sábado, 24 de outubro de 2026

Lula venceu o debate e tem saldo positivo entre indecisos, diz Lavareda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve desempenho superior ao do senador Flávio Bolsonaro (PL) no último debate presidencial da TV Globo, realizado na sexta-feira (23), segundo análise do cientista político Antonio Lavareda. Em sua avaliação dos quatro blocos do confronto, Lavareda atribuiu média de 7,8 a Lula e 7,0 a Flávio, apontando vantagem do presidente em três dos quatro segmentos do programa.

“Lula venceu o debate por margem clara, embora não esmagadora”, afirmou Lavareda em sua análise. Segundo o cientista político, Flávio começou melhor, com pequena vantagem no primeiro bloco, mas Lula conseguiu se recuperar a partir do segundo e ampliou a diferença na etapa final.

A maior diferença ocorreu no quarto bloco, quando Lula recebeu nota 8,4, contra 6,3 de Flávio Bolsonaro.

<><> Lula cresceu ao longo do debate

Na avaliação de Lavareda, o presidente apresentou uma trajetória de recuperação durante o confronto. Começou um pouco irritado, teve dificuldades para administrar o tempo e nem sempre respondeu diretamente às perguntas, mas melhorou seu desempenho a partir do segundo bloco.

Nesse momento, Lula passou a associar sua trajetória pessoal às políticas sociais de seu governo, apresentando realizações nas áreas de renda, crédito, educação e regulamentação das apostas.

O presidente também conseguiu levar Flávio a reconhecer um erro em votação relacionada à licença-maternidade e a pedir desculpas pela provocação envolvendo a expressão “nove dedos”, referência ao acidente de trabalho em que Lula perdeu um dedo da mão esquerda.

Segundo a análise, esses episódios contribuíram para a recuperação do presidente e para sua vantagem na segunda metade do debate.

<><> Caso Ana Clara foi o momento mais forte de Lula

Lavareda identificou no confronto sobre o caso Ana Clara o momento mais importante da participação de Lula.

O presidente questionou Flávio Bolsonaro sobre sua defesa de um policial acusado de atirar em uma criança de cinco anos. A pergunta, segundo o cientista político, colocou o senador em uma posição defensiva.

Na avaliação de Lavareda, Lula conseguiu combinar autoridade, experiência e preocupação com a proteção das vítimas, enquanto Flávio demonstrou tensão ao responder ao questionamento.

O senador também errou o nome da mãe da criança e insistiu na inocência do policial que havia defendido, comportamento apontado pelo analista como seu pior momento no debate.

<><> Flávio perdeu força no final

O cientista político reconheceu que Flávio Bolsonaro apresentou desempenho mais disciplinado e preparado do que no debate anterior.

Seus melhores momentos ocorreram nas discussões sobre preços dos alimentos, endividamento das famílias, juros, segurança pública e retomada de territórios dominados pelo crime organizado.

Lavareda observou ainda que o senador conseguiu produzir frases simples, com potencial de circulação nas redes sociais.

Entretanto, a avaliação aponta que Flávio perdeu força pelo excesso de bordões, pela utilização de informações imprecisas, pela falta de detalhamento de sua proposta de “tesouraço” e por manifestações de deboche.

O contraste ficou mais evidente no último bloco, quando o desempenho do senador caiu para 6,3, enquanto Lula alcançou sua maior nota, 8,4.

<><> Debate ocorreu às vésperas de eleição apertada

A avaliação de Lavareda ocorre em um cenário de equilíbrio na disputa presidencial. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22) apontou empate entre Lula e Flávio Bolsonaro, com 50% dos votos válidos para cada candidato.

O desempenho dos candidatos no debate ganha relevância especialmente pela proximidade da votação deste domingo (25) e pela importância dos eleitores que ainda não consolidaram sua escolha.

A análise de Lavareda aponta vantagem de Lula no desempenho geral, sobretudo pela recuperação ao longo do programa e pela capacidade de explorar temas sociais e episódios que colocaram o adversário na defensiva.

As notas, porém, representam uma avaliação qualitativa do cientista político e não uma pesquisa de intenção de voto. Portanto, não permitem medir diretamente quantos eleitores indecisos mudaram de posição após o confronto.

¨      Colunistas do Globo apontam vitória de Lula por pontos no debate

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu por pontos o último debate presidencial da TV Globo, realizado na noite de sexta-feira (23), segundo avaliação de sete colunistas do jornal O Globo. Na média das notas atribuídas pelos analistas, Lula alcançou 2,7 pontos, contra 2,4 do senador Flávio Bolsonaro (PL), em uma escala de 1 a 5.

Embora os comentaristas tenham identificado dificuldades de ambos os candidatos, especialmente no controle do tempo e na adaptação às regras, a avaliação predominante foi de que Lula conseguiu se recuperar de um início irregular e protagonizou alguns dos momentos mais marcantes da noite.

Entre os episódios que mais repercutiram estiveram a referência de Flávio aos “nove dedos” do presidente e o confronto envolvendo o caso Ana Clara, que expôs divergências entre os candidatos sobre segurança pública.

Lula dominou boa parte do debate, diz Miriam Leitão

A jornalista Miriam Leitão atribuiu nota 3 a Lula e 2 a Flávio Bolsonaro. Segundo ela, o presidente “dominou a maior parte do debate”, inclusive nas discussões sobre segurança pública, e conseguiu se fortalecer ao aceitar o desafio de abrir suas contas.

Vera Magalhães também deu nota 3 a Lula e 2 ao senador. Embora tenha observado sinais de cansaço e dificuldades do presidente com as regras, destacou suas intervenções sobre o Nordeste, as redes sociais e a resposta à ofensa feita por Flávio.

Para Vera, o senador demonstrou maior familiaridade com o formato televisivo, mas prejudicou seu desempenho ao defender o policial envolvido no caso Ana Clara e utilizar a expressão “nove dedos” para se referir ao adversário.

Renato Meirelles, que igualmente atribuiu notas 3 a Lula e 2 a Flávio, considerou que o presidente protagonizou o momento mais forte da noite ao transformar a provocação sobre sua condição física em uma defesa da dignidade dos trabalhadores.

O colunista também destacou as intervenções de Lula sobre salário mínimo, preços dos alimentos, Nordeste e o caso Ana Clara.

Flávio foi considerado mais treinado, mas cometeu erros infantis

Outros analistas reconheceram que Flávio Bolsonaro demonstrou maior domínio do tempo e das regras do debate.

Thomas Traumann foi o único entre os sete colunistas a atribuir nota superior ao senador: 3 para Flávio e 2 para Lula. Ele destacou a desenvoltura do candidato do PL ao abordar o endividamento das famílias e os preços nos supermercados, mas considerou que Flávio perdeu o equilíbrio ao ser confrontado sobre o caso Ana Clara.

Bernardo Mello Franco deu nota 2 aos dois candidatos. Para ele, Flávio mostrou maior treinamento para a televisão, mas comprometeu sua atuação com uma postura arrogante e a referência aos “nove dedos” do presidente. Lula, por sua vez, demonstrou cansaço e dificuldades com as regras.

Fabio Graner e Pablo Ortellado atribuíram nota 3 a ambos. Graner destacou a experiência transmitida por Lula e sua capacidade de apresentar propostas, enquanto considerou que Flávio, apesar da disciplina, pareceu teatral em determinados momentos.

Ortellado observou que Lula conseguiu conduzir boa parte do confronto para temas sociais e reagiu bem à provocação do adversário. Flávio foi considerado mais articulado, embora excessivamente ensaiado em algumas intervenções.

Ofensa sobre os “nove dedos” pode ter favorecido Lula

Um dos pontos de maior convergência entre os colunistas foi a avaliação negativa da referência de Flávio Bolsonaro aos “nove dedos” de Lula, em alusão ao dedo perdido pelo presidente em um acidente de trabalho.

Na avaliação de Renato Meirelles, a resposta de Lula transformou a provocação em uma discussão sobre a dignidade de quem vive do próprio trabalho.

O caso Ana Clara também foi apontado como um momento desfavorável ao senador, especialmente pela insistência na defesa do policial envolvido no episódio. Segundo Meirelles, os dois acontecimentos podem produzir repercussões negativas para Flávio nas redes sociais, sobretudo entre eleitoras.

Apesar da vantagem de Lula nas notas, os analistas não identificaram uma mudança clara no comportamento do eleitorado a partir do confronto.

“Ao vivo, ninguém mudou voto”, afirmou Meirelles, ao avaliar que os candidatos falaram principalmente para suas próprias bases de apoio, enquanto parte dos indecisos permaneceu sem respostas satisfatórias.

A avaliação dos colunistas ocorre às vésperas do segundo turno, marcado para este domingo (25), em um cenário de empate nas pesquisas de intenção de voto. O Datafolha divulgado na quinta-feira (22) apontou 50% dos votos válidos para cada candidato.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu por pontos o último debate presidencial da TV Globo, realizado na noite de sexta-feira (23), segundo avaliação de sete colunistas do jornal O Globo. Na média das notas atribuídas pelos analistas, Lula alcançou 2,7 pontos, contra 2,4 do senador Flávio Bolsonaro (PL), em uma escala de 1 a 5.

Embora os comentaristas tenham identificado dificuldades de ambos os candidatos, especialmente no controle do tempo e na adaptação às regras, a avaliação predominante foi de que Lula conseguiu se recuperar de um início irregular e protagonizou alguns dos momentos mais marcantes da noite.

Entre os episódios que mais repercutiram estiveram a referência de Flávio aos “nove dedos” do presidente e o confronto envolvendo o caso Ana Clara, que expôs divergências entre os candidatos sobre segurança pública.

¨      Lula cobra explicações de Flávio Bolsonaro sobre Bolsa Família, licença-maternidade e SUS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou explicações do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre suas posições em relação ao Bolsa Família, à ampliação da licença-maternidade e ao Sistema Único de Saúde (SUS), durante o debate presidencial realizado pela TV Globo na sexta-feira (23). Segundo relato publicado pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Lula também questionou a proposta econômica do adversário, especialmente os cortes orçamentários e as medidas anunciadas para enfrentar o endividamento das famílias.

Um dos principais embates ocorreu quando Lula perguntou por que Flávio havia chamado o Bolsa Família de “Bolsa Farelo” e votado contra a ampliação da licença-maternidade quando exercia mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Para o presidente, essas posições revelam “falta de respeito com o povo pobre”.

De acordo com o PT, Flávio não respondeu diretamente à cobrança sobre o Bolsa Família. O partido também afirma que o senador apagou publicações antigas nas redes sociais nas quais criticava o programa de transferência de renda.

<><> Flávio admite arrependimento por voto contra licença-maternidade

Lula retomou uma cobrança que já havia feito ao adversário em debate anterior, na TV Bandeirantes, sobre seu voto contrário à ampliação da licença-maternidade.

Segundo o presidente, Flávio foi o único deputado estadual do Rio de Janeiro a votar contra a medida. Lula questionou o que motivou a posição do senador e sua relação com a defesa dos direitos das mulheres.

Flávio reconheceu que se arrepende do voto e justificou sua mudança de posição afirmando que, depois de se casar e ter filhas, passou a compreender melhor a importância da convivência familiar.

Lula contestou o argumento e lembrou que o adversário teve a oportunidade de apoiar a ampliação do benefício quando exercia o mandato parlamentar.

“Ele teve a chance de votar para aumentar a licença-maternidade e ele não votou. Agora que ele é candidato, […] ele vem aqui dizer ‘Ah, agora eu vou votar’. Ele não votou quando podia votar”, afirmou o presidente.

<><> Lula questiona se Flávio pretende privatizar o SUS

Outro momento do debate foi dedicado ao futuro do Sistema Único de Saúde. Lula cobrou do adversário uma posição clara sobre a manutenção do caráter público e universal do sistema.

O presidente também criticou a condução da pandemia de covid-19 durante o governo de Jair Bolsonaro, mencionando o atraso na aquisição de vacinas e declarações do ex-presidente que, segundo Lula, desestimularam a imunização da população.

Ao abordar uma proposta de redução de R$ 250 bilhões nas despesas públicas atribuída à economista Daniela Marques, integrante da equipe econômica de Flávio, Lula questionou quais políticas seriam afetadas pelos cortes.

“Você vai privatizar o SUS? É isso que vocês querem fazer?”, perguntou.

Segundo o relato do PT, Flávio não respondeu diretamente à pergunta sobre uma eventual privatização e preferiu criticar os investimentos do atual governo na área da saúde.

<><> Presidente destaca expansão do ensino superior e inclusão social

Na discussão sobre educação, Lula defendeu o legado de seus governos na ampliação do acesso ao ensino superior e nas políticas de inclusão social.

“Ainda falta muita coisa a fazer, mas se pegar todos os presidentes da República e for ver quem fez mais política de inclusão social, todos juntos não fizeram o que nós fizemos em 16 anos. E disso eu tenho muito orgulho”, declarou.

O presidente também relacionou o crescimento econômico à valorização do salário mínimo, defendendo que parte dos ganhos de produtividade e da expansão da economia seja distribuída aos trabalhadores.

“É por isso que o salário mínimo cresceu no nosso governo, porque quando o PIB cresce, […] o que antigamente ficava só para os magnatas, agora nós estamos dando para as pessoas mais humildes um pedacinho desse bolo que cresceu”, afirmou.

<><> Lula acusa Flávio de copiar proposta de renegociação de dívidas

O endividamento das famílias também provocou divergências entre os candidatos. Flávio Bolsonaro defendeu um programa de compra e refinanciamento de dívidas para aliviar o orçamento dos brasileiros.

Lula respondeu que seu governo já havia encaminhado medidas nessa direção e citou o Desenrola Brasil 3.0, apresentado como uma nova etapa de renegociação de débitos, com descontos que, segundo o PT, podem chegar a 95%.

O presidente também relacionou o endividamento das famílias ao arrocho salarial durante o governo Bolsonaro e ao patamar elevado dos juros. Lembrou que conviveu durante parte de seu mandato com Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro para presidir o Banco Central.

Para Lula, a retomada do crescimento econômico, a geração de empregos e a valorização dos salários são elementos fundamentais para reduzir o peso das dívidas.

“A dívida vai baixar porque a economia vai crescer”, afirmou.

<><> Pacote para MEIs também entrou no confronto

Lula mencionou ainda a legislação sancionada na quinta-feira (22), que, segundo o relato do PT, integra o pacote Prospera MEI e prevê perdão de dívidas de microempreendedores individuais com a União, além da ampliação do limite anual de faturamento da categoria.

As medidas, de acordo com o partido, têm potencial para beneficiar 17,6 milhões de empreendedores.

Ao comparar as iniciativas do governo com as propostas apresentadas pelo adversário, Lula acusou Flávio de reproduzir medidas já adotadas ou anunciadas por sua administração.

“Ele fica copiando o que eu faço pra ficar dizendo ‘Olha o que eu vou fazer’”, declarou.

O debate ocorreu a dois dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25), em um cenário de disputa apertada entre os dois candidatos.

 

Fonte: Brasil 247

 

Nenhum comentário: