Elisabeth
Lopes: Deboche, mentira e vazio - o espetáculo degradante de Flávio Bolsonaro
no debate
O
debate eleitoral deste domingo foi um espetáculo grotesco de arrogância,
deboche e desrespeito, protagonizado pelo meliante Flávio Bolsonaro, que
confundiu o confronto político com um ringue de quinta categoria. Durante o
debate da Band, comportou-se como um irresponsável insolente, incapaz de
respeitar um adversário da estatura de um estadista altivo admirado no mundo
inteiro e, pior, de responder às perguntas que lhe foram feitas, pois não tem
argumentos para justificar seus bens perante seus proventos de parlamentar.
O que
deveria ser uma discussão sobre os destinos do Brasil converteu-se em uma
demonstração vergonhosa de despreparo, cinismo e baixaria da parte de um
candidato bolsonarista incapaz. Flávio Bolsonaro atacou porque não respondeu,
debochou porque não esclareceu, provocou porque não apresentou argumentos à
altura das questões que o presidente Lula colocou diante dele. Quando um
candidato não consegue sustentar suas próprias explicações, mas se julga no
direito de desrespeitar quem o questiona, que é arrogante e parece acreditar
que pode escapar de qualquer prestação de contas não serve nem para administrar
um pequeno condomínio.
O
recado principal que permanece nas mentes de cada brasileira e cada brasileiro
diante do circo de horrores produzido por esse candidato Flávio, irresponsável
e desrespeitador, durante os minutos de duração do debate da Bandeirantes, é
que não restou nenhuma dúvida para os eleitores honrados deste país, para os
trabalhadores de todas as idades, para os mais velhos que já viveram muito é de
que o Brasil não merece ter como presidente um marginal que enriqueceu na
política espoliando os cofres públicos, o dinheiro suado do povo pago em
impostos, ligado intimamente aos milicianos, a um escroque bandido que se fazia
de banqueiro, alçado a essa condição durante o governo de Jair Bolsonaro.
A
lembrança que não cala na voz dos brasileiros comprometidos com a dignidade, a
honestidade e o futuro do país é inquestionável, o Brasil não merece ter como
presidente alguém cuja trajetória política está cercada de suspeitas graves,
questionamentos sobre o enriquecimento patrimonial absolutamente irregular e
relações que exigem esclarecimentos. O dinheiro público pertence ao povo, não a
Flávio que, em vez de prestar contas à sociedade, parece acreditar que está
acima da verdade. Os brasileiros merecem saber onde o dinheiro que pagam por
meio de impostos descontados cada dia de suor e de trabalho real foi aplicado.
O
comportamento de Flávio foi de um malandro vulgar que se julga esperto demais
para precisar responder por seus atos. Um homem de mais de quarenta anos que,
diante de um adversário experiente e altivo como o presidente Lula, Flávio
comportou-se como um meliante, incapaz de compreender que a disputa eleitoral
não é um espetáculo grotesco de insolência, mas um compromisso com milhões de
brasileiros.
O
presidente Lula, um estadista reconhecido internacionalmente, foi obrigado a
enfrentar um candidato que, em vez de responder às perguntas que lhe foram
dirigidas, preferiu o deboche, a provocação e a encenação. Flávio não respondeu
ao que o presidente Lula lhe perguntou. E por que as perguntas que envolvem sua
trajetória patrimonial e política são tão incômodas? São questões que não
desaparecem com uma risada debochada, com uma sombra fantasmagórica e covarde
atrás do presidente Lula, ou um ataque pessoal.
Há
perguntas que continuam à espera de explicações convincentes sobre a evolução
do patrimônio de Flávio, incompatível, na avaliação de todos os brasileiros,
com os rendimentos que recebeu ao longo de sua trajetória parlamentar. A mansão
avaliada em cerca de R$ 10 milhões, as notícias sobre a aquisição de mais de
cinquenta imóveis pela família Bolsonaro com pagamentos em dinheiro vivo e as
suspeitas que envolveram a movimentação de recursos durante sua passagem pela
Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro não são assuntos que possam ser
varridos para debaixo do tapete. São questões de interesse público. Quem
pretende governar o Brasil precisa enfrentá-las com transparência, documentos e
respostas objetivas, não com ataques de baixíssimo nível ao adversário.
Foi
lamentável assistir a um homem altivo como o presidente Lula, que já governou o
país por três mandatos e tem reconhecimento internacional, submeter-se a um
confronto em que o adversário revelou sua indigência moral. Mais grave ainda é
imaginar o que poderá acontecer com o Brasil sob a direção de alguém que trata
o debate democrático como uma oportunidade para escárnio aos ouvidos do povo
brasileiro.
Estamos
falando de um candidato associado a um projeto político que ameaça a soberania
nacional, subordina interesses brasileiros ao tirano Donald Trump e seus
aliados e parece disposto a transformar o país em quintal de um império
agonizante. O Brasil precisa de um presidente como Lula que defenda sua
autonomia, seu povo e suas riquezas, não de um meliante e mentiroso contumaz.
Os
brasileiros também não querem um país sem limites éticos, em que a mentira
reiterada seja confundida com habilidade política e a desfaçatez se transforme
em método de atuação. A cada aparição, Flávio oferece um espetáculo de baixaria
caricata, como se tivesse sido treinado para provocar reações, repetir frases
de efeito e atacar pessoas, mas não para apresentar soluções concretas aos
problemas nacionais. É o vazio de conteúdo tentando se impor pelo barulho de um
meliante.
Alguns
jornalistas classificaram Flávio como moleque diante de sua atuação no debate.
A palavra, entretanto, parece insuficiente para descrever o que vimos. Moleque
pode ser quem ainda não amadureceu, quem age por impulso e não mede as
consequências de seus atos. Flávio é um homem adulto sem nenhum conteúdo que
pretende governar uma nação. Seu comportamento expõe o desprezo pelo respeito
democrático, pela responsabilidade pública e pelo dever de prestar contas à
sociedade.
E há
algo ainda mais preocupante. A desenvoltura com que esse candidato Flávio tenta
transformar suspeitas graves em assuntos menores, como se a repetição de
ataques pudesse apagar os questionamentos sobre sua trajetória absolutamente
suspeita. O eleitor tem o direito de saber como se formou seu patrimônio, quais
foram suas relações políticas obscuras e que explicações existem para os fatos
que marcam sua vida pública. O voto não é um cheque em branco, muito menos uma
autorização para que um candidato se coloque acima da avaliação da população e
destrua o país de vez, transformando-o em uma nação governada por milicianos
bandidos.
Os
eleitores honestos e dignos deste país têm razões de sobra para rejeitar um
projeto político de Flávio Bolsonaro que, em vez de apresentar resultados e
propostas para a população, se apoia no sobrenome desclassificado de seu pai, o
pior presidente do país que debochava das pessoas que agonizavam pela Covid que
ele negou, ao desacreditar a ciência, ao sugerir medicações mediante compras
irregulares que agravaram a doença dos brasileiros, na agressividade. Que
contribuição efetiva Flávio Bolsonaro oferece ao desenvolvimento do Brasil? Que
projeto consistente apresenta para melhorar a vida dos trabalhadores, reduzir
as desigualdades, proteger os aposentados, fortalecer a educação e a saúde
públicas e ampliar as oportunidades para a juventude que ora luta com garras e
dentes para salvar a democracia desse meliante?
Também
pesa sobre sua trajetória a homenagem a milicianos apontados como bandidos de
alta periculosidade, que assassinaram brutalmente a vereadora Marielle Franco,
além da defesa de um policial envolvido no caso da morte da criança Ana Clara,
episódio que merece ser tratado com a seriedade devida à vítima e à sua
família.
O
debate da Band deve servir de alerta máximo ao povo do Brasil. Flávio demonstra
falta de caráter, pois mente com convicção; total falta de preparo, pois sempre
foi um playboy irresponsável; falta absoluta de idoneidade moral e desrespeito
às mulheres, ao humilhar sua esposa com traições e por participação em orgias
sexuais. A população brasileira não merece um presidente dessa estirpe meliante
que envergonha a autoestima da maior potência da América Latina.
A
Presidência da República não é herança de uma família golpista, misógina,
homofóbica, sem moral, que tem como ídolo o mais sangrento torturador da
ditadura, o demônio Brilhante Ustra, que mutilava sobretudo, os corpos das
mulheres que lutaram contra a ditadura, como a Presidente Dilma, com torturas
cruéis que não convém citar neste texto para não causar aos leitores
repugnância sobre a desumanidade desse carrasco homenageado pelo pai de Flávio
como seu herói. Flávio aprendeu com Jair a ser cruel, a ser desumano, ao
defender bandidos perigosos e sanguinários.
Não
confiar o voto a Flávio Bolsonaro significa assumir a responsabilidade
histórica diante do povo brasileiro que trabalha, paga impostos e merece
respeito e dignidade. É urgente refletir sobre os riscos de entregar o destino
do Brasil a um meliante indigno da juventude, dos brasileiros e brasileiras de
idade mediana, dos mais velhos que já conheceram na pele a crueldade da
ditadura, dos empresários honestos que não têm o luxo de inventar “pix
misterioso” e de qualquer cidadão que ainda preserve o mínimo de memória e
vergonha na cara.
É
urgente, enfim, se dar conta de que mais 70 milhões, roubados por Vorcaro da
previdência dos aposentados, foram entregues a Flávio para financiar um filme
sobre a vida de seu pai, um homem minúsculo em todos os sentidos, o sarcástico
do sofrimentos das vítimas do Covid, o golpista Jair, aquele que tentou golpear
a democracia, incitou a invasão de Brasília, mentiu descaradamente sobre urnas
e vacinas, ridicularizou mortos da pandemia e hoje rasteja como um fracassado
histórico, sem grandeza, sem legado e sem o menor vestígio de dignidade, tal
como o seu filho Flávio que consegue suplantá-lo em indignidade.
• Debate vale-tudo com leniência de
âncoras da Band. Por Marco Damiani
Dirigente
comunista e prefeito de Santos eleito pelo PT, em 1992, como sucessor de Telma
de Souza (1944-2026), David Capistrano Filho (1948-2000) voltou à moda nesta
eleição presidencial. A frase dele, de acordo com o resgate do jornalista Breno
Altman, “o PT é um partido formado por soldados vietnamitas (a militância),
sargentos americanos (os quadros médios) e generais paraguaios (a cúpula)”
diverte até os chefes da agremiação. E faz todo sentido.
Para
atestá-la, tenho uma passagem com o saudoso médico sanitarista que entra no
contexto do debate de ontem, na Rede Bandeirantes, entre o presidente da
República e um organizador de milícias, suspeito de lavagem de dinheiro,
enriquecido por esquemas como rachadinhas de salários de servidores públicos e
comprometido com a entrega das riquezas do Brasil aos Estados Unidos. Pelo nome
de batismo, Flávio Nantes Bolsonaro.
Em
outubro de 1992, David chegara em vantagem ao segundo turno da disputa pela
Prefeitura de Santos. Eu estava ao lado dele para ajudar em alguns pontos da
nova etapa da campanha. Ele me convidou a acompanhá-lo a uma reunião na TV
Tribuna, a afiliada em Santos da Rede Globo, onde seriam apresentadas, para as
devidas observações das candidaturas, as regras para um debate direto entre os
candidatos da situação, o próprio David, e da oposição à direita, Vicente
Cascione, do PDS. Este, nos tempos do regime militar, era conhecido como
“porco” entre os militantes comunistas, mas essa é outra história.
Ao
apresentar as regras propostas para o debate entre os candidatos a prefeito, o
responsável da TV Tribuna informou que o desejo da emissora era de uma
discussão em cinco blocos, com perguntas livres entre os candidatos, para que
tudo ficasse mais quente. “Queremos sangue, entendem?”, pontuou o profissional.
Na
volta da emissora para o comitê de campanha, no carro, eu perguntei ao David:
“você sabe de quem é o sangue a que o chefe da TV se referiu?”. O eloquente
Capistrano, como era chamado pelos santistas, também costumava fazer longos
silêncios antes de falar. Era como estava naquele momento. Eu mesmo respondi:
“É o seu sangue, David, que vai correr no estúdio com essa forma de debate sem
divisões por temas, sem organização e livre para ataques à gestão da Telma que
você representa”. Continuei: “Para quem é governo, debate tem de ser sobre
temas: educação, saúde, finanças, tem de ser sobre gestão, que de resto é o que
interessa ao eleitor e é o que você tem a apresentar”.
A
ponderação que apresentei ao David foi levada por ele à direção local do PT,
que tratou de pleitear os ajustes no encontro televisivo. David ganhou a
eleição e entrou para a história, ombreado a Telma, como o melhor prefeito que
a cidade já teve: despoluiu as praias, acabou com a epidemia de Aids e criou as
policlínicas, modelo de atendimento de saúde pública adotado posteriormente em
todo o País.
Ontem,
o formato do debate era propício para haver sangue, e, pelo que assisti, foi o
de Lula que escorreu. Precisamente porque não se discutiu governo, mas
permitiu-se um vale-tudo. Leniência absoluta dos âncoras Eduardo Oinegue e
Adriana Araújo ao deixarem, desde o primeiro instante, o bolsonarista postar-se
como papagaio de pirata às costas de Lula fazendo gestos negativos e
expressões. Permitiu-se a esculhambação do confronto. Ninguém na plateia de
lulistas para avisar com um gesto, uma palavra ou um grito sobre o que estava
acontecendo, não chega a ser decepção. Um estúdio de TV, para leigos, parece
uma sala de visitas do Reino dos Céus, em que nada precisa ser mudado, tudo é
perfeito. Inibe.
Quem
vai, pelo partido, discutir regras de um debate, precisa ficar esperto. O ponto
1 é obrigar os âncoras a chamarem Lula de “presidente”, porque é isso o que ele
é. Não é somente um “candidato”, qualificação que o nivela ao adversário e,
portanto, já lhe tira uma condição real, existente. Exigir, em adendo, uma
discussão sobre temas é fundamental. Endereça ao que interessa ao governo, que
é mostrar realizações e, ao mesmo tempo, obriga o adversário de oposição a
fazer propostas e não ficar apenas em provocações e xingamentos. Barrar a
existência de plateias, como registrou em vídeo o colunista Alex Solnik, é mais
uma medida necessária. Evita dispersão dos debatedores, provocações de toda
ordem e ruídos indesejados.
Fica a
lição, espera-se, para o debate da Globo, marcado para a sexta-feira, 23, dois
dias antes do pleito. A prosseguir a regra do vale-tudo, Lula terá de fazer o
que não sabe e, a rigor, nem pode fazer: descer ao nível dos esgotos da
comunicação dos quais advêm embustes como Flávio Bolsonaro e seus asseclas.
No
próximo debate, ainda mais decisivo, o eleitoralmente correto é trazer o
candidato da extrema-direita à luz, onde pode ser derrotado pela falta de
propostas, ou melhor, pelo pouco que se sabe do tanto que ele já promete fazer
contra o Brasil e o povo brasileiro. Está nas mãos dos generais do PT realizar
o ajuste. Os soldados vietnamitas estão fazendo a sua parte nas ruas, nas
gigantescas manifestações de apoio que ninguém na campanha acreditava serem
possíveis. Defendendo a sua própria gestão, mostrando as realizações, avanços e
tantas vitórias sociais, Lula tem todas as condições para virar o jogo sobre o
meliante. A condição é que tenha ambiente televisivo para fazer isso, o que não
existiu no estúdio da Band.
Fonte:
Brasil 247

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