Eleições
2026: o que os planos de governo propõem para proteger crianças na internet
Cyberbullying,
exploração sexual, discurso de ódio, saúde mental e os riscos das redes
sociais. A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital entrou nos
planos de governo dos candidatos à Presidência da República, com propostas que
vão do combate a crimes na internet à regulação das plataformas.
O g1
analisou os 13 planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE) para mapear o que os candidatos propõem para tornar a internet mais
segura para crianças e adolescentes. O levantamento encontrou medidas de
segurança digital, prevenção e repressão a crimes contra menores, educação e
cidadania digital e apoio à saúde mental.
Alguns
candidatos apresentam propostas específicas para esse tema. Outros tratam da
proteção digital dentro de políticas mais amplas voltadas à infância e à
juventude.
Veja
abaixo o que cada presidenciável propõe para proteger crianças e adolescentes
no ambiente digital.
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Augusto Cury (Avante)
O
candidato do Avante concentra suas propostas nos impactos das redes sociais
sobre a saúde mental de crianças e adolescentes. Entre as medidas sugeridas
estão ações educativas nas escolas para estimular o pensamento crítico sobre o
uso das redes, discutir os efeitos dos filtros de imagem e prevenir casos de
bullying e cyberbullying.
Cury
também defende mais transparência e responsabilidade das plataformas digitais
em relação a conteúdos que possam prejudicar menores de idade.
Além
disso, propõe a criação da chamada "Lei Augusto Cury" (Projeto de Lei
nº 5.815/2025). A proposta prevê acompanhamento pediátrico e psicossocial anual
para ajudar a proteger crianças contra exploração, automutilação, tráfico e
predadores sexuais na internet.
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Clariana Barão (DC)
O plano
de governo de Clariana Barão afirma que o capítulo "Mulheres e crianças em
primeiro lugar" funciona como um eixo orientador para as demais propostas
apresentadas pela candidata.
Sobre
crianças e adolescentes no ambiente digital, o documento cita três frentes de
atuação: prevenção de abuso e exploração, promoção de um ambiente digital
seguro com educação sobre riscos e busca ativa de crianças fora da escola.
O
plano, no entanto, não detalha como essas medidas seriam implementadas.
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Edmilson Costa (PCB)
O
candidato do Partido Comunista Brasileiro (PCB) não apresenta propostas
específicas para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
O plano
defende uma "forte regulação das Big Techs e redes sociais imperialistas,
com ampliação dos investimentos públicos para a criação de redes sociais
estatais nacionais", mas não detalha medidas voltadas ao público
infantojuvenil.
Para
crianças e adolescentes, o documento menciona ações voltadas ao ambiente
físico, como fortalecimento de conselhos tutelares, ampliação de creches e
orfanatos, incentivo à adoção e combate ao trabalho infantil. Não há propostas
específicas para o ambiente on-line.
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Flávio Bolsonaro (PL)
O
candidato do Partido Liberal (PL) não apresenta propostas específicas para a
proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
Há, no
entanto, menções pontuais a crianças, tecnologia e uso de dispositivos
digitais. O plano defende o esporte como ferramenta para "tirar a criança
da rua e do celular" e propõe ampliar o acesso à robótica e à internet nas
escolas, como parte das políticas de educação e inclusão tecnológica.
O
documento também aborda a proteção da privacidade e dos dados pessoais de forma
mais ampla, ao defender medidas para resguardar as informações de "quem
está do outro lado da tela", sem apresentar ações específicas para
crianças e adolescentes.
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Hertz Dias (PSTU)
O plano
de Hertz Dias tem como foco a soberania tecnológica sob controle dos
trabalhadores e faz críticas ao atual modelo de digitalização do ensino.
O
candidato não apresenta propostas específicas para a proteção de crianças e
adolescentes no ambiente digital.
O
documento também critica o que chama de "projeto da burguesia" de
militarização e plataformização das escolas públicas.
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Lula (PT)
O plano
de Lula destaca medidas já adotadas pelo governo federal, como a proibição do
uso de celulares nas escolas e a criação do Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA) Digital.
O
documento propõe aperfeiçoar o ECA Digital e regulamentar o uso de telas
conforme a faixa etária. Também prevê ações para promover o uso seguro da
tecnologia e regulamentar plataformas de jogos e outros ambientes virtuais.
Além
disso, afirma que o "combate à pedofilia continuará prioritário", com
punições para casos de exploração sexual infantil e crimes de ódio na internet.
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Pablo Marçal (PRTB)
O plano
de governo de Pablo Marçal não apresenta propostas específicas ou menções
diretas sobre crianças e adolescentes no ambiente digital. Contudo, o documento
aborda os temas de tecnologia, segurança e infância sob outras perspectivas.
O foco
tecnológico voltado para os jovens está na capacitação e na infraestrutura,
propondo a garantia de internet em 100% das escolas públicas e o fortalecimento
do ensino de computação e inteligência artificial.
O
candidato também propõe a criação de um Comando Nacional de Defesa Digital
voltado à cibersegurança e proteção de infraestruturas críticas de forma geral,
sem recortes específicos para o público infantojuvenil.
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Renan Santos (Missão)
O
candidato do Missão aborda os temas de tecnologia, regulação e juventude
separadamente, fora do tema do público infantojuvenil no ambiente digital. Em
suas propostas, Renan Santos se posiciona de forma contrária a regulação da
internet ou da mídia que possa reduzir a margem de liberdade de expressão no
Brasil.
No
tratamento de crianças e adolescentes, o foco do plano está direcionado para a
ordem e a autoridade no ambiente escolar físico, não digital. Renan defende a
criação de um código de conduta nacional para estudantes com punições objetivas
e afirma que as propostas de seu partido exigem uma reavaliação do papel do
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para restaurar a disciplina, o
respeito à hierarquia e sanar o ambiente escolar.
As
propostas de tecnologia voltadas para o público jovem buscam a formação técnica
e a retenção de talentos científicos, com foco na ampliação de vagas em cursos
de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e no estímulo à atração
de grandes datacenters para transformar o país em um polo de infraestrutura
digital
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Romeu Zema (Novo)
O
candidato do Novo concentra suas propostas para infância, juventude e
tecnologia no desenvolvimento social físico, na rigidez penal e na oposição à
regulação de conteúdos na internet, mas sem propostas que acessem,
especificamente, crianças e adolescentes no ambiente online.
O plano
adota uma postura firme de liberdade de expressão e se posiciona contra a
regulação de plataformas, chegando a propor proibir que as redes sociais
realizem a moderação de opiniões ou a exclusão de perfis.
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Ronaldo Caiado (PSD)
Caiado
propõe integrar segurança pública, conselhos tutelares, escolas e Justiça em
protocolos unificados de atendimento e investigação, com foco na proteção
contra agressões no ambiente digital, recrutamento pelo crime e exploração
sexual.
O plano
trata a proteção digital de crianças e adolescentes como área de ação
integrada, estabelecendo que todas as políticas públicas ligadas à internet e à
tecnologia deverão demonstrar impacto orçamentário e social mensurável sobre a
infância.
O
candidato também defende a consolidação em lei de regras de responsabilidade e
transparência para plataformas e mercados digitais, de modo a implementar
plenamente a proteção de crianças e adolescentes, protegendo os princípios do
Marco Civil da Internet.
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Rui Costa Pimenta (PCO)
Apresenta,
em seu plano de governo, uma visão contrária à limitação de ferramentas
tecnológicas no ambiente educacional e às regulações da internet. Posiciona-se
contra restrições nas escolas, exigindo expressamente o fim da proibição do uso
de celulares nas salas de aula.
As
propostas do candidato do PCO defendem a liberdade irrestrita de expressão na
internet, e se manifesta contra propostas regulatórias como a chamada "Lei
Felca".
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Samara Martins (UP)
Não há,
no plano de governo de Samara Martins, menções ou propostas específicas
voltadas para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Assim
como em outros planos analisados, o documento aborda os temas de infância,
juventude, tecnologia e ambiente digital de maneira separada.
As
propostas para o público infantojuvenil são centradas em direitos sociais,
educação, assistência e segurança no ambiente físico.
Já as
propostas tecnológicas do plano têm caráter macroeconômico, com foco na
soberania nacional: a candidata defende o fim do monopólio estrangeiro sobre as
redes digitais no Brasil e a democratização dos meios de comunicação e da
internet.
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Wilson Grassi (Democrata)
O plano
de governo de Wilson Grassi não apresenta propostas ou menções específicas
sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
O
candidato trata os temas de infância, juventude e tecnologia de forma separada,
em três frentes distintas: educação e juventude no mundo físico (foco em
garantir a alfabetização das crianças até o fim do segundo ano, aulas de
educação física estruturadas e programas territoriais voltados para a juventude
em áreas com maior índice de criminalidade), prevenção de violência e
tecnologia e cibersegurança (sem recorte para crianças).
Fonte:
g1

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