terça-feira, 1 de setembro de 2026

Venezuela: Maior roubo da História

Trump acaba de anunciar um dos maiores roubos da história. Talvez o maior.

Seu governo declara que simplesmente se apropriará, de forma desavergonhada, e explorará livremente 65 bilhões de barris de petróleo das reservas da Venezuela.

Multiplicado pelo preço do barril de hoje, de cerca de US$ 88, o valor monetário do roubo é de US$ 5 trilhões e 720 bilhões. Não creio que haja registro de um roubo desse calibre trilionário, de uma penada só.

Ressalte-se que não foi anunciado qualquer pagamento dos EUA para explorar essas reservas trilionárias.

Ao contrário do que afirmou um imbecil na televisão, não são “jazidas privadas”.

Na Venezuela, as jazidas e a produção de petróleo foram nacionalizadas em 1º de janeiro de 1976, ainda no governo de Carlos Andrés Pérez, muito antes de Chávez.

Foi também no governo de Carlos Andrés Pérez que foi fundada a PDVSA, a operadora estatal da Venezuela.

Ressalte-se que, nesse aspecto, o governo de Pérez seguiu, em grande parte, os conselhos de Celso Furtado sobre o tema.

Furtado escreveu, em 1974, que o aumento dos preços internacionais do petróleo expandia o “campo do possível” da Venezuela e que, se o governo venezuelano tomasse as decisões corretas e investisse na sua agropecuária e na sua indústria, aquele país seria o primeiro da América Latina a se tornar “desenvolvido”.

Não foi o que aconteceu, por diversos motivos. Prevaleceu a “doença holandesa”.

Mesmo assim, o Estado venezuelano, já naquela época, assumiu o comando total sobre a exploração, refino e comercialização das reservas.

Na década de 1990, devido à queda dos preços do óleo, foi permitida a entrada de multinacionais na produção e comercialização, mas as reservas não foram “privatizadas”.

Já no governo Chávez, em 2007, houve um maior controle do Estado na produção. Os contratos anteriores com multinacionais foram transformados em empreendimentos mistos, nos quais a estatal PDVSA passou a deter obrigatoriamente pelo menos 60% das ações.

Por isso, algumas multinacionais resolveram sair da Venezuela, embora algumas tenham ficado, como a Chevron, que está lá até hoje. Contudo, foi a partir desse fato que a pressão geopolítica sobre Chávez começou a se avolumar.

Agora, com a Venezuela convertida em protetorado, anuncia-se esse roubo histórico descarado. Evidentemente, não houve acordo algum. O atual governo da Venezuela foi forçado a aceitar a rapinagem trumpista.

Pode-se perguntar se Tariflávio e outros candidatos da nossa direita prometeram algo semelhante a Trump, tanto em relação ao petróleo quanto aos minerais críticos.

Não duvidamos. Boa parte das nossas oligarquias está alinhada com a doutrina “Donroe” e com a vassalagem geopolítica exigida por Trump. Essa é a maior corrupção que pode existir. Corromper os interesses nacionais. Vender o país. Torná-lo vassalo, quintal.

Lula é o único candidato efetivamente comprometido com a soberania nacional e com o Brasil.

¨      Venezuela diz que mantém sua “soberania” petrolífera após acordo com EUA

A presidente interina da Venezuela acalmou as tensões no sábado (29), ao explicar que o país manterá a "propriedade e soberania" sobre seu petróleo, após um acordo controverso anunciado no dia anterior que permite aos Estados Unidos explorar os campos petrolíferos venezuelanos. 

O acordo gerou dúvidas entre a população venezuelana, apesar das esperanças de recuperação econômica. 

O presidente americano, Donald Trump, anunciou na sexta-feira que os Estados Unidos terão o controle majoritário de 65 bilhões de barris das reservas de petróleo da Venezuela, no que ele descreveu como "o maior acordo petrolífero da história". 

A presidente interina, Delcy Rodríguez, esclareceu no sábado que a Venezuela mantém a propriedade dos 17 "campos estratégicos" que os Estados Unidos controlarão, com o objetivo de produzir 1,5 milhão de barris por dia. 

A Venezuela receberá US$ 19 (R$ 98,79) por barril vendido. 

"Queremos ser uma potência energética, uma grande produtora de petróleo, uma exportadora significativa de gás e uma grande desenvolvedora petroquímica", disse a presidente em um pronunciamento televisionado para justificar sua escolha pelo "caminho da diplomacia" com os Estados Unidos. 

As negociações geram preocupação entre os apoiadores do chavismo, pois ocorrem em meio à intensa pressão de Washington sobre o governo de Rodríguez, que assumiu o poder em janeiro após a captura e deposição de Nicolás Maduro em uma operação dos Estados Unidos.

"Não sabemos quem se beneficiará com isso, se a Venezuela ou eles (os Estados Unidos)", disse à AFP Jesús Salazar, um segurança privado de 68 anos. "Tenho minhas dúvidas, mas temos que esperar para ver o que acontece", acrescentou.

O Partido Socialista Unido da Venezuela, no poder, reafirmou seu apoio à decisão.

<><> Petróleo e pobreza 

Sob pressão de Washington, Rodríguez implementou reformas nos últimos meses para abrir os setores de petróleo e mineração — indústrias antes zelosamente protegidas pelo Estado — ao capital privado, especialmente ao investimento estrangeiro.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos flexibilizaram as sanções petrolíferas impostas durante o governo Maduro. 

A produção de petróleo aumentou 29,8% de janeiro a julho, quando a Venezuela atingiu 1,2 milhão de barris por dia, mas permanece longe dos 3 milhões de barris por dia extraídos no final do século passado. 

O acordo visa recuperar esses níveis máximos de produção, mas analistas concordam que isso só acontecerá a longo prazo. 

"O aumento da produção não será visto por pelo menos três ou quatro anos", estima o engenheiro Oswaldo Felizzola. 

Esse especialista em petróleo vê com bons olhos a atuação dos Estados Unidos como "garantidor" de investimentos na Venezuela, que não consegue atrair capital significativo há mais de uma década. 

"Se não fosse assim, esses campos não seriam explorados nos próximos 10 ou 15 anos, porque a PDVSA (Petróleos da Venezuela) não tem os recursos econômicos para isso", afirma Felizzola, professor do Instituto de Estudos Superiores em Administração.

Uma operação dessa magnitude poderia acelerar a tão esperada recuperação econômica da Venezuela, que ainda se recupera da brutal contração de 80% sofrida entre 2014 e 2021. 

Essa é a esperança de muitos venezuelanos que mal sobrevivem com um salário mínimo mensal equivalente a US$ 0,16 (R$ 0,83) e bônus estatais que chegam a US$ 240 (R$ 1.247) por mês, bem longe do custo de US$ 730 (R$ 3.795) da cesta básica, segundo estimativas privadas. 

"Se eles querem o petróleo daqui, da Venezuela, têm que pagar pelo preço atual, porque a Venezuela não vai dar o petróleo de graça", diz Carlos Baco. Esse funcionário público, de 74 anos, espera que, com a receita do petróleo, a economia melhore. Seu bolso não sentiu o efeito do aumento da produção nos últimos meses. 

"Até agora, não vimos nada. O consumo e os alimentos estão mais caros... o dólar sobe, e os preços das mercadorias também, tudo sobe, transporte, tudo. Isso é impossível aqui", afirma.

<><> Mais dúvidas do que certezas 

Rodríguez, que descreveu o acordo como "histórico", afirmou que espera que ele gere US$ 204 bilhões (R$ 1 trilhão) em receita tributária, mas não especificou os ganhos de outras fontes, como os royalties. 

Os poucos detalhes compartilhados pelas autoridades venezuelanas e americanas impossibilitam uma avaliação precisa de seu impacto. 

Para o analista Elías Ferrer, a mera existência dos investimentos é uma boa notícia, apesar das condições. 

"Sem dúvida, isso é melhor do que antes, porque antes, esse petróleo não estava sendo explorado. Se ninguém o explora, ninguém paga royalties e ninguém se beneficia dele", comentou. 

Os Estados Unidos definem os termos da negociação, mas o benefício para a Venezuela dependerá da implementação do acordo. 

"Poderia ser melhor do que este acordo? Muito provavelmente, sim", acrescentou Ferrer.

"Se tudo for feito corretamente (...) será uma grande oportunidade para a Venezuela ver seu setor petrolífero se reerguer", afirma a advogada Dolores Dobarro, ex-vice-ministra de Energia da Venezuela.

¨      'É um cenário de desgaste absoluto na Bolívia': o que Paz enfrenta na política e na economia?

O governo da Bolívia enfrenta um panorama político e econômico complicado, com a perspectiva de que não melhorará. Até o vice-presidente Edmand Lara disse à imprensa: "Se houver um referendo hoje, sairemos. Temos que ser honestos: sairemos com mais de 80%".

Pela lei da nação sul-americana, esse mecanismo poderá ser acionado quando o Executivo completar dois anos de mandato. Por enquanto, o presidente Rodrigo Paz está no poder há 10 meses.

Legisladores da oposição, e mesmo do partido no poder, expressaram a sua consternação pela oportunidade que perdem as forças liberais, que regressaram ao poder depois de 20 anos e, em vez de executarem o seu plano de governo, facilitam "o regresso dos movimentos populares" à Casa Grande del Pueblo.

Em 20 de junho, Paz decretou estado de emergência para deter as mobilizações de camponeses e trabalhadores que, durante 53 dias, mantiveram o território boliviano paralisado, exigindo a renúncia do governo. O presidente conseguiu resolver este conflito sem que os militares e a polícia abrissem fogo contra a população, como permite a regulamentação ainda em vigor, que foi referendada pelo plenário da Assembleia Legislativa Plurinacional.

Nestes dois meses, o governo não conseguiu resolver os problemas econômicos ou a escassez de combustível. Em vez disso, lutou com seus aliados, como Samuel Doria Medina, da Alianza Unidad, a terceira força da Assembleia. Além disso, teve que enfrentar escândalos políticos, como a aquisição de um Audi Q4 pelo seu ex-ministro da Economia, Gabriel Espinoza, que deixou o gabinete por ordem dos parlamentares, devido a este e outros problemas, até agora, sem resolução.

A prisão do "assessor pessoal" de Paz, como se apresentava Fernando Cerimedo, think tank dos movimentos conservadores e liberais da América Latina, também prejudicou a imagem do governo. Nos últimos dias, políticos da oposição pediram ao governo que esclarecesse a sua ligação com o novo recluso da prisão de Palmasola, Santa Cruz (centro).

Lara e Paz se distanciaram assim que tomaram posse, em novembro de 2025. O vice-presidente reconheceu: "Me preocupa como, em tão pouco tempo, estamos desacreditados como governo. Somos muito malvistos pela sociedade".

Paz chegou ao Poder Executivo junto com o Partido Democrata Cristão (PDC), cujos legisladores não lhe respondem integralmente na Assembleia. O deputado do partido governista, Diego Copa, dirigiu-se a ele pela imprensa: "Presidente Rodrigo Paz: você matou o liberalismo, porque ninguém acredita mais nos liberais".

"O movimento popular volta, o movimento de esquerda volta e vocês não gostam, mas por causa de quem? Por causa do nosso presidente."

<><> Uma encruzilhada forte

"É um cenário de desgaste absoluto do governo nacional, impulsionado principalmente por [ele mesmo]. Não é que fatores externos tenham necessariamente desempenhado um papel central, mas sim que [a Administração] vem se metendo em problemas quase voluntariamente. Não houve uma semana em que não houvesse um novo escândalo, uma nova polêmica. Isso o levou a viver hoje uma verdadeira crise de credibilidade diante da população", disse o analista Marcelo Arequipa para a Sputnik.

Além disso, Paz tem que lidar com "uma crise política diante do Legislativo, porque o governo não tem números suficientes para promover qualquer decisão, ou pelo menos ter maioria para avançar alguma coisa", segundo o especialista. Projetos como a Lei de Investimentos, essencial para a execução do plano econômico do partido no poder, não avançam na Assembleia.

Arequipa avaliou que, desde a eclosão do caso Cerimedo, em 17 de agosto, a imagem presidencial foi muito afetada.

"Isso vai além daquela possível tentativa de feminicídio, pois está sendo aberto um processo legal contra Cerimedo por legitimação de bens de origem ilícita. É aí que a comoção em torno [do líder] se intensifica. O governo está mergulhado em um problema enorme que ameaça enterrá-lo, dado o sentimento predominante de que não se pode confiar em sua palavra atualmente."

Somados ao processo aberto contra Espinoza pela compra irregular de seu veículo de luxo, "esses eventos desferem um golpe devastador na credibilidade moral do governo", afirmou o analista político e acadêmico.

Nos últimos dias, dez setores sociais alertaram que iniciarão protestos contra o governo assim que o estado de exceção terminar, daqui a três semanas. Os grupos insatisfeitos variam desde agricultores e representantes do agronegócio até transportadores e mineiros. Em Arequipa, as condições para manifestações serão mais favoráveis ​​do que durante os "53 dias".

"Agora eles dispõem de um argumento retórico para defender sua causa perante o público. Há um acúmulo de descontentamento em relação a Rodrigo Paz, e isso servirá, na prática, como moeda de troca para as organizações que estão se mobilizando para protestar ao lado da população."

<><> Deslocamento para os extremos

Em entrevista à Sputnik, o analista Gabriel Campero alertou que a situação atual pode seguir um de dois caminhos: o fortalecimento dos "movimentos populares" mencionados na Assembleia ou o fortalecimento político de Jorge Tuto Quiroga (2001–2002), derrotado no segundo turno das eleições de 2025 pelo atual presidente. O ex-líder comanda a Alianza Libre, a segunda maior força no Parlamento.

O especialista observou que o governo nacional adotou "uma postura muito arrogante" após encerrar com sucesso o bloqueio de 53 dias. Essa atitude afastou tanto seu aliado Doria Medina quanto Quiroga — que, apesar das divergências, havia mobilizado seus parlamentares para apoiar o decreto de estado de emergência.

"A insatisfação surgiu não apenas na facção leal a Tuto Quiroga, mas também entre aliados que haviam disponibilizado pessoal — com base em suas próprias avaliações sobre a qualificação, a participação e o ativismo dos quadros de suas fileiras", afirmou o analista.

Segundo Campero, a percepção de aliados e ex-aliados é a de que "o governo [atual] não conseguiu implementar as reformas desejadas, mesmo tendo recebido deles a aprovação do estado de emergência para garantir a governabilidade durante aqueles três meses".

 

Fonte: Por Marcelo Zero, em Viomundo/Correio Braziliense

 

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