“O
que os cristãos tem a dizer sobre político casado que sai na pandemia com
prostitutas?”, questiona deputado
O
deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) utilizou as redes sociais para questionar
a conduta de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República,
diante de acusações envolvendo encontros com prostitutas durante a pandemia de
Covid-19 e suspeitas relacionadas à negociação de vacinas.
Em
publicação na rede social X, o parlamentar dirigiu uma mensagem especialmente
aos eleitores cristãos e evangélicos, levantando questionamentos sobre a
compatibilidade entre os valores religiosos e os comportamentos atribuídos ao
político.
“O que
os cristãos acham de político casado que sai na pandemia com prostitutas? Pega
uma lancha, quarta feira 15 horas, para negociar propina para compra de vacina
para COVID”, escreveu Zeca Dirceu.
O
deputado também incentivou a circulação da mensagem entre grupos religiosos,
convidando os eleitores a refletirem sobre as acusações.
“Mande
a todos evangélicos, cristãos e outros religiosos. Que cada um faça sua
reflexão”, acrescentou.
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Flávio Bolsonaro, garotas de programa e empresários: a festa em lancha durante
a pandemia
O
senador Flávio Bolsonaro (PL) teria participado de uma festa em uma lancha no
Lago Paranoá, em Brasília, com empresários da Precisa Medicamentos e garotas de
programa trazidas de São Paulo, em 17 de julho de 2020, durante a pandemia de
Covid-19. O encontro teria sido organizado por empresários interessados em
estreitar relações com o governo de Jair Bolsonaro, pai do senador, enquanto
buscavam negociar o fornecimento da vacina Covaxin. As informações são da
revista piauí.
Na
véspera da festa, o Brasil havia registrado 1.299 mortes por Covid-19 em apenas
24 horas, elevando para 76.822 o número de vítimas da doença no país.
Segundo
a reportagem, na noite de 16 de julho de 2020, um jatinho de prefixo PR-SAD
decolou do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 20h49, com destino à
capital federal.
A bordo
estavam Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, ligados à Precisa
Medicamentos, o agente de viagens Raphael Barão, proprietário da Barão Turismo,
e três garotas de programa.
A
aeronave, um Embraer Phenom 300 pertencente à empresa Prime You, pousou em
Brasília às 22h12. Os passageiros seguiram para o hotel Meliá Brasil 21, no
Setor Hoteleiro Sul.
Na
manhã seguinte, Flávio Bolsonaro teria chegado à lancha acompanhado de
Alexandre Santini, seu amigo e sócio em uma franquia da Kopenhagen no Rio de
Janeiro.
O
encontro, com bebidas e petiscos, teria sido organizado para agradar o filho
mais velho do então presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a piauí, a
presença das garotas de programa era um dos principais atrativos da festa.
Festa
ocorreu enquanto Brasil registrava quase 77 mil mortes por Covid-19
O
passeio aconteceu em um período crítico da pandemia. Em 16 de julho de 2020, o
Brasil contabilizava 76.822 mortes por Covid-19, após registrar 1.299 novos
óbitos em 24 horas.
Naquele
momento, o governo Bolsonaro enfrentava críticas pela condução da crise
sanitária, enquanto laboratórios internacionais buscavam negociar o
fornecimento de vacinas contra a doença.
Empresas
como Pfizer e Sinovac mantinham tratativas com o Ministério da Saúde, mas os
acordos ainda não haviam avançado.
Foi
nesse contexto que os empresários da Precisa Medicamentos buscaram ampliar sua
aproximação com integrantes da família presidencial.
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Empresários buscavam acordo para fornecimento da Covaxin
Danilo
Berndt Trento e Francisco Maximiano, respectivamente diretor institucional e
proprietário da Precisa Medicamentos, atuavam nas negociações relacionadas à
vacina Covaxin, desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech.
A
empresa já mantinha contratos com o governo federal para o fornecimento de
produtos como testes rápidos de Covid-19 e preservativos femininos.
Segundo
a piauí, os empresários viam na aproximação com Flávio Bolsonaro uma
oportunidade de fortalecer suas relações políticas enquanto buscavam avançar
nas negociações envolvendo o imunizante.
A
reportagem também aponta que o jatinho utilizado para transportar os
participantes da festa já havia sido usado pelo empresário Daniel Vorcaro.
Amigo
de Flávio Bolsonaro na lancha foi citado no caso das “rachadinhas”
Alexandre
Santini, que teria acompanhado Flávio Bolsonaro no passeio, também aparece em
outro episódio envolvendo o senador: a investigação sobre um suposto esquema de
“rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Santini
era sócio de Flávio em uma franquia da Kopenhagen no Rio de Janeiro.
Segundo
o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a loja teria sido utilizada para
lavar recursos provenientes de valores supostamente recolhidos de assessores
parlamentares por Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio.
Os
investigadores estimaram que R$ 1,6 milhão em espécie teriam passado pelo
estabelecimento no contexto do suposto esquema.
O caso,
contudo, foi arquivado após a anulação de provas utilizadas na investigação,
sem condenação de Flávio Bolsonaro.
• Brasil teve recorde de mortes, demorou a
comprar vacinas enquanto Flávio participava de festas com garotas de programa
O
Brasil viveu uma das maiores tragédias sanitárias de sua história durante o
governo de Jair Bolsonaro. Enquanto a Covid-19 avançava pelo país, provocando
milhares de mortes, o então presidente minimizava a gravidade da doença,
questionava medidas de proteção, demorava a fechar contratos para a aquisição
de vacinas e chegou a imitar pessoas com dificuldades respiratórias. Nesse
mesmo período, seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL), participou de uma
festa em uma lancha com garotas de programa, organizada por empresários
interessados em fechar negócios com o governo federal, segundo reportagem
publicada pela revista piauí.
A
investigação da piauí revela que, em 17 de julho de 2020, Flávio Bolsonaro
participou de um passeio no Lago Paranoá, em Brasília, acompanhado de três
garotas de programa, do empresário Danilo Berndt Trento e de Alexandre Santini,
amigo do senador. Trento era diretor institucional da Precisa Medicamentos,
empresa envolvida nas negociações da vacina indiana Covaxin. Segundo a revista,
ao final do encontro, o empresário presenteou Flávio com um relógio Rolex.
Naquele
momento, o Brasil já havia registrado 76.822 mortes por Covid-19. Apenas em 16
de julho de 2020, véspera do passeio, foram contabilizados 1.299 óbitos. No dia
da festa, o país registrou outras 1.110 mortes, segundo os dados do consórcio
de veículos de imprensa citados pela publicação.
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Festa na lancha em meio à pandemia
De
acordo com a piauí, os empresários Danilo Trento e Francisco Maximiano,
proprietário da Precisa Medicamentos, organizaram a viagem de São Paulo a
Brasília em um jato executivo Embraer Phenom 300. A bordo estavam também o
agente de viagens Raphael Barão e três garotas de programa.
O grupo
chegou à capital federal na noite de 16 de julho de 2020. Na manhã seguinte, as
mulheres e Danilo Trento embarcaram em uma lancha no Lago Paranoá, onde
receberam Flávio Bolsonaro e Alexandre Santini.
A
reportagem afirma que, durante o passeio, Flávio desceu à cabine da embarcação
acompanhado de uma das mulheres e, posteriormente, de outra. A revista sustenta
a reconstituição do episódio em depoimentos, registros de voos e documentos
obtidos por comissões parlamentares de inquérito.
Ao
final da festa, segundo a investigação, Danilo Trento retirou um relógio Rolex
do próprio pulso e o colocou no braço do senador, que deixou a embarcação
usando o presente.
O
episódio ganha relevância pública pela relação dos organizadores com interesses
comerciais junto ao governo federal, especialmente no setor de vacinas.
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Governo Bolsonaro demorou a comprar vacinas
Enquanto
encontros privados desse tipo aconteciam em Brasília, o Brasil enfrentava
dificuldades para garantir o acesso antecipado a imunizantes contra a Covid-19.
A
farmacêutica Pfizer apresentou propostas ao governo brasileiro a partir de
agosto de 2020, mas o primeiro contrato com a empresa só foi assinado em março
de 2021.
O
governo também protagonizou uma disputa em torno da CoronaVac, desenvolvida
pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.
Em
outubro de 2020, Jair Bolsonaro desautorizou publicamente a intenção do então
ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, de adquirir doses do imunizante.
A
vacinação no Brasil começou em janeiro de 2021, quando o país já havia perdido
mais de 200 mil pessoas para a doença.
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Bolsonaro imitou pacientes com falta de ar
A
postura do então presidente diante do sofrimento provocado pela Covid-19 foi
marcada por declarações que geraram forte controvérsia.
Em
março de 2020, Bolsonaro classificou a doença como uma “gripezinha” e um
“resfriadinho”. Em abril, questionado sobre o aumento das mortes, respondeu:
“E daí?
Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre.”
Em
março de 2021, durante uma transmissão ao vivo, Bolsonaro também imitou a
respiração ofegante de pacientes com Covid-19 ao comentar o atendimento
hospitalar.
O gesto
provocou indignação em um momento no qual milhares de brasileiros enfrentavam
insuficiência respiratória, internações em unidades de terapia intensiva e
dificuldades de acesso a tratamento.
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Brasil chegou a registrar mais de 4 mil mortes em um dia
A
pandemia atingiu seu período mais letal no primeiro semestre de 2021, quando o
Brasil registrou sucessivos recordes de mortes diárias.
Em 8 de
abril daquele ano, foram contabilizadas 4.249 mortes por Covid-19 em 24 horas,
segundo o consórcio de veículos de imprensa.
A crise
sanitária também foi marcada pelo colapso do sistema de saúde em Manaus, onde a
falta de oxigênio hospitalar, em janeiro de 2021, provocou mortes e expôs
falhas na resposta das autoridades.
O
Brasil ultrapassaria posteriormente a marca de 700 mil mortes pela doença.
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Relações entre Flávio Bolsonaro e empresários da Covaxin foram investigadas
A CPI
da Pandemia, instalada pelo Senado em 2021, investigou as negociações para
aquisição da vacina Covaxin, intermediadas pela Precisa Medicamentos.
Durante
os trabalhos da comissão, Flávio Bolsonaro saiu em defesa da empresa e elogiou
publicamente uma de suas diretoras, Emanuela Medrades.
“Cabe
aqui um parabéns também público, pelo fato de a senhora, ao representar o
laboratório indiano, ter batalhado para que fosse economizado dinheiro
público”, afirmou o senador.
O
contrato da Covaxin previa a aquisição de doses por aproximadamente R$ 80 cada,
valor superior ao de outras vacinas negociadas naquele período.
A piauí
também relata que, em outubro de 2020, três meses depois da festa na lancha,
Flávio Bolsonaro intermediou uma reunião entre Francisco Maximiano e o então
presidente do BNDES, Gustavo Montezano, para discutir um projeto empresarial na
área de telecomunicações.
Flávio
reconheceu ter solicitado o encontro, mas negou manter relações comerciais ou
financeiras com Maximiano. O BNDES informou que nenhum financiamento foi
contratado.
O
relatório final da CPI recomendou o indiciamento de Flávio Bolsonaro, Danilo
Trento e Francisco Maximiano, entre outros investigados. A recomendação não
constitui condenação judicial.
A
revista piauí informou que procurou os envolvidos antes da publicação de sua
reportagem. Flávio Bolsonaro não se manifestou até o fechamento, enquanto
Trento interrompeu o contato após ser informado dos detalhes da investigação.
Os representantes de Maximiano também não responderam dentro do prazo.
As
revelações sobre o passeio de lancha acrescentam um novo elemento ao escrutínio
das relações entre integrantes da família Bolsonaro e empresários interessados
em negócios com o governo federal durante a pandemia. O contraste entre as
festas privadas relatadas pela revista e a emergência sanitária enfrentada pela
população brasileira é um dos aspectos centrais do episódio.
Fonte:
Brasil 247/Fórum

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