Mansões,
carros de luxo, viagens: a vida de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo nos EUA
Mansões,
carros de luxo, viagens, restaurantes caros. Enquanto fazem lobby para tentar
enfraquecer o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal (STF) junto ao
governo de Donald Trump, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e o
influenciador Paulo Figueiredo mantêm um alto padrão de vida nos Estados Unidos
(EUA).
Ambos
já afirmaram enfrentar dificuldades financeiras devido ao que chamam de
“perseguição política”. No entanto, um levantamento da Agência Pública e do ICL
Notícias revela um cenário diferente. Além de viverem em casas milionárias, no
último ano os dois adquiriram carros caros, têm frequentado restaurantes
sofisticados, mantêm os filhos em escolas particulares e acumularam uma extensa
agenda de viagens.
Eduardo
Bolsonaro e Paulo Figueiredo foram centrais na articulação para impor tarifas
contra o Brasil e retaliações contra ministros do Supremo. Desde 2025, eles
participaram de dezenas de reuniões com deputados republicanos e membros do
governo dos EUA pedindo intervenções em resposta à condenação do ex-presidente
Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.
Em maio
de 2025, três meses após se mudar para o Texas e anunciar que viveria uma
espécie de “autoexílio”, Eduardo Bolsonaro comprou um carro novo. Não
exatamente um modelo econômico para atravessar tempos difíceis. Ele adquiriu um
GMC Acadia Elevation 2025 preto, um SUV de três fileiras de assentos, avaliado
em cerca de 43,8 mil dólares nos EUA, o que equivale a aproximadamente R$ 226
mil.
Os
registros de gastos associados à família Bolsonaro nos EUA mostram que, desde a
mudança para o país, em fevereiro do ano passado, o padrão de vida não parece
ter encolhido, nem mesmo após o STF determinar o bloqueio dos bens de Eduardo
Bolsonaro e de sua esposa, Heloísa Bolsonaro, em julho de 2025. Eduardo ainda
perdeu o salário que recebia como deputado federal em dezembro, quando seu
mandato foi cassado por faltas, e, desde 2015, não recebe salário como escrivão
da PF, de onde a corporação recomendou sua demissão por abandono do cargo.
Ao
chegar aos EUA, o ex-deputado escolheu Arlington, no Texas, onde já havia
mantido uma empresa entre 2023 e 2024. A residência alugada estava longe de ter
as dimensões de um refúgio improvisado. Tinha pouco mais de 300 metros
quadrados, quatro quartos e quatro banheiros, com valor de mercado estimado em
707,7 mil dólares (cerca de R$ 3,6 milhões). O valor da locação anunciado em
sites imobiliários, quando eles alugaram a casa, era de 4,5 mil dólares, aproximadamente R$ 23,3 mil na cotação atual.
Em maio
de 2025, Jair Bolsonaro chegou a transferir R$ 2 milhões ao filho. “Botei
dinheiro na mão dele, dinheiro limpo, legal, Pix”, afirmou o ex-presidente.
Dias
depois, Eduardo chegou a reclamar para o pai, em mensagens trocadas por
Whatsapp, que estava “se fodendo” nos EUA. Ao reclamar de uma entrevista em que
Jair dizia que o filho era imaturo, Eduardo reclamou que, ao jogar ele para
baixo, o ex-presidente o estaria condenando a passar o “resto da vida nessa
porra aqui”. “VTNC seu ingrato do caralho!”, escreveu.
A
situação parece ter melhorado desde então. Pouco mais de um ano depois, em maio
de 2026, a família trocou Arlington por um endereço ainda mais valorizado, em
Southlake, uma das cidades mais ricas do Texas, onde a renda familiar média é
de 250 mil dólares – três vezes maior do que em Arlington, por exemplo.
Eduardo, a esposa e os dois filhos moram atualmente em uma casa que oferece
“uma vida de resort”, conforme revelou o The Intercept Brasil.
Avaliada
em 1,22 milhão de dólares, cerca de R$ 6 milhões, a mansão foi anunciada para
aluguel por aproximadamente 5,9 mil dólares (em torno de R$ 30 mil mensais),
segundo anúncios imobiliários que permaneceram ativos até fevereiro deste ano.
O imóvel tem 424 metros quadrados de área construída, em um terreno de 1.366
metros quadrados, quatro quartos e piscina, além de acesso a um clube com
quadras de tênis e a uma lagoa.
A filha
mais velha do casal Bolsonaro, de cinco anos, foi matriculada numa escola
cristã a cerca de 15 minutos de casa, com custo anual de 18 mil dólares (R$
93,4 mil), conforme divulgado no site da escola.
Eduardo
nega ter usado parte da verba do filme Dark Horse para custear sua vida nos
EUA. O filme foi financiado com cerca de R$ 61 milhões do banqueiro Daniel
Vorcaro, por meio do Fundo Havengate. O negócio veio à tona após reportagem do
Intercept Brasil. Conforme revelou o portal, Flávio Bolsonaro chegou a pedir o
dobro desse valor ao banqueiro, hoje preso por gestão fraudulenta e
estelionato, lavagem de dinheiro, corrupção de servidores públicos, organização
criminosa e obstrução da Justiça.
“A
história de que recebi dinheiro do fundo de investimento não se sustenta e é
tosca”, afirmou Eduardo em suas redes sociais. “No meu processo migratório,
expliquei às autoridades americanas toda a origem dos meus recursos e não tive
qualquer problema”, disse.
Procurado
pela reportagem, Eduardo não respondeu como financia seu padrão de vida nos
Estados Unidos.
Em
outras ocasiões, ele afirmou que se mantém com “renda passiva” e já disse
também que recebe dinheiro por meio de cursos que ministra – os cerca de 50 mil dólares que ele disse ter investido no
filme Dark Horse, por exemplo, teriam esta origem.
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20 viagens em 18 meses
Chama a
atenção o volume de dinheiro que Eduardo Bolsonaro vem gastando com viagens
dentro e fora dos EUA. Desde fevereiro do ano passado, o ex-deputado federal
viajou ao menos 20 vezes, entre compromissos políticos e passeios turísticos.
Para
comemorar o primeiro aniversário de Heloísa Bolsonaro após a mudança para os
EUA, a família foi para a Disney em junho de 2025. Cinco meses depois, em
dezembro, Eduardo Bolsonaro esteve na cidade de Park City, em Utah, destino nas
montanhas conhecido internacionalmente por suas estações de esqui. A passagem
ocorreu justamente no início da alta temporada de neve na região.
Já em
fevereiro deste ano, Eduardo viajou para West Palm Beach, na Flórida, onde o
custo diário de acomodação pode ser superior a R$ 1.000. Dali, ele participou
do Latin Gala em Mar A Lago, o resort de Trump. Na festa para a comunidade
Latina, ele premiou Fernando Cerimedo, marketeiro político responsável por
mentiras sobre as urnas brasileiras que está preso na Bolívia por tentativa de
assassinar a namorada.
Durante
a Copa do Mundo, ele foi a Miami
assistir à partida entre Brasil e Escócia, que ocorreu no dia 24 de junho. Ele
ficou hospedado em um hotel de luxo, que cobra diárias de R$ 16 mil e chega a
oferecer pacotes de experiência avaliados em um milhão de dólares, conforme
revelou a Revista Fórum.
Mas a
maior parte dos deslocamentos do ex-deputado, desde que se mudou para os EUA,
está ligada à sua atuação política. Ao lado de Paulo Figueiredo, Eduardo tem se
mobilizado para pressionar o governo norte-americano a impor sanções ao Brasil
e a ministros do STF. Juntos, os dois estiveram pelo menos sete vezes em
Washington e fizeram outras três viagens a Mar-a-Lago, na Flórida. Paulo
frequenta o resort desde 2019 e parece manter sua primeira impressão:
“simplesmente lindo!”
Em
meados de maio, Eduardo hospedou-se, junto com Paulo, no histórico hotel
Willard Intercontinental Washington, quando se reuniram com Trump na Casa
Branca. Eduardo e sua turma alugaram os quartos, que têm preço inicial a partir
de R$ 1,5 mil por noite, mas podem
chegar a custar R$ 50 mil por diária. Eles chegaram a receber, no hotel, a
visita de Darren Beattie, assessor sênior de política para o Brasil no
Departamento de Estado.
A
agenda de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo também cruzou as fronteiras
norte-americanas, com pelo menos três viagens ao Oriente Médio.
“Pra
quem surfa, sabe que isso aqui é o que há de melhor no mundo.” Com uma prancha
debaixo do braço, Eduardo Bolsonaro aparece diante da maior piscina de ondas
artificiais do mundo, em Abu Dhabi. No vídeo, publicado em 8 de fevereiro, ele
também demonstra suas habilidades ao longo de uma sequência de manobras. As
imagens foram gravadas no Surf Abu Dhabi, na ilha de Hudayriyat, onde uma
sessão de 45 minutos para surfistas de nível intermediário e avançado custa 1,8
mil dirhams dos Emirados Árabes Unidos (AED) $ 953 — cerca de R$ 2,5 mi.
Na
ocasião, Eduardo viajava pelo Oriente Médio ao lado do irmão, o senador e então
pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro, e de Paulo Figueiredo. O trio
divulgou encontros com autoridades no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos como
parte de sua agenda política na região. Mas, entre um compromisso e outro, as
redes sociais também registraram momentos de lazer.
Figueiredo,
por exemplo, compartilhou avaliações de restaurantes em Dubai, como o CZN Burak
Dubai, especializado em culinária turca, onde comeu um dos melhores kebabs da
sua vida, além de um ensopado de camarão apimentado. “Divino”, “sobremesa
perfeita” estão entre os elogios feitos à casa, cujo preço estimado por pessoa
é de R$ 140 a R$ 210. Ele também visitou o Clay Dubai, na marina da cidade,
onde se paga entre R$ 560 e R$ 630 por pessoa. “Este lugar não é apenas LINDO,
mas tudo o que comemos estava delicioso”, escreveu. Em um restaurante de comida
japonesa, reclamou de ter comido um sushi de abacate com salmão por 45 dólares.
“ATENÇÃO! Este lugar é uma armadilha para turistas!”, escreveu.
Procurado
pela reportagem, Paulo Figueiredo dirigiu ironias e agressões contra a Agência
Pública antes de afirmar: “Eu me financio através das minhas empresas e não
devo satisfação a ninguém”.
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Em intervalo de 6 meses, Figueiredo comprou mansão de R$ 6,1 milhões e
Cybertruck da Tesla
Os
registros levantados pela reportagem indicam que Paulo Figueiredo também elevou
seu padrão de vida no último ano. Em novembro de 2025, conforme revelaram a
Agência Pública e o ICL Notícias, o influenciador comprou por 1,2 milhão de
dólares — cerca de R$ 6,1 milhões — uma mansão em Clermont, na Flórida. Para
fechar o negócio, contratou um financiamento imobiliário de 1 milhão de
dólares.
A
propriedade fica em um terreno de 17,5 mil metros quadrados, o equivalente a
cerca de dois campos e meio de futebol, e tem 515 metros quadrados de área
construída. São dois andares, seis quartos e cinco banheiros, além de salas de
estar e de jantar, cozinha gourmet e sala de jogos. Do lado de fora, há piscina
de água salgada, jacuzzi para 12 pessoas, varanda, lareira e até uma casa na
árvore.
Seis
meses depois, em maio de 2026, Figueiredo ampliou a garagem com um Cybertruck
2026, da Tesla, montadora de Elon Musk. O veículo tem valor de mercado estimado
em 83 mil dólares, o que equivale a R$ 427,9 mil. O influenciador também
possui, desde 2024, uma BMW Série 6 de 2004, hoje avaliada em cerca de 9 mil
dólares (aproximadamente R$ 51 mil).
A
compra da mansão ocorreu apenas um mês depois de Figueiredo informar à Justiça
dos Estados Unidos que não tinha recursos para contratar um advogado para
representar sua empresa, a International Treasure Group, condenada à revelia. A
ação contra a companhia faz parte de um processo de falência que visa recuperar
transferências supostamente vinculadas ao esquema de fraude atribuído ao
magnata chinês Miles Guo.
A
International Treasure Group entrou no processo após receber 140 mil dólares —
cerca de R$ 670 mil — por serviços prestados à rede social Gettr entre agosto
de 2021 e abril de 2022, segundo a defesa de Figueiredo. Fundada pelo
ex-assessor de Donald Trump, Jason Miller, a plataforma tinha Guo como
financiador oculto.
A
mansão em Clermont não é o único imóvel de Figueiredo na Flórida. Ele também
possui uma casa em Weston, colocada à venda em junho deste ano por 1,09 milhão
de dólares — cerca de R$ 5,5 milhões —, segundo sites imobiliários americanos.
Desde 2016, a propriedade estava registrada em nome da Olive-Fig Tree Real
Properties LLC, empresa que também pertence ao influenciador.
Em
outubro de 2025, porém, o imóvel de Weston foi transferido para o nome de
Figueiredo, segundo documentos do estado da Flórida. No mês seguinte, ele
adquiriu a mansão de Clermont.
As
movimentações contrastam com declarações feitas pelo próprio Figueiredo sobre
sua situação financeira. Em 2024, quando já articulava, nos Estados Unidos,
possíveis retaliações contra autoridades brasileiras, ele deu seu testemunho em
uma audiência no Congresso americano, afirmando ser vítima de perseguição do
STF e que estava “desempregado, sem
minhas redes sociais e suas respectivas monetizações, responsável por sustentar
minhas duas filhas americanas de 7 e 8 anos”.
Paulo é
cidadão americano, assim como suas filhas, e usa este fato para alardear que
tem sido censurado pelo STF – o que embasou diversas ações de aliados no
governo e no legislativo norte-americano, como a lei “No Censors in Our
shores”, proposto pela deputada republicana Maria Elvira Salazar um mês depois
dela ter recebido uma doação de campanha de Paulo no maior valor possível na
época (R$ 57 mil), conforme revelou a Pública.
Na
Flórida, Paulo frequenta restaurantes renomados e costuma ser bastante crítico
quanto à gastronomia. Frequenta restaurantes com estrelas Michelin, mas nem
sempre sai satisfeito. Por exemplo, em abril, ele foi ao restaurante de
culinária asiática fusion Nami, no hotel Lake Nona Wave, em Orlando, onde
também se paga, por pessoa, cerca de 500 reais por refeição. “Fiquei muito
decepcionado, ainda mais por se tratar de um restaurante com estrela Michelin.
As porções são ridiculamente pequenas, não condizendo com o preço cobrado. Pra
ser sincero, este é o primeiro lugar com estrela Michelin onde definitivamente
não pretendo voltar”.
Em
outros restaurantes, ele reclama dos valores pagos por porções pequenas, o que
ele diz ser regra em Miami, “restaurantes muito caros com comida mediana”.
Não que
ele não tope pagar caro. Há cerca de um ano, ele foi com a esposa ao
Restaurante MAASS, em Fort Lauderdale, onde pagou “quase 400 dólares” – R$ 2
mil reais – em um menu degustação para duas pessoas. “Mesmo experimentando o
menu degustação, nada do que comi foi memorável e me fez querer voltar”,
escreveu.
Fonte:
Por Por Alice Maciel e Natalia Viana, da Agencia Pública

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