Vitória
de Lula é destaque em jornais da Europa
A
eleição presidencial no Brasil, com a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), é o principal assunto nos
sites de alguns dos maiores jornais da Europa na manhã desta segunda-feira
(26/10).
Na
Alemanha, o Süddeutsche Zeitung destaca que Lula venceu, mas que Flávio
Bolsonaro não aceitou o resultado. "Um tribunal decidiu, no próprio dia da
eleição e a pedido de Lula, que os centros de votação ficassem abertos por mais
tempo. A grande questão agora é que consequências isso terá. Bolsonaro exige a
anulação", escreve o diário de Munique.
Ao
lado, um texto opinativo do correspondente do jornal no Brasil, Jan Heidtmann,
intitulado Lula é um vencedor fraco, afirma que "é uma sorte para o Brasil
e para o resto do mundo que o candidato da ultradireita Flávio Bolsonaro tenha
perdido estas eleições presidenciais", ao mesmo tempo em que questiona se
"um quarto mandato do vencedor, Lula, fará de fato bem ao país".
O
portal de notícias Tagesschau, da emissora pública alemã ARD, também destaca a
vitória de Lula e a negativa de Flávio Bolsonaro de reconhecer o resultado da
eleição. O texto ressalta ainda que "milhares festejaram a vitória de Lula
nas ruas", que "Lula se posicionou contra Trump na campanha
eleitoral" e que o presidente reeleito terá que lidar com uma direita
fortalecida no Congresso Nacional.
Num
segundo texto, Uma noite entre a euforia e a falta de confiança, o Tagesschau
foca na festa dos apoiadores de Lula, que "celebram a vitória eleitoral
como um triunfo da democracia". Mas, observa o texto da correspondente
Anne Herrberg, "enquanto uns respiram aliviados, outros alertam para a
batalha política que está apenas começando".
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Recusa de Flávio em reconhecer resultado
A
eleição brasileira também é destaque na capa do Frankfurter Allgemeine Zeitung,
que afirma que "a vitória histórica de Lula pode ter desdobramentos".
O jornal conservador afirma que "o presidente do Brasil conquista a
reeleição após uma mobilização sem precedentes", mas observa que o
derrotado nas urnas, Flávio Bolsonaro, não reconhece a derrota e considera
inaceitável "o que aconteceu hoje", numa referência à extensão do
prazo de votação pela Justiça.
Na
França, o jornal Le Monde noticia que, "para surpresa geral, Lula é
reeleito presidente do Brasil ao fim de uma mobilização massiva e de um
escrutínio caótico". O jornal destaca ainda as mensagens de parabenização
de líderes europeus, como Emmanuel Macron e Pedro Sánchez.
Na
Espanha, o El País também noticia em sua capa a vitória de Lula e destaca ainda
que, enquanto a esquerda latino-americana celebra o "Pelé do
progressismo", a direita deixa Flávio Bolsonaro reclamando sozinho.
Em
Portugal, o jornal Público afirma que "Lula da Silva [foi] reeleito
presidente pela quarta vez em dia de nervos e caos". O diário português
escreve que "Lula conseguiu uma reviravolta que até há poucos dias parecia
impossível" e que o "prolongamento do horário de votação criou
situação confusa e pode dar argumentos para quem quiser pôr em causa
resultados".
Na
seção opinativa, sob o título A democracia sobreviveu, o colunista Manuel
Carvalho afirma que "o regresso do clã Bolsonaro ao Brasil seria mais um
passo na deriva do mundo para a imbecilidade, a venalidade e a supressão das
liberdades".
No
Reino Unido, o jornal The Guardian afirma que "o presidente de esquerda
Lula protagoniza uma reviravolta sem precedentes depois de perder por pouco no
primeiro turno para Flávio Bolsonaro".
Na
Suíça, o Neue Zürcher Zeitung (NZZ) diz que, "com uma reviravolta
espetacular, o social-democrata Lula derrotou seu adversário de direita, Flávio
Bolsonaro", que "quer anular o resultado".
Na
Itália, o jornal La Repubblica analisa o impacto internacional da vitória de
Lula, observando que "os Estados Unidos, sob a influência de Trump,
estavam prestes a fincar mais uma bandeira na América Latina", o que não
se concretizou.
• Líderes mundiais parabenizam Lula pela
vitória nas eleições
Líderes
mundiais parabenizaram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela vitória sobre Flávio
Bolsonaro (PL) na eleição à Presidência da República neste domingo (25/10).
Para a
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o resultado do pleito é
uma vitória da democracia e do multilateralismo no Brasil. "Parabéns ao
meu amigo Lula", escreveu a chefe do braço executivo da União Europeia no
X.
"A
parceria da Europa com o Brasil está prosperando. Continuaremos ao seu lado
pelos próximos anos. Juntos, vamos continuar a trabalhar em estreita
colaboração em prol de um comércio livre e aberto, de uma ordem mundial baseada
em regras e de ambições robustas para o nosso clima", acrescentou von der
Leyen.
Tom
semelhante foi adotado pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.
"O povo brasileiro falou", disse, acrescentando que felicitou Lula
por telefone ainda na noite de domingo. "A União Europeia (UE) e o Brasil
são parceiros sólidos", afirmou Costa nas redes sociais, sublinhando que o
bloco europeu e o Brasil vão continuar a trabalhar em conjunto para
"aprofundar" laços, "enfrentar os desafios globais e construir
um mundo mais pacífico e próspero".
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"A recuperação do progressismo global acaba de começar"
Na
Europa, Lula também foi felicitado pelos presidentes da França, Emmanuel
Macron, e da Espanha, Pedro Sánchez.
Sánchez,
que convocou eleições antecipadas após não conseguir apoio legislativo às
medidas propostas por seu governo para conter a crise habitacional em seu país,
vê na "grande vitória" de Lula um sinal de que "a recuperação do
progressismo global acaba de começar". "O que aconteceu no Brasil
acontecerá também na Espanha", disse sobre as eleições previstas para 29
de novembro.
Também
o premiê de Portugal, Luís Montenegro, parabenizou Lula pela reeleição.
"Portugal e o Brasil, importantes parceiros econômicos, estão também
unidos na resposta aos desafios internacionais pela via da paz e do diálogo. É
essa parceria que queremos continuar a aprofundar", escreveu.
A lista
de líderes europeus que se pronunciaram até agora inclui ainda os premiês Ulf
Kristersson (Suécia), Jonas Gahr Store (Noruega) e Rob Jetten (Holanda).
No
Canadá, Lula também foi felicitado pelo premiê Mark Carney. "A relação
entre Canadá e Brasil floresceu sob nossa parceria. Vamos aproveitar esta
oportunidade para torná-la ainda mais forte juntos, para criar grandes novas
oportunidades comerciais, proteger o meio ambiente e construir mais
prosperidade para ambos os nossos povos."
O
presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, disse estar ansioso por expandir a
cooperação com o Brasil sob Lula e congratulou o petista "por seu notável
resultado eleitoral". "Para nós na Ucrânia, é importante que o Brasil
continue ativo nos temas internacionais e continue a contribuir para a proteção
efetiva dos direitos humanos, dos povos e dos Estados."
O
premiê da Austrália, Anthony Albanese, também congratulou seu "amigo"
Lula pela vitória. "Austrália e Brasil são grandes democracias, e
continuaremos a trabalhar juntos e construir nossa parceria."
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Alemanha afirma que vitória de Lula é boa notícia para Amazônia
O
governo alemão parabenizou nesta segunda-feira (26/10) o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva pela reeleição e afirmou que o resultado é uma notícia boa para a
proteção da Amazônia.
Em
mensagem publicada no X, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz,
parabenizou Lula e disse estar ansioso para aprofundar ainda mais a parceria
entre os dois países.
A
eleição no Brasil também foi tema na tradicional coletiva de imprensa do
governo alemão. Porta-vozes de diversos ministérios alemães comentaram o
resultado, destacando a importância da parceira estratégica entre o país
europeu e o Brasil.
"O
Brasil é um parceiro global muito importante independentemente de quem governa
o país", pontuou o porta-voz do ministério do Exterior alemão, Martin
Giese. "Ficamos felizes com a continuidade do trabalho em conjunto com o
Brasil."
Ao ser
questionado por jornalistas se o fato de o candidato derrotado Flávio Bolsonaro
(PL) se negar a reconhecer o resultado representa um perigo para democracia do
país sul-americano, Giese destacou que o Brasil é um Estado de Direito, onde há
a possibilidade de se contestar o resultado de uma eleição e existem regras
para isso.
"Bolsonaro
menciona irregularidades, mas, que por enquanto, se trata apenas de alegações
dele. Cabe à Justiça brasileira verificar se elas têm algum fundamento. Ele
falou que quer contestar as eleições. Caberá aos tribunais no Brasil decidir
sobre essa questão, e não a nós aqui", acrescentou.
Já o
porta-voz do Ministério de Cooperação Econômica da Alemanha (BMZ), Benedikt
Schöneck, afirmou que a vitória de Lula é uma "boa notícia" para a
proteção da Amazônia e lembrou que o Brasil é um parceiro de longa data do país
europeu nesse quesito.
"Ter
um parceiro como o Lula no governo, com quem podemos continuar trabalhando, é
uma notícia boa para a proteção da Amazônia", disse Schöneck.
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Reações do Brics: "Vitória para o Sul Global"
O
primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, que atualmente preside o bloco
geopolítico e econômico Brics — liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e
África do Sul —, ofereceu a Lula suas "mais calorosas felicitações".
"Estou
ansioso para trabalhar em estreita colaboração com ele para aprofundar e
ampliar ainda mais a parceria estratégica multifacetada entre Índia e
Brasil", afirmou, acrescentando querer trabalhar junto para "fazer
avançar as prioridades compartilhadas do Sul Global e trabalhar por um mundo
mais inclusivo, equânime e sustentável".
A China
também parabenizou Lula. Um porta-voz do Ministério do Exterior chinês declarou
que o país está "disposto a trabalhar com o Brasil para continuar
avançando na construção de uma comunidade China-Brasil com um futuro
compartilhado".
O
presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, felicitou Lula nesta
segunda-feira pela conquista de um "histórico quarto mandato" e
classificou o resultado como uma "vitória para o Sul Global".
"Esta
vitória ecoará para além das costas do Brasil. É uma vitória para o Sul Global
e para as forças progressistas de todo o mundo", afirmou Ramaphosa em um
comunicado divulgado pela Presidência sul-africana. "Em nome do governo e
do povo da África do Sul, felicito meu querido irmão e amigo, o presidente
Lula, e o povo do Brasil", acrescentou.
"Reafirmamos
nosso compromisso de continuar fortalecendo as relações bilaterais entre nossos
dois países e trabalhando em estreita cooperação em todos os fóruns
multilaterais para construir uma ordem mundial mais justa e melhor,
fundamentada na solidariedade e no respeito ao direito internacional",
declarou o presidente sul-africano.
Da
Rússia, o governo de Vladimir Putin também saudou a reeleição de Lula e elogiou
o petista por sua contribuição às relações bilaterais entre os dois países e ao
Brics.
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Reações da América Latina: "O povo do Brasil venceu"
A
presidente do México, Claudia Sheinbaum, também felicitou Lula pela vitória que
manteve a esquerda no comando das duas maiores economias da América Latina.
"Viva a democracia, o povo do Brasil venceu. Parabéns, presidente
Lula!", escreveu Sheinbaum numa mensagem nas redes sociais.
À
exceção de Brasil, México, Guatemala e Uruguai, que possuem presidentes de
esquerda eleitos democraticamente, o continente é hoje dominado por governos de
direita.
No
Chile, o presidente José Antonio Kast destacou que os dois países "têm
muito futuro em comum". "Acabo de conversar com o presidente do
Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o parabenizei pelo resultado da
eleição", declarou Kast nas redes sociais.
Chile e
Brasil, acrescentou, "têm muito futuro em comum, e continuaremos
trabalhando por uma agenda que potencialize as relações entre nossos países na
integração econômica e no combate ao crime organizado na região". Kast,
que em março se tornou o primeiro presidente chileno de ultradireita desde o
retorno à democracia no Chile, é um dos principais aliados políticos da família
Bolsonaro na América do Sul.
No
Paraguai, o presidente Santiago Peña disse que saudava "o povo brasileiro
por esta grande jornada democrática". Peña, que evitou se pronunciar a
favor de Lula ou de Flávio Bolsonaro durante a campanha eleitoral, afirmou que
Paraguai e Brasil compartilham "uma agenda comum de integração e
desenvolvimento", ao mesmo tempo em que prometeu que continuarão
"trabalhando juntos pelo bem-estar" de seus povos.
No
Equador, o presidente Daniel Noboa, que defende uma postura rigorosa contra a
criminalidade, também defendeu a cooperação no quarto mandato de Lula.
"Nossa região tem inimigos comuns, desafios compartilhados e muito a
ganhar quando trabalhamos juntos", afirmou o mandatário.
No
Peru, Keiko Fujimori parabenizou Lula e o "povo brasileiro por esta
jornada democrática", e reafirmou sua vontade de "fortalecer a
aliança estratégica" entre os dois países.
O
governo da Venezuela também parabenizou Lula pela vitória sobre Flávio
Bolsonaro. "O povo do Brasil deu uma contundente demonstração de
participação cívica e democrática", afirmou o Ministério do Exterior
venezuelano em comunicado divulgado nas redes sociais do chanceler Félix
Plasencia González.
No
Uruguai, o presidente Yamandu Orsi disse também ter conversado com o
"amigo" Lula ao telefone e o parabenizado pela vitória e "festa
democrática" das eleições.
Em
Cuba, o presidente Miguel Diaz-Canel parabenizou Lula por sua "vitória
histórica que garante a continuidade do caminho de paz, soberania e justiça
social".
Na
Bolívia, o presidente Rodrigo Paz Pereira disse que continuará trabalhando
junto com o Brasil "para fortalecer nossa relação e gerar mais
oportunidades para nossas nações".
Fonte:
DW Brasil

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