documentam essas práticas.
Estamos
numa guerra política, com consequências que podem matar. Aprendemos da pior
maneira depois de 2018. Não era preciso prever a Covid para reconhecer o perigo
de entregar o país a um homem despreparado e hostil à ciência.
Em
junho de 2021, Pedro Hallal apresentou à CPI da Pandemia a estimativa de que
400 mil mortes poderiam ter sido evitadas se o Brasil tivesse alcançado a média
mundial de controle da doença. O cálculo considerava o conjunto da resposta,
incluindo prevenção e vacinação.
Se
tivesse de dar nomes a essas disputas, chamaria 2018 de guerra pelo direito de
Lula disputar a eleição, travada com ele preso. Perdemos. Em 2022, a guerra
pela vacina. Vencemos a eleição depois de enterrar gente demais. Agora,
enfrentamos a guerra contra a submissão do Brasil ao Império.
Quero
acreditar que esta será lembrada como a guerra do Exército do Lula. Nas redes e
com o povo organizado nas ruas. Imagino crianças, daqui a 90 anos, estudando
como se formou esse levante brasileiro. Vivemos a história sem saber como será
contada.
É desse
lugar que dialogo com a estratégia da campanha.
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Nove sugestões para a campanha de Lula
1 –
Levar a reação das pessoas para a televisão. Um react na rua, com indecisos
assistindo a trechos do debate e dizendo o que acharam, cairia bem no programa
eleitoral. Sem resposta encomendada. O que aquela cena despertou em quem ainda
decide o voto? Foco nos idosos.
2 –
Mostrar as perguntas que Flávio não respondeu. Recuperar a cobrança de Lula e a
reação do adversário: licença-maternidade, os 134 milhões de reais pedidos a
Vorcaro, Ana Clara e a marcação das munições. A provocação não pode apagar a
pergunta.
3 –
Retomar o desafio de abrir os sigilos. Lula propôs que os dois e seus
familiares abrissem os sigilos fiscal, bancário e telefônico. Flávio disse que
não tinha nada a esconder, mas não assumiu o compromisso. Por quê?
4 –
Observar a reação à agressividade. A equipe de Flávio pode ter comemorado as
interrupções, mas os grupos focais registraram desconforto entre indecisos.
Como conciliar a “defesa da família” com o tratamento dado a um idoso?
5 –
Cobrar quem pagará pelo ajuste. De onde sairão os cortes? Traduzir as propostas
em consequências para aposentadorias, BPC, SUS e escola pública. A explicação
de Reinaldo Azevedo ajuda. Já vi materiais nessa linha.
6 – Dar
concretude à soberania. O Revelando fez isso ao tratar das terras raras.
Mostrar o que está sendo oferecido, a quem e em troca de quê.
7 –
Trabalhar o vínculo com Lula. O resgate das realizações, sozinho, não deu o
resultado esperado. A história compartilhada continua existindo, e a
agressividade de Flávio pode ter mexido com esse afeto.
8 –
Explicar o que são as milícias. A campanha e a militância do Rio precisam
traduzir essa realidade para quem a desconhece. A palavra, sozinha, não explica
o problema.
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Quatro orientações para a militância
Às
mobilizações que conheço, o Exército do Lula e a tropa de Erika Hilton, deixo
estas sugestões:
1 –
Fazer circular as cobranças completas. Compartilhar pergunta e resposta, com
contexto suficiente para que as pessoas avaliem se houve explicação.
2 – Dar
atenção a Ana Clara. Compartilhar o vídeo com a fonte e explicar a atuação de
Flávio na defesa do policial acusado de matar a menina. A cobrança por justiça
não pode desaparecer nas provocações.
3 –
Ouvir o que as pessoas perguntam. Buscar respostas verificáveis sobre
aposentadoria, trabalho, saúde e segurança. A conversa nem sempre começa pelo
assunto que gostaríamos de discutir.
4 –
Valorizar os materiais que explicam. Informação compreensível, acompanhada da
fonte, continua circulando depois que passa a indignação do debate.
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O tempo que o segundo turno nos deu
No fim
do primeiro turno, ouvi gente dizer que seria melhor encerrar tudo ali. Eu
estava no colégio eleitoral, como fiscal, em choque com o quanto o bairro era
bolsonarista. A presidente da seção e as mesárias perceberam meu desconforto,
riram e disseram que preferiam resolver a eleição de uma vez. Posso imaginar em
quem votaram. Imaginar, porque o voto é secreto.
O
constituinte de 1988 foi feliz ao garantir o segundo turno quando ninguém
alcança a maioria absoluta dos votos válidos. Estamos vivendo o valor desse
tempo para reorganizar forças e discutir o que está em jogo.
Talvez
os responsáveis pela preparação de Flávio tenham comemorado cada resposta que
conseguiram atrapalhar. Na minha casa, o efeito foi outro: vi um homem tratando
um idoso de uma maneira que jamais aceitaria que tratassem meu pai.
Fonte:
Opera Mundi

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