Virada
histórica de Lula foi impulsionada por municípios menos dependentes do Bolsa
Família
Os
municípios menos dependentes do programa Bolsa Família foram determinantes para
a virada histórica do presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições neste
domingo (25), segundo levantamento divulgado pelo UOL. De acordo com a
pesquisa, essas cidades foram onde Lula mais avançou em relação ao primeiro
turno: 7,2 pontos percentuais a mais.
O
levantamento dividiu os municípios em 3 grupos: pouco dependentes (0 a 25% da
população beneficiada), média dependência (25% a 50%) e muito dependentes (50%
ou mais). As cidades desse último grupo representaram 62,4% dos votos válidos
no segundo turno e 5,6 milhões de votos a mais para o presidente.
Ainda
assim, Lula se saiu melhor nos municípios mais dependentes do programa, que
representaram 8,3% dos votos válidos.
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História do Bolsa Família
Criado
em 2003 durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT), o Bolsa Família se concretizou como uma das principais iniciativas em
prol da redução das desigualdades e vem gerando impactos positivos em
diferentes áreas, como economia, educação, saúde e mercado de trabalho. Na última terça-feira (20), o programa
completou 23 anos.
Reconhecido
internacionalmente, como pela Organização das Nações Unidas (ONU), pelo Banco
Mundial e Fundo Monetário Internacional (FMI), o Bolsa Família se destaca por
sua capacidade de reduzir a pobreza e a fome e promover melhorias sociais e
econômicas para milhões de famílias.
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Reeleição de Lula
Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente da República pela quarta vez
neste domingo (25), em uma vitória histórica sobre Flávio Bolsonaro (PL),
herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de
golpe de Estado. O presidente recebeu 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio
Bolsonaro.
Aos 80
anos, a dois dias de completar 81, Lula escreve mais um capítulo de uma
trajetória que se confunde com a própria história da redemocratização
brasileira. O menino que deixou o sertão pernambucano em um pau de arara,
enfrentou a fome, a pobreza e o trabalho infantil, tornou-se líder sindical,
ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores e chegou ao comando da maior
economia da América Latina pela quarta vez.
O
resultado representa ainda uma nova derrota do projeto de poder da família
Bolsonaro, que tentou se perpetuar no comando do país mesmo após a derrota de
Jair Bolsonaro em 2022, por meio de uma trama golpista que culminou nos ataques
às sedes dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.
• Maiores metrópoles do Brasil, São Paulo
e Rio foram fundamentais em vitória de Lula
uma das
corridas eleitorais mais acirradas e memoráveis da história política
brasileira, o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas duas
maiores metrópoles do país provou ter sido um dos fatores determinantes para a
consolidação de sua reeleição. Os eleitores das capitais de São Paulo e do Rio
de Janeiro desempenharam um papel crucial ao garantirem uma expressiva frente
de votos ao candidato petista, auxiliando na abertura da margem necessária para
superar a vantagem inicial obtida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) no
primeiro turno.
O
resultado das urnas neste segundo turno consagrou a primeira virada de um
candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar na história das
eleições presidenciais do país. Em âmbito nacional, Lula obteve 51,79% dos
votos válidos (64.256.232 votos), enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 48,21%
(59.826.041 votos), marcando uma diferença superior a 4,4 milhões de sufrágios.
Essa vantagem foi diretamente alimentada pela força do eleitorado nas duas
maiores megalópoles brasileiras.
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São Paulo: ampliação da vantagem e consolidação na maior capital do país
Na
cidade de São Paulo, o maior colégio eleitoral municipal do Brasil, a
candidatura de Lula demonstrou forte tração e ampliou seu desempenho em relação
às etapas anteriores da disputa. O candidato reeleito registrou uma vitória
sólida na capital paulista, garantindo uma folga percentual de mais de dez
pontos sobre o rival.
Os
números oficiais consolidados no município de São Paulo foram:
• Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 55,50%
dos votos válidos (3.864.354 votos)
• Flávio Bolsonaro (PL): 44,50% dos votos
válidos (3.097.923 votos)
A
diferença absoluta a favor de Lula na capital paulista foi de 766.431 votos. O
avanço do eleitorado progressista nas periferias paulistanas e em zonas
centrais estratégicas foi apontado por analistas como um dos pilares de
sustentação da candidatura petista no Sudeste, mitigando o saldo desfavorável
que o candidato costuma enfrentar no interior do estado.
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Rio de Janeiro: virada simbólica e decisiva na capital fluminense
Se em
São Paulo a missão foi ampliar a vantagem, na cidade do Rio de Janeiro o
desafio era reverter o favoritismo histórico da família Bolsonaro na capital
fluminense. Em um movimento que surpreendeu observadores políticos e marcou uma
virada emblemática na apuração, Lula garantiu a preferência da maioria do
eleitorado carioca no segundo turno.
Os
dados finais apurados na capital do Rio de Janeiro registraram:
• Luiz Inácio Lula da Silva (PT): 51,54%
dos votos válidos (1.898.391 votos)
• Flávio Bolsonaro (PL): 48,46% dos votos
válidos (1.785.035 votos)
Com um
saldo positivo de 113.356 votos na capital carioca, o resultado interrompeu uma
sequência de hegemonia conservadora na cidade e serviu como alavanca
psicológica e numérica para a virada no cenário nacional.
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O impacto combinado das metrópoles no resultado nacional
Somadas,
as duas capitais entregaram a Lula um total impressionante de 5.762.745 votos.
A margem líquida direta construída pelo petista apenas nas duas cidades
alcançou 879.787 votos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro.
Este
volume expressivo de votos urbanos foi vital para contrabalançar as votações
obtidas pelo candidato do PL no interior das regiões Sul e Centro-Oeste,
garantindo a sustentação do resultado nacional. O comportamento do eleitorado
das duas megalópoles redefiniu a geografia eleitoral do país, provando que a
chave para o Palácio do Planalto continuou passando decisivamente pelos grandes
centros metropolitanos do Sudeste.
• União do Nordeste com grandes cidades
brasileiras deu vitória a Lula
O avanço eleitoral nos maiores centros urbanos
do país, somado ao suporte do eleitorado nordestino, viabilizou a reeleição do
presidente Lula (PT) para o seu quarto mandato. A alteração na base geográfica
de apoio do PT ficou evidente no desempenho registrado nas 200 maiores cidades
brasileiras. Nesse grupo de grandes municípios, Lula saltou de 47,1% dos votos
válidos em 2022 para 49,57% na apuração deste ano, registrando alta de 2,4
pontos percentuais. Em movimento oposto, a votação do presidente recuou no
agrupamento das demais cidades de menor porte eleitoral, caindo de 54,6% para
53,9%.
O
crescimento da votação urbana não alterou a centralidade do Nordeste como pilar
eleitoral do PT. Na região, caracterizada por menor renda média e forte
presença de programas sociais como o Bolsa Família, Lula obteve 69,37% dos
votos válidos — mantendo praticamente o mesmo patamar dos 69,34% obtidos quatro
anos atrás — e triunfou exatamente no mesmo número de municípios.
Nas
demais regiões do país, o desempenho do candidato à reeleição registrou
expansão em votos, mas perda de abrangência territorial. Lula ampliou sua
participação de 43,9% para 44,8% fora do Nordeste, mas viu diminuir de 1.349
para 1.101 a quantidade de cidades sob sua liderança. Toda a retração nacional
da sigla — que passou de 3.123 para 2.875 municípios vitoriosos no total, uma
perda de 248 localidades — esteve concentrada em estados fora do Nordeste.
A força
do partido no ambiente urbano manifestou-se com maior intensidade no resultado
das capitais. No conjunto das 27 unidades federativas, o percentual de votos
válidos da legenda passou de 49,7% em 2022 para 52,8% neste ano, alta de 3,1
pontos percentuais. Essa expansão permitiu que Lula superasse seus adversários
em 13 capitais, ante 11 no pleito anterior.
A
virada na capital do Rio de Janeiro é emblemática desse novo desenho eleitoral.
Após ser derrotado por Jair Bolsonaro em 2022 por 52,66% a 47,34%, Lula
reverteu a vantagem na capital fluminense e venceu a disputa com 51,54% dos
votos válidos.
A
ampliação das margens ocorreu também em capitais onde a legenda já havia
vencido anteriormente. Em São Paulo, Lula avançou de 53,54% para 55,50% dos
votos válidos, enquanto em Porto Alegre a votação cresceu de 53,50% para
55,84%. Já na capital do Amapá, Macapá, o resultado trocou de mãos: Bolsonaro
havia liderado com 54,92% em 2022, mas Lula conquistou o primeiro lugar neste
pleito ao atingir 50,99%.
A
discrepância entre os diferentes perfis de cidades fica clara na contagem de
municípios vitoriosos. Fora do grupo dos 200 maiores colégios eleitorais, o PT
sofreu uma baixa de 255 cidades sob sua liderança, caindo de 3.062 para 2.807.
Em sentido inverso, dentro do grupo das 200 maiores cidades do país, a
liderança petista subiu de 61 para 68 municípios.
Sob o
prisma histórico, o movimento atual consolida uma trajetória de recuperação do
voto urbano pelo PT. Em 2002, ao vencer sua primeira eleição presidencial, a
sigla alcançou 66,3% dos votos válidos no conjunto dos 200 maiores municípios,
caindo gradualmente para 59,6% em 2006, 53,6% em 2010 e 46,8% em 2014. O ponto
mais baixo ocorreu em 2018, na disputa de Fernando Haddad (PT) contra Jair
Bolsonaro (PL), quando o partido registrou 38,1% nesse grupo. A curva de
crescimento recomeçou em 2022, com 47,1%, e culminou nos 49,6% atuais.
O mesmo
comportamento histórico se repetiu no recorte das capitais. Em 2002, o PT
venceu em todas as 27 capitais brasileiras, somando 66,9% dos votos válidos
nesse conjunto. Esse total encolheu até chegar a apenas seis capitais em 2018,
com 40,4% dos votos, reagindo para 11 vitórias em 2022 e 13 capitais na eleição
atual, atingindo 52,8% de participação agregada.
Uma
análise dividida por extratos de eleitorado confirma a concentração do
crescimento. Ao separar os 5.570 municípios comparáveis em dez grupos iguais
segundo o total de votos válidos de 2022, observa-se que Lula avançou apenas no
primeiro grupo — o que reúne os 557 maiores municípios —, passando de 47,6%
para 49,6% dos votos (alta de dois pontos percentuais). Nos outros nove grupos,
que somam 5.013 cidades, o percentual do candidato registrou recuo médio de 1,4
ponto percentual, com a queda mais acentuada ocorrendo no grupo dos 557 menores
municípios, onde a votação do PT caiu 3,9 pontos percentuais, passando de 50,6%
para 46,7%.
• Vitória de Lula é comemorada com festa
na capital da Argentina
vitória
de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais
brasileiras, realizado neste domingo (25), levou festa às ruas da capital
argentina, Buenos Aires.
Em uma
publicação nas redes sociais, o Núcleo do Partido dos Trabalhadores (PT) na
Argentina compartilhou uma fotografia de jovens reunidos em frente à Faculdade
de Ciências Médicas de Buenos Aires, com cartazes em defesa da educação e
bandeiras brasileiras.
“Defenderemos
com a comunidade argentina e migrante a Saúde e a Educação pública!”, diz o
texto. “Não sabemos ainda o que nos reserva o futuro próximo, mas com essa
comunidade estamos prontas pra tudo!”
Os
repasses e orçamentos para o ensino superior público argentino sofreram queda
real de 40% a 47,7% desde 2023, o que afetou a manutenção das instituições, o
salário dos professores e o pagamento de bolsas de estudo.
Apesar
de o Congresso do país ter aprovado, em agosto do ano passado, a Lei de
Financiamento Universitária, que determina que o Executivo atualize os
orçamentos e salários conforme a inflação, o governo de Jair Milei suspendeu a
aplicação da norma para “manter o superávit fiscal” do país.
A
Suprema Corte argentina ordenou que o governo realizasse os pagamentos, mas os
repasses continuam bloqueados.
Em
outubro deste ano, a Argentina registrou a 5ª grande marcha federal
universitária em Buenos Aires, manifestação que reúne estudantes, professores,
sindicatos e aposentados em protestos contra o atual governo.
Em um
dos vídeos compartilhados na noite de domingo, centenas de pessoas vestidas com
as cores do partido cantam “olê olê olê olá! Lula!”.
A
emissora multiestatal teleSUR também divulgou imagens de comemorações na
capital argentina após a confirmação da vitória do petista.
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Lula amplia vantagem entre brasileiros na Argentina
Lula
foi o candidato mais votado na Argentina, com 4.466 votos, o equivalente a
68,77% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 2.028 votos, ou 31,23%.
Com todas as urnas do país apuradas, a diferença entre os dois candidatos foi
de 2.438 votos, segundo dados da apuração divulgados com base nos resultados do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No
primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Lula havia recebido 3.747 votos na
Argentina, correspondentes a 64,44% dos votos válidos, enquanto Flávio obteve
1.681 votos, ou 28,91%.
Entre
as duas etapas da eleição, o petista ganhou 719 votos, e o candidato do PL,
347.
No
conjunto dos países em que houve votação, o presidente reeleito recebeu 200.154
votos, equivalentes a 53,86% dos votos válidos, contra 171.497 votos de Flávio
Bolsonaro, que somou 46,14%.
Na
Argentina, 6.624 eleitores compareceram às urnas, o equivalente a 50,92% dos
13.009 eleitores aptos a votar, segundo os números divulgados pela imprensa a
partir da apuração eleitoral. A abstenção foi de 49,08%, abaixo dos 54,21%
registrados no primeiro turno deste ano, mas acima dos 42,49% observados no
segundo turno de 2022.
Os
votos brancos representaram 0,97% do total, e os nulos, 1%.
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Milei apoiou Flávio Bolsonaro e ainda não parabenizou Lula
A
comemoração em Buenos Aires contrasta com a posição do presidente argentino,
Javier Milei, que manifestou publicamente apoio a Flávio Bolsonaro durante a
campanha eleitoral brasileira. Em julho, Milei participou da convenção do PL
que oficializou a candidatura do senador e afirmou confiar nele para derrotar
Lula.
No
primeiro turno, em 4 de outubro, Milei voltou a se posicionar a favor do
candidato do PL. Em uma publicação nas redes sociais, parabenizou Flávio pelo
desempenho nas urnas e chamou Lula de “comunista”. O presidente argentino
também compartilhou conteúdos em apoio ao senador.
Até a
manhã desta segunda-feira (26), Milei ainda não havia parabenizado Lula pela
vitória, assim como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Lula recebeu 4 mil votos a mais no 2º turno em cidade da Bahia que foi cenário
de vídeo de Nikolas Ferreira
O
avanço eleitoral do presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições em Luís
Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, alterou a dinâmica política local e
reduziu a diferença de votos em relação ao seu adversário. A cidade baiana
ganhou destaque nacional após o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG)
gravar um vídeo no local para retratar um “Nordeste esquecido”.
Na
publicação, que somou mais de 160 milhões de visualizações, moradores relatavam
problemas com serviços básicos e alto custo de vida. A equipe do parlamentar
confirmou posteriormente que as imagens foram feitas no município, enquanto
habitantes contestaram publicamente a visão negativa apresentada sobre a
cidade.
Nas
urnas, o desempenho de Lula registrou um salto significativo de um turno para o
outro. O chefe do Executivo saiu de 20.173 votos na primeira etapa (32,51% dos
válidos) e alcançou 24.739 sufrágios no pleito decisivo (38,40%), o que
representa um acréscimo de 4.566 eleitores — uma alta de 22,63%.
Em
sentido oposto, Flávio Bolsonaro teve um crescimento mais discreto. O candidato
do PL passou de 38.496 votos (62,03%) para 39.688 (61,6%), somando apenas 1.192
novos eleitores. Esse movimento fez com que a margem de vantagem sobre Lula
encolhesse de 18.323 para 14.949 votos.
Fonte:
Fórum/Brasil 247

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