Menopausa:
como enfrentar os sintomas e viver bem após o fim da menstruação
A
menopausa marca o fim da fase reprodutiva e ocorre, em média, entre os 45 e 55
anos, sendo diagnosticada após 12 meses consecutivos sem menstruação.
Porém,
muito antes de chegar a esse ponto, o corpo já começa a apresentar sinais da
chamada perimenopausa — um período de transição que pode durar anos e trazer
mudanças físicas e emocionais importantes. Ondas de calor, alterações no sono,
ganho de peso, secura vaginal, variações de humor e diminuição do desejo sexual
estão entre os sintomas mais frequentes.
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Menopausa não é doença, mas merece cuidado
Apesar
de ser uma fase universal, cada mulher vivencia a menopausa de maneira
diferente. Algumas apresentam sintomas leves e temporários, enquanto outras
enfrentam dificuldades significativas, que afetam o bem-estar e a autoestima.
Dados
da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que até 80% das mulheres
experimentam sintomas relacionados à menopausa, e cerca de 25% relatam impacto
importante na qualidade de vida. No Brasil, pesquisas mostram que muitas
mulheres não procuram ajuda médica por acreditarem que se trata de algo
“natural” e sem necessidade de tratamento, o que reforça o estigma e o
sofrimento em silêncio.
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Cuidados essenciais para viver bem nessa fase
A
menopausa não deve ser encarada como uma doença, mas como uma etapa fisiológica
que merece atenção médica. O acompanhamento regular é fundamental para avaliar
sintomas, orientar mudanças no estilo de vida e indicar tratamentos quando
necessário.
A
terapia hormonal é uma das opções mais eficazes para aliviar ondas de calor e
melhorar a qualidade do sono e da vida sexual, mas deve ser personalizada,
considerando o histórico de saúde e fatores de risco de cada mulher. Além
disso, existem alternativas não hormonais, como fitoterápicos, antidepressivos
em doses adequadas e técnicas complementares, que também podem reduzir
desconfortos.
A
prevenção de doenças associadas é outro ponto importante. Com a queda dos
níveis de estrogênio, aumenta o risco de osteoporose, doenças do coração e
alterações no metabolismo. Por isso, é fundamental manter exames regulares,
praticar atividade física, ter uma alimentação balanceada, garantir ingestão
adequada de cálcio e vitamina D, controlar o peso e abandonar o cigarro. A
atenção à saúde mental também precisa ser considerada, já que sintomas como
ansiedade, irritabilidade e depressão podem se intensificar nesse período.
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Menopausa pode ser um recomeço
Falar
sobre menopausa é também enfrentar preconceitos. Ainda hoje, muitas mulheres
relacionam o fim da menstruação à perda da feminilidade, envelhecimento mais
rápido ou fim da vida sexual. Essas ideias equivocadas, somadas à falta de
informação, aumentam o sofrimento. No entanto, a menopausa pode ser encarada
como um momento de transformação e novas possibilidades. É a chance de cuidar
mais de si, valorizar a saúde integral e buscar apoio em profissionais
preparados para oferecer acolhimento e empatia.
O Dia
Mundial da Menopausa deve ser visto como um convite à sociedade, às famílias e
aos profissionais de saúde: é hora de oferecer informação de qualidade,
combater preconceitos e garantir que todas as mulheres possam viver essa etapa
de forma digna, saudável e com qualidade de vida. A menopausa não é um fim, mas
uma nova fase — que pode ser vivida de forma plena, com cuidado e
acompanhamento adequados.
• Menopausa vai além das ondas de calor:
veja sintomas pouco conhecidos
De
acordo com um estudo realizado pelo Departamento de Dinâmica Populacional, da
Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, a estimativa é que 1,2 bilhão
de pessoas estejam na menopausa e na pós-menopausa no mundo até 2030. No
Brasil, são 30 milhões de mulheres vivendo essa fase, segundo dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Apesar
disso, houve, por muito tempo, a ausência de dados consistentes e pesquisas
científicas robustas sobre os impactos da menopausa na vida das mulheres, o que
contribuiu para a perpetuação de estereótipos, como a ideia de que a fase é
caracterizada apenas pelas ondas de calor e variação de humor.
No
entanto, os sintomas vão além: fadiga extrema, mudanças de humor e
irritabilidade são alguns exemplos, como aconteceu com Maria Cândida,
jornalista e ativista da maturidade. "O processo da menopausa, para mim,
foi muito difícil. Eu sou uma mulher que trabalha muito, que tem muita energia,
e, de repente, por volta dos 48 anos, eu me vi exausta, com uma fadiga
extrema", relata à CNN.
"Eu
comecei a ter uma irritabilidade absurda, a ponto de as pessoas que trabalhavam
comigo fazer grupos paralelos de WhatsApp para falar da minha irritação, que eu
estava impossível. Tudo para mim era um problema (...) E essa irritabilidade é
reportada por milhões de mulheres que passam pela menopausa", conta.
"Outro sintoma que me prejudicou muito no meu dia a dia foram os
esquecimentos", completa.
Autora
do livro "Menopausa como Jornada", lançado em junho deste ano, a
comunicadora criou o encontro Menopausa Summit, que se tornou o maior evento
dedicado à menopausa, saúde feminina, bem-estar, sexualidade e longevidade. O
encontro acontece nesta sexta-feira (17), no Unibes Cultural, em São Paulo, com
10 painéis em formato de talks, conduzidos por Maria Cândida, e participação de
15 médicos e especialistas na área.
"O
evento surgiu da minha necessidade, e vendo tantas mulheres que também
precisam, de informação segura", afirma Maria Cândida. "Hoje sabemos
que na internet e em outros veículos, nós temos, além da desinformação,
infelizmente, temos informações muito confusas. E esses períodos da menopausa
não foram tão estudados assim, até os médicos não têm uma formação na
faculdade, mesmo nos Estados Unidos, que faça eles terem tanta expertise neste
período da saúde da mulher. A saúde feminina, mais uma vez, foi deixada de lado
e ficamos nesse 'gap' sem informação", completa.
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Veja sintomas físicos e emocionais da menopausa
Os
meses ou anos que antecedem a menopausa são chamados de perimenopausa e são
caracterizados pelas alterações hormonais que levam aos sintomas físicos e
emocionais típicos do período.
De
acordo com a Mayo Clinic, os mais comuns são:
• Menstruação irregular;
• Secura vaginal;
• Ondas de calor;
• Suores noturnos;
• Problemas de sono;
• Mudanças de humor;
• Névoa mental (dificuldade em encontrar
palavras e lembrar o que estava falando).
Porém,
os sintomas podem ir além e incluir condições que envolvem a sexualidade e a
saúde mental. É o caso da perda de elasticidade e secura vaginal, que pode
contribuir para desconforto e sangramento durante a relação sexual. Outro
sintoma que pode acometer algumas mulheres é a diminuição da libido.
De
acordo com a Menopause Society, esses sintomas caracterizam a síndrome
geniturinária da menopausa, que está associada à deficiência de estrogênio.
Problemas urinários também podem surgir, como sensação de queimação ou dor ao
urinar, aumento da frequência ou urgência para fazer xixi e aumento do risco de
infecções do trato urinário. Isso também acontece devido à queda do nível de
estrogênio, que ajuda a proteger a saúde da bexiga.
Também
é comum o aumento de peso durante e após a menopausa. Segundo a Mayo Clinic,
isso acontece porque o metabolismo fica mais lento, levando à diminuição da
queima de calorias.
Em
relação à saúde mental, a redução dos níveis de hormônios femininos interfere
com a liberação de neurotransmissores essenciais para o funcionamento do
sistema nervoso central. Isso leva a sintomas como irritabilidade,
instabilidade emocional, depressão, ansiedade, melancolia, perda da memória e
insônia.
Estudos
já mostraram, inclusive, que a menopausa pode contribuir para o desenvolvimento
da depressão, de acordo com a Sociedade Brasileira de Climatério (SOBRAC). A
condição durante o período de perimenopausa é frequentemente associada ao
histórico de depressão anterior, a uma transição da menopausa mais longa ou a
sintomas severos relacionados à menopausa, como fogachos.
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Tratamento para menopausa
O
tratamento para menopausa, geralmente, inclui a reposição hormonal, que
consiste no uso de hormônios como estradiol, testosterona e progesterona, a fim
de restabelecer o equilíbrio e reduzir os sintomas decorrentes da queda desses
hormônios.
De
acordo com Marisa Teresinha Patriarca, coordenadora do setor de climatério do
Serviço de Ginecologia do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo
(HSPE), o uso de reposição hormonal pode melhorar a qualidade de vida da
paciente, e a terapia, no geral, é bem tolerada.
No
entanto, o tratamento é individualizado para cada caso, sendo necessário
colocar na balança as oportunidades e riscos antes de iniciar a terapia
hormonal. Mulheres com risco cardiovascular e que passaram pelo câncer de mama
não devem realizar a reposição de hormônios.
Fonte:
CNN Brasil

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