terça-feira, 27 de outubro de 2026

Jovens e bispos foram decisivos para virada, avalia campanha de Lula

A participação inédita de bispos da Igreja Católica e a mobilização de jovens nas ruas e nas redes sociais foram apontadas por integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como fatores determinantes para sua virada eleitoral e vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Segundo informações da jornalista Janaína Figueiredo, do UOL, publicadas nesta segunda-feira (26), fontes ligadas à campanha petista avaliam que o resultado foi construído principalmente por uma ampla mobilização popular, que ultrapassou os métodos tradicionais de propaganda eleitoral. A atuação de lideranças religiosas, a participação de novas gerações e o trabalho de comunicação digital foram considerados fundamentais para a recuperação eleitoral do presidente.

Um dos aspectos que mais surpreenderam integrantes da campanha foi o envolvimento de bispos na disputa presidencial. Segundo um dos interlocutores ouvidos pela reportagem, a participação dessas lideranças religiosas alcançou uma dimensão sem precedentes na história política recente do país.

“Nunca se viu um envolvimento assim dos bispos. Não se viu na ditadura, não se viu em 1989. Nunca tinha acontecido”, afirmou uma das fontes consultadas.

A avaliação é que a eleição foi decidida, sobretudo, pela capacidade de mobilizar eleitores e ampliar a participação política em um cenário de disputa acirrada. Em vez de depender prioritariamente de slogans ou das ferramentas convencionais de marketing eleitoral, a campanha apostou na presença permanente de apoiadores nas ruas e no ambiente digital.

<><> Janones e Rafael Fonteles tiveram papel crucial nas redes

A estratégia de comunicação digital foi outro elemento destacado pelos integrantes da campanha de Lula. O deputado federal André Janones e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que coordenou a comunicação da candidatura presidencial no segundo turno, tiveram participação considerada decisiva na ampliação do alcance das mensagens do presidente.

Os dois foram responsáveis por fortalecer a presença de Lula no WhatsApp e nas redes sociais, impulsionando conteúdos que circularam intensamente durante a reta final da disputa.

De acordo com as fontes ouvidas pelo UOL, os resultados dessa mobilização surpreenderam inclusive profissionais que trabalham em campanhas eleitorais do PT há mais de duas décadas.

A atuação de Janones, em particular, foi reconhecida como crucial para a estratégia de mobilização. Seus apoiadores participaram da disseminação de conteúdos digitais e da ocupação permanente das redes sociais, enquanto manifestações favoráveis ao presidente ganhavam força em diferentes regiões do país.

Na avaliação de um integrante da campanha, a combinação entre a presença nas ruas e a circulação de mensagens nas plataformas digitais contribuiu para ampliar a percepção dos riscos associados a uma eventual vitória do adversário.

“Criou um estado de comoção nacional, de medo pela eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Instalou-se o fator ‘risco Flávio Bolsonaro’. Foi algo que nunca vimos, não tem paralelo”, afirmou a fonte.

A declaração evidencia a importância atribuída pelos estrategistas petistas à mobilização de eleitores preocupados com a possibilidade de retorno do bolsonarismo ao Palácio do Planalto.

<><> Mobilização de jovens ganhou força no segundo turno

A entrada de jovens que haviam permanecido afastados da campanha durante o primeiro turno também foi apontada como um dos fatores responsáveis pela virada de Lula.

Em cidades como São Paulo, novos grupos passaram a participar de manifestações e atividades políticas em defesa da reeleição presidencial. Segundo os relatos, parte dessa mobilização ocorreu de maneira espontânea, sem depender de uma liderança centralizada.

Florianópolis foi um dos exemplos mais expressivos dessa mudança. Na capital catarinense, atos organizados por jovens reuniram mais de 60 mil pessoas em apoio ao presidente durante o segundo turno.

O número representou um crescimento expressivo em relação à mobilização registrada antes da primeira votação, quando Lula havia reunido aproximadamente 25 mil participantes na mesma cidade.

A diferença entre os dois momentos foi interpretada por integrantes da campanha como demonstração da capacidade de mobilização de setores que não haviam participado ativamente da etapa inicial da disputa.

Outro aspecto destacado foi a participação de eleitores idosos, cujo engajamento também surpreendeu e emocionou integrantes da campanha presidencial.

A combinação entre jovens e idosos contribuiu para ampliar a presença dos apoiadores de Lula nas manifestações e fortalecer o movimento em defesa de sua reeleição.

<><> Vitória abre debate sobre renovação política

O resultado eleitoral também provocou discussões sobre o futuro do governo e a necessidade de incorporar novas lideranças à estrutura política do país.

Em seu discurso após a vitória, Lula destacou os aprendizados proporcionados pela campanha e mencionou a necessidade de pensar em uma nova maneira de governar o Brasil.

Entre integrantes e apoiadores da candidatura, existe a expectativa de que a experiência do segundo turno resulte em maior espaço para uma renovação geracional, especialmente diante do protagonismo assumido pelos jovens durante a mobilização eleitoral.

“Tem gente pedindo passagem”, afirmou uma das fontes ouvidas pela reportagem, ao descrever o ambiente entre integrantes da campanha.

•        Janones recusa título de ‘cara da virada’ e diz que campanha de Lula reagiu à ‘covardia’

O deputado federal André Janones (Rede), um dos destaques da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, recusou o título de principal responsável pela virada eleitoral. Ao chegar ao hotel onde apoiadores comemoravam a reeleição do petista, neste domingo (25), ele afirmou que sua atuação foi direcionada a mobilizar eleitores por meio das redes sociais e do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que reúne mais de 10 milhões de seguidores.

“Eu agradeço [o título de maior nome do segundo turno], mas o nome real desta eleição é Luiz Inácio Lula da Silva. A energia vem dele, a força vem dele. Eu recebi a missão de canalizar isso”, declarou.

Janones também afirmou que a campanha reagiu a ataques políticos e destacou o papel da mobilização digital na disputa. “A gente reagiu à covardia. E mostrou que, da mesma forma que eles se reúnem para fazer o mal e assassinar reputações, a gente mostrou que é possível se unir para defender a democracia”, disse.

O deputado comparou Lula ao jogador argentino Lionel Messi e afirmou que o presidente não precisava dominar as redes sociais porque outros integrantes da campanha poderiam atuar nesse espaço. Ele também negou ter conversado com Lula ou com o PT sobre a possibilidade de assumir um cargo no próximo governo.

“Meu compromisso é com a democracia e com o maior presidente que este país já teve”, afirmou.

<><> Sidônio Palmeira nega pressão após primeiro turno

O marqueteiro Sidônio Palmeira, responsável pela estratégia de comunicação da campanha de Lula, também comemorou a vitória do petista. Ele afirmou ao g1 que a campanha concentrou os esforços do segundo turno na apresentação de propostas e na discussão sobre o futuro do país.

“Tudo isso, e o povo compreendeu o que estava em jogo e deu a vitória ao presidente Lula”, declarou, ao mencionar também a disputa política internacional e as críticas ao grupo Bolsonaro.

Questionado sobre as estratégias do primeiro turno, quando Lula terminou atrás de Flávio Bolsonaro (PL), Sidônio afirmou que não sofreu pressão para mudar a condução da campanha. Ele também confirmou ter sugerido ao presidente a proibição das apostas esportivas, conhecidas como bets.

“Eu sugeri ao presidente proibir as bets. E ele aceitou com a maior naturalidade. Não senti nenhuma pressão”, afirmou.

•        PT quer filiar Janones e Lula avalia criar Secretaria de Comunicação Digital

O deputado federal André Janones (Rede-MG) poderá assumir um cargo com status de ministro no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Além da possibilidade de integrar a estrutura do governo federal, o parlamentar deverá receber um convite para se filiar ao Partido dos Trabalhadores, em reconhecimento à sua atuação na mobilização digital que ajudou a impulsionar a campanha vitoriosa do petista.

As articulações foram reveladas pela coluna Painel, da Folha de São Paulo, nesta segunda-feira (26). Segundo a publicação, há uma posição majoritária entre integrantes do PT favorável à filiação de Janones, embora ainda não exista uma definição sobre quando e de que maneira o convite será formalizado.

A possibilidade de incorporar o deputado ao governo também ganhou força entre petistas que ocupam cargos na atual administração. A avaliação desses aliados é que Janones teve uma participação relevante na campanha eleitoral, especialmente na estratégia de comunicação pelas redes sociais, e deveria receber um espaço na Esplanada dos Ministérios.

<><> Governo avalia criar secretaria especial para Janones

Uma das alternativas discutidas nos bastidores é a criação de uma Secretaria Especial de Comunicação Digital, com status de ministério, destinada a ampliar e fortalecer a presença do governo federal nas plataformas digitais.

O formato permitiria que Janones assumisse uma função de destaque no Executivo e se licenciasse da Câmara dos Deputados sem perder seu mandato parlamentar. Ele foi eleito deputado federal por Minas Gerais.

A proposta ainda está em discussão e não há confirmação de que Lula tenha decidido criar a estrutura ou convidar formalmente Janones para integrá-la.

Entre os defensores da iniciativa, a avaliação é que a experiência do parlamentar na comunicação política digital poderia ser aproveitada pelo governo durante o novo mandato presidencial.

<><> Atuação no “Exército do Lula” fortaleceu prestígio de Janones

O protagonismo de Janones na campanha presidencial de 2026 é apontado como um dos principais motivos para a movimentação política em torno de seu nome.

Entre o primeiro e o segundo turno, o deputado participou da mobilização digital de apoiadores de Lula, em um momento de acirramento da disputa contra Flávio Bolsonaro (PL).

Uma das iniciativas de maior repercussão foi a criação do canal “Exército do Lula”, que ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores e se tornou uma ferramenta importante para a mobilização de eleitores nas redes sociais.

Segundo a reportagem, aliados do presidente consideram que a atuação do parlamentar contribuiu significativamente para a virada eleitoral que garantiu a vitória de Lula no domingo (25).

Embora reconheçam que Janones não foi individualmente responsável pelo resultado, integrantes da base governista avaliam que ele conseguiu desenvolver uma estratégia de comunicação digital que setores da esquerda ainda não haviam dominado.

Essa percepção fortaleceu a defesa de que o deputado seja incorporado à estrutura do próximo governo, especialmente em uma função relacionada à comunicação.

<><> Vitória de Lula ampliou pressão por espaço no governo

A possibilidade de Janones assumir um cargo no Executivo já era discutida por aliados durante o segundo turno da eleição presidencial.

Naquele momento, apoiadores argumentavam que a contribuição do deputado para a mobilização digital deveria ser reconhecida caso Lula conquistasse a reeleição. Com a confirmação da vitória, o número de defensores da proposta aumentou.

Um dos primeiros sinais públicos de reconhecimento ocorreu durante a comemoração do resultado eleitoral na Avenida Paulista, em São Paulo, quando Lula exaltou Janones diante dos apoiadores reunidos no local.

O gesto foi interpretado por integrantes da base governista como uma demonstração do prestígio conquistado pelo parlamentar junto ao presidente.

•        Lula avançou sobre Flávio em 97% dos municípios brasileiros e virou em 211

O presidente Lula (PT) avançou sobre Flávio Bolsonaro (PL) em 96,7% dos municípios brasileiros no segundo turno em relação à primeira votação das eleições 2026, o que ajudou na virada histórica que garantiu sua reeleição.

No geral, Lula teve maioria de votos em 2.875 cidades do território nacional no segundo turno, contra 2.695 de Flávio. Em apenas um município houve empate: Marquinho (PR). O resultado representa virada de maioria para Lula em 211 cidades em relação ao primeiro turno. Apenas uma cidade registrou virada para Flávio: Uirapuru (GO).

Entre as viradas do petista estão duas capitais, o Rio de Janeiro, segundo maior colégio eleitoral do país, e Macapá. Outras 20 cidades têm mais de 100 mil habitantes –a maioria das viradas está no Sudeste (120 municípios) e no Sul (40).

Embora o vencedor do primeiro turno tenha se mantido na grande maioria dos locais no segundo turno, Lula conseguiu diminuir a diferença ou ampliar sua vantagem sobre o rival em 5.385 cidades (96,7%).

É o caso da capital paulista, maior colégio eleitoral do país, onde Lula já havia vencido por 46,58% a 42,13% no primeiro turno. Ele ampliou a vantagem em 6,55 pontos percentuais, ficando com 55,5% a 44,5% no segundo turno.

No quadro geral de número absoluto de votos válidos, o candidato à reeleição conseguiu reverter a diferença de 2,2 milhões que Flávio havia conquistado a mais no primeiro turno e ampliar a vantagem sobre o rival em 4,4 milhões no segundo turno.

O estado com o maior número de cidades viradas é Minas Gerais, a única unidade federativa em que Lula também virou a votação. Ao todo, 76 municípios mineiros deram maioria para Flávio no primeiro turno e elegeram Lula no segundo. Itabirito é o município brasileiro com a maior virada para o petista –ele tinha perdido no primeiro turno por uma diferença de 4,5 pontos percentuais e ganhou no segundo por 4,9 pontos percentuais. Outros exemplos são Tiradentes, Santa Luiza e Guaxupé.

Depois, vem São Paulo, com 32 municípios, entre eles Osasco, Poá, Cotia, São Vicente, Araraquara e Ribeirão Pires.

Lajedão (BA) é a cidade em que Lula mais abriu distância de Flávio. A vantagem passou de 12,7 pontos percentuais na primeira rodada para 59 pontos percentuais neste domingo.

Considerando estados, a virada ocorreu somente em Minas, mas o petista também conseguiu avançar nos estados em que Flávio venceu, com destaque para o Rio de Janeiro, e ampliar sua vantagem nos estados em que já havia vencido.

A análise da Folha com dados do TSE considera apenas os votos em território nacional. Nas seções do exterior, Lula venceu por 53,86% dos votos válidos contra 46,14%. No primeiro turno, o petista teve 47,57% dos votos, e o rival, 43,49%.

Nenhum candidato que perdeu no primeiro turno havia virado a diferença no segundo turno em eleições presidenciais. Mas nunca também a diferença entre os dois concorrentes havia sido tão pequena no primeiro turno, votação que foi marcada por uma abstenção também recorde.

No segundo turno, falhas no transporte levaram a uma ampliação inédita do horário de votação. Apesar dos problemas, a mobilização social intensa das campanhas dos candidatos contribuiu para uma queda brusca da abstenção, que acabou sendo a mais baixa em 20 anos.

 

Fonte: Brasil 247/ICL Notícias

 

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