Jovens
e bispos foram decisivos para virada, avalia campanha de Lula
A
participação inédita de bispos da Igreja Católica e a mobilização de jovens nas
ruas e nas redes sociais foram apontadas por integrantes da campanha do
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como fatores determinantes para sua
virada eleitoral e vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das
eleições presidenciais de 2026.
Segundo
informações da jornalista Janaína Figueiredo, do UOL, publicadas nesta
segunda-feira (26), fontes ligadas à campanha petista avaliam que o resultado
foi construído principalmente por uma ampla mobilização popular, que
ultrapassou os métodos tradicionais de propaganda eleitoral. A atuação de
lideranças religiosas, a participação de novas gerações e o trabalho de
comunicação digital foram considerados fundamentais para a recuperação
eleitoral do presidente.
Um dos
aspectos que mais surpreenderam integrantes da campanha foi o envolvimento de
bispos na disputa presidencial. Segundo um dos interlocutores ouvidos pela
reportagem, a participação dessas lideranças religiosas alcançou uma dimensão
sem precedentes na história política recente do país.
“Nunca
se viu um envolvimento assim dos bispos. Não se viu na ditadura, não se viu em
1989. Nunca tinha acontecido”, afirmou uma das fontes consultadas.
A
avaliação é que a eleição foi decidida, sobretudo, pela capacidade de mobilizar
eleitores e ampliar a participação política em um cenário de disputa acirrada.
Em vez de depender prioritariamente de slogans ou das ferramentas convencionais
de marketing eleitoral, a campanha apostou na presença permanente de apoiadores
nas ruas e no ambiente digital.
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Janones e Rafael Fonteles tiveram papel crucial nas redes
A
estratégia de comunicação digital foi outro elemento destacado pelos
integrantes da campanha de Lula. O deputado federal André Janones e o
governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que coordenou a comunicação
da candidatura presidencial no segundo turno, tiveram participação considerada
decisiva na ampliação do alcance das mensagens do presidente.
Os dois
foram responsáveis por fortalecer a presença de Lula no WhatsApp e nas redes
sociais, impulsionando conteúdos que circularam intensamente durante a reta
final da disputa.
De
acordo com as fontes ouvidas pelo UOL, os resultados dessa mobilização
surpreenderam inclusive profissionais que trabalham em campanhas eleitorais do
PT há mais de duas décadas.
A
atuação de Janones, em particular, foi reconhecida como crucial para a
estratégia de mobilização. Seus apoiadores participaram da disseminação de
conteúdos digitais e da ocupação permanente das redes sociais, enquanto
manifestações favoráveis ao presidente ganhavam força em diferentes regiões do
país.
Na
avaliação de um integrante da campanha, a combinação entre a presença nas ruas
e a circulação de mensagens nas plataformas digitais contribuiu para ampliar a
percepção dos riscos associados a uma eventual vitória do adversário.
“Criou
um estado de comoção nacional, de medo pela eventual vitória de Flávio
Bolsonaro. Instalou-se o fator ‘risco Flávio Bolsonaro’. Foi algo que nunca
vimos, não tem paralelo”, afirmou a fonte.
A
declaração evidencia a importância atribuída pelos estrategistas petistas à
mobilização de eleitores preocupados com a possibilidade de retorno do
bolsonarismo ao Palácio do Planalto.
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Mobilização de jovens ganhou força no segundo turno
A
entrada de jovens que haviam permanecido afastados da campanha durante o
primeiro turno também foi apontada como um dos fatores responsáveis pela virada
de Lula.
Em
cidades como São Paulo, novos grupos passaram a participar de manifestações e
atividades políticas em defesa da reeleição presidencial. Segundo os relatos,
parte dessa mobilização ocorreu de maneira espontânea, sem depender de uma
liderança centralizada.
Florianópolis
foi um dos exemplos mais expressivos dessa mudança. Na capital catarinense,
atos organizados por jovens reuniram mais de 60 mil pessoas em apoio ao
presidente durante o segundo turno.
O
número representou um crescimento expressivo em relação à mobilização
registrada antes da primeira votação, quando Lula havia reunido aproximadamente
25 mil participantes na mesma cidade.
A
diferença entre os dois momentos foi interpretada por integrantes da campanha
como demonstração da capacidade de mobilização de setores que não haviam
participado ativamente da etapa inicial da disputa.
Outro
aspecto destacado foi a participação de eleitores idosos, cujo engajamento
também surpreendeu e emocionou integrantes da campanha presidencial.
A
combinação entre jovens e idosos contribuiu para ampliar a presença dos
apoiadores de Lula nas manifestações e fortalecer o movimento em defesa de sua
reeleição.
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Vitória abre debate sobre renovação política
O
resultado eleitoral também provocou discussões sobre o futuro do governo e a
necessidade de incorporar novas lideranças à estrutura política do país.
Em seu
discurso após a vitória, Lula destacou os aprendizados proporcionados pela
campanha e mencionou a necessidade de pensar em uma nova maneira de governar o
Brasil.
Entre
integrantes e apoiadores da candidatura, existe a expectativa de que a
experiência do segundo turno resulte em maior espaço para uma renovação
geracional, especialmente diante do protagonismo assumido pelos jovens durante
a mobilização eleitoral.
“Tem
gente pedindo passagem”, afirmou uma das fontes ouvidas pela reportagem, ao
descrever o ambiente entre integrantes da campanha.
• Janones recusa título de ‘cara da
virada’ e diz que campanha de Lula reagiu à ‘covardia’
O
deputado federal André Janones (Rede), um dos destaques da campanha de Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, recusou o título de principal
responsável pela virada eleitoral. Ao chegar ao hotel onde apoiadores
comemoravam a reeleição do petista, neste domingo (25), ele afirmou que sua
atuação foi direcionada a mobilizar eleitores por meio das redes sociais e do
canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reúne mais de 10 milhões de
seguidores.
“Eu
agradeço [o título de maior nome do segundo turno], mas o nome real desta
eleição é Luiz Inácio Lula da Silva. A energia vem dele, a força vem dele. Eu
recebi a missão de canalizar isso”, declarou.
Janones
também afirmou que a campanha reagiu a ataques políticos e destacou o papel da
mobilização digital na disputa. “A gente reagiu à covardia. E mostrou que, da
mesma forma que eles se reúnem para fazer o mal e assassinar reputações, a
gente mostrou que é possível se unir para defender a democracia”, disse.
O
deputado comparou Lula ao jogador argentino Lionel Messi e afirmou que o
presidente não precisava dominar as redes sociais porque outros integrantes da
campanha poderiam atuar nesse espaço. Ele também negou ter conversado com Lula
ou com o PT sobre a possibilidade de assumir um cargo no próximo governo.
“Meu
compromisso é com a democracia e com o maior presidente que este país já teve”,
afirmou.
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Sidônio Palmeira nega pressão após primeiro turno
O
marqueteiro Sidônio Palmeira, responsável pela estratégia de comunicação da
campanha de Lula, também comemorou a vitória do petista. Ele afirmou ao g1 que
a campanha concentrou os esforços do segundo turno na apresentação de propostas
e na discussão sobre o futuro do país.
“Tudo
isso, e o povo compreendeu o que estava em jogo e deu a vitória ao presidente
Lula”, declarou, ao mencionar também a disputa política internacional e as
críticas ao grupo Bolsonaro.
Questionado
sobre as estratégias do primeiro turno, quando Lula terminou atrás de Flávio
Bolsonaro (PL), Sidônio afirmou que não sofreu pressão para mudar a condução da
campanha. Ele também confirmou ter sugerido ao presidente a proibição das
apostas esportivas, conhecidas como bets.
“Eu
sugeri ao presidente proibir as bets. E ele aceitou com a maior naturalidade.
Não senti nenhuma pressão”, afirmou.
• PT quer filiar Janones e Lula avalia
criar Secretaria de Comunicação Digital
O
deputado federal André Janones (Rede-MG) poderá assumir um cargo com status de
ministro no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além
da possibilidade de integrar a estrutura do governo federal, o parlamentar
deverá receber um convite para se filiar ao Partido dos Trabalhadores, em
reconhecimento à sua atuação na mobilização digital que ajudou a impulsionar a
campanha vitoriosa do petista.
As
articulações foram reveladas pela coluna Painel, da Folha de São Paulo, nesta
segunda-feira (26). Segundo a publicação, há uma posição majoritária entre
integrantes do PT favorável à filiação de Janones, embora ainda não exista uma
definição sobre quando e de que maneira o convite será formalizado.
A
possibilidade de incorporar o deputado ao governo também ganhou força entre
petistas que ocupam cargos na atual administração. A avaliação desses aliados é
que Janones teve uma participação relevante na campanha eleitoral,
especialmente na estratégia de comunicação pelas redes sociais, e deveria
receber um espaço na Esplanada dos Ministérios.
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Governo avalia criar secretaria especial para Janones
Uma das
alternativas discutidas nos bastidores é a criação de uma Secretaria Especial
de Comunicação Digital, com status de ministério, destinada a ampliar e
fortalecer a presença do governo federal nas plataformas digitais.
O
formato permitiria que Janones assumisse uma função de destaque no Executivo e
se licenciasse da Câmara dos Deputados sem perder seu mandato parlamentar. Ele
foi eleito deputado federal por Minas Gerais.
A
proposta ainda está em discussão e não há confirmação de que Lula tenha
decidido criar a estrutura ou convidar formalmente Janones para integrá-la.
Entre
os defensores da iniciativa, a avaliação é que a experiência do parlamentar na
comunicação política digital poderia ser aproveitada pelo governo durante o
novo mandato presidencial.
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Atuação no “Exército do Lula” fortaleceu prestígio de Janones
O
protagonismo de Janones na campanha presidencial de 2026 é apontado como um dos
principais motivos para a movimentação política em torno de seu nome.
Entre o
primeiro e o segundo turno, o deputado participou da mobilização digital de
apoiadores de Lula, em um momento de acirramento da disputa contra Flávio
Bolsonaro (PL).
Uma das
iniciativas de maior repercussão foi a criação do canal “Exército do Lula”, que
ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores e se tornou uma ferramenta
importante para a mobilização de eleitores nas redes sociais.
Segundo
a reportagem, aliados do presidente consideram que a atuação do parlamentar
contribuiu significativamente para a virada eleitoral que garantiu a vitória de
Lula no domingo (25).
Embora
reconheçam que Janones não foi individualmente responsável pelo resultado,
integrantes da base governista avaliam que ele conseguiu desenvolver uma
estratégia de comunicação digital que setores da esquerda ainda não haviam
dominado.
Essa
percepção fortaleceu a defesa de que o deputado seja incorporado à estrutura do
próximo governo, especialmente em uma função relacionada à comunicação.
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Vitória de Lula ampliou pressão por espaço no governo
A
possibilidade de Janones assumir um cargo no Executivo já era discutida por
aliados durante o segundo turno da eleição presidencial.
Naquele
momento, apoiadores argumentavam que a contribuição do deputado para a
mobilização digital deveria ser reconhecida caso Lula conquistasse a reeleição.
Com a confirmação da vitória, o número de defensores da proposta aumentou.
Um dos
primeiros sinais públicos de reconhecimento ocorreu durante a comemoração do
resultado eleitoral na Avenida Paulista, em São Paulo, quando Lula exaltou
Janones diante dos apoiadores reunidos no local.
O gesto
foi interpretado por integrantes da base governista como uma demonstração do
prestígio conquistado pelo parlamentar junto ao presidente.
• Lula avançou sobre Flávio em 97% dos
municípios brasileiros e virou em 211
O
presidente Lula (PT) avançou sobre Flávio Bolsonaro (PL) em 96,7% dos
municípios brasileiros no segundo turno em relação à primeira votação das
eleições 2026, o que ajudou na virada histórica que garantiu sua reeleição.
No
geral, Lula teve maioria de votos em 2.875 cidades do território nacional no
segundo turno, contra 2.695 de Flávio. Em apenas um município houve empate:
Marquinho (PR). O resultado representa virada de maioria para Lula em 211
cidades em relação ao primeiro turno. Apenas uma cidade registrou virada para
Flávio: Uirapuru (GO).
Entre
as viradas do petista estão duas capitais, o Rio de Janeiro, segundo maior
colégio eleitoral do país, e Macapá. Outras 20 cidades têm mais de 100 mil
habitantes –a maioria das viradas está no Sudeste (120 municípios) e no Sul
(40).
Embora
o vencedor do primeiro turno tenha se mantido na grande maioria dos locais no
segundo turno, Lula conseguiu diminuir a diferença ou ampliar sua vantagem
sobre o rival em 5.385 cidades (96,7%).
É o
caso da capital paulista, maior colégio eleitoral do país, onde Lula já havia
vencido por 46,58% a 42,13% no primeiro turno. Ele ampliou a vantagem em 6,55
pontos percentuais, ficando com 55,5% a 44,5% no segundo turno.
No
quadro geral de número absoluto de votos válidos, o candidato à reeleição
conseguiu reverter a diferença de 2,2 milhões que Flávio havia conquistado a
mais no primeiro turno e ampliar a vantagem sobre o rival em 4,4 milhões no
segundo turno.
O
estado com o maior número de cidades viradas é Minas Gerais, a única unidade
federativa em que Lula também virou a votação. Ao todo, 76 municípios mineiros
deram maioria para Flávio no primeiro turno e elegeram Lula no segundo.
Itabirito é o município brasileiro com a maior virada para o petista –ele tinha
perdido no primeiro turno por uma diferença de 4,5 pontos percentuais e ganhou
no segundo por 4,9 pontos percentuais. Outros exemplos são Tiradentes, Santa
Luiza e Guaxupé.
Depois,
vem São Paulo, com 32 municípios, entre eles Osasco, Poá, Cotia, São Vicente,
Araraquara e Ribeirão Pires.
Lajedão
(BA) é a cidade em que Lula mais abriu distância de Flávio. A vantagem passou
de 12,7 pontos percentuais na primeira rodada para 59 pontos percentuais neste
domingo.
Considerando
estados, a virada ocorreu somente em Minas, mas o petista também conseguiu
avançar nos estados em que Flávio venceu, com destaque para o Rio de Janeiro, e
ampliar sua vantagem nos estados em que já havia vencido.
A
análise da Folha com dados do TSE considera apenas os votos em território
nacional. Nas seções do exterior, Lula venceu por 53,86% dos votos válidos
contra 46,14%. No primeiro turno, o petista teve 47,57% dos votos, e o rival,
43,49%.
Nenhum
candidato que perdeu no primeiro turno havia virado a diferença no segundo
turno em eleições presidenciais. Mas nunca também a diferença entre os dois
concorrentes havia sido tão pequena no primeiro turno, votação que foi marcada
por uma abstenção também recorde.
No
segundo turno, falhas no transporte levaram a uma ampliação inédita do horário
de votação. Apesar dos problemas, a mobilização social intensa das campanhas
dos candidatos contribuiu para uma queda brusca da abstenção, que acabou sendo
a mais baixa em 20 anos.
Fonte:
Brasil 247/ICL Notícias

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