André
Mendonça admite encontro com Daniel Vorcaro, após vazamento de áudios
O
ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou na manhã
desta quarta-feira (2/9) que teve um encontro com o banqueiro Daniel Vorcaro,
do Banco Master, em março de 2025. Ele disse também ter se encontrado com o
advogado do empresário no mesmo mês.
A
confirmação veio em uma nota enviada à imprensa pouco depois que o jornalista
Paulo Motoryn revelou o encontro em seu Substack, uma plataforma online que
permite que seus usuários publiquem e distribuam newsletters.
Motoryn
escreveu na newsletter "Noites Húngaras" que obteve mensagens e
áudios extraídos do celular de Vorcaro. Segundo esse material, a reunião teria
ocorrido em 14 de março de 2025, em São Paulo, e durado duas horas.
O
encontro teria sido realizado, segundo Motoryn, em um instituto fundado pelo
próprio magistrado.
A
publicação foi ao ar depois que o jornal O Estado de S.Paulo revelou uma troca
de mensagens entre Vorcaro e Alexandre de Moraes, nas quais o banqueiro pedia
ajuda ao magistrado.
As
mensagens entre Vorcaro e Moraes são fruto de uma apuração feita pela Polícia
Federal a pedido de Mendonça, que é relator, no STF, do inquérito sobre as
fraudes do Master.
Segundo
Mendonça, o encontro com Vorcaro ocorreu a pedido do próprio banqueiro, e ele
teria se limitado a ouvi-lo. "Uma única vez", acrescentou, na nota
enviada à imprensa.
"O
assunto tratado foi a suspensão da tutela provisória 976, que estava sob
julgamento do STF e que discutia créditos de precatórios de interesse do banco,
mas que se encontrava, na data da reunião, com pedido de vista de outro
ministro", diz ainda a nota.
A nota
diz ainda que o empresário teria buscado "interlocução semelhante com
outros integrantes do STF para tratar do mesmo assunto".
Segundo
Mendonça, sua atuação, no entanto, foi contrária à posição de Vorcaro. Ele
disse ainda que "não comenta diálogos privados entre terceiros, cujo teor
não lhe cabe confirmar".
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O encontro entre Mendonça e Vorcaro
Segundo
a apuração do jornalista Paulo Motoryn, as mensagens e áudios extraídos do
celular de Vorcaro mostram que a reunião foi organizada durante semanas pelo
então advogado do Master, Ciro Soares, e pelo deputado federal Cezinha de
Madureira (PL-SP).
"Fala,
Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um
terno", disse o advogado, em áudio enviado a Vorcaro em 8 de fevereiro de
2025, com uma foto dos dois, segundo Motoryn.
Em
outro áudio, Ciro afirmou: "O André Mendonça disse que quer te receber
junto comigo". "Ele sabe, soube da situação do Banco Central toda. Eu
contei. Ele já sabia, o Cezinha já tinha falado com ele."
Mendonça
não comentou essas informações em sua nota à imprensa.
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As trocas de mensagens entre Vorcaro e Moraes
Os
diálogos entre o banqueiro e o ministro incluem cobranças sobre pagamentos ao
escritório de Viviane Barci de Moraes, pedidos de ajuda relacionados ao Banco
Master e registros de encontros presenciais.
Em 30
de outubro de 2025, Vorcaro escreveu que havia recebido informações
confidenciais de pessoas do Banco Central de que a instituição sofria pressão
da Polícia Federal e do Ministério Público para tomar uma medida contra ele.
Na
mesma mensagem, afirmou: "É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não
deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem". Segundo a PF,
"Andrei" pode ser uma referência a Andrei Passos, então diretor-geral
da Polícia Federal, e "Paulo" a Paulo Gonet, procurador-geral da
República.
Não foi
possível identificar quais foram as respostas de Moraes. Segundo a PF, Vorcaro
enviava ao ministro capturas de tela de mensagens escritas no bloco de notas do
celular, com visualização única, por isso as respostas de Moraes não ficavam
armazenadas no aparelho do banqueiro. A PF conseguiu, porém, identificar os
envios feitos por Vorcaro para o celular do ministro.
Em
outra troca, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua primeira prisão,
Vorcaro perguntou a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar
fora?". Também questionou: "Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo
tá sabendo? Conseguimos fazer algo?". Galípolo é Gabriel Galípolo,
presidente do Banco Central.
No dia
seguinte, Vorcaro perguntou: "Você acha que existe alguma chance disso
acontecer amanhã de manhã?". Já em 17 de novembro, quando seria preso no
Aeroporto de Guarulhos, escreveu: "Se tiver alguma novidade, vamos
falar". Mais tarde, perguntou: "Conseguiu ter notícia ou
bloquear?".
O
material também registra a emissão de cartões do Banco Master para Giuliana e
Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro.
Em 2 de
outubro de 2025, Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci
de Moraes, procurou Vorcaro para tratar dos cartões. Depois, uma executiva do
banco perguntou se poderia emitir os cartões com limite de R$ 300 mil para cada
filho. Vorcaro respondeu: "OK".
As
mensagens também mostram a organização de um almoço de Moraes em uma
propriedade de Vorcaro, em Campos do Jordão, no interior de São Paulo, em 30 de
dezembro de 2023.
Segundo
a PF, o ministro estava acompanhado de oito pessoas e quatro seguranças.
Vorcaro orientou funcionários a preparar uma "experiência completa"
para os convidados e pediu um cantor.
Durante
o evento, um funcionário informou que o ministro havia tirado uma foto com um
funcionário do banqueiro. Vorcaro inicialmente reagiu dizendo que isso não
poderia acontecer, mas depois respondeu: "Mas se foi o ministro que pediu
tudo bem".
Doze
dias depois do almoço, em 11 de janeiro de 2024, Viviane Barci de Moraes enviou
a Vorcaro uma minuta de contrato. O documento acabou assinado em janeiro, por
R$ 3,6 milhões mensais, com vigência de três anos.
Os
metadados da versão final indicam Moraes como o último usuário a editar o
documento, em 15 de janeiro. O contrato foi assinado em 23 de janeiro.
As
mensagens registram ainda outros encontros entre Vorcaro e Moraes ao longo de
2024 e 2025. Em 5 de novembro de 2024, Vorcaro escreveu à filha: "Tô com
Alexandre Moraes".
Em 19
de abril de 2025, disse à então namorada: "Tô indo encontrar Alexandre de
Moraes aqui perto de casa". Dez dias depois, escreveu novamente:
"Agora tô com Alexandre".
• Fachin diz que STF anunciará medidas
sobre conversas entre Moraes e Vorcaro 'nos próximos dias'
O
presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou
que vai anunciar "medidas cabíveis e necessárias" após a revelação de
conversas por mensagens entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e
um número associado ao ministro Alexandre de Moraes.
"Nos
próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os
procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo
devido e sem precipitação, as medidas cabíveis e necessárias", disse, em
uma nota oficial distribuída na manhã desta quarta-feira (02/09).
No
comunicado, Fachin afirma ainda que em momentos de especial gravidade "é
dever de todos preservar a integridade do Supremo Tribunal Federal, a
autoridade de suas decisões, o respeito às suas normas e, acima de tudo, a
confiança da sociedade na instituição".
A
manifestação segue a divulgação, na terça-feira (1º/9), de mensagens extraídas
do celular do banqueiro Daniel Vorcaro que revelam uma série de interações com
um contato dele salvo com o nome de Alexandre de Moraes.
Os
diálogos mostram que o banqueiro cobrava atenção especial aos pagamentos do
contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de
Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
As
mensagens, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo, depois tiveram o sigilo
suspenso por decisão do ministro André Mendonça.
Já no
início da noite da terça-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se
manifestou contra os procedimentos adotados por Mendonça e pedindo a anulação
do inquérito.
Segundo
o procurador-geral Paulo Gonet, a investigação determinada por Mendonça —
relator do inquérito que apura as fraudes do Banco Master — extrapolou os
limites da atuação de um magistrado na chamada fase pré-processual.
Em sua
manifestação, Edson Fachin afirmou que os indícios que vieram à tona
"reclamam o devido encaminhamento institucional".
"Circunstâncias
relacionadas, de um lado, à atuação processual e, de outro, a sérios elementos
de fatos que exigem desta Presidência serenidade, responsabilidade e
firmeza", disse o presidente do STF.
"A
elevada autoridade do cargo não confere privilégios, mas impõe deveres, limites
e responsabilidades, que devem ser observados com absoluto respeito à
Constituição, às leis e ao Supremo Tribunal Federal."
Segundo
criminalistas ouvidos pela BBC News Brasil, a expectativa agora é que o
plenário do STF julgue tanto o pedido de anulação da atuação de Mendonça quanto
a possível investigação contra Moraes. O julgamento terá que ser marcado por
Edson Fachin.
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As trocas de mensagens entre Vorcaro e Moraes
Os
diálogos entre Vorcaro e Moraes incluem cobranças sobre pagamentos ao
escritório de Viviane Barci de Moraes, pedidos de ajuda relacionados ao Banco
Master e registros de encontros presenciais.
Em 30
de outubro de 2025, o banqueiro escreveu que havia recebido informações
confidenciais de pessoas do Banco Central de que a instituição sofria pressão
da Polícia Federal e do Ministério Público para tomar uma medida contra ele.
Na
mesma mensagem, afirmou: "É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não
deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem". Segundo a PF,
"Andrei" pode ser uma referência a Andrei Passos, então diretor-geral
da Polícia Federal, e "Paulo" a Paulo Gonet, procurador-geral da
República.
Não foi
possível identificar quais foram as respostas de Moraes. Segundo a PF, Vorcaro
enviava ao ministro capturas de tela de mensagens escritas no bloco de notas do
celular, com visualização única, por isso as respostas de Moraes não ficavam
armazenadas no aparelho do banqueiro. A PF conseguiu, porém, identificar os
envios feitos por Vorcaro para o celular do ministro.
Em
outra troca, em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de sua primeira prisão,
Vorcaro perguntou a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar
fora?". Também questionou: "Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo
tá sabendo? Conseguimos fazer algo?". Galípolo é Gabriel Galípolo,
presidente do Banco Central.
No dia
seguinte, Vorcaro perguntou: "Você acha que existe alguma chance disso
acontecer amanhã de manhã?". Já em 17 de novembro, quando seria preso no
Aeroporto de Guarulhos, escreveu: "Se tiver alguma novidade, vamos
falar". Mais tarde, perguntou: "Conseguiu ter notícia ou
bloquear?".
O
material também registra a emissão de cartões do Banco Master para Giuliana e
Alexandre Barci de Moraes, filhos do ministro.
Em 2 de
outubro de 2025, Guilherme de Toledo Benazzi, administrador do escritório Barci
de Moraes, procurou Vorcaro para tratar dos cartões. Depois, uma executiva do
banco perguntou se poderia emitir os cartões com limite de R$ 300 mil para cada
filho. Vorcaro respondeu: "OK".
As
mensagens também mostram a organização de um almoço de Moraes em uma
propriedade de Vorcaro, em Campos do Jordão, no interior de São Paulo, em 30 de
dezembro de 2023.
Segundo
a PF, o ministro estava acompanhado de oito pessoas e quatro seguranças.
Vorcaro orientou funcionários a preparar uma "experiência completa"
para os convidados e pediu um cantor.
Durante
o evento, um funcionário informou que o ministro havia tirado uma foto com um
funcionário do banqueiro. Vorcaro inicialmente reagiu dizendo que isso não
poderia acontecer, mas depois respondeu: "Mas se foi o ministro que pediu
tudo bem".
Doze
dias depois do almoço, em 11 de janeiro de 2024, Viviane Barci de Moraes enviou
a Vorcaro uma minuta de contrato. O documento acabou assinado em janeiro, por
R$ 3,6 milhões mensais, com vigência de três anos.
Os
metadados da versão final indicam Moraes como o último usuário a editar o
documento, em 15 de janeiro. O contrato foi assinado em 23 de janeiro.
As
mensagens registram ainda outros encontros entre Vorcaro e Moraes ao longo de
2024 e 2025. Em 5 de novembro de 2024, Vorcaro escreveu à filha: "Tô com
Alexandre Moraes".
Em 19
de abril de 2025, disse à então namorada: "Tô indo encontrar Alexandre de
Moraes aqui perto de casa". Dez dias depois, escreveu novamente:
"Agora tô com Alexandre".
Fonte:
BBC News Brasil

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