sexta-feira, 23 de outubro de 2026

“O que os cristãos tem a dizer sobre político casado que sai na pandemia com prostitutas?”, questiona deputado

O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) utilizou as redes sociais para questionar a conduta de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, diante de acusações envolvendo encontros com prostitutas durante a pandemia de Covid-19 e suspeitas relacionadas à negociação de vacinas.

Em publicação na rede social X, o parlamentar dirigiu uma mensagem especialmente aos eleitores cristãos e evangélicos, levantando questionamentos sobre a compatibilidade entre os valores religiosos e os comportamentos atribuídos ao político.

“O que os cristãos acham de político casado que sai na pandemia com prostitutas? Pega uma lancha, quarta feira 15 horas, para negociar propina para compra de vacina para COVID”, escreveu Zeca Dirceu.

O deputado também incentivou a circulação da mensagem entre grupos religiosos, convidando os eleitores a refletirem sobre as acusações.

“Mande a todos evangélicos, cristãos e outros religiosos. Que cada um faça sua reflexão”, acrescentou.

<><> Flávio Bolsonaro, garotas de programa e empresários: a festa em lancha durante a pandemia

O senador Flávio Bolsonaro (PL) teria participado de uma festa em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, com empresários da Precisa Medicamentos e garotas de programa trazidas de São Paulo, em 17 de julho de 2020, durante a pandemia de Covid-19. O encontro teria sido organizado por empresários interessados em estreitar relações com o governo de Jair Bolsonaro, pai do senador, enquanto buscavam negociar o fornecimento da vacina Covaxin. As informações são da revista piauí.

Na véspera da festa, o Brasil havia registrado 1.299 mortes por Covid-19 em apenas 24 horas, elevando para 76.822 o número de vítimas da doença no país.

Segundo a reportagem, na noite de 16 de julho de 2020, um jatinho de prefixo PR-SAD decolou do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 20h49, com destino à capital federal.

A bordo estavam Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, ligados à Precisa Medicamentos, o agente de viagens Raphael Barão, proprietário da Barão Turismo, e três garotas de programa.

A aeronave, um Embraer Phenom 300 pertencente à empresa Prime You, pousou em Brasília às 22h12. Os passageiros seguiram para o hotel Meliá Brasil 21, no Setor Hoteleiro Sul.

Na manhã seguinte, Flávio Bolsonaro teria chegado à lancha acompanhado de Alexandre Santini, seu amigo e sócio em uma franquia da Kopenhagen no Rio de Janeiro.

O encontro, com bebidas e petiscos, teria sido organizado para agradar o filho mais velho do então presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a piauí, a presença das garotas de programa era um dos principais atrativos da festa.

Festa ocorreu enquanto Brasil registrava quase 77 mil mortes por Covid-19

O passeio aconteceu em um período crítico da pandemia. Em 16 de julho de 2020, o Brasil contabilizava 76.822 mortes por Covid-19, após registrar 1.299 novos óbitos em 24 horas.

Naquele momento, o governo Bolsonaro enfrentava críticas pela condução da crise sanitária, enquanto laboratórios internacionais buscavam negociar o fornecimento de vacinas contra a doença.

Empresas como Pfizer e Sinovac mantinham tratativas com o Ministério da Saúde, mas os acordos ainda não haviam avançado.

Foi nesse contexto que os empresários da Precisa Medicamentos buscaram ampliar sua aproximação com integrantes da família presidencial.

<><> Empresários buscavam acordo para fornecimento da Covaxin

Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, respectivamente diretor institucional e proprietário da Precisa Medicamentos, atuavam nas negociações relacionadas à vacina Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech.

A empresa já mantinha contratos com o governo federal para o fornecimento de produtos como testes rápidos de Covid-19 e preservativos femininos.

Segundo a piauí, os empresários viam na aproximação com Flávio Bolsonaro uma oportunidade de fortalecer suas relações políticas enquanto buscavam avançar nas negociações envolvendo o imunizante.

A reportagem também aponta que o jatinho utilizado para transportar os participantes da festa já havia sido usado pelo empresário Daniel Vorcaro.

Amigo de Flávio Bolsonaro na lancha foi citado no caso das “rachadinhas”

Alexandre Santini, que teria acompanhado Flávio Bolsonaro no passeio, também aparece em outro episódio envolvendo o senador: a investigação sobre um suposto esquema de “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Santini era sócio de Flávio em uma franquia da Kopenhagen no Rio de Janeiro.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a loja teria sido utilizada para lavar recursos provenientes de valores supostamente recolhidos de assessores parlamentares por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.

Os investigadores estimaram que R$ 1,6 milhão em espécie teriam passado pelo estabelecimento no contexto do suposto esquema.

O caso, contudo, foi arquivado após a anulação de provas utilizadas na investigação, sem condenação de Flávio Bolsonaro.

•        Brasil teve recorde de mortes, demorou a comprar vacinas enquanto Flávio participava de festas com garotas de programa

O Brasil viveu uma das maiores tragédias sanitárias de sua história durante o governo de Jair Bolsonaro. Enquanto a Covid-19 avançava pelo país, provocando milhares de mortes, o então presidente minimizava a gravidade da doença, questionava medidas de proteção, demorava a fechar contratos para a aquisição de vacinas e chegou a imitar pessoas com dificuldades respiratórias. Nesse mesmo período, seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), participou de uma festa em uma lancha com garotas de programa, organizada por empresários interessados em fechar negócios com o governo federal, segundo reportagem publicada pela revista piauí.

A investigação da piauí revela que, em 17 de julho de 2020, Flávio Bolsonaro participou de um passeio no Lago Paranoá, em Brasília, acompanhado de três garotas de programa, do empresário Danilo Berndt Trento e de Alexandre Santini, amigo do senador. Trento era diretor institucional da Precisa Medicamentos, empresa envolvida nas negociações da vacina indiana Covaxin. Segundo a revista, ao final do encontro, o empresário presenteou Flávio com um relógio Rolex.

Naquele momento, o Brasil já havia registrado 76.822 mortes por Covid-19. Apenas em 16 de julho de 2020, véspera do passeio, foram contabilizados 1.299 óbitos. No dia da festa, o país registrou outras 1.110 mortes, segundo os dados do consórcio de veículos de imprensa citados pela publicação.

<><> Festa na lancha em meio à pandemia

De acordo com a piauí, os empresários Danilo Trento e Francisco Maximiano, proprietário da Precisa Medicamentos, organizaram a viagem de São Paulo a Brasília em um jato executivo Embraer Phenom 300. A bordo estavam também o agente de viagens Raphael Barão e três garotas de programa.

O grupo chegou à capital federal na noite de 16 de julho de 2020. Na manhã seguinte, as mulheres e Danilo Trento embarcaram em uma lancha no Lago Paranoá, onde receberam Flávio Bolsonaro e Alexandre Santini.

A reportagem afirma que, durante o passeio, Flávio desceu à cabine da embarcação acompanhado de uma das mulheres e, posteriormente, de outra. A revista sustenta a reconstituição do episódio em depoimentos, registros de voos e documentos obtidos por comissões parlamentares de inquérito.

Ao final da festa, segundo a investigação, Danilo Trento retirou um relógio Rolex do próprio pulso e o colocou no braço do senador, que deixou a embarcação usando o presente.

O episódio ganha relevância pública pela relação dos organizadores com interesses comerciais junto ao governo federal, especialmente no setor de vacinas.

<><> Governo Bolsonaro demorou a comprar vacinas

Enquanto encontros privados desse tipo aconteciam em Brasília, o Brasil enfrentava dificuldades para garantir o acesso antecipado a imunizantes contra a Covid-19.

A farmacêutica Pfizer apresentou propostas ao governo brasileiro a partir de agosto de 2020, mas o primeiro contrato com a empresa só foi assinado em março de 2021.

O governo também protagonizou uma disputa em torno da CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

Em outubro de 2020, Jair Bolsonaro desautorizou publicamente a intenção do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de adquirir doses do imunizante.

A vacinação no Brasil começou em janeiro de 2021, quando o país já havia perdido mais de 200 mil pessoas para a doença.

<><> Bolsonaro imitou pacientes com falta de ar

A postura do então presidente diante do sofrimento provocado pela Covid-19 foi marcada por declarações que geraram forte controvérsia.

Em março de 2020, Bolsonaro classificou a doença como uma “gripezinha” e um “resfriadinho”. Em abril, questionado sobre o aumento das mortes, respondeu:

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre.”

Em março de 2021, durante uma transmissão ao vivo, Bolsonaro também imitou a respiração ofegante de pacientes com Covid-19 ao comentar o atendimento hospitalar.

O gesto provocou indignação em um momento no qual milhares de brasileiros enfrentavam insuficiência respiratória, internações em unidades de terapia intensiva e dificuldades de acesso a tratamento.

<><> Brasil chegou a registrar mais de 4 mil mortes em um dia

A pandemia atingiu seu período mais letal no primeiro semestre de 2021, quando o Brasil registrou sucessivos recordes de mortes diárias.

Em 8 de abril daquele ano, foram contabilizadas 4.249 mortes por Covid-19 em 24 horas, segundo o consórcio de veículos de imprensa.

A crise sanitária também foi marcada pelo colapso do sistema de saúde em Manaus, onde a falta de oxigênio hospitalar, em janeiro de 2021, provocou mortes e expôs falhas na resposta das autoridades.

O Brasil ultrapassaria posteriormente a marca de 700 mil mortes pela doença.

<><> Relações entre Flávio Bolsonaro e empresários da Covaxin foram investigadas

A CPI da Pandemia, instalada pelo Senado em 2021, investigou as negociações para aquisição da vacina Covaxin, intermediadas pela Precisa Medicamentos.

Durante os trabalhos da comissão, Flávio Bolsonaro saiu em defesa da empresa e elogiou publicamente uma de suas diretoras, Emanuela Medrades.

“Cabe aqui um parabéns também público, pelo fato de a senhora, ao representar o laboratório indiano, ter batalhado para que fosse economizado dinheiro público”, afirmou o senador.

O contrato da Covaxin previa a aquisição de doses por aproximadamente R$ 80 cada, valor superior ao de outras vacinas negociadas naquele período.

A piauí também relata que, em outubro de 2020, três meses depois da festa na lancha, Flávio Bolsonaro intermediou uma reunião entre Francisco Maximiano e o então presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para discutir um projeto empresarial na área de telecomunicações.

Flávio reconheceu ter solicitado o encontro, mas negou manter relações comerciais ou financeiras com Maximiano. O BNDES informou que nenhum financiamento foi contratado.

O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano, entre outros investigados. A recomendação não constitui condenação judicial.

A revista piauí informou que procurou os envolvidos antes da publicação de sua reportagem. Flávio Bolsonaro não se manifestou até o fechamento, enquanto Trento interrompeu o contato após ser informado dos detalhes da investigação. Os representantes de Maximiano também não responderam dentro do prazo.

As revelações sobre o passeio de lancha acrescentam um novo elemento ao escrutínio das relações entre integrantes da família Bolsonaro e empresários interessados em negócios com o governo federal durante a pandemia. O contraste entre as festas privadas relatadas pela revista e a emergência sanitária enfrentada pela população brasileira é um dos aspectos centrais do episódio.

 

Fonte: Brasil 247/Fórum

 

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