segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Josefina L. Martínez: Rebelião juvenil na Europa - tambores de guerra, imaginários de revolução

Uma rebelião juvenil está sacudindo a Europa. Ela tem o seu coração na França e contagia: ocupações de escolas na Itália, acampamentos pela habitação em Portugal e na Grécia e uma revolta estudantil na Albânia de enorme radicalidade. São tempos acelerados, enquanto aqui – de Madri a Barcelona, de Sevilha a Bilbau – transitamos pelo caminho da mobilização pela habitação em direção à greve geral.

A Europa da guerra e das fronteiras se esfacela, com a extrema-direita espreitando o poder e partidos do extremo centro político neoliberal arrastando crises incuráveis. Em meio a esse devir distópico, surge algo novo que muda o tabuleiro político: uma força juvenil que emerge de baixo e mostra a potencialidade da luta de classes para transformar tudo. A juventude não era toda de direita.

Neste 17 de outubro, viveram-se jornadas na França que, se buscarmos um símile histórico, remetem à noite das barricadas de maio de 1968, com barricadas episódicas em dezenas de cidades, mobilizações de até 800.000 pessoas e uma enorme resistência juvenil durante horas, que transbordou as forças policiais. O Estado acossado, cenas de fúria nas ruas. Desde então, a grande imprensa do establishment se concentra em atacar e criminalizar os “bárbaros”, transformar os manifestantes em criminosos ou “infiltrados”, para justificar o “partido da ordem”. Querem enterrar sob gritos securitários a evidência de que essa raiva nas ruas é produto do acúmulo de afrontas e descontentamentos provocados por eles mesmos. Os custos de mais de 40 anos de neoliberalismo nas vidas de jovens que são os filhos inesperados da crise de 2008. Os que foram rotulados como a geração de “cristal” eram a geração dos espelhos quebrados, aqueles que não se reconhecem no reflexo despedaçado que lhes oferece um sistema em decadência. São os filhos de um mundo marcado pelas crises, pela precariedade e pelas guerras.

Alexis Durey é estudante na Universidade Paris 8 e trabalha como auxiliar no colégio Paul Éluard, em Saint-Denis, coração da revolta estudantil. Ele é liderança do grupo juvenil Le Poing Levé [O Punho Erguido], ao qual numerosos meios de comunicação franceses apontam uma presença destacada nas mobilizações e nas assembleias. “No início, quando o movimento começou, surgiu na juventude popular dos bairros da periferia de Paris. Foi um rechaço ao tratamento racista contra essa juventude. Onde eu trabalho, no colégio Paul Éluard, por exemplo, vê-se esse racismo: as condições são gravíssimas, as instalações estão em péssimo estado e, além disso, há uma seleção muito racista para ingressar na universidade”, afirma. “O movimento rejeita uma plataforma de seleção chamada Parcoursup, que está no centro de suas reivindicações. Mas o que é muito interessante agora é que toda a juventude do país entrou na luta: a das zonas rurais e a das pequenas cidades, mas também a do centro das grandes cidades mais ricas. Agora há uma unidade de toda a juventude do país que está em luta”.

Atrás dos cartões-postais da revolta, do fogo na Prefeitura de Limoges, há algo novo para se prestar atenção. Em várias cidades começaram a se gestar polos de convergência entre trabalhadores e estudantes. Ferroviários que se aproximaram do colégio Paul Éluard para fazer um “cordão humano” e proteger os estudantes da repressão, junto com professores e funcionários auxiliares. Cenas semelhantes em Le Havre ou em Toulouse. Aí, ainda que em pequena escala por enquanto, encontra-se o maior perigo para as classes dominantes. Se essa convergência conseguir se desdobrar, consolidar e estruturar em novas formas de comunidade e núcleos entre setores juvenis, da classe operária e de setores populares a partir de baixo, o sistema pode tremer. Juan Chingo aponta neste artigo que essa nova geração “se nutre das experiências de uma década de luta de classes e exige o direito de viver de forma diferente. A auto-organização e a consolidação de uma aliança com o movimento operário podem transformar este impulso em uma contraofensiva contra Macron e sua agenda de austeridade”.

Há imaginários vermelhos nesta revolta juvenil europeia. As barricadas em frente ao Hôtel de Ville, sede da Comuna de Paris em 1871. Uma orquestra entoando A Marselhesa e A Internacional perto das barricadas de Lyon. No norte italiano, as mobilizações juvenis em Milão e Turim, ecos do outono quente que começou também com radicalidade estudantil. Em Lisboa canta-se Grândola, Vila Morena, trilha sonora da Revolução dos Cravos. Em minhas redes sociais aparece uma garota (terá ela 17 anos?) na Albânia, com o rosto coberto. Perguntam a ela por que estão lutando. E ela diz: “Queremos a revolução”. São cartões-postais fragmentados, que compõem um movimento que já atravessa as fronteiras, estoura nos muros do Instagram, ecoa seus sinos entre o TikTok e as ruas.

Assim analisa Alexis Durey: “O que me parece muito interessante é que há um imaginário revolucionário que se expressa de maneira muito forte em todos os setores da juventude. Há um monte de faixas nas manifestações que falam de Maio de 68 e que dizem que vamos fazer o nosso próprio maio de 68, ou que vamos tomar a Bastilha, como fizeram os franceses na primeira revolução burguesa. Acho que isso diz algo sobre a nossa geração: é uma geração que entende que não podemos esperar nada deste sistema, e esta revolta coloca que o problema não é apenas uma lei, o problema é o sistema. A nossa geração está muito politizada: os alunos falam da Palestina, falam da extrema-direita, encontram relações entre os prédios de merda que temos para estudar e a questão militar, porque todo o dinheiro do governo vai para os mísseis. Essas me parecem ser as coisas que estão no centro da revolta”.

Até há alguns meses, o que ocupava a cena era o crescimento das extremas-direitas e o surgimento de figuras ainda mais nefastas e mais radicais, à direita da própria extrema-direita (penso em Vannacci na Itália, em Zemmour na França). A crise dos governos de centro, o que podemos definir como uma polarização assimétrica, inclinada para a direita, com forças como Alternativa para a Alemanha, Reform no Reino Unido, Vox aqui. São projetos de um neoliberalismo autoritário que busca arrastar tudo. Frédéric Lordon escrevia há alguns dias que, após 40 anos de neoliberalismo, a prepotência do capital financeiro, destruindo todas as mediações do velho Estado de bem-estar social, está gerando como contrapartida um novo movimento juvenil que faz um questionamento TOTAL. Um grande rechaço, que vai além do pontual.

Se nos perguntarmos pelas causas profundas por trás disso, encontramos múltiplas razões: precariedade, sofrimento mental, pandemia, crise habitacional, deterioração da saúde e da educação, catástrofe climática. Mas há algo mais abrangente que dá forma à nova crise. O projeto europeu de “concórdia” e “valores democráticos”, essa Europa iluminada que se erigiu como “jardim moral” do Ocidente já não existe mais. A velha Europa ressurge como zumbi, fala com as novas gerações na linguagem da guerra e lhes pede “sacrifícios” no altar do rearmamento. O Financial Times descreveu há alguns dias a situação com um título demolidor: “França, entre a dívida e as barricadas”. Uma crise estrutural quebrou o modelo capitalista alemão, que já não conta com o gás russo barato, nem com o guarda-chuva militar norte-americano, enquanto a China vence a corrida com seus carros elétricos. As potências europeias avançam sonâmbulas em direção à crise e pisam no acelerador do rearmamento como única saída para a frente. Não há nenhum projeto europeu. Há potências imperiais em decadência, presas nas tensões geopolíticas da nova época, que querem se armar até os dentes. Essas classes dominantes hoje olham para os jovens de 12 e 13 anos como a bucha de canhão de suas próximas guerras. Diante de tudo isso, levanta-se uma nova geração. Eles não querem aceitar esse futuro.

Natalia Lago é uma das estudantes da Universidade Complutense de Madri que foi espancada pela polícia dentro do campus, enquanto faziam um piquete informativo para apoiar a greve educacional. “No dia 14 de outubro, o dia da greve educacional, deram uma surra selvagem nas estudantes e professoras que estávamos fazendo um piquete de greve. Mas, se fazem isso, é porque nos temem, porque temem uma juventude que acampa por Maricarmen, que está saindo às ruas, que faz uma enorme greve educacional e que começa a se preparar para que o 11 de novembro, o dia da greve geral, seja uma greve de verdade e construída a partir de baixo”, aponta.

Lago reflete sobre um movimento internacional: “Somos muito conscientes de que fazemos parte de toda uma juventude que está se rebelando em toda a Europa, na França, mas também na Alemanha, na Itália, na Albânia, na Grécia, em Portugal. E, daqui, queremos dizer que temos um enorme orgulho, porque é uma juventude que não luta apenas contra uma lei ou contra um ataque, mas contra todo um sistema que nos condena à precariedade, que desfinancia a nossa educação e que não nos permite ter acesso à moradia, enquanto todos os governos, sejam da cor que forem, aumentam com dinheiramas o orçamento armamentista a serviço dos interesses imperialistas e capitalistas. E nós não vamos tolerar isso. Roubam o nosso futuro, querem nos mandar para futuras guerras, e não vamos aceitar”.

<><> Nós não pagamos pela guerra

Gosto especialmente da criatividade dos ativistas italianos para expressar na língua de Dante as palavras de ordem que marcam uma época. Uma assembleia em um colégio em Turim deixou esta mensagem: “A única coisa que nos oferecem é ser precários ou levar um fuzil nos ombros”. “Soldi alla scuola non alla guerra” [Dinheiro para a escola, não para a guerra]. Não querem nem as suas guerras nem o seu mundo. Leio nas redes sociais outra mensagem contundente: “Se semeiam precariedade, exploração, repressão e guerras, colherão tempestades”.

Laura Colli, jovem graduada em economia em Florença, participou da ocupação da Universidade pela Palestina há um ano e hoje está novamente nas praças. “Os cortes, os baixos salários, o rearmamento e a crise climática têm um fio condutor comum: defender os lucros das grandes empresas às custas da juventude e da classe trabalhadora. Por isso a chave é a unidade entre estudantes e trabalhadores, porque os trabalhadores podem bloquear todo o sistema e fazer os poderosos tremerem, como vimos durante a mobilização ‘blocchiamo tutto’ do outono passado. Por isso agora preparamos a greve geral de 30 de outubro contra a guerra e contra o rearmamento. Queremos que seja massiva e que se organize a partir de baixo, mas que abra uma nova fase de luta contra o governo, contra os cortes e contra a militarização. Fazer como na França significa isso: unir estudantes e trabalhadores. Fim do sistema, para que não seja o fim do mundo”.

A guerra da Ucrânia transformou o extremo oriental da Europa em um pântano descomunal com centenas de milhares de mortos e cadáveres, com bandos de drones espreitando do céu. Uma guerra de desgaste eterna que já dura três anos e oito meses, sugando bilhões de euros que se transformam em pólvora, sangue e lama. Um genocídio na Palestina a céu aberto, com a cumplicidade do “Ocidente” e novas tecnologias para assassinar crianças em massa. Trump ao volante da Casa Branca, iniciando novas guerras e anexações neocoloniais na América Latina. Militarismo, orçamentos militares descomunais, enquanto a educação e a saúde estão em crise. Trabalhos de merda. Não conseguir pagar um aluguel. Intervenções imperialistas a céu aberto. Multinacionais que espoliam o norte da África, exércitos que espancam migrantes na fronteira. Tudo isso gera radicalidade pela esquerda. Quem diria?

E enquanto a direita e a extrema-direita contam com novas e velhas representações políticas, essa juventude (que é estudantil e também trabalhadora) não a tem. Porque os governos progressistas votaram os orçamentos militares mais altos da história recente. E aqueles que prometeram “assaltar os céus” (lembram-se da dupla Syriza-Podemos há mais de uma década?) terminaram administrando migalhas. Porque se distanciam e brigam por ministérios, e não por políticas que mudem algo na vida de milhões. Na Alemanha, o Die Linke despertava grandes ilusões juvenis no inverno e as esmagava no verão, buscando acordos com os neoliberalistas do SPD e os Belicistas Verdes.

Há tendências que vão em outro sentido. Em 30 de outubro, a USB, os portuários e o sindicalismo de base italiano convocam uma greve geral contra a guerra. Vão convergir com o movimento estudantil. Pode ser um novo ponto de inflexão. Em 5 de novembro, greve nacional na França. Em 11 de novembro, greve geral pela moradia no Estado espanhol. Aqui já estão surgindo comitês unitários em bairros, centros de estudo e locais de trabalho para construí-la a partir de baixo e preparar também o dia seguinte. Essas novas formas de organização e coordenação são fundamentais. Porque a luta continua, governe quem governar. Para que as burocracias não transformem uma greve geral em um passeio de domingo e uma campanha eleitoral pelo “mal menor”. A convergência entre a juventude e a classe trabalhadora não é apenas um desejo, mas uma luta concreta.

Abre-se uma nova época e a juventude busca perspectivas radicais pela esquerda. O Manifesto Comunista viraliza no TikTok, uma frase de Leon Trotsky é ouvida na RTVE, na boca de um conhecido ator espanhol: “As revoluções parecem impossíveis, até que se tornam inevitáveis”. São tempos novos, nos quais o pensamento estratégico se mostra imprescindível para que a energia da mobilização não se dissipe, nem seja reintegrada em projetos de sempre-mais-do-mesmo, que permitem que as direitas cresçam e se encoragem. São tempos novos: “Se semeiam precariedade, exploração, repressão e guerras, colherão tempestades”. Lá vamos nós.

A primeira-ministra defendeu as medidas afirmando que o direito de protestar não inclui a destruição das cidades. Meloni usou o episódio para atacar a migração e destacou a origem estrangeira de parte dos detidos.

¨      Espanha: crise habitacional provoca onda de protestos e antecipa eleições

Na Espanha, a crise habitacional ganhou uma dimensão política enorme após o despejo de Maricarmen Abascal, que foi retirada em uma cadeira de rodas no dia 23 de setembro do imóvel onde havia vivido praticamente toda a vida. Encaminhada ao Hospital Gregorio Marañón, ela morreu no dia 7, um dia antes da data prevista para assinar um novo contrato de aluguel que permitiria seu retorno à residência.

O caso provocou manifestações de indignação em diferentes regiões do país e impulsionou um acampamento de manifestantes na Puerta del Sol, no centro da capital espanhola, transformando-se em símbolo da dificuldade de acesso e permanência na moradia. A pressão popular levou o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez a apresentar dois decretos destinados a enfrentar a crise habitacional.

As propostas incluíam restrições à atuação de fundos de investimento imobiliário, conhecidos como fundos abutres até dezembro de 2028, medidas de proteção contra despejos, ampliação dos direitos dos inquilinos e incentivos para facilitar o acesso à casa própria. A restrição prevista atingiria operações realizadas gratuitamente ou por valores inferiores a 70% do preço de mercado, com o objetivo de combater práticas especulativas. O texto também previa a suspensão, até dezembro de 2030, dos despejos de pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, sem alternativa habitacional, quando a retomada do imóvel fosse solicitada por entidades especializadas na compra de propriedades ou carteiras de hipotecas inadimplentes com grandes descontos. A proteção poderia alcançar inclusive processos com sentença ou ordem de despejo já expedida, desde que a retirada dos moradores ainda não tivesse ocorrido.

No entanto, os dois decretos foram rejeitados pelo Congresso, com votos contrários do Partido Popular (PP), do Vox e do Junts. A derrota parlamentar aprofundou a crise política e levou Sánchez a anunciar a antecipação das eleições gerais para 29 de novembro de 2026.

O pacote também pretendia modificar o mercado de locação, restringindo o uso de contratos temporários e de aluguel por quartos como mecanismos para contornar as garantias legais dos inquilinos. Os contratos de temporada passariam a exigir uma justificativa comprovável de residência provisória e, como regra geral, teriam duração máxima de 12 meses. No aluguel por quartos, a soma dos valores cobrados não poderia ultrapassar o preço de locação do imóvel inteiro. Outra proposta estabelecia a renovação automática e por prazo indeterminado dos contratos residenciais, após o período mínimo obrigatório de cinco anos para proprietários individuais e sete anos para empresas. Caso o proprietário encerrasse a relação sem justificativa legal, teria de indenizar o inquilino com o equivalente a pelo menos 12 meses de aluguel.

Para reduzir as dificuldades financeiras das famílias, o governo também propôs incentivos fiscais e mecanismos de financiamento habitacional. Inquilinos com renda anual inferior a 33.007 euros poderiam deduzir do imposto de renda 10% dos gastos com o aluguel da residência habitual. Já o programa TU CASA, administrado pelo Instituto de Crédito Oficial (ICO), ofereceria empréstimos sem juros ou comissões para financiar até 20% do valor do primeiro imóvel, limitados a 50 mil euros por beneficiário e com prazo máximo de 30 anos. O pacote contemplava, ainda, incentivos à construção de moradias populares, incluindo a aplicação de uma alíquota reduzida de 4% do IVA sobre habitações protegidas com classificação permanente ou por prazo indeterminado.

A rejeição das propostas não encerrou a mobilização social. O Sindicato de Inquilinas convocou uma greve geral para 11 de novembro, posteriormente apoiada pelas duas principais centrais sindicais espanholas, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e as Comissões Operárias (CC OO). As manifestações refletem a crescente insatisfação com um mercado imobiliário no qual o acesso à moradia se tornou um dos principais desafios econômicos, especialmente para jovens e famílias de menor renda.

¨      Portugal: Crise habitacional leva manifestantes a acampar nas ruas e amplia pressão sobre o governo

Em Portugal, a crise habitacional desencadeou uma onda de protestos que começou no Porto no dia 10 e se espalhou para Lisboa e outras cidades do país. As mobilizações, organizadas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reúnem centenas ou milhares de pessoas em manifestações e acampamentos para denunciar a escassez de moradias e os preços elevados dos imóveis e aluguéis.

As reivindicações também incluem medidas para controlar os preços dos bens essenciais e dos combustíveis, além da criação de impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário. Os atos começaram poucos dias depois da aprovação parlamentar de uma nova lei do arrendamento, ainda em discussão.

Os acampamentos se tornaram um dos principais símbolos da mobilização. Em Lisboa, manifestantes ocuparam a Praça D. Pedro IV, conhecida como Rossio, onde instalaram tendas e organizaram assembleias populares para decidir os próximos passos do movimento. Na terça-feira (20), a Polícia de Segurança Pública (PSP) retirou dezenas de tendas e deteve 55 pessoas. Durante a madrugada, dezenas de pessoas voltaram à praça com sacos de dormir, esteiras e equipamentos de camping. Entre as canções entoadas estava Grândola, Vila Morena, símbolo da Revolução dos Cravos de 1974, que pôs fim à ditadura portuguesa.

No Porto, os confrontos com as forças de segurança também marcaram os protestos. Os relatos de violência policial e as detenções em Lisboa ampliaram as críticas à atuação das autoridades, enquanto os movimentos prometem manter as manifestações, mostrando que a mobilização passou a envolver também disputas sobre o direito de protesto e a ocupação dos espaços públicos.

A pressão das ruas chegou ao Parlamento português, que realizou, nesta quarta-feira (21), um debate de urgência sobre a habitação. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, afirmou que o governo compreende a angústia dos cidadãos que veem seus projetos de vida ameaçados pela escassez de moradias e pelo preço dos imóveis.

O governo, formado por PSD e CDS-PP, diz estar trabalhando em uma resposta à crise habitacional com base no aumento da oferta de imóveis, na mobilização de patrimônio já existente e em programas de apoio à população. A oposição, por sua vez, questionou a postura do Executivo diante das manifestações.

Enquanto os manifestantes reivindicam respostas imediatas para os preços dos aluguéis e a dificuldade de acesso à moradia, o governo aposta em medidas de médio e longo prazo para ampliar a oferta de imóveis.

 

Fonte: Esquerda Diário/Carta Global

 

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