Veja
o que é #FATO e o que é #FAKE na entrevista de Augusto Cury à Globo
O
candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, foi
entrevistado neste sábado (29) pela Globo.
Conduzida
pelos jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli, diretamente dos Estúdios
Globo, no Rio, a entrevista faz parte de uma série realizada com
presidenciáveis. É a primeira vez que as sabatinas com postulantes ao Palácio
do Planalto são exibidas após o "Jornal Nacional", e não durante o
telejornal. A emissora convidou os seis mais bem colocados na pesquisa de
intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas
foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
A
equipe do Fato ou Fake checou as principais declarações de Augusto Cury. Leia:
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"Você sabe, as bets [faturam] R$ 30 milhões – 30 bilhões por mês. No final
do ano, R$ 360 [bilhões], R$ 400 bilhões."
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A declaração é #FAKE: Veja por quê:
• Os valores mencionados por Augusto Cury
são cerca de dez vezes maiores do que os números reais de receita das bets,
tanto na média mensal quanto no valor anual, segundo dados de 2025 da
Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA).
• Em 2025, as empresas de apostas
obtiveram uma receita bruta (valor sem descontos e impostos) de R$ 37 bilhões,
o que corresponde a uma média mensal de R$ 3,08 bilhões.
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"Sabe quanto as bets pagam de imposto? Pagam 12%."
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#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
• O percentual mencionado pelo candidato
está desatualizado. Em 26 de dezembro de 2025, o governo federal sancionou a
Lei Complementar 224/2025, que aumenta gradualmente os impostos cobrados sobre
as bets no país.
• Em 2025, a taxação sobre o rendimento
bruto das empresas de apostas era de 12%, conforme estipulado pela Lei das
Bets, sancionada em 31 de dezembro de 2023.
• A lei complementar definiu que o imposto
cobrado passaria para 13% em 2026. O texto também determinou que a taxação
subirá para 14% em 2027 e 15% em 2028.
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"[A] Cada 1 ponto percentual da taxa Selic, nós pagamos quase R$ 100
bilhões a mais para rolar a dívida federal."
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#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
• Mensalmente, o Banco Central divulga a
nota "Estatísticas fiscais”, que mostra o impacto de uma alta de 1 ponto
percentual na Selic, mantida por 12 meses, sobre a Dívida Bruta do Governo
Geral (DBGG) e a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP). A DLSP aponta quanto o
setor público — que inclui governos federal, estadual e municipal, mas exclui
estatais e o Banco Central — deve depois de descontados os valores que tem a
receber. Já a DBGG considera apenas o total das dívidas do governo federal, dos
estados e dos municípios.
• Segundo a divulgação mais recente, de 31
de julho, o impacto estimado da elevação de 1 ponto percentual da Selic na DBGG
seria de R$ 60,6 bilhões, enquanto o impacto na DLSP, de R$ 66,1 bilhões.
• Segundo as estimativas apresentadas da
edição de 30 de junho do mesmo relatório, uma alta de 1 ponto percentual na
Selic, mantida por 12 meses, teria impacto de R$ 59,3 bilhões na dívida bruta.
Na dívida líquida, o impacto seria de R$ 65,0 bilhões.
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"Sabe quanto tempo demora para ter uma consulta com um oftalmologista
[pelo SUS]? 57 dias. Com cardiologista também. Em Brasília, tem dados que são
mais de 100 dias."
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#NÃOÉBEMASSIM. Veja por quê:
• O jornal "O Globo" publicou,
em março de 2025, uma reportagem detalhando números do Ministério da Saúde
obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI). Eles mostram que pacientes
precisaram aguardar, em média, quase dois meses (57 dias) para serem atendidos
em 2024 no Sistema Único de Saúde (SUS). Mas o cálculo engloba as 57
especialidades, nas 27 unidades da federação, e não apenas a espera para
consultas de oftalmologia.
• Ao fazer o recorte do tempo de espera
para consultas oftalmológicas no SUS, que representaram a principal demanda do
Sistema em 2024, com cerca 175,9 mil solicitações, o tempo de espera salta para
83 dias, quase três meses, considerando a média no país.
• No caso do tempo de espera para
consultas na especialidade de cardiologia, é possível calcular uma média em
torno de 52 dias.
• Ao Fato ou Fake, a assessoria de
imprensa de Augusto Cury mencionou justamente a reportagem de “O Globo” como
fonte dos números citados por ele na entrevista.
• Mas o levantamento não tem um dado
específico sobre a capital federal. Com relação ao DF, o registro
correspondente a 2024 foi de uma média de espera para consultas de oftalmologia
de 180,9 dias – e, para cardiologia, de 104,2 dias. Nas duas especialidades, o
DF tem uma das filas mais demoradas do país em comparação com outros estados da
federação.
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"Sabe quantas mulheres morreram [por feminicídio] no ano passado? Foram
1.571."
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A declaração é #FATO. Veja por quê:
• Segundo o 20º Anuário Brasileiro de
Segurança Pública, divulgado em 23 de julho deste ano, 3.539 mulheres foram
assassinadas em 2025 no Brasil.
• O relatório também aponta que, deste
total, 1.571 foram vítimas de feminicídio, que ocorre quando o assassinato
envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição
de mulher da vítima.
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"Um chinês emite quatro vezes mais carbono que um brasileiro; um
americano, sete vezes mais."
>>>#NÃOÉBEMASSIM:
Veja por quê:
• De acordo com os dados mais recentes da
Our World In Data, projeto liderado por pesquisadores da Universidade de
Oxford, um brasileiro emite, em média, 2,37 toneladas de CO2 por ano. Um chinês
emite 7,9 toneladas. E um americano, 14,76 toneladas.
• Mas esses dados não incluem o índice
“Mudança no Uso da Terra e Florestas”, que considera também as emissões
causadas por desmatamento. Considerando esse fator, também com dados da Our
World In Data, a relação entre Brasil, China e Estados Unidos muda.
• O Brasil tem uma emissão de CO2 per
capita de 9,82 toneladas — quase quatro vezes maior do que a registrada sem
considerar o desmatamento. Continua sendo menor que o índice per capita dos
Estados Unidos, que é de 14,52 toneladas por ano, mas com uma diferença menos
expressiva. E supera a emissão per capita da China, que é de 8,43 toneladas por
ano.
• Procurada pelo Fato ou Fake, a
assessoria do candidato Augusto Cury confirmou que a fonte usada para a
afirmação foi a Our World in Data.
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"Nós temos que dobrar a produção de alimentos do Brasil nos próximos dez
anos. Nós produzimos 350 milhões de toneladas, precisamos produzir 700 milhões
de toneladas."
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A declaração é #FATO. Veja por quê:
• Os dados mais recentes publicados pela
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), referentes a 2024/2025, apontam
que a safra brasileira chegou ao recorde de 350,2 milhões de toneladas.
• O volume foi 16,3% maior que o da safra
2023/24, com 49,1 milhões de toneladas colhidas a mais. Milho, soja, arroz e
algodão representam, juntos, cerca de 47 milhões de toneladas desse aumento.
• O recorde, até então, era o da safra
2022/23, com 324 milhões de toneladas.
Fonte:
g1

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