Venezuela:
Maior roubo da História
Trump
acaba de anunciar um dos maiores roubos da história. Talvez o maior.
Seu
governo declara que simplesmente se apropriará, de forma desavergonhada, e
explorará livremente 65 bilhões de barris de petróleo das reservas da
Venezuela.
Multiplicado
pelo preço do barril de hoje, de cerca de US$ 88, o valor monetário do roubo é
de US$ 5 trilhões e 720 bilhões. Não creio que haja registro de um roubo desse
calibre trilionário, de uma penada só.
Ressalte-se
que não foi anunciado qualquer pagamento dos EUA para explorar essas reservas
trilionárias.
Ao
contrário do que afirmou um imbecil na televisão, não são “jazidas privadas”.
Na
Venezuela, as jazidas e a produção de petróleo foram nacionalizadas em 1º de
janeiro de 1976, ainda no governo de Carlos Andrés Pérez, muito antes de
Chávez.
Foi
também no governo de Carlos Andrés Pérez que foi fundada a PDVSA, a operadora
estatal da Venezuela.
Ressalte-se
que, nesse aspecto, o governo de Pérez seguiu, em grande parte, os conselhos de
Celso Furtado sobre o tema.
Furtado
escreveu, em 1974, que o aumento dos preços internacionais do petróleo expandia
o “campo do possível” da Venezuela e que, se o governo venezuelano tomasse as
decisões corretas e investisse na sua agropecuária e na sua indústria, aquele
país seria o primeiro da América Latina a se tornar “desenvolvido”.
Não foi
o que aconteceu, por diversos motivos. Prevaleceu a “doença holandesa”.
Mesmo
assim, o Estado venezuelano, já naquela época, assumiu o comando total sobre a
exploração, refino e comercialização das reservas.
Na
década de 1990, devido à queda dos preços do óleo, foi permitida a entrada de
multinacionais na produção e comercialização, mas as reservas não foram
“privatizadas”.
Já no
governo Chávez, em 2007, houve um maior controle do Estado na produção. Os
contratos anteriores com multinacionais foram transformados em empreendimentos
mistos, nos quais a estatal PDVSA passou a deter obrigatoriamente pelo menos
60% das ações.
Por
isso, algumas multinacionais resolveram sair da Venezuela, embora algumas
tenham ficado, como a Chevron, que está lá até hoje. Contudo, foi a partir
desse fato que a pressão geopolítica sobre Chávez começou a se avolumar.
Agora,
com a Venezuela convertida em protetorado, anuncia-se esse roubo histórico
descarado. Evidentemente, não houve acordo algum. O atual governo da Venezuela
foi forçado a aceitar a rapinagem trumpista.
Pode-se
perguntar se Tariflávio e outros candidatos da nossa direita prometeram algo
semelhante a Trump, tanto em relação ao petróleo quanto aos minerais críticos.
Não
duvidamos. Boa parte das nossas oligarquias está alinhada com a doutrina
“Donroe” e com a vassalagem geopolítica exigida por Trump. Essa é a maior
corrupção que pode existir. Corromper os interesses nacionais. Vender o país.
Torná-lo vassalo, quintal.
Lula é
o único candidato efetivamente comprometido com a soberania nacional e com o
Brasil.
¨ Venezuela diz que
mantém sua “soberania” petrolífera após acordo com EUA
A
presidente interina da Venezuela acalmou as tensões no sábado (29), ao explicar
que o país manterá a "propriedade e soberania" sobre seu petróleo,
após um acordo controverso anunciado no dia anterior que permite aos Estados
Unidos explorar os campos petrolíferos venezuelanos.
O
acordo gerou dúvidas entre a população venezuelana, apesar das esperanças de
recuperação econômica.
O
presidente americano, Donald Trump, anunciou na sexta-feira que os Estados
Unidos terão o controle majoritário de 65 bilhões de barris das reservas de
petróleo da Venezuela, no que ele descreveu como "o maior acordo
petrolífero da história".
A
presidente interina, Delcy Rodríguez, esclareceu no sábado que a Venezuela
mantém a propriedade dos 17 "campos estratégicos" que os Estados
Unidos controlarão, com o objetivo de produzir 1,5 milhão de barris por
dia.
A
Venezuela receberá US$ 19 (R$ 98,79) por barril vendido.
"Queremos
ser uma potência energética, uma grande produtora de petróleo, uma exportadora
significativa de gás e uma grande desenvolvedora petroquímica", disse a
presidente em um pronunciamento televisionado para justificar sua escolha pelo "caminho
da diplomacia" com os Estados Unidos.
As
negociações geram preocupação entre os apoiadores do chavismo, pois ocorrem em
meio à intensa pressão de Washington sobre o governo de Rodríguez, que assumiu
o poder em janeiro após a captura e deposição de Nicolás Maduro em uma operação
dos Estados Unidos.
"Não
sabemos quem se beneficiará com isso, se a Venezuela ou eles (os Estados
Unidos)", disse à AFP Jesús Salazar, um segurança privado de 68 anos.
"Tenho minhas dúvidas, mas temos que esperar para ver o que
acontece", acrescentou.
O
Partido Socialista Unido da Venezuela, no poder, reafirmou seu apoio à decisão.
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Petróleo e pobreza
Sob
pressão de Washington, Rodríguez implementou reformas nos últimos meses para
abrir os setores de petróleo e mineração — indústrias antes zelosamente
protegidas pelo Estado — ao capital privado, especialmente ao investimento
estrangeiro.
Ao
mesmo tempo, os Estados Unidos flexibilizaram as sanções petrolíferas impostas
durante o governo Maduro.
A
produção de petróleo aumentou 29,8% de janeiro a julho, quando a Venezuela
atingiu 1,2 milhão de barris por dia, mas permanece longe dos 3 milhões de
barris por dia extraídos no final do século passado.
O
acordo visa recuperar esses níveis máximos de produção, mas analistas concordam
que isso só acontecerá a longo prazo.
"O
aumento da produção não será visto por pelo menos três ou quatro anos",
estima o engenheiro Oswaldo Felizzola.
Esse
especialista em petróleo vê com bons olhos a atuação dos Estados Unidos como
"garantidor" de investimentos na Venezuela, que não consegue atrair
capital significativo há mais de uma década.
"Se
não fosse assim, esses campos não seriam explorados nos próximos 10 ou 15 anos,
porque a PDVSA (Petróleos da Venezuela) não tem os recursos econômicos para
isso", afirma Felizzola, professor do Instituto de Estudos Superiores em
Administração.
Uma
operação dessa magnitude poderia acelerar a tão esperada recuperação econômica
da Venezuela, que ainda se recupera da brutal contração de 80% sofrida entre
2014 e 2021.
Essa é
a esperança de muitos venezuelanos que mal sobrevivem com um salário mínimo
mensal equivalente a US$ 0,16 (R$ 0,83) e bônus estatais que chegam a US$ 240
(R$ 1.247) por mês, bem longe do custo de US$ 730 (R$ 3.795) da cesta básica,
segundo estimativas privadas.
"Se
eles querem o petróleo daqui, da Venezuela, têm que pagar pelo preço atual,
porque a Venezuela não vai dar o petróleo de graça", diz Carlos
Baco. Esse funcionário público, de 74 anos, espera que, com a receita do
petróleo, a economia melhore. Seu bolso não sentiu o efeito do aumento da
produção nos últimos meses.
"Até
agora, não vimos nada. O consumo e os alimentos estão mais caros... o dólar
sobe, e os preços das mercadorias também, tudo sobe, transporte, tudo. Isso é
impossível aqui", afirma.
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Mais dúvidas do que certezas
Rodríguez,
que descreveu o acordo como "histórico", afirmou que espera que ele
gere US$ 204 bilhões (R$ 1 trilhão) em receita tributária, mas não especificou
os ganhos de outras fontes, como os royalties.
Os
poucos detalhes compartilhados pelas autoridades venezuelanas e americanas
impossibilitam uma avaliação precisa de seu impacto.
Para o
analista Elías Ferrer, a mera existência dos investimentos é uma boa notícia,
apesar das condições.
"Sem
dúvida, isso é melhor do que antes, porque antes, esse petróleo não estava
sendo explorado. Se ninguém o explora, ninguém paga royalties e ninguém se
beneficia dele", comentou.
Os
Estados Unidos definem os termos da negociação, mas o benefício para a
Venezuela dependerá da implementação do acordo.
"Poderia
ser melhor do que este acordo? Muito provavelmente, sim", acrescentou
Ferrer.
"Se
tudo for feito corretamente (...) será uma grande oportunidade para a Venezuela
ver seu setor petrolífero se reerguer", afirma a advogada Dolores Dobarro,
ex-vice-ministra de Energia da Venezuela.
¨ 'É um cenário de
desgaste absoluto na Bolívia': o que Paz enfrenta na política e na economia?
O
governo da Bolívia enfrenta um panorama político e econômico complicado, com a
perspectiva de que não melhorará. Até o vice-presidente Edmand Lara disse à
imprensa: "Se houver um referendo hoje, sairemos. Temos que ser honestos:
sairemos com mais de 80%".
Pela
lei da nação sul-americana, esse mecanismo
poderá ser acionado quando o Executivo completar dois anos de mandato. Por
enquanto, o presidente Rodrigo Paz está no poder há 10 meses.
Legisladores
da oposição, e mesmo do partido no poder, expressaram a
sua consternação pela oportunidade que perdem as forças liberais, que
regressaram ao poder depois de 20 anos e, em vez de executarem o seu
plano de governo, facilitam "o regresso dos movimentos
populares" à Casa Grande del Pueblo.
Em 20
de junho, Paz decretou estado de emergência para deter as
mobilizações de camponeses e trabalhadores que, durante 53 dias, mantiveram o
território boliviano paralisado, exigindo a renúncia do governo. O
presidente conseguiu resolver este conflito sem que os militares e a
polícia abrissem fogo contra a população, como permite a regulamentação ainda
em vigor, que foi referendada pelo plenário da Assembleia Legislativa
Plurinacional.
Nestes
dois meses, o governo não conseguiu resolver os problemas econômicos ou a
escassez de combustível. Em vez disso, lutou com seus aliados, como Samuel
Doria Medina, da Alianza Unidad, a terceira força da Assembleia. Além disso,
teve que enfrentar escândalos políticos, como a aquisição de um Audi Q4
pelo seu ex-ministro da Economia, Gabriel Espinoza, que deixou o
gabinete por ordem dos parlamentares, devido a este e outros problemas, até
agora, sem resolução.
A
prisão do "assessor pessoal" de Paz, como se
apresentava Fernando Cerimedo, think tank dos movimentos conservadores e
liberais da América Latina, também prejudicou a imagem do governo. Nos últimos
dias, políticos da oposição pediram ao governo que esclarecesse a sua
ligação com o novo recluso da prisão de Palmasola, Santa Cruz (centro).
Lara e
Paz se distanciaram assim que tomaram posse, em novembro de 2025. O
vice-presidente reconheceu: "Me preocupa como, em tão pouco tempo,
estamos desacreditados como governo. Somos muito malvistos pela
sociedade".
Paz
chegou ao Poder Executivo junto com o Partido Democrata Cristão
(PDC), cujos legisladores não lhe respondem integralmente na Assembleia. O
deputado do partido governista, Diego Copa, dirigiu-se a ele pela
imprensa: "Presidente Rodrigo Paz: você matou o liberalismo, porque
ninguém acredita mais nos liberais".
"O
movimento popular volta, o movimento de esquerda volta e vocês não gostam, mas
por causa de quem? Por causa do nosso presidente."
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Uma encruzilhada forte
"É
um cenário de desgaste absoluto do governo nacional, impulsionado
principalmente por [ele mesmo]. Não é que fatores externos tenham
necessariamente desempenhado um papel central, mas sim que [a Administração]
vem se metendo em problemas quase voluntariamente. Não houve uma semana em que
não houvesse um novo escândalo, uma nova polêmica. Isso o levou a viver
hoje uma verdadeira crise de credibilidade diante da população", disse o
analista Marcelo Arequipa para a Sputnik.
Além
disso, Paz tem que lidar com "uma crise política diante do
Legislativo, porque o governo não tem números suficientes para promover
qualquer decisão, ou pelo menos ter maioria para avançar alguma coisa",
segundo o especialista. Projetos como a Lei de Investimentos, essencial para a
execução do plano econômico do partido no poder, não avançam na Assembleia.
Arequipa
avaliou que, desde a eclosão do caso Cerimedo, em 17 de agosto, a imagem
presidencial foi muito afetada.
"Isso
vai além daquela possível tentativa de feminicídio, pois está sendo aberto um
processo legal contra Cerimedo por legitimação de bens de origem
ilícita. É aí que a comoção em torno [do líder] se intensifica. O governo
está mergulhado em um problema enorme que ameaça enterrá-lo, dado o
sentimento predominante de que não se pode confiar em sua palavra
atualmente."
Somados
ao processo aberto contra Espinoza pela compra irregular de seu veículo de
luxo, "esses eventos desferem um golpe devastador na credibilidade
moral do governo", afirmou o analista político e acadêmico.
Nos
últimos dias, dez setores sociais alertaram que iniciarão protestos contra
o governo assim que o estado de exceção terminar, daqui a três semanas. Os
grupos insatisfeitos variam desde agricultores e representantes do agronegócio
até transportadores e mineiros. Em Arequipa, as
condições para manifestações serão mais
favoráveis do que durante os
"53 dias".
"Agora
eles dispõem de um argumento retórico para defender sua causa perante o
público. Há um acúmulo de descontentamento em relação a Rodrigo Paz, e isso
servirá, na prática, como moeda de troca para as organizações que estão se
mobilizando para protestar ao lado da população."
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Deslocamento para os extremos
Em
entrevista à Sputnik, o analista Gabriel Campero alertou que a
situação atual pode seguir um de dois caminhos: o fortalecimento
dos "movimentos populares" mencionados na Assembleia ou o
fortalecimento político de Jorge Tuto Quiroga (2001–2002), derrotado
no segundo turno das eleições de 2025 pelo atual presidente. O ex-líder comanda
a Alianza Libre, a segunda maior força no Parlamento.
O
especialista observou que o governo nacional adotou "uma postura
muito arrogante" após encerrar com sucesso o bloqueio de 53 dias.
Essa atitude afastou tanto seu aliado Doria Medina quanto Quiroga — que, apesar
das divergências, havia mobilizado seus parlamentares para apoiar o decreto de
estado de emergência.
"A
insatisfação surgiu não apenas na facção leal a Tuto Quiroga, mas também entre
aliados que haviam disponibilizado pessoal — com base em suas próprias
avaliações sobre a qualificação, a participação e o ativismo dos quadros de
suas fileiras", afirmou o analista.
Segundo
Campero, a percepção de aliados e ex-aliados é a de que "o governo
[atual] não conseguiu implementar as reformas desejadas, mesmo tendo recebido
deles a aprovação do estado de emergência para garantir a governabilidade
durante aqueles três meses".
Fonte:
Por Marcelo Zero, em Viomundo/Correio Braziliense

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