sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Prejuízo causado por Vorcaro e seus aliados ao país bancaria cinco anos de tarifa zero de transporte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encaminhou ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reserva R$ 12 bilhões anuais para financiar a gratuidade do transporte coletivo urbano aos sábados, domingos e feriados. Os recursos virão do redirecionamento de 26,8% das emendas parlamentares impositivas, sem aumento da despesa primária.

Pois bem. O prejuízo de R$ 60 bilhões atribuído a Daniel Vorcaro no escândalo do Banco Master seria suficiente para bancar cinco anos de tarifa zero nos transportes públicos de todo o Brasil, aos fins de semana e feriados. A comparação ajuda a dimensionar o tamanho do rombo financeiro e o impacto social que recursos dessa magnitude poderiam produzir.

Segundo a Folha de S.Paulo, investigadores exigem que Vorcaro devolva aproximadamente R$ 60 bilhões em prejuízos atribuídos ao caso Master. O banqueiro teria oferecido R$ 40 bilhões, parcelados em dez anos, proposta rejeitada pelas autoridades. É dinheiro suficiente para permitir que trabalhadores e suas famílias se desloquem sem pagar passagem nos dias de descanso, movimentando também o comércio, a cultura e o lazer.

A proposta de Lula também expõe uma questão central sobre as prioridades do Estado. Enquanto a PEC busca redirecionar recursos já existentes para financiar um benefício coletivo, o caso Master revela a dimensão dos prejuízos que operações financeiras sob investigação podem provocar. A recuperação desses valores é uma obrigação cívica.

Quando os tecnocratas se apressam em condenar políticas sociais, garantia de direitos para a população, como o de ir e vir, argumentando o montante a ser despendido na realização, assistimos ao maior escândalo financeiro da história do Brasil perigando terminar numa grande pizza, com o STF com tudo.

•        Sócio de Flávio Bolsonaro pagou viagens ao exterior de Cláudio Castro, que investiu dinheiro de servidores do Rio no Banco Master

O advogado Willer Tomaz, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e por suas relações financeiras com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pagou viagens internacionais do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e de seus familiares. A informação foi revelada pelo jornal O Globo, com base em relatório da Polícia Federal que identificou mensagens, registros de passageiros e despesas envolvendo deslocamentos aos Estados Unidos e ao Peru.

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A investigação também aponta conexões entre Tomaz, Flávio Bolsonaro e negócios privados relacionados ao setor de apostas. Segundo a Polícia Federal, foram encontrados indícios de relações financeiras entre o advogado e o senador, circunstância que levou o inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração se insere em um contexto de questionamentos sobre as relações entre agentes políticos, empresários e instituições financeiras, incluindo os investimentos de recursos previdenciários de servidores fluminenses no Banco Master, realizados durante a gestão de Castro.

<><> Conta conjunta e relações financeiras com Flávio Bolsonaro

Um dos aspectos centrais da investigação é a relação financeira entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro. O advogado é apontado como parceiro do senador em negócios sob investigação, incluindo suspeitas relacionadas ao mercado de apostas.

O material divulgado pelo Globo informa que a PF identificou indícios de relações financeiras entre os dois, o que levou o caso à esfera do Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

A existência de uma conta conjunta entre Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro, mencionada na pauta, não está detalhada nos elementos do relatório reproduzidos nesta reportagem. A natureza da conta, sua titularidade e as movimentações financeiras precisam ser documentalmente confirmadas.

O inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a outra apuração sobre lavagem e evasão de divisas por meio de plataformas de apostas.

<><> Viagens aos Estados Unidos e ao Peru

Segundo o Globo, uma das mensagens analisadas pela Polícia Federal foi enviada em junho de 2025 por Willer Tomaz a uma funcionária da empresa de aviação executiva NetJets.

No e-mail, o advogado informou que Cláudio Castro, sua então mulher, Analine, e os filhos do casal viajariam aos Estados Unidos. O grupo ficaria hospedado em um condomínio em Kissimmee, na região de Orlando, na Flórida.

Outro registro, de novembro, apresenta uma lista de passageiros de um voo com destino a Lima, no Peru. Entre eles estavam Castro, Analine, os dois filhos do casal, familiares de Tomaz e o senador Weverton Rocha (PDT-MA).

A viagem ocorreu no fim de semana da final da Copa Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, partida acompanhada pelo então governador e sua família.

A Polícia Federal também identificou um terceiro deslocamento, sem destino especificado, em um jato Legacy 650. Entre os passageiros estavam Castro, Tomaz e o senador Hiran Gonçalves (PP-RR), acompanhado da mulher.

A aeronave é a mesma utilizada por Flávio Bolsonaro em uma viagem dos Estados Unidos ao Brasil, em janeiro de 2025.

O avião possui cotas vinculadas a empresas relacionadas a Tomaz e à Prime You, companhia que teve Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master, entre seus sócios.

Tomaz reconhece ser cotista minoritário da aeronave, mas afirma que ela é operada exclusivamente pela Prime You, empresa da qual diz nunca ter sido sócio.

<><> Negócios na Loterj são investigados pela PF

A investigação também examina as relações entre Willer Tomaz e a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj), durante a gestão de Cláudio Castro.

Uma das empresas sob análise é a Rio Pag, responsável por operações de pagamento relacionadas às apostas da autarquia.

A companhia foi contratada quando a Loterj era presidida por Hazenclever Lopes, advogado que já havia trabalhado com Tomaz.

Em um e-mail de dezembro de 2024, encontrado pelos investigadores, Tomaz informou a uma instituição financeira que era sócio da Rio Pag. Anteriormente, o advogado havia negado participação societária ou administrativa na empresa, afirmando atuar apenas como advogado.

Posteriormente, reconheceu possuir participação indireta por meio de sociedades formalmente constituídas.

A contratação da Rio Pag ocorreu depois da desclassificação da concorrente Ideia Parks. A empresa havia apresentado proposta de repasse de 26% à Loterj, contra 20% oferecidos inicialmente pela Rio Pag, mas foi eliminada por apresentar o percentual com duas casas decimais, em vez das três exigidas pelo edital.

Após a desclassificação, a Rio Pag negociou diretamente com a autarquia e elevou sua proposta para 26,455%.

Para a Polícia Federal, as circunstâncias da contratação e a proximidade entre os envolvidos justificam o aprofundamento das investigações sobre eventual favorecimento.

<><> Despesas de dirigente da Loterj também foram pagas

Os investigadores identificaram ainda uma planilha extraída do celular de Willer Tomaz que registra R$ 8,5 mil em despesas relacionadas a Hazenclever Lopes, então presidente da Loterj.

Os pagamentos incluíam passagens aéreas entre Rio de Janeiro e Brasília e hospedagem em um hotel na Zona Sul da capital fluminense.

Tomaz atribuiu as despesas à prestação de serviços advocatícios e afirmou manter uma parceria profissional com o ex-dirigente.

O contrato da Rio Pag foi posteriormente cancelado pela gestão interina de Ricardo Couto, sob suspeita de irregularidades.

<><> Cláudio Castro e os recursos previdenciários aplicados no Banco Master

As revelações sobre as viagens internacionais acrescentam uma nova dimensão aos questionamentos envolvendo a administração de Cláudio Castro e suas relações com empresários do setor financeiro.

Durante sua gestão, recursos vinculados à previdência dos servidores do Rio de Janeiro foram aplicados no Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro.

A relação entre esses investimentos e as viagens custeadas por Willer Tomaz, entretanto, não foi demonstrada no relatório da PF descrito pelo Globo. As apurações citadas envolvem fatos e operações distintos.

A investigação sobre Tomaz examina principalmente suas relações com o setor de apostas, a Loterj e Flávio Bolsonaro.

<><> Advogado e ex-governador negam favorecimento

Em manifestação ao Globo, Willer Tomaz classificou como “falsa e irresponsável a insinuação de que essas viagens tenham qualquer relação com nomeações ou contratações na Loterj”.

O advogado afirmou que os deslocamentos ocorreram em caráter privado, entre amigos e familiares, e negou qualquer contrapartida.

Cláudio Castro também negou irregularidades. Segundo o ex-governador, ele e Tomaz mantêm uma relação de amizade desde 2020, e “cada um arcava com suas próprias despesas e as de seus familiares”.

Castro afirmou ainda que Hazenclever Lopes foi indicado pelo PL e que não participou da licitação nem da contratação da Rio Pag.

As informações reunidas pela Polícia Federal deverão ser aprofundadas para esclarecer a natureza das relações financeiras e empresariais entre os investigados, a origem dos pagamentos e a eventual existência de favorecimento em contratos públicos.

 

Fonte: Por Aquiles Lins, em Brasil 247

 

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