Vitamina
C e diabetes: quais os benefícios e quando é preciso ter cuidado
A
vitamina C pode ser encontrada em alguns alimentos e que tem diabetes, pode
consumir? É preciso tomar suplementos para melhorar a imunidade? E frutas como
laranja, acerola e goiaba podem aumentar demais a glicose?
As
dúvidas são comuns, principalmente porque essa vitamina costuma ser associada à
prevenção de gripes e resfriados e suas principais fontes conhecidas são
justamente as frutas.
Para
quem convive com diabetes, porém, é importante separar duas questões. A
vitamina C é um nutriente essencial e pode fazer parte normalmente da
alimentação. Isso não significa que seja necessário recorrer a suplementos nem
que doses elevadas ofereçam proteção adicional contra infecções.
A
nutricionista Martha Amodio explica o que é preciso considerar.
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Quem tem diabetes precisa de mais vitamina C?
Em
geral, ter diabetes, por si só, não significa que a pessoa precise consumir
doses maiores de vitamina C.
O
nutriente, também chamado de ácido ascórbico, participa de diferentes funções
do organismo. Atua como antioxidante, contribui para o funcionamento normal do
sistema imunológico e é necessário para a síntese de colágeno, proteína
importante para pele, vasos sanguíneos e cicatrização.
Por
isso, manter uma ingestão adequada é importante para qualquer pessoa, inclusive
para quem tem diabetes.
O
cuidado está em não transformar essa importância fisiológica na ideia de que
doses elevadas de vitamina C seriam capazes de “aumentar a imunidade”.
“A
vitamina C funciona como um escudo contra vírus. Ela é, sim, essencial para que
o sistema imunológico funcione adequadamente, mas imunidade depende de um
conjunto enorme de fatores: alimentação, sono, atividade física, controle de
doenças crônicas, vacinação, entre outros”, explica Martha.
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Previne resfriado?
Essa é
uma das principais crenças associadas ao nutriente, mas as evidências exigem
cautela.
Uma
revisão sistemática da Cochrane mostrou que o consumo regular de vitamina C não
reduziu de maneira significativa a ocorrência de resfriados na população geral.
Os
estudos apontaram, entretanto, uma pequena redução na duração dos episódios
entre pessoas que já utilizavam vitamina C regularmente. Começar a
suplementação somente depois do aparecimento dos sintomas não apresentou
benefício consistente.
Para
quem tem diabetes, portanto, não há motivo para começar a tomar vitamina C
apenas porque surgiu um resfriado sem que exista outra indicação.
Além
disso, infecções podem alterar a glicemia. Durante períodos de doença,
hormônios liberados pelo organismo em resposta ao estresse podem dificultar o
controle glicêmico. Por isso, monitorar a glicose e seguir as orientações da
equipe de saúde pode ser mais importante do que simplesmente aumentar o consumo
de vitamina C.
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Quem tem diabetes pode comer laranja, acerola e outras frutas?
Sim.
O
diagnóstico de diabetes não significa que frutas ricas em vitamina C precisem
ser retiradas da alimentação.
“Aqui
eu gosto muito de tirar a laranja do papel de protagonista absoluta. Temos
excelentes fontes de vitamina C: acerola, goiaba, kiwi, morango, laranja,
mexerica, mamão, limão e outras frutas frescas. E não precisamos buscar
vitamina C somente nas frutas”, explica Martha.
Pimentão,
brócolis e outros vegetais também fornecem vitamina C.
Para
quem precisa monitorar a glicemia, variar as fontes pode ser uma estratégia
interessante. Isso permite obter vitamina C por diferentes alimentos e não
apenas pelas frutas.
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Fruta ou suco: existe diferença para a glicose?
Esse é
um ponto especialmente importante para quem tem diabetes.
Embora
o suco também possa fornecer vitamina C, consumir a fruta inteira geralmente
preserva melhor as fibras e exige a utilização de uma quantidade menor de
frutas por porção.
Um copo
de suco de laranja, por exemplo, pode reunir várias unidades da fruta. Com
isso, a quantidade de carboidratos consumida de uma só vez pode ser maior do
que ao comer uma laranja inteira.
Isso
não significa que o suco seja proibido para quem tem diabetes. A resposta da
glicose depende da quantidade ingerida, da composição da refeição, do
tratamento utilizado e das características de cada pessoa.
Por
isso, observar porções e priorizar alimentos in natura dentro de um
planejamento alimentar individualizado costuma ser mais importante do que
simplesmente classificar uma fruta como “boa” ou “ruim” para o diabetes.
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Vitamina C ajuda no controle da glicose?
Existem
pesquisas investigando se a suplementação de vitamina C pode influenciar
marcadores como glicemia e hemoglobina glicada em pessoas com diabetes tipo 2.
Alguns estudos e meta-análises encontraram possíveis efeitos sobre determinados
parâmetros metabólicos.
Esses
resultados, entretanto, não transformam a vitamina C em tratamento para o
diabetes.
Ela não
substitui medicamentos, insulina, alimentação adequada, atividade física ou
outras estratégias indicadas para o manejo da condição.
Na
prática, a principal recomendação continua sendo obter quantidades adequadas do
nutriente dentro de uma alimentação variada, salvo quando houver indicação
específica de suplementação por um profissional de saúde.
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Suplemento de vitamina C exige cuidado no diabetes?
Sim,
principalmente quando falamos de doses elevadas.
Suplementos
não precisam ser utilizados rotineiramente apenas porque uma pessoa tem
diabetes. Antes de iniciar o uso, é importante considerar alimentação,
medicamentos, função renal e outras condições clínicas.
Segundo
o Office of Dietary Supplements dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados
Unidos, doses elevadas de vitamina C podem causar diarreia, náuseas e cólicas
abdominais.
O
limite máximo tolerável estabelecido para adultos é de 2.000 mg por dia,
considerando a ingestão total.
Outro
ponto merece atenção em pessoas com diabetes: a saúde dos rins.
O
diabetes é uma das principais causas de doença renal crônica. Como altas doses
de vitamina C podem aumentar a quantidade de oxalato eliminada pela urina,
pessoas com comprometimento renal ou histórico de cálculos renais devem
conversar com a equipe de saúde antes de utilizar suplementos em altas doses.
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Vitamina C pode interferir no sensor de glicose?
Esse é
outro cuidado relevante para quem monitora a glicose.
Doses
elevadas dessa vitamina podem interferir nas leituras de alguns sistemas de
monitorização contínua de glicose, mas isso não acontece da mesma maneira com
todos os dispositivos.
A
quantidade capaz de provocar interferência, o sentido da alteração da leitura e
as recomendações variam conforme a tecnologia utilizada.
Por
isso, quem utiliza sensor de glicose deve consultar as orientações específicas
do fabricante do dispositivo, principalmente se estiver utilizando suplementos
com doses elevadas de vitamina C.
Caso os
sintomas não correspondam ao valor apresentado pelo sensor, é importante seguir
as recomendações de segurança fornecidas pelo fabricante e pela equipe de
saúde.
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Como obter vitamina C pela alimentação?
Além
das frutas cítricas, existem diversas possibilidades.
Acerola,
goiaba, kiwi, morango, mamão, laranja e mexerica são algumas fontes. Pimentão,
brócolis e outros vegetais também contribuem para a ingestão diária.
A
vitamina C é sensível ao calor e solúvel em água. Por isso, armazenamento
prolongado e determinados métodos de cocção podem reduzir sua quantidade nos
alimentos.
Isso
não significa, porém, que vegetais cozidos devam ser evitados. Variar alimentos
e formas de preparo é mais importante do que tentar eliminar completamente
qualquer perda do nutriente.
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Quanto de vitamina C precisamos por dia?
As
necessidades dependem de idade, sexo e determinadas condições individuais.
De
acordo com os valores de referência utilizados pelo NIH, homens adultos
necessitam de cerca de 90 mg de vitamina C por dia e mulheres adultas, 75 mg.
Fumantes necessitam de aproximadamente 35 mg adicionais diariamente.
Uma
alimentação variada pode fornecer essas quantidades sem a necessidade de
suplementação para a maioria das pessoas.
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O que quem tem diabetes precisa saber sobre vitamina C
Quem
tem diabetes não precisa evitar alimentos ricos em vitamina C e também não
necessita, apenas por causa do diagnóstico, tomar doses maiores do nutriente.
Frutas,
verduras e legumes podem fornecer vitamina C dentro de uma alimentação
adequada. Para quem monitora a glicose, vale observar principalmente a
quantidade de carboidratos e a diferença entre consumir a fruta inteira e beber
grandes porções de suco.
Já os
suplementos merecem uma avaliação mais individualizada, especialmente quando
utilizados em doses elevadas por pessoas com doença renal, histórico de
cálculos ou que utilizam determinados sistemas de monitorização de glicose.
A
vitamina C é importante para o organismo, mas não substitui as medidas que
efetivamente fazem parte do cuidado do diabetes, como acompanhamento de saúde,
tratamento adequado, alimentação, atividade física, vacinação e monitorização
da glicose.
Fonte:
Um Diabético

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