Segundo
maior doador nacional do PL em 2025 comanda empresa investigada no caso Master
O
segundo maior doador nacional do Partido Liberal em 2025 comanda uma
multinacional investigada pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento nas
fraudes financeiras do Banco Master. Marcus Vinícius Almeida Silveira,
presidente global da Ambipar, transferiu R$ 250 mil à legenda do candidato à
presidente Flávio Bolsonaro em 10 de junho daquele ano, segundo dados do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A
Ambipar, multinacional que diz atuar na gestão de resíduos e resposta a
emergências ambientais, é alvo da investigação no âmbito da Operação Compliance
Zero. A PF suspeita de participação da companhia nas fraudes do banco
controlado por Daniel Vorcaro, preso desde o último mês de março. O Master foi
liquidado extrajudicialmente por decisão do Banco Central, em novembro do ano
passado.
O
fundador da companhia, Tércio Borlenghi Júnior, foi citado pela área técnica da
Comissão de Valores Mobiliários (CVM) como integrante de uma “ação orquestrada”
com o empresário Nelson Tanure e o Banco Master para elevar o preço das ações
da Ambipar.
A
apuração, anterior à Operação Compliance Zero, identificou uma “relação
comercial estreita” entre Borlenghi, Tanure, a Trustee DTVM e o banco de Daniel
Vorcaro. Nos autos, a diretora da CVM Marina Copola afirmou que os envolvidos
“obviamente se mostram bastante confortáveis em fazerem negócios apoiando-se
mutuamente”.
As
relações comerciais também aparecem em conversas extraídas do celular de
Vorcaro e obtidas pelo “Valor Econômico”. Em agosto de 2024, Maurício Quadrado,
ex-sócio do banqueiro, afirmou ter acertado com Tércio a divisão de um ganho
potencial de R$ 1 bilhão em uma operação envolvendo ações da Ambipar: R$ 550
milhões ficariam com Tércio, R$ 285 milhões com Vorcaro e R$ 165 milhões com
Quadrado. Segundo o jornal, essas transações ajudaram a elevar o patrimônio
líquido do Master de R$ 2,4 bilhões, em 2023, para R$ 4,7 bilhões em 2024.
Silveira
já ocupava um cargo de alto escalão na Ambipar durante o período das operações
da companhia com o Master. Segundo seu perfil no LinkedIn, ele é presidente
global institucional da empresa desde setembro de 2023. Em relatório publicado
pelo B20 Brasil em setembro de 2024, aparece identificado como diretor
institucional do grupo.
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Rede alcança contador que pagou R$ 500 mil a escritório de Flávio
A rede
de relações em torno da Ambipar também alcança Rogério Lourenço Novo,
integrante do conselho fiscal da companhia desde abril de 2026. O contador é
sócio da Contábil Corrêa, que pagou R$ 500 mil ao escritório de advocacia de
Flávio Bolsonaro, e assumiu em 2025 a administração da Copenhagen Assessoria e
Consultoria, empresa que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master.
Novo
também assumiu, em julho de 2025, a administração da Copenhagen e Assessoria e
Consultoria, que recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master. Em abril daquele ano,
o escritório do senador havia emitido duas notas de R$ 500 mil para a
Copenhagen, canceladas no mesmo dia. Dois dias depois, emitiu outra nota de R$
500 mil para a Contábil Corrêa.
Há
registro de vínculo entre Rogério Novo e a família Borlenghi ao menos desde
2009, conforme mostrou o núcleo investigativo do ICL Notícias. Naquele ano, o
contador abriu uma transportadora em sociedade com Tércio Patini Borlenghi,
filho do presidente da Ambipar. A parceria foi encerrada em 2016, de acordo com
informações da Junta Comercial de São Paulo.
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Doação direta a deputado do PL
Silveira
também doou R$ 32.550 à campanha do deputado federal Vinicius Carvalho (PL-SP) em 2026, que não
foi reeleito. O então deputado é autor
do PL 4035/2021, que estimava incentivos tributários à cadeia de reciclagem,
área de atuação da Ambipar.
Um
documento do Instituto Atmos, do qual Silveira é diretor-executivo, classificou
a proposta como uma “solução de curto prazo” para o setor. O projeto passou a
tramitar em conjunto com o PL 1800/2021, que acabou sancionado em abril de 2026
como a Lei 15.394, com com benefícios fiscais para a compra e a venda de
materiais recicláveis.
Vinicius
Carvalho está no final de seu quarto mandato como deputado federal. Em 2026,
filiou-se ao PL e tentou a reeleição, mas ficou na suplência: recebeu 12.773
votos, uma queda de 89% em relação aos 113.009 obtidos quatro anos antes.
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Outro lado
Em
resposta ao ICL Notícias, Marcus Vinícius Almeida Silveira informou, por meio
de sua assessoria de imprensa, que não comentaria o caso.
Procuradas
por e-mail e telefone, as assessorias de Flávio Bolsonaro e do PL não
responderam aos contatos da reportagem.
Rogério
Lourenço Novo também não respondeu às mensagens enviadas pelo ICL.
O
espaço segue aberto para manifestação.
• Nikolas omitiu nova conversa e pressão
sob Vorcaro para negócio sobre ativo minerário
Mensagens
mostram que, dois dias após o áudio em que o deputado pediu ajuda para
“liberar” uma mina, o dono do Master disse ter atendido Nikolas
O
deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) omitiu uma nova conversa com o
banqueiro Daniel Vorcaro sobre um ativo minerário representado por seu advogado
e ex-assessor Thiago Rodrigues de Faria. Mensagens obtidas pelo ICL Notícias
mostram que, em 2 de abril de 2025, Vorcaro relatou a Luiz Rennó, um de seus
advogados, que “atendeu” o deputado por “10 minutos”.
Em 2 de
abril, às 14:02, Luiz Rennó, perguntou ao banqueiro: “confirma uma informação,
Nicolas deputado, Thiago adv e mineração Capão!”. Vorcaro respondeu: “Nikolas
me pediu atendi 10 min aqui”. Na mesma conversa, Rennó disse que já tinha
“análise dessa área”. À noite, deu a Vorcaro sua análise sobre o pedido de
Nikolas e de seu então assessor: “Nao vale a pena ok!”.
Alguns
dias se passaram e, em 8 de abril, Rennó contou a Vorcaro que seguia sendo
pressionado pelo assunto: “Turma desse lado me cobrando! Falei que não tive
tempo de olhar com vc! Negócio é ruim e entendo que não é o momento! Se pensar
diferente me avise”. Vorcaro não respondeu. As mensagens não informam o pedido
exato feito por Nikolas e seu advogado e também não deixam claro se eles foram
atendidos. O ICL procurou Thiago Rodrigues Faria, advogado de Nikolas, mas ele
não retornou.
As
mensagens contradizem o que Thiago Faria disse ao ICL em outubro. Na época, ele
afirmou que nem ele nem o deputado pediram a Vorcaro para destravar o ativo
minerário.
A mina
do Capão, ou Capão do Lana, fica a cerca de 2 km do distrito de Rodrigo Silva,
em Ouro Preto. Explorada desde o início do século 19, é apontada pelo Instituto
Gemológico da América (GIA) como uma das mais antigas e produtivas minas de
topázio imperial do mundo. A mina pertence à Topázio Imperial Mineração,
Comércio e Indústria, dona dos direitos minerários que Thiago Faria tentava
negociar, segundo a PF.
Na
mesma área fica a barragem Água Fria, construída da mesma forma que as de
Mariana e Brumadinho e está em nível de emergência 1. Em 2023, o MPF entrou com
uma ação civil pública para obrigar a empresa a adotar medidas de segurança. Em
janeiro de 2025, a Agência Nacional de Mineração (ANM) multou a Topázio em
autos de infração relativos à barragem. Em fevereiro, embargou a estrutura.
Em 3 de
setembro, a coluna da jornalista Juliana Dal Piva, no ICL Notícias, publicou
com exclusividade o áudio que Nikolas enviou a Vorcaro em 30 de março de 2025,
um domingo. Nele, o deputado chama o banqueiro de “Dani” e diz querer ter mais
proximidade com ele. Pede ajuda para seu advogado e ex-assessor, a quem chama
de “irmão meu”, e conta que Faria tinha um “ativo minerário” pendente que já
teria passado pela área técnica da empresa. Nikolas diz não saber “nem do que
se trata”.
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“Dani”
No
áudio, Nikolas diz: “Ei Dani, tudo bom? Como você está? Como estão as coisas
aí? Desculpa te incomodar num domingo aí, é jogo rápido, também não quero tomar
muito seu tempo. É o seguinte, meu amigo, meu advogado, enfim, irmão meu aqui,
comentou comigo e falou daqui do seu nome. Eu falei: ‘não conheço o Dani,
enfim, não tenho a proximidade assim, até mesmo a que eu queria ter, enfim, de
conversar e trocar ideia, mas eu o conheço.’ Ele falou: ‘cara, tô com um ativo
minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele,
enfim, tá pendente lá, tem algumas pessoas que sabem disso lá na empresa.’ E eu
falei: ‘não, ué, eu posso dar um toque nele’. Então assim, não sei nem do que
se trata, mas enfim é como é uma pessoa, enfim, que eu confio totalmente, tô
passando aí pra você, pra se for do teu interesse, passar o contato dele aqui
pra vocês tocarem isso, beleza? No mais, qualquer coisa tô aqui à disposição”.
Vorcaro
respondeu com um áudio de visualização única e depois escreveu: “Amém irmão.
Estamos na guerra juntos”. Pediu ainda que Thiago o procurasse. Em 1º de abril,
Nikolas avisou que Faria estaria em Brasília, disponível “a qualquer horário”.
No dia seguinte, Vorcaro respondeu: “Deixa comigo”.
Depois
da publicação, Nikolas pediu ao TRE-MG a censura da reportagem. Em 6 de
setembro, o juiz eleitoral Jair Francisco Santos mandou retirar o texto. No dia
seguinte, após manifestação da defesa do ICL, liberou a reportagem, mas manteve
vetado o termo “lindão”, que constava da transcrição oficial do áudio nos
autos.
Em
abril de 2024, Vorcaro escreveu a Ana Mattos, a chefe de marketing do Master:
“eu me dou muito bem com ele (Nikolas)”. Na ocasião, eles comentavam críticas
ao banco pelo patrocínio a um evento em Londres.
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Pagamentos de sócio da família Vorcaro
No
início de outubro, o ICL Notícias revelou 18 notas fiscais emitidas por Faria.
Elas somam R$ 105 mil, pagos entre setembro de 2024 e dezembro de 2025 por
empresas do empresário Fernando Alves Vieira. Vieira é sócio de Natália e
Henrique Vorcaro, irmã e pai do banqueiro, em diferentes firmas.
O
liquidante do Master acusa Vieira, em ação civil nos Estados Unidos, de atuar
como “laranja” de Henrique Vorcaro. Vieira nega. Ele não está entre os
indiciados no primeiro inquérito da PF sobre o caso.
Os
pagamentos ocorreram enquanto Faria coordenava a assessoria jurídica do
gabinete de Nikolas na Câmara, com salário de R$ 17,2 mil. Ele foi nomeado em
março de 2023 e ficou no cargo até 30 de março de 2026. Continua como advogado
do deputado.
Em
agosto de 2024, Faria abriu a Thiago Rodrigues Sociedade Individual de
Advocacia, em Nova Lima (MG). Vinte e dois dias depois, emitiu a primeira nota
para a Eagle & Shark, de Vieira. A empresa pagou R$ 50.340 em 17 parcelas
mensais.
Em 17
de dezembro de 2025, outra empresa de Vieira, a Health Enterprises (2V Life),
pagou de uma só vez R$ 55 mil ao assessor. A nota foi emitida 29 dias depois de
o Banco Central decretar a liquidação do Master e de Vorcaro ser preso.
Ou
seja: quando Nikolas apresentou Faria a Vorcaro, em março de 2025, o assessor
já recebia havia seis meses de uma empresa de um sócio da família do banqueiro.
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Operação Rejeito
Thiago
Rodrigues de Faria teve seu nome exposto por envolvimento com empresas e
investigados que foram presos na Operação Rejeito, deflagrada em setembro de
2025, alguns meses depois da troca de mensagens.
A PF
prendeu 22 pessoas preventivamente em meio a uma investigação de um esquema
criminoso de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova
Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Segundo
uma reportagem do jornal O Estado de Minas, Thiago Rodrigues de Faria atuou
como intermediário, por meio de um contrato de confiabilidade, de uma
negociação envolvendo uma lavra de minério e empresas investigadas pela PF
nessa operação. Uma delas é a Gmais Ambiental. Pelo trabalho do assessor de
Nikolas, os verdadeiros donos não teriam os nomes publicizados.
De
acordo com os investigadores, a Thiago Rodrigues Sociedade Individual de
Advocacia tinha um contrato, assinado em
janeiro de 2025 com a Gmais, e a empresa receberia 25% do lucro total, estimado
entre de US$ 30 e US$ 45 milhões, caso a autorização para que uma área pudesse
voltar a minerar e uma lavra fosse vendida.
No
inquérito da PF, está descrito: “chamaram a atenção os valores prováveis da
negociação sobre os quais os apresentantes seriam remunerados. O valor inicial
era de US$ 30.000.000,00 podendo ultrapassar os US$ 45M, valor que geraria 20%
de comissão aos parceiros Gmais, Estabil escritório contábil e Thiago Rodrigues
advocacia”, diz um trecho do inquérito.
Esse
contrato entre a Gmais e a empresa do assessor de Nikolas também tinha como
sócia a mineração Topázio Imperial, que detém os direitos minerários da lavra
onde está localizada uma das barragens de maior risco de Minas Gerais, a
barragem Água Fria, considerada um dos sete barramentos com maior risco de
rompimento no Brasil. Na época, estava sem operação por ação do MPF.
Ainda
de acordo com a PF, o grupo queria vender a lavra da Topázio para exploração.
No entanto, era necessário liberar a empresa, detentora dos direitos minerários
de lavra em Ouro Preto, no Distrito de Rodrigo Silva.
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Resposta do advogado de Nikolas Ferreira
Em
setembro, Thiago Faria informou ao ICL Notícias que recebeu dinheiro de
Fernando Alves Vieira e que, apesar de ter sido o assessor do Nikolas Ferreira,
“não há impedimento legal para que eu exerça a advocacia”. “Eu advogo para o
senhor Fernando Alves Vieira, isso é verdade”, afirmou. Ele disse que Nikolas
não sabia que Vieira era seu cliente. “Não são todas que ele sabe. Eu não tenho
como ficar atualizando ele de tudo. Tá? Eu sou advogado criminalista e exerço a
minha função”, disse.
Ele
disse que ele e o deputado não pediram ao Daniel Vorcaro para destravar ativo
minerário. “Nós não sabíamos que Daniel Vorcaro era esse sujeito enrolado nesse
tanto de confusão e eu estava vendendo um ativo para vários empresários, que é
uma prática regular de advocacia que o estatuto da Ordem dos Advogados do
Brasil me permite, e em determinado momento eu comentei com o Nikolas e ele
mandou um áudio para o Daniel que era um cara que ele não sabia que tinha
problema”, disse o assessor de Nikolas. “Em relação ao Fernando e Vorcaro, se
ele era laranja e tudo, eu não tenho essa informação”, finalizou.
O
empresário Fernando Alves Vieira foi procurado por intermédio das suas duas
empresas que aparecem citadas nestas reportagem (Eagle & Shark
Participações e 2V Life), mas não retornou os questionamentos feitos. O espaço
segue aberto para manifestação.
Fonte:
ICL Notícias

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