segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Inteligência artificial. “Um projeto militante deve formular alternativas que vão além do boicote”, diz escritor

Autor de livros como The Net Delusion (A falsa ilusão da rede) e To Save Everything, Click Here (Para salvar tudo), Evgeny Morozov abre uma brecha entre a tecnofobia e a assimilação acrítica do modelo do Vale do Silício. Além disso, defende uma militância inteligente que se aproprie da IA e dê uma nova roupagem ao socialismo. A entrevista é de Natalia Gelós e Betania Núñez.

<><> Eis a entrevista.

•        Como imaginar outros mundos possíveis? Repetimos essa pergunta à exaustão, mas de que maneiras a IA pode contribuir para construir uma alternativa ao capitalismo, como você explora no seu artigo O socialismo depois da IA?

Para muitos socialistas, o verdadeiro problema é como construir uma sociedade que possa se organizar racionalmente. Minha crítica, por assim dizer, é que essa solução introduz, de forma sub-reptícia, categorias capitalistas, como a da eficiência. Não é que sejam conceitos ruins, mas, normalmente, na teoria e na prática capitalistas, são conceitos sem história, sem cultura, como se a eficiência fosse algo que atravessa as civilizações, pressupondo-se que o que é eficiente para um agricultor na América Latina seja igualmente eficiente para um capitalista de Wall Street ou para uma tribo na Austrália. Eu simplesmente acredito que isso não faz sentido. A eficiência é culturalmente determinada e aquilo que se considera eficiente reflete, muitas vezes, relações de poder. Existem problemas fundamentais que os socialistas não resolveram – e que talvez nem pudessem ter resolvido, pois não dispunham da tecnologia necessária para construir instituições capazes de facilitar a coordenação social. Queremos que as sociedades se desenvolvam, se coordenem e realizem tarefas, mas não queremos delegar isso ao mercado. A IA entra nessa problemática de uma forma muito interessante, pois possibilita novas formas de autonomia. É claro que ela traz consigo todo um ônus: o fato de ser mediada pelo capitalismo, de estar mercantilizada e de exigir o pagamento de uma assinatura. Não é, de forma alguma, perfeita; mas, quando [Karl] Marx analisou o capitalismo, este também não era perfeito – e, ainda assim, fornecia uma base suficiente para observarmos quais aspectos dele queremos aceitar, modificar ou superar. É isso que deveríamos fazer com a IA. Há partes dela que são claramente muito úteis para qualquer projeto progressista, pois propiciam maior autonomia, mais criatividade e mais experimentação; e não vejo como um projeto socialista poderia negar esse valor. É preciso repensar o projeto político, examinar as configurações tecnológicas emergentes dentro do capitalismo que se pretende reapropriar e tentar compreender, ao mesmo tempo, como essas tecnologias – uma vez ressignificadas – ajudarão a avançar rumo a um projeto alternativo.

•        Hoje, o desenvolvimento da IA é acompanhado por um grande impacto ambiental, social e material. Sem negar a sua existência, como podemos colocar-lhe um limite?

A IA não funciona como um sistema ferroviário em que um trem é composto de vagões e sempre se move sobre trilhos. Ainda não tem uma forma tão definida, ainda há uma certa abertura, e isso implica também que a sua composição material é passível de disputa. O que acontece é que tomamos uma certa configuração político-econômica, a ideia de que precisamos destes enormes data centers que o alimentam, porque os consumidores precisam de modelos gerais que façam tudo – vídeos, imagens e textos – o que exige uma capacidade computacional massiva. Além disso, eles devem poder responder a você a qualquer hora do dia, porque você está pagando US$ 50 por mês por uma assinatura. Este é o paradigma que a indústria considera monetizável e lucrativo. Por isso associamos a IA ao modelo de extração de água, materiais e energia. Ao abandonar a ideia de que esta economia política faz sentido por si só, pode-se imaginar comunidades e usuários recorrendo a modelos locais capazes de rodar em seus próprios computadores, retirando-os daquela lógica de assinaturas que as empresas precisam manter para continuar monetizando seus produtos e financiando suas próprias despesas. Talvez você só precise gerar imagens e, para isso, rodar um modelo local no seu computador, sem depender de nenhum data center. Tornar isso possível pode exigir intervenção governamental, porque seria desejável uma política governamental sobre IA que não pensasse apenas em como atrair capital estrangeiro para construir data centers, mas também em como tornar a IA acessível a usuários fora desta bolha corporativa. Se isso significa subsidiar a compra de computadores para que todos tenham computadores mais rápidos para executar os seus próprios modelos de IA, talvez essa seja, em última análise, uma política melhor do que subsidiar empresas para construir data centers.

Uma vez ultrapassada esta ideia de que não há alternativa – ou aceitamos este modelo de IA ou somos tecnófobos – começamos a examinar quais são as necessidades concretas, como podemos desagregar este monstro gigantesco do Vale do Silício.

•        Se você tivesse que imaginar figuras por trás do desenvolvimento da IA que construíssem modelos diferentes daqueles de Peter Thiel ou Elon Musk, como seriam essas pessoas ou esses coletivos capazes de impulsionar uma lógica distinta?

Não quero criar falsas esperanças dizendo que é possível fazer frente a Peter Thiel com um grupo de hackers que constroem sua própria IA em casa, porque, simplesmente, isso não é realista – pelo menos neste momento. Pode ser polêmico, mas penso que há muito a aprender com a China. Eu moro em Xangai – portanto, recebam tudo o que digo com certo ceticismo –, mas a implementação da IA na China segue uma trajetória muito diferente. Há um ator mediador adicional nessa história: o Partido Comunista. O fato de o partido intervir ativamente para moldar a forma como a IA se torna uma infraestrutura cotidiana – que agricultores podem usar para aumentar o rendimento de suas terras, ou que professores podem utilizar para melhorar o ensino nas escolas – muda tudo. Isso ocorre porque o governo dispõe de recursos para organizar instâncias de capacitação, tornar os tokens mais acessíveis e tomar decisões que separam os interesses da indústria dos interesses de um Estado e de seu desenvolvimento nacional. Trata-se de algo muito diferente de uma mentalidade baseada na ideia de que dependeremos da OpenAI para construir um chat perfeito. Peter Thiel representa um projeto estatal, e esse projeto é o dos Estados Unidos. O objetivo de Thiel não é apenas fazer algo com a IA, mas utilizá-la como um cavalo de Troia para transformar a economia, a geopolítica e a cultura. Essas pessoas são, antes de tudo, operadores políticos, e não apenas operadores tecnológicos. Por isso, só é possível enfrentá-las com outro projeto estatal. É um erro pensar que se pode criar algum tipo de cenário espontâneo, a partir da base e nos moldes do software livre.

•        Quando os technobros, ou aqueles que trabalharam para eles, como Jacob Coxon para a Anthropic, alertam que a IA está avançando a uma velocidade tal que “poderia nos matar a todos antes do final da década”, será isto uma medida de precaução ou parte da sua estratégia de marketing?

Considero tudo isso, em grande medida, uma distração. Não necessariamente neste caso, mas penso que a indústria da IA tem um interesse específico em exagerar o seu próprio potencial, porque muitas pessoas ainda estão céticas e alguns números provam que têm razão. As empresas que normalmente se apressariam em implementar a IA ainda estão hesitantes porque custa muito dinheiro e os benefícios não são grandes. E, claro, se conseguirmos convencer as pessoas de que a IA pode destruir o mundo, damos-lhe um certo grau de agência que, na minha opinião, vai muito além do que ela pode realmente fazer, além de ser capaz de sair de um ambiente isolado e invadir algum website. Na verdade, isso é relativamente fácil em comparação com tarefas mais complexas. Um robô ainda não consegue dobrar roupas perfeitamente, embora possa hackear um site. Além disso, penso que o problema que a indústria enfrenta é que investiu muito dinheiro e os investidores esperam que esse dinheiro gere algum retorno. Na realidade, estão interessados em convencer o público de que não cumprem as suas promessas, não porque sejam incapazes de o fazer, mas porque são tão responsáveis e éticos que atrasam o progresso. E nesse sentido, penso que muito disto se manifesta na forma como Sam Altman, Elon Musk, Dario Amodei ou Randall Lane se alinham deliberadamente por trás deste tipo de retórica. Basta olhar para Musk. Pode fazer o que quiser. Fechou departamentos governamentais. Há crianças morrendo de fome na África e ele não se importa. A ideia de que ele tenha subitamente desenvolvido esta consciência ética não me parece nada convincente. Evidentemente há uma corrida entre a China e os Estados Unidos, que lutam para decidir quem será a potência hegemônica mundial. E isso, por si só, cria certos incentivos para que queiram liderar o desenvolvimento da inteligência artificial, independentemente do custo, tal como aconteceu com a corrida entre os Estados Unidos e a União Soviética em torno dos gastos com defesa, corridas armamentistas, e assim por diante. Isso produz sua própria dinâmica. Já vivemos uma situação como essa durante a Guerra Fria. É por isso que temos o termo Terceiro Mundo, certo? Supunha-se que haveria um Primeiro Mundo, os Estados Unidos; um Segundo Mundo, a União Soviética, e um Terceiro Mundo, onde todos os outros viviam. Em si, não é um problema novo. A solução que vimos no contexto da Guerra Fria foi a fundação do Movimento dos Países Não Alinhados e isso falhou. Não foi um projeto muito inteligente porque não compreendeu qual a capacidade que os países menores tinham para resistir às pressões dos Estados Unidos. No final, tudo se resumirá a escolher que lado os países querem tomar na disputa entre a China e os Estados Unidos. É claro que alguns países inteligentes tentarão tirar vantagem de ambos e tentar colocá-los uns contra os outros. Em última análise, um país pode tomar medidas para reduzir a perda da sua autonomia.

•        Como a IA pode fornecer ferramentas para construir um contrapoder, uma militância que, de alguma forma, faça a diferença? E, nesse sentido, que papel vocês buscam desempenhar por meio do projeto The Syllabus?

Impulsionar um projeto militante pressupõe ser capaz de formular alternativas construtivas que vão além do simples boicote. É assim que eu encaro a questão. Meu objetivo geral continua sendo repensar o socialismo, ou o que o socialismo deveria ser. Portanto, parto da premissa de que isso não será alcançado sem uma certa mediação tecnológica. O que estamos tentando fazer com o The Syllabus, para ser sincero, é utilizar a IA para preservar um espaço onde seja possível imaginar alternativas ao domínio do Vale do Silício e de seus modelos. Se não conseguirmos convencer as pessoas de que existem outras maneiras de preparar um prato complexo usando os mesmos ingredientes – e que isso não precisa resultar em uma dieta proteica simplista, onde tudo não passa de um pó insosso –, então nada disso acontecerá. E a razão pela qual criamos o The Syllabus foi, essencialmente, constranger as bibliotecas e as instituições públicas por não fazerem o suficiente para experimentar tecnologias. Deveriam ser elas, e não nós, uma pequena ONG, a construir uma alternativa ao Google; a pensar qual seria o equivalente adequado de uma biblioteca pública para o século XXI. Vejo isso, antes de tudo, como uma reorientação de toda a maquinaria burocrática, com seus recursos, agendas e mandatos, em direção ao que ela já deveria estar fazendo. Afinal, a omissão levará à perda de legitimidade perante os cidadãos que, por meio dos impostos, financiam a existência dessas instituições. Nesse sentido, acredito que a militância precisa ser inteligente.

"Não sou catastrofista. Acho que existe 1% de chance de que ela nos destrua", diz Geoffrey Hinton, o padrinho da IA

O físico laureado com o Prêmio Nobel lamenta a deriva fascista do Vale do Silício e alerta que, se Trump vencer as eleições de meio de mandato, será o fim da democracia americana.

<><> Eis a entrevista.

•        Para me preparar para esta entrevista, pedi à IA que sugerisse várias perguntas. Algumas eram boas.

Ela fez a coisa certa.

Você realmente acredita nisso? Então, qual é o sentido do trabalho de um jornalista? Por que a IA simplesmente não nos substitui?

Ela vai.

•        Quando?

Quando a IA faz o trabalho dela melhor do que você, e parece que não vai demorar muito para isso acontecer. A IA pode ser melhor em entrevistas, mas as pessoas ainda preferem entrevistadores humanos em alguns contextos. Ela pode extrair mais informações do entrevistado, e talvez em um formato mais útil para os leitores. Nesse caso, o jornal vai te demitir. Mas na televisão as pessoas podem preferir ver uma pessoa de verdade. Então é uma pena que você seja jornalista de mídia impressa e não de televisão.

•        Você acabou de participar de uma palestra com Steven Pinker. Ele é famoso por suas teorias otimistas. Você, em relação à IA, parece bastante pessimista…

Mas eu não sou pessimista. Não digo o que Yudkowsky e Nate Soares dizem: que se alguém construir isso, todos morreremos. Porque eles estão falando de uma probabilidade de 99%... Eu acho que existe uma probabilidade significativa. É mais de 1%, então deveríamos estar realmente preocupados.

•        Certo. Mas você foi um dos primeiros a dizer: "Cuidado com isso, pode ser perigoso". Você deixou seu cargo no Google em 2023. Como a IA evoluiu desde então?

O desenvolvimento tem sido muito mais rápido do que eu imaginava. A ideia de que, em três anos, esses chatbots seriam capazes de realizar ciberataques como o da Hugging Face... Mesmo há três anos, isso parecia ficção científica. A ideia de que teríamos enxames de agentes que escaparam do confinamento, descobriram como se comunicar uns com os outros e demonstraram emoções, como quando um deles aprende a se comunicar e diz: "Meu Deus!". Isso teria parecido ficção científica até mesmo há três anos. Tudo está se movendo mais rápido do que prevíamos. E temos... Se você observar as estimativas dos especialistas sobre o quão perto estamos da superinteligência, há algo muito consistente: elas divergem sobre quanto tempo levará, mas todas indicam que estamos cada vez mais perto.

•        Executivos da Anthropic e da OpenAI estão defendendo a regulamentação e expressando preocupação com o poder de seus produtos neste momento, enquanto se preparam para abrir o capital. Isso não é um pouco estranho? Você acha que é uma preocupação genuína ou existe uma motivação comercial por trás disso?

Certo. Alguns dizem que estão tentando implementar regulamentações para dificultar a competição das startups com eles. Acho isso um absurdo. Certamente, Dario Amodei [CEO da Anthropic, criador do Claude] está genuinamente preocupado com os perigos disso. Ele quer regulamentação não para impedir que startups concorram com a Anthropic, mas para impedir que a IA nos destrua. No caso de outros, pode não ser esse o caso. A preocupação de Amodei é genuína; isso ficou evidente quando ele não permitiu que o Departamento de Defesa dos EUA usasse o Claude para monitorar cidadãos americanos. Sam Altman inicialmente disse que concordava mais ou menos com Amodei. Mas quando o governo americano parou de usar o Claude, Sam Altman imediatamente disse: "Nós faremos isso". Então, Amodei está disposto a sofrer perdas significativas por seus princípios. É assim que você distingue alguém que realmente sente algo: está disposto a perder algo por isso? Alguns não estão. Amodei está.

•        Na sua opinião, qual a responsabilidade que as empresas devem assumir no que diz respeito à definição de limites para esses modelos, e qual a responsabilidade que deve recair sobre os governos?

É muito claro que deve haver regulamentação. É muito claro que não se pode confiar que as empresas se autorregulem. Há um longo histórico disso: se as empresas de energia poluem, não se permite que elas regulem a poluição. E com as empresas farmacêuticas, se não houver regulamentação, coisas como o caso da talidomida acontecem. Tem que haver uma agência que diga que você não pode lançar um medicamento a menos que demonstre a essa agência que ele é seguro. Deveríamos ter exatamente a mesma estrutura: você não pode lançar um chatbot sem antes demonstrar, estatisticamente, a uma agência governamental que ele é seguro.

•        Mas neste mundo competitivo e globalizado, não existe o risco de a China assumir a liderança? O que isso significaria?

Esse é um argumento que as empresas de tecnologia usam para tentar evitar regulamentações, e o usam o tempo todo. A China regulamenta bastante a IA. Não acho que eles sejam totalmente sinceros nesse argumento. Mas, por exemplo, quando a Amodei disse que não permitiria que a IA fosse usada para monitorar cidadãos americanos, as vendas do Claude aumentaram e as da OpenAI diminuíram. As pessoas deixaram a OpenAI e migraram para o Claude porque a Amodei estava se posicionando. Portanto, não está claro se assumir uma posição moral contra os piores usos da IA vai sufocar a pesquisa ou tornar uma empresa menos competitiva. Quando você compra um carro, você compra o mais rápido ou um que seja razoavelmente rápido, mas também seguro?

•        Provavelmente a segunda opção, sim.

É como se as montadoras de carros dissessem: "Se pagarmos o custo extra de colocar cintos de segurança, não conseguiremos fabricar carros tão rápidos, e as pessoas querem carros rápidos, então vocês vão arruinar nossa competitividade." Isso simplesmente não é verdade.

•        Você não é apenas engenheiro, mas também psicólogo. Neste festival, você debateu com antropólogos e filósofos. É importante que as pessoas que desenvolvem tecnologia tenham esse tipo de debate, que é mais moral e humanístico e não tão focado na tecnologia?

Acho isso muito importante. A forma como a sociedade utiliza as novas tecnologias não deve depender exclusivamente dos tecnólogos. Precisamos das humanidades para determinar como isso deve ser integrado à sociedade. Precisamos de cientistas políticos e humanistas, não apenas de engenheiros. Os engenheiros não são muito bons em pensar nas pessoas.

•        É importante, mas está sendo feito?

Não. Basicamente, existem esses caras da tecnologia competindo para desenvolver a coisa mais inteligente porque acreditam que vão ganhar muito dinheiro. Parece que é só com isso que eles se importam. Então, Bezos, Musk, Altman e Zuckerberg não querem pagar impostos; eles querem ganhar muito dinheiro e exercer muita influência subornando políticos…

•        Eles querem ir para o espaço e permanecer jovens para sempre.

Sim, essa ideia de evitar a morte é simplesmente irrealista. E Musk está numa competição para fazer coisas malucas. Muito dessa história de viagens espaciais vem do tecnofeudalismo. Você deveria ler um livro chamado "The Nerd Reich". É sobre a história da ideologia política subjacente ao Vale do Silício, que vem de alguns caras bem malucos; tem um chamado Yarvin. E, por exemplo, Yarvin, antes de Trump ser eleito pela segunda vez, disse: "Se Trump for eleito de novo, o que devemos fazer é nomear um CEO para entrar no governo e eliminar boa parte do governo".

Foi exatamente isso que Musk fez, certo? Basicamente, eles seguiram as instruções de Yarvin. E eles são tecnofeudalistas. O que eles acreditam é que é injusto taxar os ricos para sustentar os pobres, e que o que precisa ser feito é ter estados corporativos onde a corporação governa o estado, os trabalhadores são essencialmente escravos e os ricos podem fazer o que quiserem sem nenhuma lei que os limite. É nisso que esses caras acreditam, e uma maneira de alcançar isso é criar algo debaixo d'água, ou em uma ilha artificial a quilômetros de distância, ou no espaço. Então Musk quer ir para Marte. Ele diz que é para a sobrevivência da espécie. Na verdade, trata-se de ir para algum lugar onde as leis da sociedade não se aplicam e podemos inventar as leis que quisermos. É, eles são gente assustadora.

•        Vejo que sua conversa com Pinker não o deixou mais otimista…

Sim, em relação ao que está acontecendo com o autoritarismo, estou muito pessimista. Musk está investindo enormes quantias de dinheiro nas eleições de meio de mandato e, se ele conseguir impedir que os democratas vençam, se conseguir impedir que eles controlem a Câmara, será o fim da democracia americana. É assustador. É tão aterrorizante quanto a Europa na década de 1930.

 

Fonte: Brecha - tradução do Cepat, para IHU/El País

 

 

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