As
propostas de Lula e Flávio Bolsonaro sobre CLT e relações trabalhistas
Criada
em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, a Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT) reuniu normas que passaram a regular as relações entre patrões e
empregados no Brasil.
A
legislação estabeleceu direitos e regras que fazem parte do cotidiano de
milhões de trabalhadores, como limites para a jornada de trabalho, férias,
pagamento de horas extras e condições para a demissão.
Mais de
oito décadas depois, a CLT voltou ao centro do debate político na campanha
presidencial de 2026, com propostas diferentes para o futuro das relações de
trabalho no país.
Enquanto
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende atualizar a legislação para combater a
precarização do trabalho e fortalecer a atuação dos sindicatos, Flávio
Bolsonaro (PL) propõe reduzir o custo da contratação formal e ampliar a
flexibilidade nas relações entre empregados e empregadores.
A
discussão ganhou força com a aprovação e a promulgação da emenda constitucional
que prevê o fim da escala 6x1, tema que dividiu os candidatos durante a
campanha.
A
redução da jornada era uma das bandeiras de Lula e estava entre as propostas de
seu plano de governo. Flávio, por sua vez, chegou a classificar a mudança como
"oportunista", mas depois voltou atrás e votou a favor da emenda,
afirmando que havia "ouvido a população".
Apesar
do apoio à mudança, o PL pretende apresentar uma alternativa em 2027, caso
Flávio seja eleito presidente, segundo o líder do partido na Câmara, Sóstenes
Cavalcante (PL-RJ).
Elaborada
pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), a proposta prevê um modelo de contratação
com remuneração proporcional às horas trabalhadas.
A
seguir, veja o que os dois candidatos já disseram publicamente sobre a
legislação trabalhista e o que propõem em seus planos de governo registrados no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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O que Lula propõe
No
plano de governo, Lula propõe atualizar a legislação trabalhista para alterar
dispositivos que considera prejudiciais aos trabalhadores e que "induzem a
precarização das condições de trabalho", segundo o documento.
Em
entrevista ao podcast Desce a Letra, em setembro de 2026, o presidente defendeu
adaptar a CLT às transformações no mundo do trabalho.
"Eu
sempre tive defesa da CLT e defesa ao mesmo tempo mudança da CLT. Uma lei que
foi criada em 1943, ela precisa se adaptar ao mundo atual. Não pode ficar a
mesma coisa", afirmou.
Lula,
porém, não especificou quais mudanças pretende fazer.
O plano
também prevê combater fraudes em terceirizações e na contratação de
profissionais como pessoa jurídica (PJ), quando esse modelo é usado para
mascarar uma relação de emprego e evitar obrigações trabalhistas e
previdenciárias.
O
petista não propõe proibir a contratação de profissionais como PJ, mas combater
o que chama de "pejotização espúria".
Outra
proposta é retomar a assistência sindical nas homologações de rescisões
contratuais. A medida se relaciona a uma mudança introduzida pela reforma
trabalhista de 2017, que eliminou a exigência geral de assistência sindical ou
de autoridade competente na formalização de determinadas rescisões de contratos
com mais de um ano.
Lula
também propõe regulamentar o trabalho em plataformas digitais, com diretrizes
para definir as relações de trabalho, a remuneração, as condições de trabalho e
as proteções e os direitos trabalhistas e previdenciários.
O plano
estabelece ainda transparência dos algoritmos e políticas de requalificação e
inserção profissional para categorias afetadas pelas transformações
tecnológicas.
O
texto, no entanto, não estabelece que todos os trabalhadores de aplicativos
terão vínculo de emprego regido pela CLT.
Por
fim, o presidente defende fortalecer os sindicatos e ampliar o espaço da
negociação coletiva. O plano prevê atualizar o sistema de representação
sindical e regulamentar a negociação coletiva no setor público.
Em
declarações públicas, Lula também tem defendido o contrato coletivo como
instrumento para discutir temas como jornada de trabalho, reajustes salariais e
outros direitos, com os sindicatos atuando na representação dos trabalhadores
nessas negociações.
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O que propõe Flávio Bolsonaro
"É
uma legislação atrasada, a CLT, de 1943, da época que não tinha internet, home
office, aplicativos de entregas e de carros. Portanto, o Brasil avançou, se
atualizou e precisa de uma atualização muito mais moderna, que atenda a
realidade do povo brasileiro", afirmou.
No
plano de governo, ele propõe reduzir o custo da contratação formal,
flexibilizar as condições de trabalho e ampliar a negociação direta entre
empregados e empregadores.
Uma das
medidas é reduzir gradualmente o custo do trabalho formal. Para isso, o
documento propõe criar contratos com custos menores para empresas que
contratarem jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego e pessoas com
50 anos ou mais que estejam desempregadas há pelo menos 12 meses.
O
plano, porém, não detalha quais encargos seriam reduzidos, por quanto tempo os
incentivos seriam aplicados nem quantas vagas poderiam ser criadas com as
medidas.
O
candidato também defende a prevalência do "negociado sobre o
legislado", princípio que permite que acordos entre trabalhadores e
empresas estabeleçam condições de trabalho diferentes das previstas em lei,
dentro dos limites legais.
Segundo
o plano, a medida daria mais flexibilidade para definir jornadas e outras
condições de trabalho.
Outra
proposta defendida publicamente por Flávio é permitir que trabalhadores
escolham entre o regime tradicional da CLT e um modelo de remuneração por hora
trabalhada. A ideia foi apresentada pelo senador Rogério Marinho, coordenador
político da campanha, na PEC 12/2026.
Pela
proposta, contratos individuais poderiam prevalecer sobre acordos e convenções
coletivas negociados com participação dos sindicatos.
A
remuneração e benefícios como férias, 13º salário e FGTS seriam proporcionais
às horas trabalhadas, de modo que quem trabalhasse menos horas poderia receber
menos ao fim do mês.
O
documento também critica a atuação dos sindicatos e defende a manutenção das
oportunidades de trabalho por aplicativos.
Na
relação com os sindicatos, o plano afirma que o trabalhador deve vir em
primeiro lugar e critica o que chama de "República Sindical".
Sobre
os trabalhadores de aplicativos, o documento defende preservar as oportunidades
de renda e trabalho e assegurar proteção social e previdenciária, mas não
detalha qual vínculo jurídico seria adotado para essas categorias.
Fonte:
BBC News Brasil

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