quinta-feira, 28 de março de 2024


 

Salvio Kotter: Caso Marielle - A casa caiu pra muita gente

Como o Luís Nassif tem apontado com extrema consistência, o caso Marielle parece carecer de uma resolução efetiva, a possibilidade de envolvimento da família Bolsonaro, não só mandando mandar matar, mas atuando diretamente é altíssima, quase certa. Contudo, no último domingo houve as prisões e a divulgação do relatório da Polícia Federal. Neste artigo pretendo sumarizar o que houve de mais direto nas revelações deste domingo, funalizando o tanto quanto possível.

Braga Netto

·        Desconsideração de Advertências

Na posição de interventor na Segurança Pública do Rio de Janeiro, o general Walter Braga Netto (ou Brega Natto, como prefere o sempre impagável Chico Pinheiro) tomou uma direção polêmica ao fazer vista grossa às advertências concernentes a Rivaldo Barbosa. Antes mesmo de sua indicação para o comando da Secretaria de Polícia Civil, em março de 2018, já circulavam rumores acerca de supostos vínculos de Rivaldo com milícias. O delegado da Polícia Federal Fábio Galvão, à época subsecretário de Inteligência, destacou-se como um previdente conselheiro, sinalizando a Braga Netto os riscos envolvidos.

·        Repercussões Não Antecipadas

A reação de Braga Netto às advertências superou a mera omissão. Não somente seguiu adiante com a designação de Barbosa como, em uma atitude possivelmente retributiva, destituiu, exonerou Fábio Galvão. O afastamento ocorreu posteriormente à nomeação de Barbosa, que se deu na iminência do lamentável homicídio de Marielle Franco, imprimindo ao ocorrido um emaranhado de complexidade e desconfiança. Em contrapartida, Galvão não ficou relegado ao esquecimento, ascendendo, mais tarde, a uma posição proeminente na Polícia Federal.

·        Intrincados Deveres

A trama torna-se ainda mais complexa ao levarmos em conta que Braga Netto, agora implicado em investigações sobre uma tentativa de subversão da ordem democrática, lida com vicissitudes semelhantes nesse episódio de destituição. Nem Braga Netto nem seus conselheiros assumiram plenamente a responsabilidade pela instalação de Barbosa. Tal decisão tem sido atribuída a Richard Nunes, então secretário de Segurança Pública, configurando um labirinto de responsabilidades e escolhas discutíveis.

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·        Robson Calixto / Malafaia

# Relatos Reveladores

As vozes que ecoam através do serviço “disque-denúncia” do Rio de Janeiro iluminam as tenebrosas conexões político-milicianas. Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e personagem proeminente neste enredo, encontra-se cercado por alegações sérias. Revela-se que Robson Calixto, seu assessor, não apenas cultivava laços estreitos com o universo da milícia, mas desempenhava um papel crucial ao facilitar encontros com Ronnie Lessa, o executor da vereadora Marielle Franco.

>>> Encontros Programados

Da mesma forma, os padrões relativos à hora e ao local dos encontros de Robson, conhecido como “o Peixe”, indicam um esquema cuidadosamente urdido. Ele era regularmente observado, a cada quinzena — nos dias 15 e 30 —, em uma igreja evangélica associada a Silas Malafaia, localizada na Zona Oeste do Rio, nas imediações da UPP da Taquara. Nesse local, “o Peixe” aparentava receber vultosas somas, presumivelmente oriundas da exploração miliciana da área, corroborando as suspeitas sobre seu envolvimento nestas atividades ilícitas.

>>> A Dimensão “Protetora”

Além disso, o escopo das atuações de Robson transcendia meras transações pecuniárias. As acusações o apresentam como um “segurança informal” de Domingos Brazão, frequentemente armado e destinado, ao que tudo indica, a assegurar a integridade e a privacidade do conselheiro do TCE-RJ.

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·        Ricardo Abraão / Jogo do bicho

# Promoção Sob Controvérsia

Ricardo Abraão, estando na condição de suplente pelo União Brasil, ascendeu ao posto de deputado federal em virtude da prisão de Chiquinho Brazão, envolvido nas investigações que tangem ao trágico assassinato da vereadora Marielle Franco. O novel deputado, além de suas conexões políticas, carrega um lastro familiar de notoriedade: é sobrinho de Anísio Abraão David, figura emblemática na hierarquia do jogo do bicho no Rio de Janeiro. Esta ligação, aliada ao seu desempenho na presidência da escola de samba Beija-Flor, projeta sobre sua trajetória política uma luz tão reluzente quanto enigmática.

>>> Trajetória Política e Influência Social

O itinerário político e social percorrido por Ricardo Abrão no panorama carioca é notável. Atuando como secretário de ação comunitária na municipalidade, já pavimentou sua história política com dois mandatos como deputado estadual. Sua experiência anterior em Brasília, ainda como suplente, evidencia uma familiaridade com as dinâmicas intrincadas do poder legislativo brasileiro, prenunciando uma habilidade para manobrar no jogo político nacional.

>>> Rede de Conexões e Perspectivas

As relações de Abrão, tanto com a Beija-Flor quanto com Anísio Abraão David, introduzem matizes peculiares ao seu perfil político. A influência notória de Anísio no âmbito do jogo do bicho, assim como o seu prestígio na sociedade do Rio, poderá desempenhar um papel significativo na condução do mandato de Abrão na Câmara dos Deputados. Este movimento na configuração do poder não representa meramente uma alternância de posições, mas sugere um potencial redimensionamento das forças políticas e sociais na metrópole carioca.

>>> Opor-se ao Desafio das Antigas Sombras

Com expectativas múltiplas e encruzilhadas a desbravar, Ricardo Abrão se depara com o desafio de representar o Rio de Janeiro no legislativo federal, equilibrando-se na corda bamba que separa as responsabilidades inerentes ao cargo das sombras de seu legado familiar e das suas conexões. A maneira pela qual conseguirá harmonizar seu passado com as demandas atuais de sua função legislativa será crucial para definir o trajeto de sua carreira na esfera política nacional.

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·        Rivaldo Barbosa / Escândalo milionário / Giniton Lages

# O Desvendamento do Esquema

A operação da Polícia Federal (PF) pôs a descoberto um intrincado esquema de corrupção, tendo como figura central o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCRJ) Rivaldo Barbosa. A acusação que pesa contra ele, relativa aos vínculos com o trágico caso de Marielle Franco, apenas agrava o cenário. De acordo com o relatório da PF, enquanto liderava a Delegacia de Homicídios, Barbosa era beneficiário de uma “mesada” da ordem de até R$ 300 mil, paga pela milícia. Este suborno tinha como finalidade obstruir as investigações de homicídios, perpetuando um quadro de impunidade e corrupção dominante.

# Desnudando a Rede de Corrupção

As investigações da PF, sobretudo por meio da Operação Murder Inc., trouxeram à luz os mecanismos operacionais e financeiros das milícias cariocas. Testemunhos, incluindo os prestativos pelo miliciano Orlando Curicica, descortinaram o fluxo regular de altas quantias monetárias para os bolsos de autoridades. Tal fluxo assegurava a invisibilidade dos crimes milicianos diante da justiça.

# Repercussões e Reflexões

A exposição desse esquema de “mesadas” impõe um questionamento sério sobre a probidade das instituições destinadas a assegurar a ordem e a justiça no Rio de Janeiro. A detenção de Barbosa sublinha não somente a seriedade dos atos corruptos em que se imiscuiu, mas também elucida o alarmante grau de influência que as milícias exercem sobre as estruturas policiais.

# Rumo a um Futuro de Integridade

O escândalo que envolve a delegacia liderada por Rivaldo Barbosa instiga uma profunda desconfiança pública nas forças de autoridade, convocando o sistema de justiça a operar com mais rigor e transparência. A profunda corrupção desvelada demanda uma resposta institucional assertiva, requerendo reformas abrangentes e um combate resiliente à impunidade que, até então, tem dominado o enfrentamento às milícias no Rio de Janeiro.

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·        Estratégias de Rivaldo no Dossiê Marielle

# Táticas de Obstrução

Rivaldo Barbosa, ex-líder da Polícia Civil do Rio de Janeiro, encontra-se sob o foco das acusações por adotar estratégias bastante controversas em relação ao caso que abalou o país: o assassinato de Marielle Franco. Segundo investigações realizadas pela Polícia Federal (PF), houve ação deliberada de Barbosa ao “conceder” uma promoção ao delegado Giniton Lages, com o claro objetivo de estagnar as investigações desse crime hediondo. De acordo com a PF, essa manobra foi orquestrada em um momento decisivo, precisamente às vésperas da conclusão da intervenção federal no Rio de Janeiro.

# Cenário de Desvios

Durante o período da intervenção federal, no qual Rivaldo Barbosa assumiu o papel de chefe da PCRJ, o estado atravessava uma era marcada por turbulências no setor de segurança pública. O lapso temporal que testemunhou os assassinatos de Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes, sob a supervisão de Barbosa, trouxe ao holofote questionamentos acerca da integridade das práticas internas da corporação e dos indícios de obstrução e corrupção que cercam o caso.

# Promoção Sob Suspeita

A elevação de Giniton Lages a uma posição superior, caracterizada pela Polícia Federal como atípica, ressalta um possível intento de Barbosa em evitar que a investigação do caso Marielle alcançasse profundidade em seus achados. Essa manobra estratégica, efetuada na iminência do término da intervenção federal, indica uma manipulação visando preservar detalhes ocultos do crime e suas ramificações políticas e institucionais.

# Implicações

Para a Justiça Com este ato trazido à tona pela PF, evidencia-se os obstáculos enfrentados pelas autoridades judiciais e forças de segurança na luta contra a impunidade e na diligência por justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes. A promoção de Lages, neste enquadramento, transcende uma mera decisão administrativa, figurando como elemento de um intrincado jogo de poder, influência e obstrução à justiça.

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·        Ascensão e Queda de Rivaldo

Rivaldo Barbosa, ao assumir a chefia da Polícia Civil do Rio de Janeiro, encontrou-se imediatamente no olho do furacão com o assassinato de Marielle Franco, ocorrendo sob sua recente gestão. A nomeação de Giniton Lages para liderar a investigação, seguida por uma progressão de eventos que levaram ao questionamento da eficácia e integridade das investigações, pinta um quadro de intriga e suspeitas.

# Condecoração Questionada

A Medalha do Pacificador, conferida a Rivaldo Barbosa pelo Exército Brasileiro, surge como um ponto de grande ironia e polêmica, especialmente considerando as subsequentes acusações de corrupção e obstrução de justiça. Essa honraria, destinada a reconhecer “relevantes serviços ao Exército”, foi entregue em um contexto em que a competência e moralidade de Barbosa estavam sob intensa escrutinação.

# Investigações e Acusações

As acusações contra Barbosa e o sistema que o promoveu são severas, incluindo tentativas de sabotagem nas investigações do caso Marielle e a proteção aos verdadeiros criminosos. O depoimento do miliciano Orlando de Curicica, implicando Rivaldo e a cúpula da Polícia Civil, adiciona camadas de complexidade ao caso, revelando potenciais conflitos e contradições dentro da própria estrutura investigativa.

# Intervenção e Consequências

A Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio, liderada por figuras como Walter Braga Netto, é um pano de fundo crucial para entender a promoção e permanência de Rivaldo e Giniton em posições de poder. A ironia da nomeação de Lages para um intercâmbio sobre combate a máfias na Itália, após sua gestão das investigações do caso Marielle, ressalta as controvérsias e o ceticismo em torno das ações e decisões tomadas durante e após a intervenção.

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·        Erika e Rivaldo / Luxo e Lavagem de Dinheiro

# Ascensão Financeira Sob Suspeita

Erika, esposa do ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, viu sua renda aumentar exponencialmente, um crescimento que a Polícia Federal (PF) descreve como suspeito e atípico. Com uma elevação de 1.444% na renda anual, chegando a R$ 927 mil, a vida financeira de Erika se tornou objeto de investigação, especialmente no contexto da aquisição de imóveis de alto valor.

# Lavagem de Dinheiro e Corrupção

As operações financeiras de Erika, marcadas por depósitos em espécie e falta de transparência quanto à origem dos fundos, indicam práticas clássicas de lavagem de dinheiro. Com saques vultosos, como o de R$ 880 mil, e movimentações que somam mais de R$ 6,5 milhões em um período de cinco anos, as atividades financeiras do casal despertaram a atenção dos investigadores.

# A Empresa como Fachada

A PF aponta que as empresas de Erika, usadas para canalizar os recursos ilícitos, serviam de fachada para ocultar a verdadeira natureza dos ganhos. O envolvimento de Erika nas atividades financeiras, alegadamente como “inspetora de qualidade”, contrasta com seu salário anterior na Prefeitura do Rio, evidenciando uma discrepância significativa entre sua renda declarada e os valores movimentados.

# Uma Rede Criminosa

O relatório da PF delineia um quadro em que Rivaldo Barbosa, utilizando-se de sua posição e influência, teria estabelecido uma “organização criminosa” dentro da própria instituição policial. Com a colaboração de Erika e outros associados, essa rede teria garantido a impunidade e a continuidade das operações ilícitas, incluindo a obstrução das investigações do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

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Novos nomes e novos fatos fatalmente surgirão. Contudo, neste apanhado pretendo ter apontado o que há de mais fulcral e necessário saber para entender a quantas andamos no atual momento.

 

Fonte: Jornal GGN


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