“O
mundo requer uma união dos meios de comunicação do Sul Global”, diz Patricia
Villegas
A
presidenta da Telesur, Patricia Villegas Marín, enviou um vídeo ao seminário
promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em
Salvador, dedicado ao debate sobre integração midiática do Sul Global. Patricia
afirma que a Venezuela vive um processo de transformação social e política que
tem sido sistematicamente distorcido pelos grandes conglomerados de mídia.
“Tem-se dito tanto e ao mesmo tempo não se disse nada sobre sua verdadeira
realidade”, afirmou. Ela descreve o país como estratégico devido às riquezas
minerais, à posição geográfica entre o Caribe, a Colômbia e o Brasil e ao papel
regional que exerce.
Segundo
a presidenta da Telesur, a crise vivida pela Venezuela nos últimos anos foi
resultado de uma ofensiva múltipla contra sua economia. “Houve um ataque direto
a toda a estrutura de produção e distribuição do país, que acarretou uma enorme
crise que impactou diretamente grandes camadas da população”, disse. Ela
destaca que, durante esse período, o país também enfrentou invasões de
mercenários, tentativas de assassinato contra o presidente Nicolás Maduro e
pressões externas coordenadas pelo governo dos Estados Unidos.
Patricia
afirma que, apesar disso, a Venezuela recompôs seu aparato produtivo,
revitalizou a indústria petrolífera e viu o retorno de parte dos migrantes que
haviam deixado o país durante o período de maior vulnerabilidade econômica.
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Trump e a nova escalada militar no Caribe
Em sua
análise, Patricia denuncia a escalada militar promovida pelos EUA no Caribe.
“Levamos já três meses desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
anunciou ataques a embarcações que transportariam drogas desde o Caribe para
seu país”, afirmou.
Ela
contesta a justificativa usada por Washington e lembra que organismos
internacionais, como a ONU, apontam que as principais rotas do narcotráfico na
região passam pelo oceano Pacífico, e não pelo Caribe. Apesar das pressões
simultâneas sobre México, Colômbia e Brasil, Patricia sublinha que apenas a
Venezuela foi alvo de acusações que envolvem diretamente a figura de seu chefe
de Estado.
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Cotidiano sob ameaça e mobilização popular
Mesmo
diante do intenso deslocamento militar dos EUA na região, a jornalista diz que
a vida cotidiana segue seu curso, ao passo que o país se prepara para possíveis
agressões. Segundo ela, as Forças Armadas organizam patrulhas e planos de
resposta enquanto parte da população se alista como voluntária. Ao mesmo tempo,
a presença militar norte-americana no Caribe aumentou, acompanhada de visitas
oficiais de autoridades dos EUA ao entorno do território venezuelano.
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A guerra comunicacional e a batalha pela verdade
Patricia
dedica parte central de sua fala ao tema da comunicação. Ela afirma que a
disputa geopolítica contra a Venezuela é acompanhada por uma intensa guerra
cognitiva, que constrói visões distorcidas sobre o país e sobre Maduro.
“Resulta muito pouco eficiente que hoje alguns meios do Ocidente tenham uma
mínima quota de rigor diante de fatos que ameaçam a paz não de um país, mas de
toda uma região do mundo”, disse.
Segundo
ela, o debate dentro dos próprios EUA, marcado por divergências entre
republicanos sobre novas guerras, abre brechas para que a versão venezuelana
ganhe espaço.
Patricia
descreve ainda o modelo comunicacional adotado no país — “ruas, redes, meios,
paredes e rádio-bodega”, traduzido como comunicação direta, popular e
territorial — que se tornou fundamental para disputar narrativas fora dos
grandes conglomerados.
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Telesur e as alianças internacionais do Sul Global
A
presidenta da Telesur destaca que a disputa comunicacional exige cooperação
entre meios alternativos e públicos de diferentes países. “O mundo requer uma
união comunicacional do Sul Global que defenda a humanidade”, afirmou.
Como
exemplo, cita a cobertura da Telesur em Gaza: “Com três e até quatro equipes
simultâneas, demos cobertura a esta fase do genocídio e nos tornamos uma voz
replicada pela imprensa pública e alternativa do Sul Global.”
Para
Patricia, o fortalecimento das alianças e a permanência nas grandes histórias
ignoradas pela mídia hegemônica são essenciais para enfrentar o poder das
corporações de comunicação e construir uma visão crítica e plural do mundo.
Ela
conclui dizendo que a comunicação é uma prática humana essencial e que,
organizada, se converte em força política real: “Diante da constatação da
mensagem com a realidade, não há fake ou etiqueta que possa destruí-la.”
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Jornalistas debatem comunicação e integração para
promover a paz e soberania do Sul Global
Fundador
do Brasil 247, o jornalista Leonardo Attuch afirmou que a integração das
mídias do Sul Global se tornou central em sua trajetória. Relatou ter se
impressionado com o modelo chinês de comunicação, público, profissional e
voltado à construção de consensos, diferente da lógica de polarização
ocidental, após visitas ao país. A 2° edição do Seminário Internacional de
Comunicação para a Integração começou na sexta-feira (28), no Ginásio dos
Bancários da Bahia, em Salvador. O tema de abertura foi “Comunicação para
impulsionar a integração, a soberania e a paz na região”.
Felipe
Bianchi, jornalista do Barão de Itararé, organização promotora do evento, abriu
a programação defendendo a soberania e integração latino-americana contra o
poder do capital e das Big Techs. Ressaltou também a comunicação como campo
central de disputa, destacando, inclusive, a importância da cooperação entre as
mídias independentes.
Em
seguida, Adelmo Andrade, diretor de comunicação do Sindicato dos Bancários da
Bahia, parceiro do evento, enfatizou o desafio da entidade sindical, reforçando
a importância dos sindicatos na defesa do trabalhador. O diretor também
aproveitou a oportunidade para parabenizar o jornal diário O Bancário, que
nesta segunda-feira (01/12), completa 36 anos ininterruptos.
Para
finalizar a cerimônia de abertura, Renata Mielli, coordenadora do CGI.br
(Comitê Gestor da Internet no Brasil), reforçou falas anteriores e citou o
controle das grandes empresas na circulação de informações, que promovem
desinformação e influenciam processos políticos.
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Comunicação e cooperação no Sul Global
“Comunicação
e cooperação no Sul Global” foi o tema do primeiro debate. A mesa de discussão
foi composta por Patrícia Villegas, presidente da teleSUR; Isabela Shi
Xiaomiao, jornalista da CGTN Português; Bruno Lima Rocha, jornalista da Hispan
TV; Leonardo Attuch, fundador do Brasil 247 e Michele de
Mello, jornalista da RT en Español.
Patrícia
Villegas abriu a mesa e trouxe à conversa a situação venezuelana e afirmou que
se trata também de uma “guerra comunicacional construída para distorcer a
imagem de seus líderes”. Segundo ela, as narrativas divulgadas pelos meios
ocidentais são distorcidas e moldadas de forma que influenciam diretamente
percepções e agressões políticas e militares. Citou o exemplo da TeleSUR,
mostrando que estar presente e narrar é fundamental para vencer a batalha
comunicacional.
Na
sequência, Isabela Shi Xiaomiao, jornalista chinesa da CGTN Português, destacou
que a estrutura global de comunicação permanece desequilibrada, colocando o Sul
Global diante do desafio de romper uma “narrativa pobre” e afirmou acreditar
que a cooperação entre mídias são fundamentais para formar consenso sobre
desenvolvimento, compartilhar experiências como redução da pobreza e
modernização nacional e transformar esse conhecimento em força de mudança.
Ainda
no debate, Michele de Mello, jornalista da RT en Español, citou a preocupação
com a divulgação de informações por pessoas mal-intencionadas “difundindo
matrizes de opinião para ganho político e econômico”, enquanto jornalistas
disputam o mesmo meio no intuito de repassar notícias. Enfatizou que a
comunicação sempre teve dimensão estratégica, mas agora ganha ainda mais
importância na disputa sobre modelos de sociedade.
Logo
depois, para finalizar a conversa, Bruno Lima Rocha, da Hispan TV, afirmou ser
difícil dividir como a mídia hegemônica trata a opinião internacional, sempre
focando em centros de poder Europa subalterna e norte-americanas, apesar de o
mundo ser mais complexo.
Destacou
que existe mídia iraniana em língua portuguesa, profissional e feita por
trabalhadores. Citou exemplos: Honduras, onde denunciaram sabotagem eleitoral e
acusações de “narcoterrorismo”; Equador, onde divulgaram denúncias contra o
presidente; Chile, onde acompanham eleições lendo portais alternativos;
Paraguai, onde denunciaram sanções dos EUA ao Banco Basa, ligado ao
ex-presidente Horacio Cartes.
A
primeira mesa contou com informações e experiências diversas focadas na
integração e colaboração da comunicação para combater a mídia hegemônica e
formar frentes que possam enfrentar as grandes empresas de tecnologias. O
evento conta com apoio do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR
(NIC.br), através do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), além do
Sindicato dos Bancários da Bahia.
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Como a "Unit" dos BRICS+ pode salvar o comércio
global. Por Pepe Ecobar
Em seu
livro escrito em colaboração com o economista Sergey Bodrunov, Regulations
of the Noonomy (Regulações da Noonomia) (edição internacional
publicada no corrente ano pela Sandro Teti Editore de Rome), um dos principais
economistas russos, Sergey Glazyev, enfatiza a necessidade de “assegurar uma
total guinada para as moedas nacionais em comércio e investimentos mútuos internamente
à União Econômica Euroasiática (EAEU) e à Commonwealth de Estados Independentes
(CIS) e, mais adiante, aos BRICS e à Organização de Cooperação de Xangai (OCX),
o afastamento das instituições de desenvolvimento da zona do dólar, o
desenvolvimento de seus próprios sistemas independentes de pagamento e de troca
de informações entre instituições bancárias”.
No que
se trata de inovação financeira – comparada à atual estrutura do sistema
financeiro internacional - a Unit é inigualável.
A Unit
é, essencialmente, um token benchmark – ou um
index token; um pós-stablecoin, um instrumento monetário
digital, totalmente descentralizado e com valor intrínseco ancorado em bens
reais: ouro e moedas soberanas.
A Unit
pode ser usada ou como parte de uma nova infraestrutura digital – aquilo a que
a maior parte do Sul Global vem tentando alcançar, ou como parte de um esquema
bancário tradicional.
Quando
se trata de cumprir as funções monetárias tradicionais, a Unit – perdoem-me o
trocadilho – vale ouro. Ela pretende ser usada como um meio de troca bastante
conveniente em comércio e investimentos transfronteiras – uma plataforma
importante da diversificação ativamente buscada pelos BRICS+.
Ela
deve também ser vista como uma medida independente e confiável para a
determinação de valores e preços, bem como uma reserva de valor melhor que as
moedas fiduciárias.
A Unit
é academicamente validada pelo próprio Glazyev, inclusive – e devidamente
controlada pelo IRIAS (Instituto Internacional de Pesquisas em Sistemas
Avançados), criado em 1976 em conformidade com o estatuto da ONU.
E, o que é crucial
nesse próximo passo,
a Unit será lançada em inícios do próximo ano no blockchain Cardano, que usa a moeda digital Ada.
A Ada
tem uma história fascinante – ela foi batizada em homenagem a Ada Lovelace, uma
matemática do século XIX, filha de ninguém menos que Lord Byron, e reconhecida
como a primeira programadora de computadores da história.
Qualquer
um, em qualquer lugar, pode usar a Ada como um meio seguro de trocas de valores
e, o que é muito importante, sem necessidade de mediação por terceiros.
O que
significa que todas as transações em Ada são permanentemente garantidas e
registradas no blockchain Cardano. O que implica que todos os usuários da Ada
têm participação acionária na rede Cardano.
A
Cardano existe há cerca de dez anos – e é um blockchain de grande aceitação
pública. Ela é lastreada por algumas empresas de capital de risco importantes,
como a IOHK, a Emurgo e a Fundação Cardano. Essencialmente, a Cardano é uma
excelente opção para pagamentos regulares porque as transações são baratas e
rápidas.
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Nem cripto nem stablecoin
Entra
em cena a Unit.
A Unit
não é nem uma criptomoeda nem um stablecoin – como demonstrado aqui.
Uma
definição concisa da Unit seria uma reserva de valor resiliente – lastreada por
uma estrutura de 60% ouro e 40% de diversas moedas dos BRICS+.
A
grande vantagem para o Sul Global é que essa singular mistura oferece
estabilidade e proteção contra a inflação, principalmente na atual paisagem das
finanças globais de macroeconomias cambaleantes e incerteza generalizada.
Usando
a Cardano, a Unit se tornará acessível a todos, por meio de uma combinação de
trocas centralizadas e descentralizadas.
Para
entrar nesse novo mercado, portanto, indivíduos e empresas poderão adquirir a
Unit diretamente com moeda fiduciária através de parceiros bancários
regulamentados. Isso significa uma ponte entre as finanças tradicionais e os
novos ecossistemas descentralizados – em favor da liquidez, acessibilidade e
confiabilidade, abrindo caminho para sua plena adoção pelo Sul Global.
A Unit
pode até mesmo evoluir para uma nova forma de dinheiro digital para as
economias emergentes.
Seguindo
exatamente o mesmo caminho delineado pelos BRICS mesmo antes do divisor de
águas que foi a cúpula anula de Kazan, em 2024, a Unit talvez seja a melhor
solução atualmente disponível para pagamentos transfronteiras: uma nova forma
de moeda internacional, emitida de modo descentralizado, e em seguida
reconhecida e regulamentada em nível nacional.
O que
nos leva ao principal ponto forte conceitual da Unit: ela acaba com a
dependência direta na moeda de outros países, e oferece ao Sul Global/Maioria
Global uma nova forma de dinheiro apolítico e não-censurado.
E
melhor ainda: dinheiro apolítico trazendo um enorme potencial para ancorar o
comércio justo e múltiplos investimentos.
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O que o Sul Global realmente precisa
Um bom
próximo passo para a Unit seria também a criação de um Conselho Consultivo,
unindo figuras de padrão mundial como os Professores Michael Hudson, Jeffrey
Sachs e Yannis Varoufakis, bem como o co-fundador do NDB, Paulo Nogueira
Batista Jr. (aqui, no Fórum
Acadêmico do Sul Global em Xangai) .
No
tocante à desdolarização enfatizada pelos BRICS – executada com grande grau de
sofisticação, sem explicitação direta – a Unit também será da maior
importância. Também é relevante o fato de a Unit não ser uma criptomoeda.
Os
mastodontes da Wall Street – em especial a BlackRock – são fortes em
criptomoedas, um esquema enormemente instável que prejudica os acionistas
individuais em favor dos grandes atores institucionais. Por exemplo, é a
BlackRock que, essencialmente, dita as regras do mercado de bitcoins.
As
stablecoins dos Estados Unidos, em essência, perpetuam o domínio do dólar
americano – voltando seu poder de fogo diretamente contra futuras moedas
digitais oferecidas pelos BRICS+.
A Unit
é o exato oposto, oferecendo um instrumento monetário digital confiável para o
rápido avanço do Mundo Multipolar. Ela é, em si, uma evolução, construindo uma
ponte entre os mundos fiduciário e cripto. E por último, mas não menos
importante, ela representa uma fundação sólida para o surgimento de uma
economia pós Bretton Woods.
É claro
que os desafios que a Unit encontrará pela frente são imensos – e ela será
atacada com unhas e dentes pelos suspeitos de sempre como um novo conceito que
oferece ao Sul Global/Maioria Global resiliência financeira independente de
fronteiras.
E aqui
temos o que talvez seja a principal conclusão: a única maneira de os BRICS+,
como também a Maioria Global, saírem fortalecidos é o desenvolvimento de
vínculos geoeconômicos e financeiros cada vez mais estreitos. Para tal, o poder
tóxico do capital especulativo do Ocidente tem que ser contido – em benefício
de mais comércio de commodities interno ao Sul Global e mais capital investível
no desenvolvimento produtivo e sustentável.
O
potencial é ilimitado. A Unit talvez seja capaz de desencadeá-lo. Até mesmo a
JP Morgan admitiu que ela “talvez seja a mais sólida das propostas de
desdolarização existentes no espaço das transações transfronteiras para os
BRICS+.”
E não
existe um plano de eficácia semelhante em lugar algum do mundo.
Fonte:
Brasil 247

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