terça-feira, 27 de outubro de 2026

Vitória de Lula é destaque em jornais da Europa

A eleição presidencial no Brasil, com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), é o principal assunto nos sites de alguns dos maiores jornais da Europa na manhã desta segunda-feira (26/10).

Na Alemanha, o Süddeutsche Zeitung destaca que Lula venceu, mas que Flávio Bolsonaro não aceitou o resultado. "Um tribunal decidiu, no próprio dia da eleição e a pedido de Lula, que os centros de votação ficassem abertos por mais tempo. A grande questão agora é que consequências isso terá. Bolsonaro exige a anulação", escreve o diário de Munique.

Ao lado, um texto opinativo do correspondente do jornal no Brasil, Jan Heidtmann, intitulado Lula é um vencedor fraco, afirma que "é uma sorte para o Brasil e para o resto do mundo que o candidato da ultradireita Flávio Bolsonaro tenha perdido estas eleições presidenciais", ao mesmo tempo em que questiona se "um quarto mandato do vencedor, Lula, fará de fato bem ao país".

O portal de notícias Tagesschau, da emissora pública alemã ARD, também destaca a vitória de Lula e a negativa de Flávio Bolsonaro de reconhecer o resultado da eleição. O texto ressalta ainda que "milhares festejaram a vitória de Lula nas ruas", que "Lula se posicionou contra Trump na campanha eleitoral" e que o presidente reeleito terá que lidar com uma direita fortalecida no Congresso Nacional.

Num segundo texto, Uma noite entre a euforia e a falta de confiança, o Tagesschau foca na festa dos apoiadores de Lula, que "celebram a vitória eleitoral como um triunfo da democracia". Mas, observa o texto da correspondente Anne Herrberg, "enquanto uns respiram aliviados, outros alertam para a batalha política que está apenas começando".

<><> Recusa de Flávio em reconhecer resultado

A eleição brasileira também é destaque na capa do Frankfurter Allgemeine Zeitung, que afirma que "a vitória histórica de Lula pode ter desdobramentos". O jornal conservador afirma que "o presidente do Brasil conquista a reeleição após uma mobilização sem precedentes", mas observa que o derrotado nas urnas, Flávio Bolsonaro, não reconhece a derrota e considera inaceitável "o que aconteceu hoje", numa referência à extensão do prazo de votação pela Justiça.

Na França, o jornal Le Monde noticia que, "para surpresa geral, Lula é reeleito presidente do Brasil ao fim de uma mobilização massiva e de um escrutínio caótico". O jornal destaca ainda as mensagens de parabenização de líderes europeus, como Emmanuel Macron e Pedro Sánchez.

Na Espanha, o El País também noticia em sua capa a vitória de Lula e destaca ainda que, enquanto a esquerda latino-americana celebra o "Pelé do progressismo", a direita deixa Flávio Bolsonaro reclamando sozinho.

Em Portugal, o jornal Público afirma que "Lula da Silva [foi] reeleito presidente pela quarta vez em dia de nervos e caos". O diário português escreve que "Lula conseguiu uma reviravolta que até há poucos dias parecia impossível" e que o "prolongamento do horário de votação criou situação confusa e pode dar argumentos para quem quiser pôr em causa resultados".

Na seção opinativa, sob o título A democracia sobreviveu, o colunista Manuel Carvalho afirma que "o regresso do clã Bolsonaro ao Brasil seria mais um passo na deriva do mundo para a imbecilidade, a venalidade e a supressão das liberdades".

No Reino Unido, o jornal The Guardian afirma que "o presidente de esquerda Lula protagoniza uma reviravolta sem precedentes depois de perder por pouco no primeiro turno para Flávio Bolsonaro".

Na Suíça, o Neue Zürcher Zeitung (NZZ) diz que, "com uma reviravolta espetacular, o social-democrata Lula derrotou seu adversário de direita, Flávio Bolsonaro", que "quer anular o resultado".

Na Itália, o jornal La Repubblica analisa o impacto internacional da vitória de Lula, observando que "os Estados Unidos, sob a influência de Trump, estavam prestes a fincar mais uma bandeira na América Latina", o que não se concretizou.

•        Líderes mundiais parabenizam Lula pela vitória nas eleições

Líderes mundiais parabenizaram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição à Presidência da República neste domingo (25/10).

Para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o resultado do pleito é uma vitória da democracia e do multilateralismo no Brasil. "Parabéns ao meu amigo Lula", escreveu a chefe do braço executivo da União Europeia no X.

"A parceria da Europa com o Brasil está prosperando. Continuaremos ao seu lado pelos próximos anos. Juntos, vamos continuar a trabalhar em estreita colaboração em prol de um comércio livre e aberto, de uma ordem mundial baseada em regras e de ambições robustas para o nosso clima", acrescentou von der Leyen.

Tom semelhante foi adotado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa. "O povo brasileiro falou", disse, acrescentando que felicitou Lula por telefone ainda na noite de domingo. "A União Europeia (UE) e o Brasil são parceiros sólidos", afirmou Costa nas redes sociais, sublinhando que o bloco europeu e o Brasil vão continuar a trabalhar em conjunto para "aprofundar" laços, "enfrentar os desafios globais e construir um mundo mais pacífico e próspero".

<><> "A recuperação do progressismo global acaba de começar"

Na Europa, Lula também foi felicitado pelos presidentes da França, Emmanuel Macron, e da Espanha, Pedro Sánchez.

Sánchez, que convocou eleições antecipadas após não conseguir apoio legislativo às medidas propostas por seu governo para conter a crise habitacional em seu país, vê na "grande vitória" de Lula um sinal de que "a recuperação do progressismo global acaba de começar". "O que aconteceu no Brasil acontecerá também na Espanha", disse sobre as eleições previstas para 29 de novembro.

Também o premiê de Portugal, Luís Montenegro, parabenizou Lula pela reeleição. "Portugal e o Brasil, importantes parceiros econômicos, estão também unidos na resposta aos desafios internacionais pela via da paz e do diálogo. É essa parceria que queremos continuar a aprofundar", escreveu.

A lista de líderes europeus que se pronunciaram até agora inclui ainda os premiês Ulf Kristersson (Suécia), Jonas Gahr Store (Noruega) e Rob Jetten (Holanda).

No Canadá, Lula também foi felicitado pelo premiê Mark Carney. "A relação entre Canadá e Brasil floresceu sob nossa parceria. Vamos aproveitar esta oportunidade para torná-la ainda mais forte juntos, para criar grandes novas oportunidades comerciais, proteger o meio ambiente e construir mais prosperidade para ambos os nossos povos."

O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, disse estar ansioso por expandir a cooperação com o Brasil sob Lula e congratulou o petista "por seu notável resultado eleitoral". "Para nós na Ucrânia, é importante que o Brasil continue ativo nos temas internacionais e continue a contribuir para a proteção efetiva dos direitos humanos, dos povos e dos Estados."

O premiê da Austrália, Anthony Albanese, também congratulou seu "amigo" Lula pela vitória. "Austrália e Brasil são grandes democracias, e continuaremos a trabalhar juntos e construir nossa parceria."

<><> Alemanha afirma que vitória de Lula é boa notícia para Amazônia

O governo alemão parabenizou nesta segunda-feira (26/10) o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela reeleição e afirmou que o resultado é uma notícia boa para a proteção da Amazônia.

Em mensagem publicada no X, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, parabenizou Lula e disse estar ansioso para aprofundar ainda mais a parceria entre os dois países.

A eleição no Brasil também foi tema na tradicional coletiva de imprensa do governo alemão. Porta-vozes de diversos ministérios alemães comentaram o resultado, destacando a importância da parceira estratégica entre o país europeu e o Brasil.

"O Brasil é um parceiro global muito importante independentemente de quem governa o país", pontuou o porta-voz do ministério do Exterior alemão, Martin Giese. "Ficamos felizes com a continuidade do trabalho em conjunto com o Brasil."

Ao ser questionado por jornalistas se o fato de o candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) se negar a reconhecer o resultado representa um perigo para democracia do país sul-americano, Giese destacou que o Brasil é um Estado de Direito, onde há a possibilidade de se contestar o resultado de uma eleição e existem regras para isso.

"Bolsonaro menciona irregularidades, mas, que por enquanto, se trata apenas de alegações dele. Cabe à Justiça brasileira verificar se elas têm algum fundamento. Ele falou que quer contestar as eleições. Caberá aos tribunais no Brasil decidir sobre essa questão, e não a nós aqui", acrescentou.

Já o porta-voz do Ministério de Cooperação Econômica da Alemanha (BMZ), Benedikt Schöneck, afirmou que a vitória de Lula é uma "boa notícia" para a proteção da Amazônia e lembrou que o Brasil é um parceiro de longa data do país europeu nesse quesito.

"Ter um parceiro como o Lula no governo, com quem podemos continuar trabalhando, é uma notícia boa para a proteção da Amazônia", disse Schöneck.

<><> Reações do Brics: "Vitória para o Sul Global"

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que atualmente preside o bloco geopolítico e econômico Brics — liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul —, ofereceu a Lula suas "mais calorosas felicitações".

"Estou ansioso para trabalhar em estreita colaboração com ele para aprofundar e ampliar ainda mais a parceria estratégica multifacetada entre Índia e Brasil", afirmou, acrescentando querer trabalhar junto para "fazer avançar as prioridades compartilhadas do Sul Global e trabalhar por um mundo mais inclusivo, equânime e sustentável".

A China também parabenizou Lula. Um porta-voz do Ministério do Exterior chinês declarou que o país está "disposto a trabalhar com o Brasil para continuar avançando na construção de uma comunidade China-Brasil com um futuro compartilhado".

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, felicitou Lula nesta segunda-feira pela conquista de um "histórico quarto mandato" e classificou o resultado como uma "vitória para o Sul Global".

"Esta vitória ecoará para além das costas do Brasil. É uma vitória para o Sul Global e para as forças progressistas de todo o mundo", afirmou Ramaphosa em um comunicado divulgado pela Presidência sul-africana. "Em nome do governo e do povo da África do Sul, felicito meu querido irmão e amigo, o presidente Lula, e o povo do Brasil", acrescentou.

"Reafirmamos nosso compromisso de continuar fortalecendo as relações bilaterais entre nossos dois países e trabalhando em estreita cooperação em todos os fóruns multilaterais para construir uma ordem mundial mais justa e melhor, fundamentada na solidariedade e no respeito ao direito internacional", declarou o presidente sul-africano.

Da Rússia, o governo de Vladimir Putin também saudou a reeleição de Lula e elogiou o petista por sua contribuição às relações bilaterais entre os dois países e ao Brics.

<><> Reações da América Latina: "O povo do Brasil venceu"

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, também felicitou Lula pela vitória que manteve a esquerda no comando das duas maiores economias da América Latina. "Viva a democracia, o povo do Brasil venceu. Parabéns, presidente Lula!", escreveu Sheinbaum numa mensagem nas redes sociais.

À exceção de Brasil, México, Guatemala e Uruguai, que possuem presidentes de esquerda eleitos democraticamente, o continente é hoje dominado por governos de direita.

No Chile, o presidente José Antonio Kast destacou que os dois países "têm muito futuro em comum". "Acabo de conversar com o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o parabenizei pelo resultado da eleição", declarou Kast nas redes sociais.

Chile e Brasil, acrescentou, "têm muito futuro em comum, e continuaremos trabalhando por uma agenda que potencialize as relações entre nossos países na integração econômica e no combate ao crime organizado na região". Kast, que em março se tornou o primeiro presidente chileno de ultradireita desde o retorno à democracia no Chile, é um dos principais aliados políticos da família Bolsonaro na América do Sul.

No Paraguai, o presidente Santiago Peña disse que saudava "o povo brasileiro por esta grande jornada democrática". Peña, que evitou se pronunciar a favor de Lula ou de Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral, afirmou que Paraguai e Brasil compartilham "uma agenda comum de integração e desenvolvimento", ao mesmo tempo em que prometeu que continuarão "trabalhando juntos pelo bem-estar" de seus povos.

No Equador, o presidente Daniel Noboa, que defende uma postura rigorosa contra a criminalidade, também defendeu a cooperação no quarto mandato de Lula. "Nossa região tem inimigos comuns, desafios compartilhados e muito a ganhar quando trabalhamos juntos", afirmou o mandatário.

No Peru, Keiko Fujimori parabenizou Lula e o "povo brasileiro por esta jornada democrática", e reafirmou sua vontade de "fortalecer a aliança estratégica" entre os dois países.

O governo da Venezuela também parabenizou Lula pela vitória sobre Flávio Bolsonaro. "O povo do Brasil deu uma contundente demonstração de participação cívica e democrática", afirmou o Ministério do Exterior venezuelano em comunicado divulgado nas redes sociais do chanceler Félix Plasencia González.

No Uruguai, o presidente Yamandu Orsi disse também ter conversado com o "amigo" Lula ao telefone e o parabenizado pela vitória e "festa democrática" das eleições.

Em Cuba, o presidente Miguel Diaz-Canel parabenizou Lula por sua "vitória histórica que garante a continuidade do caminho de paz, soberania e justiça social".

Na Bolívia, o presidente Rodrigo Paz Pereira disse que continuará trabalhando junto com o Brasil "para fortalecer nossa relação e gerar mais oportunidades para nossas nações".

 

Fonte: DW Brasil

 

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