Após
Flávio anunciar presidente da CONIB como ministro, judeus lançam manifesto
pró-Lula
Um
grupo personalidades judias divulgou no último sábado (29/08) um manifesto em
apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de
outubro. O manifesto foi criado a partir de uma petição pública que, na manhã
desta segunda-feira (31/08), contava com mais de mil assinaturas – e que está
aberta a novas adesões, segundo seus organizadores.
No
texto, os apoiadores da campanha petista afirmam que “diante, mais uma vez, da
ameaça à frágil democracia que construímos no Brasil, nós, judias e judeus, nos
manifestamos publicamente em apoio à chapa Lula e Alckmin nas eleições de
2026”.
“Fazemos
essa escolha face a uma sociedade em que discursos autoritários,
inconstitucionais e de ameaça aos direitos humanos voltam a ocupar o espaço
público como se fossem propostas políticas legítimas. Não podemos normalizar
discursos como ‘polícia atira para matar’, nem propostas de regimes de exceção,
perseguição a grupos sociais e retirada de direitos sendo defendidas em rede
pública como parte natural do debate democrático”, acrescentam os signatários.
O
manifesto também ressalta que “uma democracia não pode tratar como apenas mais
uma opinião aquilo que ameaça a própria democracia, transforma adversários em
inimigos e faz da violência um projeto político”.
Entre
os nomes que aparecem na lista de apoiadores da campanha de Lula estão: Carlos
Minc Baumfeld, David Zylbersztajn, Jaques Morelenbaum, Lilia Schwarcz, Michel
Gherman, Natalia Timerman, Raquel Rolnik e Tatiana Salem Levy.
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Fator Lottenberg
De
acordo com a coluna da jornalista Mônica Bérgamo na Folha de São Paulo, os
promotores da iniciativa tinham planejado tornar pública essa postura em um
momento mais adiantado da campanha, mas tomaram a decisão de antecipar essa
divulgação após as sabatinas realizadas pelo Jornal Nacional, telejornal
noturno da Rede Globo, na última semana.
O fato
que mudou a programação do grupo teria sido a declaração do principal
adversário de Lula, o senador de extrema direita Flávio Bolsonaro (PL),
anunciando o médico Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do
Brasil (CONIB), como o nome que indicará como ministro da Saúde em um
hipotético governo seu.
Lottenberg
não se manifestou oficialmente sobre a oferta, seja para confirmar que
aceitaria o cargo caso Flávio seja eleito presidente, seja para rejeitar ou se
afastar da promessa.
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Leia, abaixo, a íntegra do manifesto:
Diante,
mais uma vez, da ameaça à frágil democracia que construímos no Brasil, nós,
judias e judeus, nos manifestamos publicamente em apoio à chapa Lula e Alckmin
nas eleições de 2026. Fazemos essa escolha face a uma sociedade em que
discursos autoritários, inconstitucionais e de ameaça aos direitos humanos
voltam a ocupar o espaço público como se fossem propostas políticas legítimas
Não
podemos normalizar discursos como “polícia atira para matar”, nem propostas de
regimes de exceção, perseguição a grupos sociais e retirada de direitos sendo
defendidas em rede pública como parte natural do debate democrático. Uma
democracia não pode tratar como apenas mais uma opinião aquilo que ameaça a
própria democracia, transforma adversários em inimigos e faz da violência um
projeto político.
Assinamos
este manifesto também em lembrança de nossas histórias. Sabemos o que significa
uma sociedade aceitar pouco a pouco o autoritarismo, a perseguição e a
construção de grupos humanos como inimigos. Por isso, nossa memória nos convoca
à defesa dos direitos humanos, das lutas sociais, do SUS, da igualdade racial,
da justiça social e de todas as conquistas democráticas que permitem que
diferentes grupos lutem por seus direitos.
Nosso
apoio a Lula e Alckmin não significa acreditar que a democracia brasileira
esteja pronta, nem que todas as transformações que desejamos estejam
representadas nessa chapa. Significa reconhecer que há uma diferença
fundamental entre lutar para ampliar direitos dentro de uma democracia e
permitir que avancem projetos que ameaçam as próprias condições dessa luta.
Defendemos uma sociedade em que nossas diferenças não sejam transformadas em
ódio, perseguição ou inimigos a serem eliminados. Em 2026, estamos com Lula e
Alckmin em defesa da democracia e da possibilidade de continuarmos lutando por
ela.
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Executivo do Bank of America vira cotado para ministro da Fazenda de Flávio
O
executivo Alexandre Bettamio, do Bank of America (BofA), passou a figurar na
lista de cotados para assumir o comando do Ministério da Fazenda em eventual
governo Flávio Bolsonaro (PL).
O nome
de Bettamio, segundo apurou a coluna, foi levado a Flávio por integrantes do
mercado financeiro como alternativa ao de Marcelo Kayath, ex-presidente do
banco Credit Suisse no Brasil.
Kayath
tem atuado como conselheiro de Flávio e anfitrião de encontros do senador com
membros da Faria Lima na campanha. O mais recente deles ocorreu na semana
passada, em São Paulo.
A
nomeação de Bettamio para o Ministério da Fazenda é defendida por um grupo de
aliados de Flávio Bolsonaro ligados ao atual governador de São Paulo, Tarcísio
de Freitas (Republicanos).
Segundo
apurou a coluna, a administradora Daniella Marques, que também é cotada para a
Fazenda, não se oporia ao nome de Bettamio. O executivo é amigo do ex-ministro
Paulo Guedes, padrinho da administradora.
Caso
Bettamio vire ministro da Fazenda, aliados de Daniella defendem que Flávio
nomeie a aliada para a chefia da Casa Civil, posto com assento no Palácio do
Planalto e acesso diário ao presidente da República.
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O currículo do executivo
Bettamio
ingressou no Bank of America em 2008. Desde então, já comandou o banco no
Brasil e na América Latina. Atualmente, ele comanda a área de Corporate e
Investment Banking da instituição americana.
Filho
de um oficial do Exército, o executivo foi educado em colégio militar e cursou
a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), perfil que costuma ser bem visto
pelo clã Bolsonaro.
• Flávio Bolsonaro encontra ministro de
Bukele e diz que ‘tem pouco preso’ no Brasil
O
candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), encontrou-se com o
ministro da Justiça e Segurança Pública salvadorenho, Gustavo Villatoro, neste
domingo (30/08), em São Paulo.
Após o
encontro, o senador defendeu a adoção, no Brasil, de medidas inspiradas na
política de segurança pública de El Salvador, implementadas durante o estado de
exceção instituído por Nayib Bukele em março de 2022.
Segundo
Flávio, Bukele e Villatoro conseguiram “implementar um dos maiores e mais
eficazes resgates de soberania e devolver a segurança pública para o povo
salvadorenho”.
“É uma
experiência que obviamente é possível ser inspiradora para nós aqui no Brasil”,
afirmou, ao defender a ampliação do encarceramento no país, que conta com 965
mil detentos, a terceira maior população prisional do mundo.
“Tem
pouco preso no Brasil. Tinha que ser mais, só não tem mais porque a legislação
é frouxa”, declarou o candidato. “Vamos criar mais meio milhão de vagas em
presídios pra que ladrão de celular que comece com pena de no mínimo 8 anos de
cadeia fique preso, não apenas seja preso”, complementou.
Atualmente,
28% dos presídios nacionais encontram-se superlotados, em meio a um crescimento
médio de 3,3% ao ano da população carcerária desde o início da década.
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CECOT
O
senador propõe, em seu programa de governo, construir cinco presídios federais
batizados de “Treva”, inspirados no Centro de Confinamento do Terrorismo
(Cecot), megacomplexo penitenciário construído em El Salvador, alvo de diversas
denúncias de tortura e violações de direitos humanos.
Relatório
da Anistia Internacional, divulgado em julho deste ano, destaca que a atual
política de segurança de El Salvador é marcada por detenções arbitrárias em
massa, suspensão de garantias e graves violações de direitos humanos que podem
configurar crimes contra a humanidade.
Após
quatro anos de estado de exceção no país, mais de 90 mil pessoas foram detidas
e pelo menos 470 morreram sob custódia do Estado, afirma o documento. Além
disso, milhares de famílias ainda buscam informações sobre o paradeiro, as
condições de saúde ou a situação jurídica de parentes presos.
Durante
o encontro, Villatoro afirmou que seria possível construir algo semelhante no
Brasil. “Nós fizemos em El Salvador, que é um país pequeno, é verdade, mas
muito pobre”, afirmou.
“Se
vocês são um país grande e têm muitas riquezas, não tem explicação para que as
facções criminosas continuem dominando os territórios. Basta ter um presidente
da República que tenha coragem de enfrentá-los”, acrescentou, ao que o senador
respondeu: “Flávio Bolsonaro terá”.
Villatoro
também recomendou a eleição de uma ampla bancada de aliados no Congresso para
facilitar a aprovação de regras mais rígidas de combate ao crime organizado.
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Violações de direitos humanos
O
modelo de segurança elogiado por Flávio Bolsonaro impera em meio a um estado de
exceção, instaurado em março de 2022 e sucessivamente prorrogado, levando à
suspensão de garantias constitucionais e ao enfraquecimento das instituições,
aponta a Human Rights Watch (HRW), em outro relatório, divulgado no ano
passado.
Nesse
período de exceção, afirma a entidade, forças policiais e militares realizaram
operações em massa, principalmente em bairros de baixa renda, enquanto
organizações de direitos humanos documentaram prisões arbitrárias,
desaparecimentos forçados, tortura, maus-tratos e violações do devido processo
legal.
Segundo
a entidade, a população carcerária do país ultrapassa hoje 108 mil pessoas, o
equivalente a cerca de 1,7% de uma população de 6,4 milhões de habitantes. A
organização também documentou detenções de milhares de crianças e adolescentes
e sustenta que muitas pessoas foram presas sem evidências de ligação com
gangues.
Alterações
legislativas aprovadas em 2022 elevaram para até dez anos a pena de prisão pelo
crime de “associação ilícita” para crianças de 12 a 15 anos e para até 20 anos
no caso de adolescentes entre 16 e 18 anos. Outras mudanças permitiram
julgamentos coletivos e ampliaram a utilização da prisão preventiva
obrigatória.
• Anunciado por Flávio, médico fez doações
para Bolsonaro e vereadora do Novo
Anunciado
por Flávio Bolsonaro (PL) como futuro ministro da Saúde caso seja eleito
presidente da República, o médico Cláudio Lottenberg registrou uma doação de R$
20 mil para a campanha de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022, quando o
ex-presidente perdeu a disputa para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Outra
doação de Lottenberg registrada na Justiça Eleitoral foi uma de R$ 10 mil, em
2020, para a candidata a vereadora por São Paulo Janaína Lima, então no partido
Novo. Ela foi eleita na ocasião.
O
mandato da parlamentar acabou marcado por uma briga com a colega de partido,
Cris Monteiro, que acabou gerando a expulsão de Janaína da legenda. Após não
ser reeleita, a ex-vereadora voltou a ocupar o noticiário ao retirar e levar
embora uma privada e pias do seu antigo gabinete.
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Críticas à gestão da pandemia
Presidente
do Conselho do Hospital Israelita Albert Einstein e ex-diretor da instituição,
Lottenberg foi escolhido para chefiar a pasta da Saúde do eventual governo
Flávio Bolsonaro, segundo o senador, para levar “o padrão Einstein para todo o
SUS”. A escolha foi anunciada durante a sabatina da TV Globo na última
sexta-feira (28/8).
Em
entrevista ao jornal O Globo publicada em março de 2021, quando o Brasil
registrava mais de 2 mil mortes por Covid-19 em 24 horas, Lottenberg criticou a
falta de coordenação do governo federal no combate à doença e a ausência de
lideranças políticas como exemplo no cumprimento de medidas sanitárias.
“A
utilização de máscara e do álcool gel, que deveria ser um mantra, não
aconteceu. É culpa de uma ordem de governança que não soube construir, em um
ano, um mínimo de entendimento”, disse o médico à época, chegando a afirmar não
ter visto “grandes líderes de diferentes países aparecerem publicamente sem
máscara.”
As
críticas ocorreram em um momento em que Jair Bolsonaro questionava publicamente
medidas de combate à Covid-19, como o uso de máscaras e o isolamento social,
enquanto o país registrava recordes de casos e mortes.
Nesse
sábado (29/8), Flávio minimizou as críticas e disse que prefere não discutir o
passado. O senador ainda afirmou que “ninguém tem certeza” sobre o que deveria
ter sido feito durante a crise sanitária.
Fonte:
Opera Mundi/Metrópoles

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