Esclerose
múltipla: alerta para sinais precoces e tratamentos eficazes
Rodeada
por uma série de mitos, a esclerose múltipla é uma doença neurológica, crônica
e autoimune. Isso significa que as células de defesa do corpo atacam o próprio
sistema nervoso central, causando lesões cerebrais e medulares. Entre as falsas
percepções acerca da doença, está a de que ela só atinge idosos. Na realidade,
segundo a neurologista e integrante do grupo INKI Marina Mamede Pozo, o
diagnóstico da esclerose ocorre na fase mais ativa da vida, entre os 20 e 40
anos. A resposta autoimune possui dois tipos: a forma remitente, que é mais
comum e caracterizada por surtos, e a primária progressiva, um tipo mais
agressivo.
Apesar
de ser mais comum em países que vivem sob o clima temperado, há estimativa de
que cerca de 40 mil pessoas estejam vivendo com esclerose múltipla no Brasil. A
campanha de conscientização para a doença não tem foco em ensinar sobre
prevenção ou cura, visto que não são possibilidades para a esclerose. As
informações funcionam como alerta para possíveis sinais da degeneração
autoimune no corpo. “Nem sempre é fácil reconhecer a doença logo nos primeiros
sinais. Estima-se que o tempo médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico
seja de quatro a 12 anos em estudos direcionados, principalmente nas formas
brandas”, informa a neurologista.
Apesar
de não possuir cura, a especialista afirma que os tratamentos disponíveis são
muito eficazes e podem reduzir significativamente a atividade da doença. “O
objetivo é prevenir novos surtos, reduzir o aparecimento de novas lesões no
sistema nervoso central e diminuir o risco de progressão da incapacidade”,
explica.
Além de
sintomas que afetam o humor e o bem-estar funcional, a esclerose pode atingir o
paciente com transtornos cognitivos, como o processamento da memória e a
execução de tarefas. A vida sexual também sofre impactos da doença. A
degeneração pode causar disfunção erétil em homens e diminuição da lubrificação
vaginal em mulheres. Apesar de mais comum nas mulheres, Marina Pozo destaca que
não significa exclusividade. “A esclerose múltipla não é uma doença
exclusivamente feminina e pode acometer homens, que também devem estar atentos
a sintomas neurológicos persistentes ou recorrentes”, alerta.
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Sintomas mais comuns
• Fadiga: sintoma debilitante de
instalação imprevisível ou desproporcional em relação à atividade
realizada.Manifesta-se por um cansaço intenso e momentaneamente incapacitante.
Muito comum quando o paciente se expõe ao calor ou realiza um esforço físico intenso.
• Alterações fonoaudiológicas: podem
surgir, no início da doença ou no decorrer dos anos, alterações ligadas à fala
e à deglutição com sintomas como fala lentificada, palavras arrastadas, voz
trêmula, disartrias, pronúncia hesitante das palavras ou sílabas, bem como
dificuldade para engolir líquidos, pastosos ou sólidos.
• Transtornos visuais: visão embaçada e
visão dupla (diplopia).
• Problemas de equilíbrio e coordenação:
perda de equilíbrio, tremores, instabilidade ao caminhar (ataxia), vertigens e
náuseas, falta de coordenação, debilidade (nas pernas e ao caminhar), fraqueza
geral e espasticidade, que é a rigidez de um membro ao movimentar-se e acomete,
principalmente, os membros inferiores. A parestesia compromete a sensação tátil
normal. Pode surgir como sensação de queimação ou formigamento em partes do
corpo. E outras sensações não definidas como dores musculares, por exemplo.
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Diagnóstico
O
diagnóstico é feito por um neurologista, a partir da combinação da história
clínica, do exame neurológico e de exames complementares. A ressonância
magnética do cérebro e da medula espinhal é uma das principais ferramentas,
pois pode identificar lesões características da doença.
Também
é realizada a análise do líquido cefalorraquidiano (líquor), além de outros
exames para avaliar a função das vias neurológicas e, principalmente, excluir
outras doenças que podem apresentar sintomas semelhantes.
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A vida com EM
• Pode manter uma vida de trabalho ativa
• Mulheres conseguem engravidar com o
acompanhamento correto
• Não perde, necessariamente, a mobilidade
• Não tem expectativa de vida reduzida
• Deve praticar atividades físicas
• Pode ter exposição ao sol
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Palavra do especialista - Natália Nasser Ximenes é neurologista e
neuroimunologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília
• Como funciona a escolha do tratamento?
A
escolha é individualizada. Levamos em conta, principalmente, o tipo de
esclerose múltipla, a atividade da doença — como número de surtos e novas
lesões na ressonância —, o grau de incapacidade, idade, outras doenças e planos
reprodutivos. Também consideramos o perfil de segurança e as características de
cada medicamento. Hoje, o objetivo é controlar a atividade inflamatória o mais
precocemente possível e prevenir o acúmulo de incapacidade.
• Quais recomendações de estilo de vida
têm evidência científica no manejo da condição?
A
principal recomendação é manter atividade física regular e adaptada às
condições de cada paciente. Também é importante não fumar, manter uma
alimentação equilibrada, sono adequado, peso saudável, vacinação em dia e
níveis adequados de vitamina D. Não existe, até o momento, uma dieta específica
comprovadamente capaz de controlar a esclerose múltipla, mas existem evidências
de que a dieta do mediterrâneo pode ser útil no controle da doença.
• Existe algum motivo para a esclerose
múltipla ser mais comum em mulheres?
Não
existe uma explicação única. A esclerose múltipla é cerca de duas a três vezes
mais frequente em mulheres, e acredita-se que essa diferença resulte da
interação entre fatores genéticos, hormonais e ambientais. Os hormônios sexuais
influenciam o funcionamento do sistema imunológico e podem ajudar a explicar
parte dessa diferença, mas outros fatores também estão envolvidos.
Fonte:
Correio Braziliense

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