Igualdade, defesa dos pobres: o que Jesus
ensinou sobre direitos humanos?
Na Sexta-Feira Santa,
cristãos de todo o mundo celebram a paixão e a morte de Cristo. Considerada uma
das datas mais importantes da tradição cristã, o feriado é conhecido pelas
procissões que tomam as ruas do Brasil, além de rituais que envolvem a
abstinência de carne vermelha.
Ao rememorarem a
crucificação de Jesus, os cristãos revivem o ato que marca, segundo a Bíblia, a
morte daquele que buscou libertar a humanidade de seus pecados.
Aproveitando esta
data, a partir do livro "Jesus e os Direitos Humanos", organizado e
coordenado pelos teólogos Ronilso Pacheco e João Luiz Moura, elaboramos uma
lista de passagens bíblicas que inspiram a lutar em prol da igualdade e contra
as injustiças nesta Páscoa.
·
Defesa dos pobres e marginalizados
Segundo a Bíblia,
Jesus Cristo deu para todos os outros que o seguiam a tarefa de apartar os
pobres, os marginalizados e indesejados pela sociedade. Tendo em vista essa
missão, Cristo via a todos como iguais e desejava que fosse dado um tratamento
mais cuidadoso a quem fosse mais necessitado.
Tal passagem se
assemelha ao artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: "Todos
os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos". Jesus
critica quem opta por dar dízimos, mas deixa de combater, como pode, as
injustiças e desigualdades (Lucas 11:42). Além disso, condena o acúmulo de
riquezas, principalmente advindas de roubos (Lucas 19:8-10).
O artigo 25 do
documento da ONU (Organização das Nações Unidas) também aborda a questão das
desigualdades, afirmando que: "Todo ser humano tem direito a um padrão de
vida capaz de assegurar a si e à sua família saúde, bem-estar, inclusive
alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos", entre outros.
“O Espírito do Senhor
está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele me
enviou para proclamar liberdade aos presos e recuperação da vista aos cegos,
para libertar os oprimidos e proclamar o ano da graça do Senhor.” - Lucas
4:18-19
“Mas ai de vós,
fariseus! Porque dais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças e
desprezais a justiça e o amor de Deus; devíeis, porém, fazer estas coisas, sem
omitir aquelas.” - Lucas 11:42
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A igualdade de direitos na Bíblia
Segundo os artigos 7,
9, 10 e 11 da Declaração dos Direitos Humanos, todas as pessoas devem ser
julgadas por um tribunal isento, o qual deve garantir seus direitos. Elas
também não podem ser presas arbitrariamente, pois são inocentes até que se
prove o contrário. Essa premissa de que todos, independentemente de sua origem,
devem ser tratados com direitos também está na Bíblia.
Além disso, em Mateus
25:36, Jesus fala mais uma vez da pessoa em situação de encarceramento e bendiz
seu acolhimento. Ou seja, ele não prega o abandono e esquecimento de quem está
nas prisões. Muito pelo contrário, prega sua humanidade.
“Como insistissem na
pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: aquele que dentre vós estiver sem
pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.” - João 8:7
“Necessitei de roupas,
e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e
vocês me visitaram.” - Mateus 25:36
Desde que não ofenda,
incite algum tipo de crime ou ameace outra pessoa, todos possuem o direito à
liberdade de opinião, mesmo que ela provoque divergências — é isso que diz a
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para Jesus, isso também era válido.
Ao contrário de silenciar, agredir ou incitar ódio aos que discordavam de seus
seguidores, ele os ensinava a amá-los (Mateus 5:44).
·
Muro na fronteira? Jesus pregou acolher
estrangeiros
A nacionalidade e os
direitos dos estrangeiros foram abordados por Jesus Cristo no Novo Testamento e
estão presentes nos artigos 14 e 15 da Declaração dos Direitos Humanos. Para
Jesus, assim como para a declaração, os estrangeiros devem ter seus direitos
garantidos e devem ser acolhidos.
“Pois eu tive fome, e
vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro,
e vocês me acolheram.” - Maeus 25:35
“Eu, porém, vos digo:
Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos
odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos
do vosso Pai que estás no céu.” - Mateus
5:44
Cabe ao artigo 5 da
Declaração Universal dos Direitos Humanos o seguinte: "Ninguém será
submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou
degradante". O Novo Testamento mostra uma sociedade violenta na qual Jesus
vivia, em que tais práticas eram comuns, até mesmo a pena de morte. Cristo,
contudo, não defendia a tortura e nem a resistência armada.
Entre as liberdades
individuais contempladas na Declaração Universal dos Direitos Humanos, está a
liberdade religiosa. Sabe quem também defendia a liberdade religiosa? Sim,
Jesus!
Disse-lhe Jesus:
'Guarde a espada! Pois todos os que empunham a espada, pela espada morrerão' - Mateus
26:52.
Fonte: UOL
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