As
eleições argentinas, as decisivas na América Latina
A
América Latina apresenta hoje dois dos três governos mais importantes no
continente, os do Brasil e do México, com governos sólidos, com boas
perspectivas de continuidade e aliados entre si não apenas politicamente, mas
com projetos energéticos comuns.
O
terceiro, o de Javier Milei, na Argentina, aparece, ao contrário, como o
exemplo mais evidente do modelo neoliberal do Estado mínimo. A ponto de Milei
ter chegado a declarar que, entre o Estado e a máfia, prefere a máfia,
revelando toda a sua posição radicalmente oposta à dos outros dois países.
Os
resultados econômicos e sociais desses governos revelam a efetividade dos dois
primeiros e o fracasso do último. De tal maneira que o apoio que o governo de
Milei tem, na metade do seu mandato, está na casa dos 30%, com rejeição da
grande maioria dos argentinos.
De tal
forma que a eleição presidencial de outubro de 2027 aparece como a mais
importante na América Latina. As diferenças internas ao peronismo são sempre o
fator incerto, por divisões internas, mesmo se agora esses conflitos são
menores. Por um lado, está o setor ligado a Cristina Kirchner, em prisão
domiciliar e impedida de participação política. De outro, está Axel Kicillof,
governador reeleito da província de Buenos Aires, que aparece como o favorito
para triunfar nas eleições de outubro de 2027.
Caso se
confirme essa possibilidade, a América Latina poderia retomar a aliança dos
seus três países mais importantes, com posições antineoliberais e de
fortalecimento do Estado e da democracia, reatualizando seu peso no mundo, como
epicentro dessas lutas. Ao mesmo tempo, consolidaria a projeção dos seus
principais dirigentes políticos como os mais importantes em escala mundial.
O
continente, depois de ter sido a principal vítima das políticas neoliberais na
última década do século passado, reagiu e se tornou a única região do mundo com
governos antineoliberais. Dessa forma, Lula, Néstor e Cristina Kirchner, Rafael
Correa, Evo Morales, López Obrador e Claudia Sheinbaum, Tabaré Vázquez, Pepe
Mujica e Yamandú Orsi, Manuel Zelaya e Iris Xiomara Castro Sarmiento, Hugo
Chávez se projetaram como os principais líderes políticos mundiais no século
XXI.
E fez
da América Latina o continente mais importante, ao mesmo tempo que fez com que
os Estados Unidos passassem a viver seu período de maior isolamento no
continente.
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Rejeição a Milei aumenta
a cada dia na Argentina e população pede economia voltada ao consumo
A
rejeição ao presidente Javier Milei cresce na Argentina, enquanto parte
significativa do eleitorado passou a defender uma política econômica que
priorize o consumo. Pesquisa da consultoria Equipo Mide, divulgada pela teleSUR
com base em informações do portal argentino El Destape, mostra que
58% dos entrevistados desaprovam o desempenho do governo e que 55% consideram o
país mergulhado em uma crise profunda.
O
levantamento, publicado no domingo (30), indica que o desgaste atinge inclusive
a base eleitoral que levou Milei ao poder em 2023. Entre os eleitores que
votaram no presidente no primeiro turno daquela eleição, 29% agora avaliam
negativamente sua administração. O resultado revela fissuras no apoio ao
governo e amplia a pressão por mudanças na condução econômica.
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Maioria vê país no caminho errado
A
percepção predominante entre os argentinos é de que o país segue na direção
errada. Essa avaliação alcança 33% dos eleitores de Milei em 2023, mas sobe
para 97% entre os que apoiaram o candidato oposicionista Sergio Massa.
A
rejeição é particularmente elevada na Cidade Autônoma de Buenos Aires (CABA),
onde 72% dos entrevistados consideram equivocado o rumo adotado pelo governo.
Na província de Buenos Aires, o índice chega a 71%.
As
regiões de Cuyo e Central apresentam os melhores resultados relativos para a
administração, com 47% e 46%, respectivamente, afirmando que o país está no
caminho certo. Ainda assim, nenhum dos dois locais registra maioria favorável à
trajetória econômica do governo.
A
avaliação negativa também atravessa diferentes grupos sociais. Entre os
argentinos de baixa renda, 69% dizem que o país segue na direção errada. Na
classe alta, o percentual é de 66%, enquanto na classe média chega a 54%.
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Desaprovação ao governo supera aprovação
A
pesquisa da Equipo Mide mostra que 43% classificam o governo Milei como “muito
ruim” e outros 15% como “ruim”. No sentido oposto, 14% consideram a gestão
“muito boa” e 24% a definem como “boa”.
Os
índices mais elevados de avaliação “muito ruim” aparecem novamente em Buenos
Aires. Na capital, 55% dos entrevistados adotam essa classificação, enquanto na
província o percentual é de 53%.
O
Nordeste argentino é a principal área de sustentação do governo. Somadas as
avaliações “muito boas” e “boas”, a região registra 52% de aprovação, o melhor
desempenho entre os territórios pesquisados.
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Crise econômica é percebida até entre apoiadores
Para
55% dos argentinos, a situação do país corresponde a uma crise profunda. A
percepção é mais intensa na Cidade de Buenos Aires, com 66%, e na província,
com 62%. Entre os entrevistados de alta renda, o índice alcança 63%; entre os
de baixa renda, fica em 56%.
Mesmo
no eleitorado de Milei, a deterioração é reconhecida. Cerca de 26% daqueles que
votaram no presidente admitem que a Argentina enfrenta uma crise econômica
grave.
Questionados
sobre a capacidade do governo de enfrentar os problemas nacionais, 58%
afirmaram que Milei não sabe como resolvê-los. Outros 29% disseram que o
presidente conhece as soluções, mas precisa de mais tempo para aplicá-las. Já
13% avaliam que ele sabe o que fazer, porém é impedido pelo chamado
establishment.
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Eleitores defendem estímulo ao consumo em 2027
A
preferência por uma mudança de orientação econômica aparece com clareza nas
projeções para as eleições de 2027. Segundo a pesquisa, 59% dos argentinos
gostariam de eleger um candidato que incentivasse o consumo, enquanto 30%
optariam por manter o atual programa econômico de Milei.
A
demanda por uma política voltada ao consumo também alcança o campo libertário.
Entre os eleitores que apoiaram Milei em 2023, 33% afirmam que escolheriam um
candidato comprometido com o estímulo à atividade econômica, em vez de
respaldar a continuidade do programa atual.
Os
números sugerem que o governo enfrenta não apenas uma queda geral de
popularidade, mas também uma mudança nas prioridades de seu próprio eleitorado.
A promessa de estabilização macroeconômica perde força diante da percepção de
crise, endividamento e dificuldades para sustentar o consumo das famílias.
A
pesquisa ocorre em um momento de crescente descontentamento social e de
enfraquecimento da confiança na capacidade do governo de oferecer respostas
concretas. Com a rejeição ampliada territorialmente e entre diferentes classes
sociais, a economia deve permanecer no centro da disputa política argentina até
2027.
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Milei enfrenta rejeição superior a 70% em Buenos Aires e crescimento inclusive
entre seus eleitores
Uma
pesquisa realizada pela consultora Equipo Mide, publicada neste domingo
(30/08), mostra que o governo de Javier Milei acumula uma
rejeição de mais de 70% em Buenos Aires, principal centro urbano da Argentina.
Apesar
de o índice a nível nacional ser menos alarmante que em medições anteriores,
esse novo estudo mostrou dados preocupantes na capital do país, a Cidade
Autônoma de Buenos Aires (CABA), onde a rejeição ao governo de extrema direita
alcançou os 72%.
Logo
atrás fica a Província de Buenos Aires, que representa a região periférica da
capital e possui uma quantidade maior de eleitores – é o principal colégio
eleitoral do país. Nessa província, a rejeição a Milei é de 71%.
A nível
nacional, Milei tem uma desaprovação de 58%, dos quais 43% classificam seu
governo como “muito ruim” e 15% como apenas “ruim”.
Por
outro lado, os que apoiam o governo são 38%. Entre eles, 14% o definem como
“muito bom” e 24% como apenas “bom”.
Outras
pesquisas, realizadas entre abril e agosto deste ano, já mostraram cenários
piores para Milei, com índices de rejeição a nível nacional
superando a marca de 60%.
Ø Argentina: Mercado
Crédito lucra com urgência de mulheres pobres e multiplica dívidas com juros e
multas leoninos. Por Marciel Amiel
Na
Argentina, assim como Javier Milei, o sistema
financeiro montado pelo empresário Marcos Galperín, titular de Mercado Livre,
Mercado Pago e Mercado Crédito, é cruel especialmente com as mulheres.
No
marco de uma manifestação nos escritórios do gigante no Parque Saavedra com os
tambores batendo e os cantos “olé, olé, olá, Mercado Livre, a vergonha
nacional” como tela de fundo, Buenos Aires/12 conversou com algumas vítimas da
usura.
Ainda
que o catálogo seja heterogêneo, a maioria das que pegaram estes créditos leoninos com
essa casa de credito são mulheres que trabalham na informalidade, limpando
casas ou na venda ambulante, em muitos casos único sustento da família.
É o
caso de Noelia, que vive na periferia, trabalha como empregada doméstica, paga
aluguel e é mãe solteira de cinco filhos. Um deles tem uma deficiência, o que a
obriga a ir periodicamente ao Hospital Garrahan para receber tratamento.
No ano
passado, em determinado momento viu-se sem dinheiro para pôr gasolina – o carro
ocupa uma porcentagem importante de seu orçamento. Então aceitou um empréstimo
de quarenta mil pesos que lhe oferecia o Mercado Crédito. Foi o começo de um
autêntico pesadelo.
“No
princípio eu podia pagar, mas com cada atraso as multas iam me afundando mais e
mais. Em determinado momento, como não tinha forma de pagar, desinstalei o
aplicativo”, conta. Trata-se de uma reação habitual dos devedores, um mecanismo
fruto do desespero.
Uns
meses depois de solicitado o empréstimo, e apesar dos sucessivos pagamentos,
Noelia devia três vezes o capital inicial. Começaram a chamá-la, de maneira
cada vez mais insistente, de números privados, em diferentes horários.
Depois
fizeram o mesmo com seus contatos mais próximos. O temor de Noelia é que
telefonem para alguma das casas que a empregam por hora. Sua angústia se
evidencia no tom de sua voz e na expressão de seu rosto. Agora também ameaçam
judicializar a reclamação: se não consegue pagar que pelo menos alguém pague
por ela.
Bibi é
de Jujuy e ganha a vida vendendo empanadas nas imediações das estações de trem
da linha Roca. Há cerca de um ano, foi visitar seus pais em sua província
natal.
“Achei-os
com a geladeira quebrada e sem dinheiro para comprar outra ou para consertar
esta. De modo que peguei um empréstimo com o aplicativo”, lembra. Por um
capital de 200 mil pesos, pediam seis cotas de 80 mil. Aceitou porque não via
outra solução para o problema de seus pais.
“Uma
vez atrasei só um dia e a cota subiu 10 mil pesos, de 80 mil para 90 mil. Além
do mais, cada vez se vende menos porque as pessoas não têm dinheiro. Até uns
dois meses atrás, meus filhos me ajudavam, mas agora eles também estão sem
trabalho”, diz.
“Devem
estar fazendo um negócio fabuloso”, reflete, em relação às empresas. “E conheço
mulheres que estão passando muito pior do que eu”, conclui.
Continua
após o anúncio
Carmen
é a primeira de sua família, de origem boliviana, nascida na Argentina. Tem um
lugar na feira de Villa Celina e sua experiência é similar às anteriores.
“Fiz
uma compra de tecidos pelo telefone e peguei o empréstimo sem querer. Eu tinha
dinheiro naquele momento, mas aparecia como primeira opção e apertei. E não há
botão de arrependimento. Agora trabalho para essa gente”, lamenta-se.
Carmen
se filiou recentemente ao Sindicato de Feirantes, que lhe dá assistência legal
e desenvolveu sua própria carteira, para evitar que os sindicalizados caiam
nesta armadilha.
Durante
anos, Ayelén fez todos os cursos de cabelereira, depilação e estética que pôde,
no tempo que lhe deixavam livre seu trabalho de caixa de supermercado e seus
três filhos.
Quando
o local de Lanús onde trabalhava fechou e ficou na rua, decidiu que era o
momento de arriscar. “Peguei um empréstimo para equipar-me e começar a
trabalhar em domicílio, para ver se mais adiante podia ter meu local”, lembra,
triste.
“Mas em
meu bairro ninguém tem um peso para gastar com essas coisas. Agora tenho as
máquinas quase sem uso e uma dívida que está se tornando uma bola de neve.
Trabalharia em qualquer coisa para resolver, mas não consigo nada. E esta gente
me enlouquece. Já nem durmo por culpa deles.”
Ø Colômbia: oposição
denuncia plano de judicialização contra Petro e dirigentes do Pacto Histórico.
Por Por Jairo Gómez
A
oposição de esquerda na Colômbia denunciou no dia 26 de agosto um plano de
judicialização de seus dirigentes, ex-funcionários, incluindo o
ex-presidente Gustavo Petro, a partir da nova
estratégia de segurança do governo do ultradireitista Abelardo de la Espriella,
que também busca criminalizar os protestos sociais e
políticos no país.
A
denúncia ocorre no contexto da visita programada do chefe do Comando Sul dos
Estados Unidos, Francis Donovan, justamente no dia em que o presidente, o
ultradireitista Abelardo de la Espriella, presidiu a mudança do alto comando
militar na Colômbia.
“A
Colômbia, mais recente integrante da Coalizão das Américas contra os
Cartéis (A3C),
é uma parceira no combate ao narcotráfico e uma líder vital na segurança da
região”, informou o Comando Sul ao justificar a visita do general à Colômbia.
Analistas
afirmaram que, sem dúvida, a visita não foi uma coincidência, mas foi
planejada, pois De la Espriella, na cerimônia, para a qual Donovan foi
convidado, apresentou às Forças Públicas sua luta frontal contra o narcotráfico
e a eliminação do programa “Paz Total”, da administração de Petro.
“Estamos
assistindo a uma perigosa cessão de nossa soberania aos Estados Unidos e a Israel, acompanhada de
anúncios e da implementação de operações militares conjuntas que podem levar à
intensificação da violência nos territórios rurais e produzir violações
massivas dos direitos humanos”, reagiu o senador e ex-candidato do esquerdista
Pacto Histórico, Iván Cepeda.
Cepeda,
que falou na instalação do “Gabinete pela Vida”, que fará controle político da
gestão do governo, denunciou que “o governo de De la Espriella pretende gerar
um clima de desorientação na população, de medo e incerteza, por meio de
judicializações em massa contra aqueles de nós que somos dirigentes,
ex-funcionários ou congressistas do Pacto Histórico e dirigentes, começando
pelo próprio ex-presidente Petro”.
Além da
promoção do novo alto comando, o governo do ultradireitista anunciou a
publicação, nos próximos dias, de uma diretriz presidencial de segurança
integral, o cancelamento de qualquer iniciativa de paz e a proposta de criar um
estatuto de segurança para definir os grupos ilegais, segundo os critérios do
governo, como organizações “narcoterroristas”.
Na
Comissão Segunda do Senado, especializada em assuntos militares, o ministro da
Defesa, Jorge Mora, justamente no dia da visita do chefe do Comando Sul, disse
aos parlamentares que “na diretriz presidencial ficarão claros os alcances,
objetivos e estratégias de segurança do governo nacional”.
Embora
o conteúdo dessa estratégia de segurança ainda não seja conhecido, nas últimas
horas vazou o conteúdo do que será o plano nacional de desenvolvimento “A
Pátria Milagre”, no qual, além de falar sobre a redução do Estado e a
eliminação do aborto, entre outros temas, são estabelecidas propostas como o
porte legal de armas, a eliminação da Jurisdição Especial para a Paz, o fim da
Paz Total, um plano de choque de segurança nos primeiros 90 dias, a
pulverização de 330 mil hectares de plantações de folha de coca; enfim,
um pot-pourri de iniciativas nas quais a questão da segurança
é prioritária.
De
acordo com o documento divulgado por alguns meios de comunicação, A Pátria
Milagre será implementada a partir de várias frentes, definidas da seguinte
forma: Milagre pela vida, Milagre do amor, Milagre do saber, Milagre de sonhar,
Milagre de pertencer, Milagre de criar e Milagre de servir. George Orwell,
em 1984, ficou aquém da realidade, afirmaram analistas.
Fonte: Emir
Sader, em Brasil 247/Opera Mundi/Página 12 - Tradução: Ana Corbisier, em
Diálogos do Sul Gglobal

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