quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Elisabeth Lopes: Deboche, mentira e vazio - o espetáculo degradante de Flávio Bolsonaro no debate

O debate eleitoral deste domingo foi um espetáculo grotesco de arrogância, deboche e desrespeito, protagonizado pelo meliante Flávio Bolsonaro, que confundiu o confronto político com um ringue de quinta categoria. Durante o debate da Band, comportou-se como um irresponsável insolente, incapaz de respeitar um adversário da estatura de um estadista altivo admirado no mundo inteiro e, pior, de responder às perguntas que lhe foram feitas, pois não tem argumentos para justificar seus bens perante seus proventos de parlamentar.

O que deveria ser uma discussão sobre os destinos do Brasil converteu-se em uma demonstração vergonhosa de despreparo, cinismo e baixaria da parte de um candidato bolsonarista incapaz. Flávio Bolsonaro atacou porque não respondeu, debochou porque não esclareceu, provocou porque não apresentou argumentos à altura das questões que o presidente Lula colocou diante dele. Quando um candidato não consegue sustentar suas próprias explicações, mas se julga no direito de desrespeitar quem o questiona, que é arrogante e parece acreditar que pode escapar de qualquer prestação de contas não serve nem para administrar um pequeno condomínio.

O recado principal que permanece nas mentes de cada brasileira e cada brasileiro diante do circo de horrores produzido por esse candidato Flávio, irresponsável e desrespeitador, durante os minutos de duração do debate da Bandeirantes, é que não restou nenhuma dúvida para os eleitores honrados deste país, para os trabalhadores de todas as idades, para os mais velhos que já viveram muito é de que o Brasil não merece ter como presidente um marginal que enriqueceu na política espoliando os cofres públicos, o dinheiro suado do povo pago em impostos, ligado intimamente aos milicianos, a um escroque bandido que se fazia de banqueiro, alçado a essa condição durante o governo de Jair Bolsonaro.

A lembrança que não cala na voz dos brasileiros comprometidos com a dignidade, a honestidade e o futuro do país é inquestionável, o Brasil não merece ter como presidente alguém cuja trajetória política está cercada de suspeitas graves, questionamentos sobre o enriquecimento patrimonial absolutamente irregular e relações que exigem esclarecimentos. O dinheiro público pertence ao povo, não a Flávio que, em vez de prestar contas à sociedade, parece acreditar que está acima da verdade. Os brasileiros merecem saber onde o dinheiro que pagam por meio de impostos descontados cada dia de suor e de trabalho real foi aplicado.

O comportamento de Flávio foi de um malandro vulgar que se julga esperto demais para precisar responder por seus atos. Um homem de mais de quarenta anos que, diante de um adversário experiente e altivo como o presidente Lula, Flávio comportou-se como um meliante, incapaz de compreender que a disputa eleitoral não é um espetáculo grotesco de insolência, mas um compromisso com milhões de brasileiros.

O presidente Lula, um estadista reconhecido internacionalmente, foi obrigado a enfrentar um candidato que, em vez de responder às perguntas que lhe foram dirigidas, preferiu o deboche, a provocação e a encenação. Flávio não respondeu ao que o presidente Lula lhe perguntou. E por que as perguntas que envolvem sua trajetória patrimonial e política são tão incômodas? São questões que não desaparecem com uma risada debochada, com uma sombra fantasmagórica e covarde atrás do presidente Lula, ou um ataque pessoal.

Há perguntas que continuam à espera de explicações convincentes sobre a evolução do patrimônio de Flávio, incompatível, na avaliação de todos os brasileiros, com os rendimentos que recebeu ao longo de sua trajetória parlamentar. A mansão avaliada em cerca de R$ 10 milhões, as notícias sobre a aquisição de mais de cinquenta imóveis pela família Bolsonaro com pagamentos em dinheiro vivo e as suspeitas que envolveram a movimentação de recursos durante sua passagem pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro não são assuntos que possam ser varridos para debaixo do tapete. São questões de interesse público. Quem pretende governar o Brasil precisa enfrentá-las com transparência, documentos e respostas objetivas, não com ataques de baixíssimo nível ao adversário.

Foi lamentável assistir a um homem altivo como o presidente Lula, que já governou o país por três mandatos e tem reconhecimento internacional, submeter-se a um confronto em que o adversário revelou sua indigência moral. Mais grave ainda é imaginar o que poderá acontecer com o Brasil sob a direção de alguém que trata o debate democrático como uma oportunidade para escárnio aos ouvidos do povo brasileiro.

Estamos falando de um candidato associado a um projeto político que ameaça a soberania nacional, subordina interesses brasileiros ao tirano Donald Trump e seus aliados e parece disposto a transformar o país em quintal de um império agonizante. O Brasil precisa de um presidente como Lula que defenda sua autonomia, seu povo e suas riquezas, não de um meliante e mentiroso contumaz.

Os brasileiros também não querem um país sem limites éticos, em que a mentira reiterada seja confundida com habilidade política e a desfaçatez se transforme em método de atuação. A cada aparição, Flávio oferece um espetáculo de baixaria caricata, como se tivesse sido treinado para provocar reações, repetir frases de efeito e atacar pessoas, mas não para apresentar soluções concretas aos problemas nacionais. É o vazio de conteúdo tentando se impor pelo barulho de um meliante.

Alguns jornalistas classificaram Flávio como moleque diante de sua atuação no debate. A palavra, entretanto, parece insuficiente para descrever o que vimos. Moleque pode ser quem ainda não amadureceu, quem age por impulso e não mede as consequências de seus atos. Flávio é um homem adulto sem nenhum conteúdo que pretende governar uma nação. Seu comportamento expõe o desprezo pelo respeito democrático, pela responsabilidade pública e pelo dever de prestar contas à sociedade.

E há algo ainda mais preocupante. A desenvoltura com que esse candidato Flávio tenta transformar suspeitas graves em assuntos menores, como se a repetição de ataques pudesse apagar os questionamentos sobre sua trajetória absolutamente suspeita. O eleitor tem o direito de saber como se formou seu patrimônio, quais foram suas relações políticas obscuras e que explicações existem para os fatos que marcam sua vida pública. O voto não é um cheque em branco, muito menos uma autorização para que um candidato se coloque acima da avaliação da população e destrua o país de vez, transformando-o em uma nação governada por milicianos bandidos.

Os eleitores honestos e dignos deste país têm razões de sobra para rejeitar um projeto político de Flávio Bolsonaro que, em vez de apresentar resultados e propostas para a população, se apoia no sobrenome desclassificado de seu pai, o pior presidente do país que debochava das pessoas que agonizavam pela Covid que ele negou, ao desacreditar a ciência, ao sugerir medicações mediante compras irregulares que agravaram a doença dos brasileiros, na agressividade. Que contribuição efetiva Flávio Bolsonaro oferece ao desenvolvimento do Brasil? Que projeto consistente apresenta para melhorar a vida dos trabalhadores, reduzir as desigualdades, proteger os aposentados, fortalecer a educação e a saúde públicas e ampliar as oportunidades para a juventude que ora luta com garras e dentes para salvar a democracia desse meliante?

Também pesa sobre sua trajetória a homenagem a milicianos apontados como bandidos de alta periculosidade, que assassinaram brutalmente a vereadora Marielle Franco, além da defesa de um policial envolvido no caso da morte da criança Ana Clara, episódio que merece ser tratado com a seriedade devida à vítima e à sua família.

O debate da Band deve servir de alerta máximo ao povo do Brasil. Flávio demonstra falta de caráter, pois mente com convicção; total falta de preparo, pois sempre foi um playboy irresponsável; falta absoluta de idoneidade moral e desrespeito às mulheres, ao humilhar sua esposa com traições e por participação em orgias sexuais. A população brasileira não merece um presidente dessa estirpe meliante que envergonha a autoestima da maior potência da América Latina.

A Presidência da República não é herança de uma família golpista, misógina, homofóbica, sem moral, que tem como ídolo o mais sangrento torturador da ditadura, o demônio Brilhante Ustra, que mutilava sobretudo, os corpos das mulheres que lutaram contra a ditadura, como a Presidente Dilma, com torturas cruéis que não convém citar neste texto para não causar aos leitores repugnância sobre a desumanidade desse carrasco homenageado pelo pai de Flávio como seu herói. Flávio aprendeu com Jair a ser cruel, a ser desumano, ao defender bandidos perigosos e sanguinários.

Não confiar o voto a Flávio Bolsonaro significa assumir a responsabilidade histórica diante do povo brasileiro que trabalha, paga impostos e merece respeito e dignidade. É urgente refletir sobre os riscos de entregar o destino do Brasil a um meliante indigno da juventude, dos brasileiros e brasileiras de idade mediana, dos mais velhos que já conheceram na pele a crueldade da ditadura, dos empresários honestos que não têm o luxo de inventar “pix misterioso” e de qualquer cidadão que ainda preserve o mínimo de memória e vergonha na cara.

É urgente, enfim, se dar conta de que mais 70 milhões, roubados por Vorcaro da previdência dos aposentados, foram entregues a Flávio para financiar um filme sobre a vida de seu pai, um homem minúsculo em todos os sentidos, o sarcástico do sofrimentos das vítimas do Covid, o golpista Jair, aquele que tentou golpear a democracia, incitou a invasão de Brasília, mentiu descaradamente sobre urnas e vacinas, ridicularizou mortos da pandemia e hoje rasteja como um fracassado histórico, sem grandeza, sem legado e sem o menor vestígio de dignidade, tal como o seu filho Flávio que consegue suplantá-lo em indignidade.

•        Debate vale-tudo com leniência de âncoras da Band. Por Marco Damiani

Dirigente comunista e prefeito de Santos eleito pelo PT, em 1992, como sucessor de Telma de Souza (1944-2026), David Capistrano Filho (1948-2000) voltou à moda nesta eleição presidencial. A frase dele, de acordo com o resgate do jornalista Breno Altman, “o PT é um partido formado por soldados vietnamitas (a militância), sargentos americanos (os quadros médios) e generais paraguaios (a cúpula)” diverte até os chefes da agremiação. E faz todo sentido.

Para atestá-la, tenho uma passagem com o saudoso médico sanitarista que entra no contexto do debate de ontem, na Rede Bandeirantes, entre o presidente da República e um organizador de milícias, suspeito de lavagem de dinheiro, enriquecido por esquemas como rachadinhas de salários de servidores públicos e comprometido com a entrega das riquezas do Brasil aos Estados Unidos. Pelo nome de batismo, Flávio Nantes Bolsonaro.

Em outubro de 1992, David chegara em vantagem ao segundo turno da disputa pela Prefeitura de Santos. Eu estava ao lado dele para ajudar em alguns pontos da nova etapa da campanha. Ele me convidou a acompanhá-lo a uma reunião na TV Tribuna, a afiliada em Santos da Rede Globo, onde seriam apresentadas, para as devidas observações das candidaturas, as regras para um debate direto entre os candidatos da situação, o próprio David, e da oposição à direita, Vicente Cascione, do PDS. Este, nos tempos do regime militar, era conhecido como “porco” entre os militantes comunistas, mas essa é outra história.

Ao apresentar as regras propostas para o debate entre os candidatos a prefeito, o responsável da TV Tribuna informou que o desejo da emissora era de uma discussão em cinco blocos, com perguntas livres entre os candidatos, para que tudo ficasse mais quente. “Queremos sangue, entendem?”, pontuou o profissional.

Na volta da emissora para o comitê de campanha, no carro, eu perguntei ao David: “você sabe de quem é o sangue a que o chefe da TV se referiu?”. O eloquente Capistrano, como era chamado pelos santistas, também costumava fazer longos silêncios antes de falar. Era como estava naquele momento. Eu mesmo respondi: “É o seu sangue, David, que vai correr no estúdio com essa forma de debate sem divisões por temas, sem organização e livre para ataques à gestão da Telma que você representa”. Continuei: “Para quem é governo, debate tem de ser sobre temas: educação, saúde, finanças, tem de ser sobre gestão, que de resto é o que interessa ao eleitor e é o que você tem a apresentar”.

A ponderação que apresentei ao David foi levada por ele à direção local do PT, que tratou de pleitear os ajustes no encontro televisivo. David ganhou a eleição e entrou para a história, ombreado a Telma, como o melhor prefeito que a cidade já teve: despoluiu as praias, acabou com a epidemia de Aids e criou as policlínicas, modelo de atendimento de saúde pública adotado posteriormente em todo o País.

Ontem, o formato do debate era propício para haver sangue, e, pelo que assisti, foi o de Lula que escorreu. Precisamente porque não se discutiu governo, mas permitiu-se um vale-tudo. Leniência absoluta dos âncoras Eduardo Oinegue e Adriana Araújo ao deixarem, desde o primeiro instante, o bolsonarista postar-se como papagaio de pirata às costas de Lula fazendo gestos negativos e expressões. Permitiu-se a esculhambação do confronto. Ninguém na plateia de lulistas para avisar com um gesto, uma palavra ou um grito sobre o que estava acontecendo, não chega a ser decepção. Um estúdio de TV, para leigos, parece uma sala de visitas do Reino dos Céus, em que nada precisa ser mudado, tudo é perfeito. Inibe.

Quem vai, pelo partido, discutir regras de um debate, precisa ficar esperto. O ponto 1 é obrigar os âncoras a chamarem Lula de “presidente”, porque é isso o que ele é. Não é somente um “candidato”, qualificação que o nivela ao adversário e, portanto, já lhe tira uma condição real, existente. Exigir, em adendo, uma discussão sobre temas é fundamental. Endereça ao que interessa ao governo, que é mostrar realizações e, ao mesmo tempo, obriga o adversário de oposição a fazer propostas e não ficar apenas em provocações e xingamentos. Barrar a existência de plateias, como registrou em vídeo o colunista Alex Solnik, é mais uma medida necessária. Evita dispersão dos debatedores, provocações de toda ordem e ruídos indesejados.

Fica a lição, espera-se, para o debate da Globo, marcado para a sexta-feira, 23, dois dias antes do pleito. A prosseguir a regra do vale-tudo, Lula terá de fazer o que não sabe e, a rigor, nem pode fazer: descer ao nível dos esgotos da comunicação dos quais advêm embustes como Flávio Bolsonaro e seus asseclas.

No próximo debate, ainda mais decisivo, o eleitoralmente correto é trazer o candidato da extrema-direita à luz, onde pode ser derrotado pela falta de propostas, ou melhor, pelo pouco que se sabe do tanto que ele já promete fazer contra o Brasil e o povo brasileiro. Está nas mãos dos generais do PT realizar o ajuste. Os soldados vietnamitas estão fazendo a sua parte nas ruas, nas gigantescas manifestações de apoio que ninguém na campanha acreditava serem possíveis. Defendendo a sua própria gestão, mostrando as realizações, avanços e tantas vitórias sociais, Lula tem todas as condições para virar o jogo sobre o meliante. A condição é que tenha ambiente televisivo para fazer isso, o que não existiu no estúdio da Band.

 

Fonte: Brasil 247

 

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