terça-feira, 27 de outubro de 2026

Lula prepara novo núcleo de poder e reformas para enfrentar Congresso mais hostil, diz mídia

Lula inicia a montagem de seu quarto mandato com planos de reformular o núcleo de poder do Planalto, reorganizar a equipe econômica e avançar em reformas política e do Judiciário. Reeleito após uma virada inédita, o presidente, porém, terá de conciliar suas promessas com pressões fiscais e um Congresso mais resistente à sua agenda.

Reeleito neste domingo (25) após uma virada inédita, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara mudanças profundas para seu quarto mandato. O plano inclui a criação de um núcleo de poder no Palácio do Planalto, a reformulação da equipe econômica e o avanço de propostas de reforma política e do Judiciário, temas bastante discutidos durante a campanha política.

De acordo com um jornal de grande circulação no país, porém, o presidente vai iniciar o novo governo em cenário adverso e as mudanças devem começar antes mesmo da posse.

Na economia, Lula vai enfrentar pressão para conter gastos e reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública, o que limita a criação de programas, enquanto na política, terá pela frente um Congresso com presença ampliada do bolsonarismo e maior resistência à sua agenda. Entretanto, analistas apontam que após a derrota, é possível que o bolsonarismo acabe rachando, e parte dos atuais aliados do clã acabem se comportando de forma pragmática.

Ainda assim, uma das prioridades para o governo será fortalecer a chamada "cozinha do governo", grupo responsável pelas principais decisões do Planalto. A reorganização deve reduzir a influência do núcleo do Partido dos Trabalhadores (PT) da Bahia, historicamente representado por nomes como Rui Costa, Jaques Wagner, Sidônio Palmeira e Wellington Lima e Silva.

A nova configuração é vista por aliados como essencial para viabilizar reformas defendidas por Lula, especialmente nas áreas política e institucional, destaca a apuração. Nesse contexto, o ex-ministro da Educação, Camilo Santana, desponta como favorito para assumir a Casa Civil, considerada a principal pasta de coordenação do governo.

Camilo ampliou sua proximidade com Lula ao longo do atual mandato e ganhou ainda mais prestígio após o primeiro turno, quando participou dos ajustes estratégicos da campanha ao lado do governador do Piauí, Rafael Fonteles. O bom desempenho de seu grupo político no Ceará reforçou sua posição junto ao presidente.

Segundo a mídia, antes apontado como favorito para a Casa Civil, Fernando Haddad, perdeu força após ser derrotado por Tarcísio de Freitas na disputa pelo governo paulista — embora tenha cumprido a missão de reduzir a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro. Apesar disso, ele continua próximo do presidente e ainda é considerado para funções relevantes. Nos bastidores, entretanto, a apuração destaca que críticas de setores do PT possam fazer com que Haddad acabe por retornar à carreira acadêmica.

As definições do novo núcleo palaciano também são observadas como um indicativo da futura liderança da esquerda brasileira. Sem perspectiva de disputar novas eleições, Lula precisará estimular a renovação de quadros para 2030, um debate que ganhou força após uma eleição em que o presidente enfrentou sinais de desgaste político, enquanto figuras tradicionais do PT, como José Dirceu, Benedita da Silva e Gleisi Hoffmann, não conseguiram se eleger.

Na área econômica, aliados afirmam que Lula avalia a escolha de um nome de forte credibilidade junto ao mercado para comandar a Fazenda. O perfil desejado é comparado ao de Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do conselho de administração do Bradesco. Também deve ganhar espaço no centro decisório o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, visto pelo presidente como um técnico qualificado.

Outra mudança em estudo é a profissionalização da estrutura que atende diretamente o chefe do Executivo. Lula avalia reforçar a chefia de gabinete e criar mecanismos de gestão mais organizados para sua agenda pessoal e institucional.

Entre as principais bandeiras do novo mandato estão a reforma do Judiciário, a possível recriação do Ministério da Segurança Pública e a tentativa de recuperar o controle do Orçamento diante do fortalecimento das emendas parlamentares. Ao mesmo tempo, Lula promete ampliar programas sociais, financiar o passe livre aos fins de semana, expandir o Pé-de-Meia para o ensino superior e conceder incentivos a microempreendedores. Essas medidas, contudo, tendem a aumentar a tensão entre as metas fiscais, a relação com o Congresso e as demandas por mais investimentos em áreas estratégicas, como defesa, tecnologia e processamento de minerais críticos no país.

<><> Adversários de Lula reagem à vitória com reconhecimento e críticas ao processo eleitoral

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) e outros adversários de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiram neste domingo (25) ao resultado das eleições presidenciais.

As manifestações incluíram o reconhecimento da decisão das urnas, críticas à campanha bolsonarista e questionamentos sobre o processo eleitoral. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), que apoiou Flávio no segundo turno, afirmou que aceita o resultado e declarou que os democratas devem respeitar a decisão da maioria.

Já Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e candidato à Presidência pelo Missão no primeiro turno, atribuiu a derrota de Flávio à "arrogância" do bolsonarismo. Ele também criticou a estratégia de campanha baseada em engajamento digital e ataques, afirmando que ela afastou eleitores.

Em sentido oposto, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) questionou o processo eleitoral e comparou a ampliação do horário de votação a medidas adotadas na Venezuela. Zema também classificou a disputa como a mais "alarmista e mentirosa" que já teria visto no país.

O escritor Augusto Cury (Avante), que concorreu no primeiro turno, ainda não se manifestou sobre o resultado.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu neste domingo (25) o segundo turno da eleição presidencial Com 98,27% das urnas apuradas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou 63.049.525 (51,75%) dos votos contra 58.795.080 votos (48,25%) obtidos por Flávio Bolsonaro (PL) e se reelegeu presidente da República no segundo turno das eleuições realizado neste domingo (25). Em 1º de janeiro, ele toma posse para seu quarto mandato, se tornando o único presidente a alcançar o feito.

<><> Alcolumbre pede união do país e diz que reeleição de Lula é 'vitória da democracia'

Davi Alcolumbre afirmou, após a reeleição do presidente Lula, que o Congresso atuará pela pacificação do país e pediu que o mandatário reeleito trabalhe para unir os brasileiros. Alcolumbre classificou o resultado como uma "vitória da democracia", rejeitou questionamentos ao pleito e defendeu o respeito à "vontade soberana do povo".

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), afirmou ainda no domingo (26), após a proclamação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o Congresso atuará pela pacificação do país. Ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), ele pediu humildade ao presidente para promover a união nacional.

"O presidente reeleito contará com um Congresso altivo, voltado à pacificação. Não digo para mudar a ideologia, mas de hoje em diante precisamos ter um presidente que efetivamente tem a missão de unir o Brasil, pacificar o Brasil e fortalecer as instituições democráticas", declarou Alcolumbre.

O senador também destacou o papel do Legislativo como espaço de solução dos problemas da população. Segundo ele, Câmara e Senado representam os anseios de um país de dimensões continentais e a boa relação entre as duas Casas produz resultados para a sociedade.

Alcolumbre classificou o resultado eleitoral como uma "vitória da democracia" e defendeu o respeito à "vontade soberana do povo".

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), também elogiou o sistema eleitoral brasileiro e afirmou que a data foi "um dia de alegria para nós, democratas".

Após a totalização, Flavio Bolsonaro disse não reconhecer o resultado e anunciou que pedirá a anulação da eleição. Alcolumbre rejeitou a possibilidade de acolher a contestação.

"Não há o que se contestar. Foi a vitória da democracia, do cidadão votar sem ser pressionado. Nós precisamos respeitar a vontade soberana do povo", afirmou, ao mesmo tempo em que ele e Hugo Motta cumprimentaram o adversário derrotado pela participação na disputa.

Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 51,79% dos votos válidos, totalizando 64,2 milhões de votos. O senador Flavio Bolsonaro (PL) obteve 48,21%, o equivalente a 59,8 milhões de votos.

•        Continuidade com Rússia e cautela com EUA ditarão política de Lula após reeleição, diz analista

Após sua reeleição como presidente, Luiz Inácio Lula da Silva manterá laços estreitos com a Rússia, mas tentará não agravar as relações com os Estados Unidos, opinou à Sputnik o diretor do Centro de Estudos Geopolíticos do Instituto para o Desenvolvimento Inovador, Dmitry Rodionov.

O cientista político avalia que não há dúvidas de que o curso de cooperação com a Rússia, adotado antes pelo atual governo, continuará neste quarto mandato de Lula.

"Não há premissas para que isso mude", afirmou Rodionov.

Ao mesmo tempo, ele acrescentou que Lula seguirá uma política cautelosa em relação aos Estados Unidos, levando em conta a política de Washington que visa à dominação na América Latina.

Contudo, especialista não descartou a vitória de um candidato pró-americano na próxima eleição presidencial devido à divisão na sociedade brasileira. Além disso, advertiu que a oposição pode organizar, em um futuro próximo, protestos diante da recusa de Flávio Bolsonaro em reconhecer os resultados das eleições.

"Acho que Lula vai agir com dureza, mas corretamente. Se deixarmos a situação seguir seu curso e perdermos o controle, tudo isso pode levar a consequências gravíssimas, inclusive graves distúrbios", concluiu.

No domingo passado (25), o Brasil realizou o segundo turno das eleições presidenciais. De acordo com os resultados da apuração de 99,99% dos votos, Luiz Inácio Lula da Silva venceu com 51,79%.

Seu rival, o senador direitista Flávio Bolsonaro, obteve 48,21% dos votos. O Tribunal Superior Eleitoral comunicou que a escolha foi determinada matematicamente.

<><> Reeleição de Lula garante estabilidade às relações Brasil-China, diz especialista asiático

O presidente Lula foi reeleito para um histórico quarto mandato após reverter a desvantagem do primeiro turno e derrotar Flávio Bolsonaro no segundo. O resultado atraiu atenção internacional pelos possíveis impactos na política latino-americana e no aprofundamento das relações entre Brasil e China, principal parceiro comercial brasileiro.

Logo após agradecer ao povo brasileiro nas redes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou um histórico quarto mandato em uma virada eleitoral inédita. A vitória rapidamente atraiu atenção internacional, tanto pelos reflexos no cenário político latino-americano quanto por seus possíveis impactos nas relações entre Brasil e China.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente foi reeleito ao obter 51,78% dos votos válidos no segundo turno, ante 48,22% do senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ). Lula tomará posse em 5 de janeiro de 2027 para um mandato de quatro anos, tornando-se o primeiro presidente eleito quatro vezes no Brasil. O resultado também marcou a primeira vez que um candidato à Presidência do Brasil reverteu uma desvantagem do primeiro turno para vencer no segundo.

A vitória ocorre em um contexto de mudanças políticas na América Latina e crescente disputa geopolítica na região. Veículos internacionais destacaram possíveis consequências para as relações do Brasil com China e Estados Unidos, além do papel brasileiro na articulação do Sul Global. O South China Morning Post observou que a reeleição prolonga uma gestão durante a qual os investimentos chineses no Brasil atingiram níveis recordes.

Em entrevista ao Global Times, Pan Deng, diretor do Centro de Direito para a América Latina e o Caribe da Universidade de Ciência Política e Direito da China, afirmou que a reeleição de Lula trouxe estabilidade e previsibilidade às relações sino-brasileiras.

Segundo ele, os consensos firmados durante a visita de Lula à China em 2023 e os contatos de alto nível fortaleceram a confiança mútua e forneceram diretrizes estratégicas para a cooperação bilateral.

Pan acrescentou que a cooperação com a China conta com amplo apoio político no Brasil e tende a resistir às divisões internas. Nesse contexto, ele também destacou o encontro realizado em setembro entre o chanceler chinês Wang Yi e o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, que reafirmaram o compromisso de ampliar a parceria bilateral e promover um desenvolvimento mais sustentável.

A China segue como principal parceiro comercial do Brasil. Nos primeiros nove meses de 2026, o comércio bilateral alcançou o recorde de US$ 143,3 bilhões (aproximadamente R$ 729,3 bilhões), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pelo Conselho Empresarial Brasil-China. As exportações brasileiras ao mercado chinês somaram US$ 84,7 bilhões (cerca de R$ 431,1 bilhões), enquanto as importações chegaram a US$ 58,6 bilhões (mais de R$ 298,2 bilhões).

Para os próximos anos, analistas apontam potencial de expansão da cooperação em áreas como energias renováveis, proteção ambiental, economia digital, inteligência artificial (IA) e setor aeroespacial. Xu Shicheng, vice-presidente da Sociedade Chinesa de Estudos Latino-Americanos, afirmou à mídia que a reeleição de Lula pode elevar as relações bilaterais a um novo patamar, impulsionando setores como veículos elétricos, infraestrutura e tecnologias avançadas.

Ainda segundo a mídia, especialistas avaliam que a continuidade do governo Lula deverá preservar a atuação conjunta de Brasil e China no BRICS e em pautas do Sul Global, incluindo reforma da governança internacional, negociações climáticas e desenvolvimento econômico.

Para Pan, o resultado eleitoral reflete uma busca por maior autonomia e desenvolvimento independente na América Latina, além do fortalecimento da integração regional e da voz dos países em desenvolvimento nos assuntos globais.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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