Só
0,03% dos votos foram registrados após as 17h no 2º turno, aponta levantamento
Apenas
0,03% dos votos analisados no segundo turno das eleições presidenciais de 2026
foram registrados após as 17h de domingo (25). O percentual corresponde a
34.330 votos em um universo de 127.697.270, segundo levantamento independente
realizado a partir dos logs públicos das urnas eletrônicas disponibilizados
pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O
estudo, atualizado às 6h40 desta segunda-feira (26), analisou registros de
497.895 das 497.897 seções eleitorais brasileiras, excluindo o exterior. A
contagem foi feita pelo responsável pelo site eleicao.kakaroto.dev e ainda
passa por verificação independente.
Os
números ganharam repercussão após o deputado federal Rogério Correia (PT-MG)
compartilhar nas redes sociais uma versão preliminar da análise, que abrangia
42,5% das seções. O parlamentar destacou o número reduzido de votos registrados
depois das 17h e afirmou que a virada eleitoral ocorreu durante o período de
votação.
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Votos após as 17h representam fração mínima do resultado
A
atualização do levantamento mostra que a quantidade de votos registrados depois
do horário oficial de encerramento representa menos de 1% da diferença de
4.430.191 votos que garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT).
Segundo
o TSE, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. Flávio
Bolsonaro (PL) terminou com 59.826.041 votos, ou 48,21%.
Os
registros analisados dizem respeito ao horário em que os eleitores concluíram a
votação, e não ao momento em que os votos foram contabilizados e divulgados
durante a apuração. Por isso, os dados não permitem determinar em que horário
ocorreu uma eventual mudança na preferência do eleitorado.
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Votação depois das 17h é permitida pela Justiça Eleitoral
O TSE
estabelece que os eleitores que já estiverem na fila às 17h têm o direito de
votar, mesmo depois do encerramento oficial. Nesses casos, os mesários
distribuem senhas para garantir a participação de quem chegou dentro do
horário.
O
levantamento também identificou que 15,9% dos votos registrados depois das 17h
tiveram habilitação sem biometria, ante 12,4% daqueles registrados antes desse
horário.
A
ausência de reconhecimento biométrico não significa irregularidade. A Justiça
Eleitoral prevê procedimentos alternativos de identificação, com conferência de
dados pessoais e mecanismos de fiscalização.
A
análise independente apresenta limitações: duas seções brasileiras estavam sem
logs disponíveis e, nos casos de substituição da urna durante a votação, foi
considerado apenas o registro do último equipamento. Os percentuais ainda não
constituem uma auditoria oficial do TSE.
Os
arquivos de votação podem ser consultados publicamente. O próprio TSE explica
como acessar os boletins e logs das urnas para fiscalização dos resultados
eleitorais.
Durante
a campanha, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro foi marcada por mudanças
nas pesquisas e mobilizações dos dois campos políticos. A Fórum acompanhou a
estratégia da campanha petista na reta final da eleição.
• Flávio Bolsonaro também pediu
prorrogação da votação; agora, alega manobra
ntes de
acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) de mudar as regras da eleição e
anunciar que tentará anular a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio
Bolsonaro (PL) pediu oficialmente a prorrogação da votação até as 19h. Não foi
apenas um pedido: duas petições apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral
(TSE), ainda durante o segundo turno de domingo (25), mostram que o candidato
também queria adiar o início da divulgação dos resultados presidenciais.
Os
documentos, aos quais a reportagem teve acesso, foram assinados eletronicamente
às 15h26 e às 15h42 pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, integrante da
equipe jurídica do candidato. Ambos foram dirigidos ao presidente do TSE,
ministro Kassio Nunes Marques, e abrangiam municípios de cinco estados: São
Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Na
noite de domingo, depois da confirmação da vitória de Lula, Flávio anunciou que
não reconheceria o resultado e recorreria à Justiça para pedir a anulação da
eleição. A justificativa apresentada foi a decisão do ministro Cristiano Zanin,
do STF, que havia permitido a continuidade da votação até as 19h nas seções
ainda abertas. A Fórum noticiou a reação do candidato derrotado.
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Flávio Bolsonaro pediu prorrogação da votação em cinco estados
O
primeiro requerimento, registrado sob o número 0603393-64.2026.6.00.0000,
solicitava a prorrogação do horário em dez municípios paulistas, incluindo a
capital, Jundiaí, Itapevi e Americana; dois municípios paranaenses, Curitiba e
Guaratuba; e cinco cidades catarinenses.
O
segundo, de número 0603394-49.2026.6.00.0000, estendia a solicitação a Belo
Horizonte, Poços de Caldas e municípios da Região Metropolitana da capital
mineira afetados por falta de energia, além de São Borja, Itaqui e Uruguaiana,
no Rio Grande do Sul.
Os
pedidos mencionavam chuvas intensas, alagamentos, bloqueios de vias,
deslizamentos e interrupções no fornecimento de energia como justificativas
para ampliar o período de votação.
Em
ambos os documentos, a defesa de Flávio sustentou que o objetivo era garantir o
exercício do voto aos eleitores impedidos de chegar às seções por
circunstâncias climáticas. Os advogados alegaram que a medida não buscava
vantagem para nenhuma candidatura, mas a participação plena do eleitorado.
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Flávio Bolsonaro também queria adiar divulgação dos resultados
Outro
trecho das petições evidencia a contradição com o discurso adotado pelo
candidato depois da derrota. A defesa de Flávio reconheceu expressamente que a
medida poderia atrasar em até duas horas a divulgação do resultado presidencial
e considerou esse efeito aceitável.
Na
fundamentação apresentada ao TSE, os advogados escreveram:
“O
custo da medida é conhecido e limitado: atraso de até duas horas no início da
divulgação dos resultados da eleição presidencial, sem qualquer prejuízo à
recepção e à totalização dos boletins das seções encerradas às 17h.”
Não se
tratava apenas de reconhecer essa possibilidade. No item “g” dos pedidos, a
defesa requereu expressamente que a divulgação dos resultados da eleição
presidencial começasse somente depois do encerramento da votação nos locais
abrangidos.
Os dois
documentos podem ser consultados no sistema oficial da Justiça Eleitoral:
primeiro requerimento, sobre São Paulo, Paraná e Santa Catarina, e segundo
requerimento, sobre Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
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Após derrota para Lula, Flávio questiona mudança que também solicitou
Apesar
dos pedidos apresentados por sua própria defesa, Flávio Bolsonaro mudou o tom
após a confirmação da vitória de Lula. Em pronunciamento na noite de domingo, o
senador afirmou que era impossível reconhecer o resultado e anunciou que
acionaria sua equipe jurídica para tentar invalidar o pleito.
“Não
vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo”, declarou o candidato
derrotado, ao responsabilizar o ministro Cristiano Zanin pela prorrogação.
Flávio
alegou que a decisão representou quebra de isonomia entre eleitores de
diferentes localidades. O coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN),
também criticou a intervenção do STF e falou em possível golpe judicial e
manobra administrativa.
Existe
uma distinção entre os procedimentos: os requerimentos apresentados por Flávio
ao TSE buscavam uma extensão localizada, principalmente por problemas causados
pelas chuvas. A decisão de Zanin ocorreu em outro procedimento, impulsionado
por denúncias de dificuldades de transporte de eleitores e com abrangência
inicialmente nacional.
O
próprio TSE esclareceu posteriormente que a prorrogação só seria aplicada às
seções que ainda não haviam encerrado a votação às 17h. As urnas já fechadas
não seriam reabertas, e a totalização dos votos seria retomada depois das 19h.
A explicação foi divulgada em nota oficial da Justiça Eleitoral.
A Fórum
também explicou os limites estabelecidos pelo STF e pelo TSE para a aplicação
da medida.
Os
documentos demonstram, portanto, que a ampliação do horário de votação e o
adiamento da divulgação dos resultados, posteriormente utilizados por Flávio
para contestar o segundo turno, já constavam de solicitações formuladas pela
própria defesa do candidato antes do encerramento das urnas.
• TSE desmente Flávio Bolsonaro sobre
expulsão de fiscais do PL da sala-cofre
Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) desmentiu, na noite do domingo (25), a declaração do
senador e candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) de que fiscais do seu
partido teriam sido retirados da sala-cofre da Corte durante a apuração das
eleições 2026. O TSE classificou a afirmação como falsa, esclareceu que o
espaço não é aberto a nenhuma visitação e apresentou registros de presença e
filmagens que comprovam o acesso dos representantes do PL às áreas destinadas à
fiscalização. Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por
51,79% a 48,21%, Flávio não reconheceu o resultado e anunciou que pedirá a
anulação da votação.
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A alegação de Flávio Bolsonaro
Em
discurso rápido após a proclamação do resultado, Flávio Bolsonaro lançou uma
acusação grave e sem provas. “Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro
da sala-cofre a partir do momento que essa decisão foi tomada. Então tem muita
coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa
sacanagem que ocorreu agora nessas eleições”, afirmou o senador.
A
declaração veio acompanhada da recusa em reconhecer a vitória de Lula e do
anúncio de que o PL acionará a Justiça para tentar anular a votação. Flávio
também atacou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal
Federal, de prorrogar por duas horas o horário de encerramento da votação,
chamando-a de interferência inaceitável de um “ex-advogado do Lula” sobre a
Justiça Eleitoral. O detalhe que Flávio omitiu: a própria campanha do PL havia
solicitado a extensão do horário em alguns municípios, assim como o PT.
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A resposta do TSE
O TSE
foi direto ao ponto: a afirmação de Flávio Bolsonaro é falsa. Em nota, o
Tribunal explicou que a sala-cofre não é um espaço aberto à visitação, por
nenhuma parte, em nenhuma circunstância. A fiscalização do processo eleitoral
ocorre em outras dependências da Corte, especificamente criadas para esse fim.
Segundo
o TSE, dois fiscais do PL estiveram presentes na sede do Tribunal durante todo
o domingo e acompanharam o Teste de Integridade das Urnas, realizado no subsolo
do prédio, além da totalização dos votos e da divulgação dos resultados na Sala
de Totalização. Os representantes do partido também visitaram a Sala dos
Partidos Políticos, no 5º andar. “Há registro de presença nos locais visitados,
além de filmagem na Sala de Totalização, que comprovam o acesso livre dos
fiscais às unidades do TSE”, afirmou o Tribunal em nota.
“A
sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação. Todas as demais unidades
e áreas do Tribunal, como a Sala de Totalização, podem ser visitadas por
fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e membros do
Ministério Público, entre outros, que acompanham, de lá, desde o início, a
totalização e a divulgação dos resultados do pleito.”
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Contexto da desinformação
A
acusação de Flávio se encaixa num padrão já conhecido de questionamento
sistemático do processo eleitoral por figuras ligadas à campanha derrotada,
mesmo quando os fatos apontam na direção oposta. O próprio ministro Kassio
Nunes Marques, presidente do TSE e indicado ao STF pelo ex-presidente Jair
Bolsonaro, declarou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral” ao
anunciar o resultado. A Procuradoria-Geral da República também reconheceu a
validade e a segurança do pleito.
A
narrativa sobre os fiscais expulsos foi rapidamente amplificada por redes
bolsonaristas antes de qualquer verificação, seguindo o mesmo roteiro de 2022:
lançar a suspeita, mobilizar a base e criar fatos políticos a partir de
alegações sem respaldo. O objetivo não é provar uma fraude nos tribunais, onde
as evidências são exigidas. É semear a desconfiança nas instituições e manter a
disputa política acesa mesmo após a decisão das urnas.
Fonte:
Fórum

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