ENTRE
O PODER E A LEGITIMIDADE: O papel atual dos mediadores invisíveis
No dia
08 de outubro, o presidente estadunidense anunciou que a primeira fase do plano
de paz para Gaza havia sido aceita. O comunicado, transmitido com o já habitual
tom heroico de Trump, selava um cessar-fogo entre Israel e Hamas com a troca de
reféns e prisioneiros, dois anos após o início do conflito. Ainda que precário,
o acordo marca um novo triunfo da estratégia de diplomacia norte-americana para
controlar a estabilidade regional no Oriente Médio, iniciada ainda no primeiro
mandato do atual presidente com os Acordos de Abraão (2020).
O
episódio marca, também, uma espécie de releitura contemporânea de uma
ferramenta estrutural do poder norte-americano dos anos 1970. No contexto do
mais midiático conflito armado da atualidade, um desfecho momentâneo entre
blocos historicamente inconciliáveis foi construído no silêncio. Por força de
Washington, no centro das negociações para a questão de Gaza estavam nomes como
Jared Kushner e Steve Witkoff. Ao invés de funcionários de carreira, os
enviados especiais da Casa Branca para a mediação do conflito eram empresários
sem qualquer treinamento diplomático, mas com profundos laços pessoais e
econômicos na região.
O
desfecho positivo da empreitada parece sugerir um aceno ao realismo da política
externa de influência norte-americana, reinterpretado para o contexto atual. A
apropriação de canais não oficiais como base, na linha da backchannel
diplomacy de Kissinger, alinhada ao papel determinante de empresários
civis como Kushner e Witkoff, revela um movimento mais escancarado de
deslocamento da diplomacia em direção a uma progressiva terceirização ao
capital. No alinhamento de interesses e incentivos por agentes, em essência,
não estatais, figura a linguagem comum negocial que trata a trégua
principalmente por um viés econômico, reconfigurando conceitos como soberania,
responsabilidade e desigualdade.
Nesse
cenário, se o poder é a capacidade de impor e a legitimidade é a permissão
social ou política para exercer essa capacidade, a atual diplomacia de
influência norte-americana depende de figuras que operem na interseção. Mais do
que validade institucional, os enviados especiais tinham a peculiar autoridade
que surge do reconhecimento cruzado das partes. Pierre Bourdieu já havia
observado que, em ambientes de alta complexidade, a capacidade de agir parece
depender menos do título e mais da legitimidade concedida pelos pares. No caso
Israel-Hamas, os enviados especiais eram parte indissociável da situação,
compartilhando riscos e desejos com os envolvidos. Ambos judeus, Kushner e
Witkoff tinham o nível de proximidade que tornava sua mediação tão eficaz quanto
preocupante: o primeiro mantém um fundo bilionário alimentado por capital
árabe, enquanto o segundo tem interesses diretos em setores ligados à
reconstrução regional.
Tal
estrutura de neutralidade interessada, dependente da relativização das linhas
entre a esfera pública e a privada, tende a diluir as fronteiras entre
interesses essencialmente nacionais e aqueles puramente econômicos. Ainda que o
mecanismo venha se mostrando eficiente num recorte recente, é notório que
decorrem daí potenciais custos democráticos e políticos, em razão da opacidade
introduzida na ordem internacional. Tal questão se mostra ainda mais sensível
quando alinhada a uma reinterpretação contemporânea americana do papel da
privacidade nas relações diplomáticas.
Henry
Kissinger, o diplomata estadunidense por trás de negociações que culminaram no
SALT I (1972) e nos Acordos de Camp David (1978), escreveu em suas memórias que
a essência da diplomacia não estaria nas reuniões formais ou comunicados
oficiais, mas nos canais privados aonde a confiança poderia se desenvolver e as
realidades poderiam ser reconhecidas sem encenação pública. De fato, toda
negociação complexa de grande impacto, especialmente referentes a conflitos,
tendem a assumir uma posição de publicidade extrema. Nos holofotes, tais
questões, permeadas por narrativas inconciliáveis que sustentam embates
históricos, ganham proporções teatrais. Na mesa de negociação, existem riscos
secundários inerentes a atores não monolíticos, que muitas vezes dependem de
uma certa percepção pública para justificar custos afundados crescentes
oriundos de suas decisões.
Ao
analisar as negociações para os Acordos de Camp David, por exemplo, Howard
Raiffa descreveu como o presidente americano Jimmy Carter tratava a privacidade
como algo vital para um desfecho positivo. Da mesma forma, Kissinger mantinha
comunicações constantes e surpreendentemente próximas com autoridades
soviéticas durante os momentos de maior tensão da Guerra Fria por meios não
oficiais. Historicamente, blindar as partes de um constante escrutínio público
se mostra como uma eficaz e, muitas vezes, necessária ferramenta para
negociações complexas.
De todo
modo, parece claro nesse contexto que o sucesso de uma diplomacia secreta é
inseparável da erosão da transparência democrática. Níveis de invisibilidade
kissingerianos aliados a um movimento de terceirização diplomática têm o ímpeto
de gerar novas zonas de poder desregulado. Se para Kissinger os canais secretos
se mostraram como anatomia secreta da paz, o contexto atual apresenta desafios
com novas nuances. A ausência de transparência, antes ferramenta, ganha o
status de sintoma de uma diplomacia transformada em campo de oportunidades
privadas, e que terceiriza o diálogo a figuras de estatuto híbrido: meio
agentes de paz, meio empresários de influência.
O caso
Israel-Hamas se apresenta como mais um episódio (e, talvez, como a própria
consagração) de um movimento sugestivo de uma desestatização de determinadas
relações diplomáticas, terceirizadas a atores fundamentalmente privados cuja
legitimidade prática decorre mais do seu capital simbólico e confiança cruzada
do que de qualquer posto institucional. Os mediadores invisíveis são, nesse
sentido, produtos de um tempo em que a política se tornou uma função dispersa,
operando na nebulosa intersecção entre o público e o privado.
Tal
movimento é carregado de ambivalências, práticas e morais. Se, por um lado, o
capital relacional desses agentes permite desbloquear impasses que as
engrenagens formais já não parecem alcançar; por outro, sua ação escapa a
qualquer forma de escrutínio público, corroendo a transparência que sustentava
a, ainda que idealizada, legitimidade da mediação internacional.
Nesse
modelo, a paz possível não parece nascer do consenso imperfeito, mas da
convergência e calibragem prática de interesses. O mediador se mostra um
arquiteto de compatibilidades, traduzindo o poder em linguagem de confiança, e
a desconfiança em pura oportunidade. Se existe, pois, uma lição a se extrair
desse possível novo capítulo da diplomacia invisível, é a de que as negociações
do futuro, sejam entre Estados ou entre empresas, dependerão menos de
instituições e mais de vínculos pessoais.
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Israel devolve corpos de 30 palestinos com marcas de
tortura e execução
Israel devolveu, nesta
sexta-feira (31/10), corpos e restos mortais de 30 palestinos, no âmbito da
quinta troca de reféns prevista no acordo de cessar-fogo com o Hamas na Faixa
de Gaza.
Após a
devolução, intermediada pela Cruz Vermelha, os corpos chegaram ao Complexo
Médico Nasser em Khan Younis. Segundo os médicos, a maioria dos corpos
apresentava sinais de tortura, queimaduras e execução.
“Muitos
estavam com as mãos e os olhos amarrados e, em vários casos, seus traços
faciais estavam tão desfigurados que as famílias não conseguiram
identificá-los”, relatou a agência Wafa.
A
devolução, que totalizou 225 corpos palestinos até o momento, ocorreu após o grupo palestino Hamas devolver
os restos mortais de mais dois reféns israelenses na última
quinta-feira (30/10): Amiram Cooper e Sahar Baruch. Do lado israelense, 15
corpos já foram entregues, enquanto os demais enquanto os demais seguem sendo
procurados nos escombros deixados por Israel em Gaza.
Apesar
da devolução de palestinos vivos e mortos que estavam
em prisões israelenses, o governo Benjamin Netanyahu segue detendo pessoas,
especialmente na Cisjordânia. De acordo com a Wafa, as IDF
prenderam dois palestinos de Nablus e cinco de Qalqilya após invasões noturnas
nesta sexta-feira.
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Israel segue matando palestinos
Mesmo
em meio ao cessar-fogo na Faixa de Gaza, as Forças de Defesa Israelenses (IDF,
na sigla em inglês) mataram cinco palestinos nesta sexta-feira (31/10), segundo
a agência de notícias local Wafa.
Segundo
relatos de fontes médicas do Hospital Al-Shifa, duas das vítimas foram mortas
após terem sido baleadas por tropas israelenses. Uma delas foi morta em
Jabalia, no norte do enclave palestino, e a outra na Cidade de Gaza
Outra
vítima teria sido um jovem palestino chamado Mahmoud Suleiman Al-Wadiya, de
acordo com a Wafa. Ele foi baleado pelas IDF, no bairro de
Shujaiya, a leste da Cidade de Gaza. Seu irmão também foi atingido e ferido,
mas sobreviveu ao ataque.
Já
Hamdi Ahmad Al-Breim foi morto por um bombardeio israelense que tingiu sua casa
no bairro de Musabbah, na cidade de Abasan Al-Kabira, a leste de Khan Younis,
no sul da Faixa de Gaza.
Segundo
a Wafa, Mohammad Salem Qudeih morreu em decorrência dos ferimentos
de um ataque israelense contra uma tenda de deslocados em Al-Mawasi, em Khan
Younis.
Israel
tem repetidamente violado o acordo de cessar-fogo proposto pelo presidente dos
Estados Unidos, Donald Trump, e assinado com o grupo de resistência palestina
Hamas em 10 de outubro.
As IDF
seguem realizando ataques aéreos, bombardeios e tiroteios, elevando para 68.527
o número de palestinos mortos desde o início do genocídio, em 7 de outubro de
2023, segundo a emissora Al Jazeera.
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Bloqueio de ajuda humanitária
Em meio
às violações de cessar-fogo e trocas de reféns, outro ponto crucial do acordo é
a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. A Agência das Nações Unidas de
Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) declarou continuar agindo no
enclave como “espinha dorsal humanitária”.
“Famílias
deslocadas encontram segurança em escolas da UNRWA, onde as salas de aula se
tornaram lares temporários. Nossos assistentes sociais oferecem proteção, apoio
psicossocial e esperança, ajudando as pessoas a reconstruir suas vidas com
dignidade”, declarou nesta sexta-feira.
Contudo,
Israel segue bloqueando a entrada de ajuda humanitária em Gaza. De acordo com o
Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários
(UNOCHA), “a expansão das operações humanitárias em Gaza permanece limitada
pelas restrições em vigor e outros impedimentos”.
Em comunicado divulgado na última
quinta-feira (30/10),
as atividades humanitárias estão sendo redirecionadas de acordo com ordens
israelenses. “Os comboios agora são obrigados a passar pelo Corredor Filadélfia
– ao longo da fronteira com o Egito – e depois subir a estreita Estrada
Costeira. Essa estrada é estreita, danificada e muito congestionada. O trânsito
permaneceu mais lento, mesmo depois que o Programa Mundial de Alimentos (PMA)
reparou a estrada”, detalhou.
Assim,
a ONU exigiu “mais travessias e rotas internas para ampliar as coletas e a
capacidade de resposta” humanitária no enclave palestino.
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Procuradora-geral militar de Israel renuncia após
escândalo sobre abusos de detentos
A
Procuradora-Geral Militar das Forças de Defesa de Israel (IDF), Major-General
Yifat Tomer-Yerushalmi, renunciou ao cargo nesta sexta-feira (31/10), cerca de
uma hora depois de o Ministro da Defesa, Israel Katz, ter tentado
demiti-la. Katz afirmou que ela não
retornará ao cargo devido à “gravidade das suspeitas contra ela” no vazamento de um vídeo que mostra o
suposto abuso de um detento palestino por guardas israelenses.
“Dada a
gravidade das suspeitas e a sensibilidade do cargo responsável por fazer
cumprir a lei e determinar as normas jurídicas em todas as Forças de Defesa de
Israel, não há razão para reintegrá-la”, afirmou o ministro da Defesa no X.
Segundo
o The Jerusalem Post, em sua carta de
demissão, ela declarou: “Aprovei o vazamento de provas para a mídia numa
tentativa de confrontar a propaganda falsa contra os agentes da lei nas forças
armadas. Assumo total responsabilidade por todas as provas que foram enviadas à
mídia por esta unidade. Com base nessa responsabilidade, também decidi encerrar
meu cargo como MAG”. Dessa forma, a admissão altera o cenário jurídico e
político, porque inicialmente ela seria apenas uma testemunha de terceiros, e
agora ela pode ser uma ré central.
Após
seu anúncio, a IDF confirmou que Yerushalmi, Advogada-Geral das Forças Armadas,
reuniu-se com o Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, Eyal Zamir, e apresentou sua
renúncia.
“O
Chefe do Estado-Maior acatou o pedido de destituição imediata e comprometeu-se
a trabalhar para estabilizar o Gabinete da Procuradoria Militar e proteger os
soldados das Forças de Defesa de Israel. O Chefe do Estado-Maior está confiante
de que será conduzida uma investigação minuciosa para apurar a verdade”,
a IDF comunicou.
Na
quarta-feira (29/10), as Forças de Defesa de Israel anunciaram a abertura de
uma “investigação criminal sobre a publicação do vídeo gravado no Iêmen e o
envolvimento de elementos da Procuradoria Militar está sendo apurado”. Filmado
no ano passado, o arquivo mostrava o abuso de um detento de Gaza no centro de
detenção de Sde Teiman. O comunicado informou que cinco soldados foram presos e
que Tomer-Yerushalmi foi afastada do cargo “aguardando esclarecimentos
adicionais sobre o caso”.
O foco
da investigação está agora sobre quem vazou o vídeo para saber se
Tomer-Yerushalmi obstruiu a justiça ao fornecer informações
falsas ao
departamento do Tribunal Superior da Procuradoria do Estado e a outros órgãos
jurídicos, e se ela induziu deliberadamente os tribunais em erro.
De
acordo com o Ynet News, a assessora jurídica declarou
anteriormente ao tribunal que uma investigação interna não conseguiu
identificar o responsável, mas em sua carta de demissão, ela escreveu que
assumia “total responsabilidade” pela divulgação do material.
Entre
os que se manifestaram, o ex-ministro da Defesa Yoav Gallant disse que ela
mentiu quando perguntou por que o responsável pelo vazamento não havia sido
encontrado. “Sua carta de demissão é uma farsa”, afirmou, acrescentando que o
assunto deve ser investigado a fundo.
O
resultado da investigação poderá ter implicações significativas para os procedimentos legais
e operacionais das Forças de Defesa de Israel durante a guerra em Gaza, bem como para a
imagem pública das forças armadas.
Em sua
declaração Katz afirmou que nomearia em breve um Procurador-Geral interino e
iniciaria o processo de seleção de um novo procurador-geral militar permanente.
“Garantirei que a justiça seja feita contra todos os envolvidos na acusação de
assassinato ritual contra soldados das Forças de Defesa de Israel no caso Sde
Teiman”, acrescentou.
Fontes
jurídicas disseram ao jornal israelense Haaretz que não há
informações que indiquem que a própria Tomer-Yerushalmi tenha vazado o vídeo,
mas sim que seus subordinados podem tê-lo feito.
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Casos em Sde Teiman
Sde
Teiman é uma base militar no Negev que foi transformada em centro de detenção
durante a guerra entre Israel e o Hamas. Nela, foram detidos palestinos
capturados em Gaza sob
a Lei de Combatentes Ilegais, que permite a detenção temporária sem ordem
judicial.
Houve
sérias denúncias de abuso no centro de detenção de Sde Teiman. Reportagens de
diversos veículos de comunicação descreveram
espancamentos,
vendamento prolongado dos olhos, falta de assistência médica e outros
maus-tratos infligidos aos detentos.
O vídeo, gravado nas
instalações de Sde Teiman, foi divulgado em agosto de 2024 pelo veículo
israelense, Canal 12 de notícias. Após sua
publicação, cinco reservistas das Forças de Defesa de Israel foram acusados de abuso agravado e
de causar lesões corporais graves a um detento.
Segundo
a acusação, os cinco espancaram o detido, arrastaram-no pelo chão, pisaram em
seu corpo e usaram uma arma de choque contra ele. Um dos soldados
também teria esfaqueado o detido nas nádegas, causando-lhe uma lesão
retal. O detido sofreu fraturas nas costelas e um pulmão perfurado, conforme
consta na acusação.
O
tribunal emitiu uma ordem de silêncio sobre os nomes dos réus, que atualmente
não estão sob custódia nem sujeitos a quaisquer restrições legais. Após o
início da investigação, investigadores da polícia militar invadiram Sde Teiman
em julho de 2024, detendo 11 soldados para interrogatório.
Após a
operação, dezenas de manifestantes invadiram a base, localizada no sul de
Israel. Segundo o Haaretz, os manifestantes estavam o deputado
Nissim Vaturi, do partido Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o
deputado Zvi Sukkot, do sionismo religioso de extrema-direita, e o ministro do
Patrimônio Amichai Eliyahu, do partido Otzma Yehudit do ministro da Segurança
Nacional Itamar Ben-Gvir, também de extrema-direita.
Sukkot
foi intimado para interrogatório pela segunda vez esta semana, após ter se
recusado a comparecer na ocasião anterior. Ele afirmou que pretendia comparecer
desta vez. Vaturi e Eliyahu foram intimados para interrogatório em maio, mas
não compareceram.
Em 6 de
fevereiro, um tribunal das Forças de Defesa de Israel (IDF) condenou um
reservista da IDF que abusou de detentos palestinos da Faixa de Gaza em Sde
Teiman a sete meses de prisão, na primeira pena de prisão significativa
aplicada a um soldado relacionada à guerra.
O
Ministério Público das Forças de Defesa de Israel, conforme apurado pelo Post na
época, considerou as agressões particularmente graves porque ocorreram
repetidamente, com diversos detentos, e apesar de outros soldados terem
ordenado ao réu que parasse.
No
entanto, a Procuradoria das Forças de Defesa de Israel também reconheceu o
mérito do réu por ter confessado seus crimes de imediato e por ter aceitado um
acordo judicial para poupar tempo e recursos à acusação e aos tribunais, além
de evitar a necessidade de comprovar diversos pontos em julgamento.
Além da
pena de prisão por este “pequeno” caso de abuso em Sde Teiman, o réu-soldado
também recebeu uma pena adicional de prisão, caso volte a violar certas leis, e
foi rebaixado ao posto de soldado raso.
No caso
de abuso sexual de
grande repercussão em Sde Teiman, cinco soldados foram indiciados em 19 de
fevereiro por agressão sexual.
As
audiências pré-acusatórias do caso “de grande porte” foram realizadas em
novembro de 2024, e fontes negaram ao Post que tenha havido
atrasos na decisão desse caso, que também remonta ao verão de 2024, devido a
temores de repercussões políticas por parte do governo de coalizão de direita.
No
entanto, é também possível que as acusações tenham sido atrasadas pela
investigação paralela sobre o vazamento de um vídeo de vigilância do centro de
detenção de Sde Teiman, que supostamente mostrava soldados abusando gravemente
de um detento palestino.
Em 29
de julho de 2024, a Polícia Militar prendeu nove reservistas suspeitos de maus-tratos graves a
um detento palestino nas instalações. O detento apresentava graves ferimentos
internos, incluindo costelas quebradas e laceração retal, segundo relatos.
Fonte:
Por Gustavo Bayum de Paiva, no Le Monde/Opera Mundi

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