terça-feira, 27 de outubro de 2026

Só 0,03% dos votos foram registrados após as 17h no 2º turno, aponta levantamento

Apenas 0,03% dos votos analisados no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foram registrados após as 17h de domingo (25). O percentual corresponde a 34.330 votos em um universo de 127.697.270, segundo levantamento independente realizado a partir dos logs públicos das urnas eletrônicas disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O estudo, atualizado às 6h40 desta segunda-feira (26), analisou registros de 497.895 das 497.897 seções eleitorais brasileiras, excluindo o exterior. A contagem foi feita pelo responsável pelo site eleicao.kakaroto.dev e ainda passa por verificação independente.

Os números ganharam repercussão após o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) compartilhar nas redes sociais uma versão preliminar da análise, que abrangia 42,5% das seções. O parlamentar destacou o número reduzido de votos registrados depois das 17h e afirmou que a virada eleitoral ocorreu durante o período de votação.

<><> Votos após as 17h representam fração mínima do resultado

A atualização do levantamento mostra que a quantidade de votos registrados depois do horário oficial de encerramento representa menos de 1% da diferença de 4.430.191 votos que garantiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o TSE, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) terminou com 59.826.041 votos, ou 48,21%.

Os registros analisados dizem respeito ao horário em que os eleitores concluíram a votação, e não ao momento em que os votos foram contabilizados e divulgados durante a apuração. Por isso, os dados não permitem determinar em que horário ocorreu uma eventual mudança na preferência do eleitorado.

<><> Votação depois das 17h é permitida pela Justiça Eleitoral

O TSE estabelece que os eleitores que já estiverem na fila às 17h têm o direito de votar, mesmo depois do encerramento oficial. Nesses casos, os mesários distribuem senhas para garantir a participação de quem chegou dentro do horário.

O levantamento também identificou que 15,9% dos votos registrados depois das 17h tiveram habilitação sem biometria, ante 12,4% daqueles registrados antes desse horário.

A ausência de reconhecimento biométrico não significa irregularidade. A Justiça Eleitoral prevê procedimentos alternativos de identificação, com conferência de dados pessoais e mecanismos de fiscalização.

A análise independente apresenta limitações: duas seções brasileiras estavam sem logs disponíveis e, nos casos de substituição da urna durante a votação, foi considerado apenas o registro do último equipamento. Os percentuais ainda não constituem uma auditoria oficial do TSE.

Os arquivos de votação podem ser consultados publicamente. O próprio TSE explica como acessar os boletins e logs das urnas para fiscalização dos resultados eleitorais.

Durante a campanha, a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro foi marcada por mudanças nas pesquisas e mobilizações dos dois campos políticos. A Fórum acompanhou a estratégia da campanha petista na reta final da eleição.

•        Flávio Bolsonaro também pediu prorrogação da votação; agora, alega manobra

ntes de acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) de mudar as regras da eleição e anunciar que tentará anular a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) pediu oficialmente a prorrogação da votação até as 19h. Não foi apenas um pedido: duas petições apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda durante o segundo turno de domingo (25), mostram que o candidato também queria adiar o início da divulgação dos resultados presidenciais.

Os documentos, aos quais a reportagem teve acesso, foram assinados eletronicamente às 15h26 e às 15h42 pela advogada Maria Claudia Bucchianeri, integrante da equipe jurídica do candidato. Ambos foram dirigidos ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e abrangiam municípios de cinco estados: São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Na noite de domingo, depois da confirmação da vitória de Lula, Flávio anunciou que não reconheceria o resultado e recorreria à Justiça para pedir a anulação da eleição. A justificativa apresentada foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, que havia permitido a continuidade da votação até as 19h nas seções ainda abertas. A Fórum noticiou a reação do candidato derrotado.

<><> Flávio Bolsonaro pediu prorrogação da votação em cinco estados

O primeiro requerimento, registrado sob o número 0603393-64.2026.6.00.0000, solicitava a prorrogação do horário em dez municípios paulistas, incluindo a capital, Jundiaí, Itapevi e Americana; dois municípios paranaenses, Curitiba e Guaratuba; e cinco cidades catarinenses.

O segundo, de número 0603394-49.2026.6.00.0000, estendia a solicitação a Belo Horizonte, Poços de Caldas e municípios da Região Metropolitana da capital mineira afetados por falta de energia, além de São Borja, Itaqui e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

Os pedidos mencionavam chuvas intensas, alagamentos, bloqueios de vias, deslizamentos e interrupções no fornecimento de energia como justificativas para ampliar o período de votação.

Em ambos os documentos, a defesa de Flávio sustentou que o objetivo era garantir o exercício do voto aos eleitores impedidos de chegar às seções por circunstâncias climáticas. Os advogados alegaram que a medida não buscava vantagem para nenhuma candidatura, mas a participação plena do eleitorado.

<><> Flávio Bolsonaro também queria adiar divulgação dos resultados

Outro trecho das petições evidencia a contradição com o discurso adotado pelo candidato depois da derrota. A defesa de Flávio reconheceu expressamente que a medida poderia atrasar em até duas horas a divulgação do resultado presidencial e considerou esse efeito aceitável.

Na fundamentação apresentada ao TSE, os advogados escreveram:

“O custo da medida é conhecido e limitado: atraso de até duas horas no início da divulgação dos resultados da eleição presidencial, sem qualquer prejuízo à recepção e à totalização dos boletins das seções encerradas às 17h.”

Não se tratava apenas de reconhecer essa possibilidade. No item “g” dos pedidos, a defesa requereu expressamente que a divulgação dos resultados da eleição presidencial começasse somente depois do encerramento da votação nos locais abrangidos.

Os dois documentos podem ser consultados no sistema oficial da Justiça Eleitoral: primeiro requerimento, sobre São Paulo, Paraná e Santa Catarina, e segundo requerimento, sobre Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

<><> Após derrota para Lula, Flávio questiona mudança que também solicitou

Apesar dos pedidos apresentados por sua própria defesa, Flávio Bolsonaro mudou o tom após a confirmação da vitória de Lula. Em pronunciamento na noite de domingo, o senador afirmou que era impossível reconhecer o resultado e anunciou que acionaria sua equipe jurídica para tentar invalidar o pleito.

“Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo”, declarou o candidato derrotado, ao responsabilizar o ministro Cristiano Zanin pela prorrogação.

Flávio alegou que a decisão representou quebra de isonomia entre eleitores de diferentes localidades. O coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL-RN), também criticou a intervenção do STF e falou em possível golpe judicial e manobra administrativa.

Existe uma distinção entre os procedimentos: os requerimentos apresentados por Flávio ao TSE buscavam uma extensão localizada, principalmente por problemas causados pelas chuvas. A decisão de Zanin ocorreu em outro procedimento, impulsionado por denúncias de dificuldades de transporte de eleitores e com abrangência inicialmente nacional.

O próprio TSE esclareceu posteriormente que a prorrogação só seria aplicada às seções que ainda não haviam encerrado a votação às 17h. As urnas já fechadas não seriam reabertas, e a totalização dos votos seria retomada depois das 19h. A explicação foi divulgada em nota oficial da Justiça Eleitoral.

A Fórum também explicou os limites estabelecidos pelo STF e pelo TSE para a aplicação da medida.

Os documentos demonstram, portanto, que a ampliação do horário de votação e o adiamento da divulgação dos resultados, posteriormente utilizados por Flávio para contestar o segundo turno, já constavam de solicitações formuladas pela própria defesa do candidato antes do encerramento das urnas.

•        TSE desmente Flávio Bolsonaro sobre expulsão de fiscais do PL da sala-cofre

Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desmentiu, na noite do domingo (25), a declaração do senador e candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL) de que fiscais do seu partido teriam sido retirados da sala-cofre da Corte durante a apuração das eleições 2026. O TSE classificou a afirmação como falsa, esclareceu que o espaço não é aberto a nenhuma visitação e apresentou registros de presença e filmagens que comprovam o acesso dos representantes do PL às áreas destinadas à fiscalização. Derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 51,79% a 48,21%, Flávio não reconheceu o resultado e anunciou que pedirá a anulação da votação.

<><> A alegação de Flávio Bolsonaro

Em discurso rápido após a proclamação do resultado, Flávio Bolsonaro lançou uma acusação grave e sem provas. “Os nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que essa decisão foi tomada. Então tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer essa sacanagem que ocorreu agora nessas eleições”, afirmou o senador.

A declaração veio acompanhada da recusa em reconhecer a vitória de Lula e do anúncio de que o PL acionará a Justiça para tentar anular a votação. Flávio também atacou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar por duas horas o horário de encerramento da votação, chamando-a de interferência inaceitável de um “ex-advogado do Lula” sobre a Justiça Eleitoral. O detalhe que Flávio omitiu: a própria campanha do PL havia solicitado a extensão do horário em alguns municípios, assim como o PT.

<><> A resposta do TSE

O TSE foi direto ao ponto: a afirmação de Flávio Bolsonaro é falsa. Em nota, o Tribunal explicou que a sala-cofre não é um espaço aberto à visitação, por nenhuma parte, em nenhuma circunstância. A fiscalização do processo eleitoral ocorre em outras dependências da Corte, especificamente criadas para esse fim.

Segundo o TSE, dois fiscais do PL estiveram presentes na sede do Tribunal durante todo o domingo e acompanharam o Teste de Integridade das Urnas, realizado no subsolo do prédio, além da totalização dos votos e da divulgação dos resultados na Sala de Totalização. Os representantes do partido também visitaram a Sala dos Partidos Políticos, no 5º andar. “Há registro de presença nos locais visitados, além de filmagem na Sala de Totalização, que comprovam o acesso livre dos fiscais às unidades do TSE”, afirmou o Tribunal em nota.

“A sala-cofre do TSE não é um espaço aberto à visitação. Todas as demais unidades e áreas do Tribunal, como a Sala de Totalização, podem ser visitadas por fiscais de partidos, observadores internacionais, advogados e membros do Ministério Público, entre outros, que acompanham, de lá, desde o início, a totalização e a divulgação dos resultados do pleito.”

<><> Contexto da desinformação

A acusação de Flávio se encaixa num padrão já conhecido de questionamento sistemático do processo eleitoral por figuras ligadas à campanha derrotada, mesmo quando os fatos apontam na direção oposta. O próprio ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE e indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral” ao anunciar o resultado. A Procuradoria-Geral da República também reconheceu a validade e a segurança do pleito.

A narrativa sobre os fiscais expulsos foi rapidamente amplificada por redes bolsonaristas antes de qualquer verificação, seguindo o mesmo roteiro de 2022: lançar a suspeita, mobilizar a base e criar fatos políticos a partir de alegações sem respaldo. O objetivo não é provar uma fraude nos tribunais, onde as evidências são exigidas. É semear a desconfiança nas instituições e manter a disputa política acesa mesmo após a decisão das urnas.

 

Fonte: Fórum

 

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