Prejuízo
causado por Vorcaro e seus aliados ao país bancaria cinco anos de tarifa zero
de transporte
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional uma
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reserva R$ 12 bilhões anuais para
financiar a gratuidade do transporte coletivo urbano aos sábados, domingos e
feriados. Os recursos virão do redirecionamento de 26,8% das emendas
parlamentares impositivas, sem aumento da despesa primária.
Pois
bem. O prejuízo de R$ 60 bilhões atribuído a Daniel Vorcaro no escândalo do
Banco Master seria suficiente para bancar cinco anos de tarifa zero nos
transportes públicos de todo o Brasil, aos fins de semana e feriados. A
comparação ajuda a dimensionar o tamanho do rombo financeiro e o impacto social
que recursos dessa magnitude poderiam produzir.
Segundo
a Folha de S.Paulo, investigadores exigem que Vorcaro devolva aproximadamente
R$ 60 bilhões em prejuízos atribuídos ao caso Master. O banqueiro teria
oferecido R$ 40 bilhões, parcelados em dez anos, proposta rejeitada pelas
autoridades. É dinheiro suficiente para permitir que trabalhadores e suas
famílias se desloquem sem pagar passagem nos dias de descanso, movimentando
também o comércio, a cultura e o lazer.
A
proposta de Lula também expõe uma questão central sobre as prioridades do
Estado. Enquanto a PEC busca redirecionar recursos já existentes para financiar
um benefício coletivo, o caso Master revela a dimensão dos prejuízos que
operações financeiras sob investigação podem provocar. A recuperação desses
valores é uma obrigação cívica.
Quando
os tecnocratas se apressam em condenar políticas sociais, garantia de direitos
para a população, como o de ir e vir, argumentando o montante a ser despendido
na realização, assistimos ao maior escândalo financeiro da história do Brasil
perigando terminar numa grande pizza, com o STF com tudo.
• Sócio de Flávio Bolsonaro pagou viagens
ao exterior de Cláudio Castro, que investiu dinheiro de servidores do Rio no
Banco Master
O
advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e por
suas relações financeiras com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pagou viagens
internacionais do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e de seus
familiares. A informação foi revelada pelo jornal O Globo, com base em
relatório da Polícia Federal que identificou mensagens, registros de
passageiros e despesas envolvendo deslocamentos aos Estados Unidos e ao Peru.
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A
investigação também aponta conexões entre Tomaz, Flávio Bolsonaro e negócios
privados relacionados ao setor de apostas. Segundo a Polícia Federal, foram
encontrados indícios de relações financeiras entre o advogado e o senador,
circunstância que levou o inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF). A
apuração se insere em um contexto de questionamentos sobre as relações entre
agentes políticos, empresários e instituições financeiras, incluindo os
investimentos de recursos previdenciários de servidores fluminenses no Banco
Master, realizados durante a gestão de Castro.
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Conta conjunta e relações financeiras com Flávio Bolsonaro
Um dos
aspectos centrais da investigação é a relação financeira entre Willer Tomaz e
Flávio Bolsonaro. O advogado é apontado como parceiro do senador em negócios
sob investigação, incluindo suspeitas relacionadas ao mercado de apostas.
O
material divulgado pelo Globo informa que a PF identificou indícios de relações
financeiras entre os dois, o que levou o caso à esfera do Supremo Tribunal
Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
A
existência de uma conta conjunta entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro,
mencionada na pauta, não está detalhada nos elementos do relatório reproduzidos
nesta reportagem. A natureza da conta, sua titularidade e as movimentações
financeiras precisam ser documentalmente confirmadas.
O
inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a outra
apuração sobre lavagem e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas.
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Viagens aos Estados Unidos e ao Peru
Segundo
o Globo, uma das mensagens analisadas pela Polícia Federal foi enviada em junho
de 2025 por Willer Tomaz a uma funcionária da empresa de aviação executiva
NetJets.
No
e-mail, o advogado informou que Cláudio Castro, sua então mulher, Analine, e os
filhos do casal viajariam aos Estados Unidos. O grupo ficaria hospedado em um
condomínio em Kissimmee, na região de Orlando, na Flórida.
Outro
registro, de novembro, apresenta uma lista de passageiros de um voo com destino
a Lima, no Peru. Entre eles estavam Castro, Analine, os dois filhos do casal,
familiares de Tomaz e o senador Weverton Rocha (PDT-MA).
A
viagem ocorreu no fim de semana da final da Copa Libertadores entre Flamengo e
Palmeiras, partida acompanhada pelo então governador e sua família.
A
Polícia Federal também identificou um terceiro deslocamento, sem destino
especificado, em um jato Legacy 650. Entre os passageiros estavam Castro, Tomaz
e o senador Hiran Gonçalves (PP-RR), acompanhado da mulher.
A
aeronave é a mesma utilizada por Flávio Bolsonaro em uma viagem dos Estados
Unidos ao Brasil, em janeiro de 2025.
O avião
possui cotas vinculadas a empresas relacionadas a Tomaz e à Prime You,
companhia que teve Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, entre
seus sócios.
Tomaz
reconhece ser cotista minoritário da aeronave, mas afirma que ela é operada
exclusivamente pela Prime You, empresa da qual diz nunca ter sido sócio.
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Negócios na Loterj são investigados pela PF
A
investigação também examina as relações entre Willer Tomaz e a Loteria do
Estado do Rio de Janeiro (Loterj), durante a gestão de Cláudio Castro.
Uma das
empresas sob análise é a Rio Pag, responsável por operações de pagamento
relacionadas às apostas da autarquia.
A
companhia foi contratada quando a Loterj era presidida por Hazenclever Lopes,
advogado que já havia trabalhado com Tomaz.
Em um
e-mail de dezembro de 2024, encontrado pelos investigadores, Tomaz informou a
uma instituição financeira que era sócio da Rio Pag. Anteriormente, o advogado
havia negado participação societária ou administrativa na empresa, afirmando
atuar apenas como advogado.
Posteriormente,
reconheceu possuir participação indireta por meio de sociedades formalmente
constituídas.
A
contratação da Rio Pag ocorreu depois da desclassificação da concorrente Ideia
Parks. A empresa havia apresentado proposta de repasse de 26% à Loterj, contra
20% oferecidos inicialmente pela Rio Pag, mas foi eliminada por apresentar o
percentual com duas casas decimais, em vez das três exigidas pelo edital.
Após a
desclassificação, a Rio Pag negociou diretamente com a autarquia e elevou sua
proposta para 26,455%.
Para a
Polícia Federal, as circunstâncias da contratação e a proximidade entre os
envolvidos justificam o aprofundamento das investigações sobre eventual
favorecimento.
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Despesas de dirigente da Loterj também foram pagas
Os
investigadores identificaram ainda uma planilha extraída do celular de Willer
Tomaz que registra R$ 8,5 mil em despesas relacionadas a Hazenclever Lopes,
então presidente da Loterj.
Os
pagamentos incluíam passagens aéreas entre Rio de Janeiro e Brasília e
hospedagem em um hotel na Zona Sul da capital fluminense.
Tomaz
atribuiu as despesas à prestação de serviços advocatícios e afirmou manter uma
parceria profissional com o ex-dirigente.
O
contrato da Rio Pag foi posteriormente cancelado pela gestão interina de
Ricardo Couto, sob suspeita de irregularidades.
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Cláudio Castro e os recursos previdenciários aplicados no Banco Master
As
revelações sobre as viagens internacionais acrescentam uma nova dimensão aos
questionamentos envolvendo a administração de Cláudio Castro e suas relações
com empresários do setor financeiro.
Durante
sua gestão, recursos vinculados à previdência dos servidores do Rio de Janeiro
foram aplicados no Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro.
A
relação entre esses investimentos e as viagens custeadas por Willer Tomaz,
entretanto, não foi demonstrada no relatório da PF descrito pelo Globo. As
apurações citadas envolvem fatos e operações distintos.
A
investigação sobre Tomaz examina principalmente suas relações com o setor de
apostas, a Loterj e Flávio Bolsonaro.
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Advogado e ex-governador negam favorecimento
Em
manifestação ao Globo, Willer Tomaz classificou como “falsa e irresponsável a
insinuação de que essas viagens tenham qualquer relação com nomeações ou
contratações na Loterj”.
O
advogado afirmou que os deslocamentos ocorreram em caráter privado, entre
amigos e familiares, e negou qualquer contrapartida.
Cláudio
Castro também negou irregularidades. Segundo o ex-governador, ele e Tomaz
mantêm uma relação de amizade desde 2020, e “cada um arcava com suas próprias
despesas e as de seus familiares”.
Castro
afirmou ainda que Hazenclever Lopes foi indicado pelo PL e que não participou
da licitação nem da contratação da Rio Pag.
As
informações reunidas pela Polícia Federal deverão ser aprofundadas para
esclarecer a natureza das relações financeiras e empresariais entre os
investigados, a origem dos pagamentos e a eventual existência de favorecimento
em contratos públicos.
Fonte:
Por Aquiles Lins, em Brasil 247

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