'Maior
crise do STF': Gonet devia se afastar do caso Master e Moraes ser investigado,
afirma ex-PGR Claudio Fonteles
Citado
em diálogos do
banqueiro Daniel Vorcaro, dentro das investigações que apuram
fraudes bilionárias no Banco Master, o
procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, deveria se afastar
do comando do caso — essa é a avaliação do ex-PGR Claudio Lemos Fonteles, que
chefiou o Ministério Público entre 2003 e 2005, no primeiro governo do
presidente Luiz Inácio
Lula da Silva (PT).
Segundo
relatório da Polícia Federal que analisou o celular do banqueiro, o advogado
Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, aparece como intermediador de
contatos entre Vorcaro e Gonet.
Ele
teria atuado em março de 2025 para que o banqueiro incluísse Pedro Gonet, filho
do PGR, em uma viagem para Londres bancada pelo Master, para participação de um
evento.
Dias
antes, naquele mesmo mês, Soares mandou uma foto ao lado de Paulo Gonet para
Vorcaro, informando que estava com o PGR. Na sequência, ambos trocam ligações.
Gonet ainda não se manifestou sobre as revelações.
Para
Claudio Fonteles, a possível viagem para o filho é o "mais delicado",
mas não configura, necessariamente, um "ilícito criminal". Ainda
assim, diz, a saída de Gonet do comando das investigações seria "uma
garantia para ele mesmo".
"O
procurador-geral da República tem que explicar isso", disse à BBC News
Brasil, ao comentar os contatos com Vorcaro intermediados pelo advogado.
"O
correto seria ele [Gonet] passar as investigações para o seu
vice-procurador-geral da República [Hindenburgo Chateaubriand Filho]",
continuou Fonteles.
Os
diálogos que citam Gonet aparecem em um relatório da PF cujo sigilo foi
retirado na terça-feira (1/9) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal
(STF) André
Mendonça, relator de inquéritos que apuram as fraudes bilionárias no
Banco Master.
Além
das conversas envolvendo Gonet, o relatório analisou outras mensagens extraídas
do celular do banqueiro, revelando uma série de interações atribuídas pelos
investigadores a Vorcaro, o ministro
Alexandre de Moraes e pessoas ligadas à família do ministro.
As
conversas incluem um suposto pedido do banqueiro, em 30 de outubro de 2025,
para que Moraes interferisse a seu favor na atuação de Gonet e do diretor-geral
da PF, Andrei Rodrigues.
Segundo
a PF, em outra mensagem ao ministro, enviada no dia 15 de novembro, Vorcaro
perguntou se deveria deixar o Brasil — ele foi preso dois dias depois, quando
tentava sair do país para Dubai. No dia seguinte, o Master foi liquidado pelo
Banco Central.
As
investigações também confirmaram que o escritório de Viviane Barci de Moraes,
esposa do ministro, mantinha um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master,
e que esse documento chegou a ser editado por Moraes.
Na
segunda-feira (31/8), Mendonça determinou que a PGR analisasse o relatório da
PF e se manifestasse sobre a abertura de uma investigação contra o ministro.
Gonet,
porém, foi na direção oposta e pediu a anulação do caso. Na sua visão, Mendonça
não poderia ter solicitado diretamente à PF que produzisse um relatório sobre
Moraes. Segundo o PGR, o ministro teria que ter submetido a questão ao plenário
da Corte antes de determinar essa apuração inicial.
"Ao
juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações
pré-processuais", argumentou, em sua manifestação.
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Não há nulidade, defende ex-PGR
Para o
ex-PGR Claudio Fonteles, não há motivo para anular o relatório produzido a
pedido de Mendonça. Na sua visão, o plenário do Supremo tem elementos para
abrir um inquérito sobre a atuação de Moraes.
"Diante
desses fatos que se apresentaram envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, eu
acho que, sem dúvida alguma [deve ser investigado]. Primeiro, por ele até ter
participado na contratação do escritório de advocacia da sua esposa. Então,
isso aí já é um fato que precisa ser apurado."
"Há
outros pontos também. O próprio Vorcaro pedir uma resposta [a Moraes] sobre
como agir: 'eu devo ir embora do Brasil, eu devo ficar no Brasil?'. Esses fatos
são objetivamente postos. Não resta a menor dúvida, você tem que
apurá-los."
Na sua
avaliação, não houve ilegalidade quando André Mendonça solicitou um relatório
da PF sobre essas mensagens.
Fonteles
argumenta que a Lei 13.964, aprovada em 2019, criando a figura do juiz de
garantias, ampliou a possibilidade de atuação de juízes na condução de
investigações.
"Essa
lei ampliou, de um modo largo, a conduta do juiz no âmbito da investigação
criminal, autorizando o juiz, durante o procedimento investigatório, a
requisitar documentos, laudos, informações do delegado de polícia sobre o
andamento da investigação, a decidir sobre os requerimentos de interceptação
telefônica, fluxo de comunicações, sistema de informática, afastamentos de
sigilos fiscal, bancário e dados telefônicos, [decretar] busca e apreensão
domiciliar, acesso a informações sigilosas."
Para o
ex-PGR, a conduta de Mendonça não violou o sistema acusatório, previsto na
Constituição Brasileira, que estabelece o Ministério Público como única
instituição que pode "acusar alguém diante de um juiz".
"Não
se está acusando ninguém ainda. Simplesmente, está se questionando se pode ser
aberta uma investigação a partir desses dados concretos que surgiram. A meu
juízo, pode tranquilamente ser iniciada essa investigação. E aí eu me ponho
inteiramente de acordo com a colocação do ministro André Mendonça."
A
figura do juiz de garantias foi criada para que o juiz que conduz a
investigação não seja o mesmo que julga depois os investigados, em caso de
denúncia.
O
princípio da lei aprovada no Congresso é que o juiz que conduz a investigação
poderia ser contaminado por esse processo e ter sua imparcialidade comprometida
para depois decidir sobre o caso.
Ao
julgar a constitucionalidade da Lei 13.964, porém, o STF decidiu, em 2023, que
processos de competência originária do próprio Supremo e do Superior Tribunal
de Justiça (STJ) não terão juiz de garantias. Ou seja, nesse caso, Mendonça
poderá julgar eventuais processos abertos após as investigações do caso Master.
Fonteles
considera que o STF atravessa "a maior crise de sua história". No
entanto, embora seja a favor de uma investigação sobre Moraes, não considera
adequada a abertura de um processo de impeachment e nem vê necessidade de o
ministro ser afastado do cargo durante o inquérito.
"Vamos
abrir e vamos desenvolver amplamente essa investigação", defende.
Nomeado
por Lula, Fonteles não foi uma escolha pessoal do ex-presidente. Ele se tornou
procurador-geral da República em junho de 2003, seguindo a recomendação da
Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), que produziu uma
lista tríplice de indicados, após uma eleição dentro da categoria.
A
tradição de indicar sempre o primeiro dessa lista foi inaugurada por Lula e
seguida por sua sucessora, Dilma Rousseff (PT). Michel Temer (MDB ), que
assumiu a Presidência após o impeachment da petista, escolheu como PGR a
segunda mais votada da lista, Raquel Dodge.
Depois,
o presidente Jair Bolsonaro (PL) ignorou a eleição da ANPR e escolheu Augusto
Aras para comandar a Procuradoria-Geral da República. Após ser eleito novamente
presidente em 2022, Lula também deixou de seguir a lista e nomeou Gonet.
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Escritório Barci de Moraes nega irregularidades; Moraes não se pronuncia
Moraes
ainda não se manifestou sobre as revelações da PF.
Até o
momento, não foi possível saber quais foram as respostas do ministro às
mensagens enviadas por Vorcaro, apontadas no relatório da PF. Segundo os
investigadores, os dois se comunicavam enviando prints de celular de mensagens
escritas no bloco de notas.
Essas
imagens eram compartilhadas por aplicativo de mensagem com visualização única
e, por isso, o celular do banqueiro não armazenava as respostas do ministro.
A PF,
porém, conseguiu recuperar no celular de Vorcaro as mensagens que ele escreveu
e printou e conseguiu identificar o envio dessas mensagens para o celular de
Moraes.
Quanto
à revelação de que Moraes editou o contrato do Master com o escritório de sua
esposa, o escritório Barci de Moraes negou irregularidades.
Em nota
divulgada na terça-feira (1/9), a banca de advocacia afirmou que, diante da
abrangência do pedido de contratação de serviços advocatícios feito pelo Banco
Master, seu setor de compliance consultou o ministro Alexandre de Moraes sobre
a eventual existência de impedimentos legais para a celebração do contrato.
Segundo
o escritório, a consulta foi realizada porque Moraes é marido de Viviane Barci
de Moraes, sócia-diretora da banca.
O
objetivo, de acordo com a nota, era verificar a existência de possíveis
restrições, como ações sob relatoria do ministro no STF ou participação em
julgamentos de interesse do potencial cliente.
O
escritório sustenta que não foi identificada previsão de atuação no STF nem
qualquer impedimento legal para a contratação. A nota afirma ainda que
Alexandre de Moraes "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco
Master".
"Diante
da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal,
uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa
envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios
devidamente prestados", diz a nota.
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Número usado como contato de Moraes aparece ligado a
contas digitais no TikTok e aplicativos de celular
Um
número de telefone atribuído ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)
Alexandre de Moraes em registros
extraídos do celular do ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro também
aparece associado a contas digitais identificadas com o nome do ministro,
segundo apurou a BBC News Brasil.
O relatório da
PF, de mais de 200 páginas, não afirma explicitamente que o número
pertencia a Moraes.
O
material, tornado
público na terça-feira (1/9) por decisão do ministro André
Mendonça, indica que Vorcaro teria tratado com esse contato de informações
relacionadas à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes
bilionárias envolvendo o Banco Master, além de medidas que poderiam afetar sua
prisão preventiva.
Ao
longo do documento da PF, o nome do ministro aparece entre aspas, em referência
a como estava registrado na agenda de Vorcaro, e as conversas são descritas
como "possíveis interações" entre os dois. No aparelho, segundo o
relatório, Vorcaro mantinha quatro registros relacionados ao mesmo número:
"Alexandre de Moraes BRASILIA", "Novo", "STF TSE
NOVO" e "Eu STF".
Segundo
a Polícia Federal, os contatos foram compartilhados pelo ex-ministro Fábio
Faria em uma conversa no WhatsApp, em 26 de dezembro de 2023, e posteriormente
armazenados por Vorcaro no celular.
A
perícia, no entanto, recuperou apenas mensagens enviadas por Vorcaro. As
respostas que teriam sido encaminhadas pela outra parte da conversa não foram
obtidas (entenda melhor abaixo).
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Contas associadas ao número
Para
verificar as associações digitais, a BBC News Brasil submeteu o número que
aparece ligado ao ministro no relatório à OSINT Industries, uma plataforma
europeia usada em investigações digitais.
O
serviço faz buscas em diferentes bases de dados para identificar vínculos entre
números, contas, nomes de usuário e serviços online.
"Osint"
é a sigla em inglês para inteligência de fontes abertas, método que consiste em
reunir e analisar informações disponíveis publicamente, sem acessar dados
privados ou invadir sistemas.
No caso
analisado, foram encontradas quatro associações.
No
TikTok, o número atribuído a Moraes aparece vinculado a um perfil identificado
como "Xandao". A conta foi criada em 2024 e não registra atividade
posterior ao cadastro, segundo a plataforma de verificação.
O
perfil tem três seguidores e segue apenas uma conta, de uma filha do ministro.
Em verificação feita diretamente no aplicativo, a BBC News Brasil constatou que
Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, e a mesma filha estão entre os
seguidores. O perfil permanecia no ar até a publicação desta reportagem.
A BBC
News Brasil confirmou ainda que o perfil de Viviane Barci que segue a conta de
Moraes também está associado ao número de telefone que aparece no relatório da
PF como pertencente a ela. A associação foi identificada por meio de uma busca
pelo número de Viviane no mesmo serviço.
A
consulta também localizou o número atribuído a Moraes em três serviços de
identificação e busca reversa de telefones: SimplerMe, Calling App e
Truecaller. Nos três, o telefone apareceu associado ao nome "Min.
Alexandre de Moraes". A mesma busca foi repetida em outro site semelhante,
o que resultou nas mesmas informações.
Essas
plataformas permitem pesquisar números para verificar possíveis vínculos com
nomes, contas ou registros disponíveis em suas bases. O Truecaller, por
exemplo, é um aplicativo de identificação de chamadas e diretório colaborativo
(ou seja, outras pessoas associaram este número como sendo do ministro
Alexandre de Moraes).
Segundo
Nathaniel Fried, CEO da plataforma, as ferramentas da empresa "funcionam
integralmente com dados de fontes abertas em tempo real", ou seja,
informações que as pessoas decidiram compartilhar voluntariamente e de forma
pública.
"Oferecemos
acesso gratuito a jornalistas para apoiar o importante trabalho que realizam ao
cobrar responsabilidade dos poderosos e fortalecer a democracia", afirma.
A BBC
News Brasil procurou o gabinete do ministro para comentar as informações, mas
não obteve resposta até o momento.
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Por que mensagens atribuídas a Moraes não foram recuperadas?
Investigadores
recuperaram mensagens apagadas do celular de Vorcaro e reconstruíram parte dos
diálogos com base em capturas de tela enviadas pelo WhatsApp.
De
acordo com a PF, ele redigia as mensagens em um aplicativo de notas do celular.
Depois, fazia uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp, usando o
recurso de visualização única.
Nesse
formato, o conteúdo não ficava registrado como uma mensagem de texto
convencional e poderia desaparecer depois de visualizado.
A
perícia encontrou, no entanto, arquivos no próprio celular correspondentes às
capturas de tela.
Segundo
o relatório da PF, cada imagem gerava um arquivo temporário em formato PDF, que
podia ser checado com outras informações tiradas do celular.
Esses
arquivos foram localizados em uma pasta interna do sistema identificada como
"tmp", abreviação de temporary, ou temporário. Trata-se de uma área
usada pelo iPhone para armazenar arquivos provisórios gerados automaticamente.
Parte
dos documentos havia sido apagada poucos minutos depois da criação, mas foi
recuperada durante a extração forense.
"Após
elaborar o texto das notas ora tratadas e realizar um screenshot do conteúdo,
DANIEL VORCARO efetua, poucos segundos depois e como primeira interação no
Whatsapp após o screenshot, a remessa de mensagem ao terminal", afirma o
relatório da PF.
Mas
somente o celular de Vorcaro foi apreendido, não o de seu interlocutor. Por
isso, não foi possível recuperar esses mesmos arquivos temporários do outro
lado da conversa.
Os
investigadores cruzaram os horários de criação e alteração das notas, produção
das capturas de tela, geração dos arquivos PDF e envio das imagens pelo
WhatsApp. Também verificaram a conversa à qual cada arquivo estava associado.
Em nota
divulgada na terça-feira, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de
compliance consultou Alexandre de Moraes sobre a existência de possíveis
impedimentos legais para a contratação de serviços pelo Banco Master.
Segundo
o escritório de advocacia, a consulta ocorreu porque o ministro é marido de
Viviane Barci de Moraes, sócia-diretora da banca. O objetivo seria verificar
eventuais restrições, como processos sob relatoria de Moraes no STF ou
julgamentos de interesse do banco.
O
escritório afirma que não havia previsão de atuação perante o Supremo nem
impedimento legal para a contratação. Também diz que Alexandre de Moraes
"jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master".
"Diante
da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal,
uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa
envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios
devidamente prestados", afirma a nota.
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O que dizem as mensagens?
Os
diálogos mostram que o banqueiro cobrava atenção especial aos pagamentos do
contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de
Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
No
início da noite da terça-feira, a PGR se manifestou contra os procedimentos
adotados por Mendonça e pedindo a nulidade do inquérito.
Em um
dos episódios revelados pela PF, Vorcaro trata diretamente da execução do
contrato firmado com o escritório Barci de Moraes. Em 8 de fevereiro de 2024,
ele pediu ao cunhado, Fabiano Zettel, que enviasse o contrato assinado e
questionou o vencimento da primeira parcela:
"Me
manda Barci de Moraes assinado? Quando era o primeiro pgto?"
No
mesmo dia, Ângelo Silva, tesoureiro do Master e também investigado pela Polícia
Federal, enviou a Vorcaro o comprovante de uma transferência do Banco Master
para a conta do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia no Banco
Itaú, no valor de R$ 3.422.268,14.
Logo
após a cobrança, Vorcaro passou a pressionar integrantes do banco sobre os
pagamentos ao escritório. Em mensagem a Silva, escreveu: "Angelo. Pqp. Não
pagaram Barci de Moraes. Não to entendendo isso. Contrato mais importante que
temos te pedi pra não falhar. Surreal. Vamos ter problemas."
Minutos
depois, em conversa com a funcionária Romy Goerck Gentina Klenquen,
identificada nos registros como "Romy Banco Master", Vorcaro
determinou que os pagamentos ao escritório não sofressem qualquer atraso:
"Romy
esse Barci de Moraes por favor não deixe atrasar um dia, coloca no seu
controle. É o pgto mais importante que temos."
Na
sequência, reforçou a orientação: "Pode pagar sempre, sem nota."
E
acrescentou: "Do jeito que for."
Ainda
na conversa, Romy encaminhou o registro de uma transferência do Banco Master
para o escritório de Viviane Barci de Moraes no valor de R$ 3.422.268,14.
A
partir da análise dos metadados do arquivo do contrato com o Master, as
investigações também apontaram que o documento foi editado por Moraes.
Em nota
divulgada nesta terça-feira, o escritório Barci de Moraes afirmou que, diante
da abrangência do pedido de contratação de serviços advocatícios feito pelo
Banco Master, seu setor de compliance consultou o ministro Alexandre de Moraes
sobre a eventual existência de impedimentos legais para a celebração do
contrato.
Segundo
o escritório, a consulta foi realizada porque Moraes é marido de Viviane Barci
de Moraes, sócia-diretora da banca. O objetivo, de acordo com a nota, era
verificar a existência de possíveis restrições, como ações sob relatoria do
ministro no Supremo Tribunal Federal (STF) ou participação em julgamentos de
interesse do potencial cliente.
O
escritório sustenta que não foi identificada previsão de atuação no STF nem
qualquer impedimento legal para a contratação. A nota afirma ainda que
Alexandre de Moraes "jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco
Master".
"Diante
da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal,
uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa
envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios
devidamente prestados", diz a nota.
Fonte:
BBC News Brasil

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