quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Após Flávio anunciar presidente da CONIB como ministro, judeus lançam manifesto pró-Lula

Um grupo personalidades judias divulgou no último sábado (29/08) um manifesto em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro. O manifesto foi criado a partir de uma petição pública que, na manhã desta segunda-feira (31/08), contava com mais de mil assinaturas – e que está aberta a novas adesões, segundo seus organizadores.

No texto, os apoiadores da campanha petista afirmam que “diante, mais uma vez, da ameaça à frágil democracia que construímos no Brasil, nós, judias e judeus, nos manifestamos publicamente em apoio à chapa Lula e Alckmin nas eleições de 2026”.

“Fazemos essa escolha face a uma sociedade em que discursos autoritários, inconstitucionais e de ameaça aos direitos humanos voltam a ocupar o espaço público como se fossem propostas políticas legítimas. Não podemos normalizar discursos como ‘polícia atira para matar’, nem propostas de regimes de exceção, perseguição a grupos sociais e retirada de direitos sendo defendidas em rede pública como parte natural do debate democrático”, acrescentam os signatários.

O manifesto também ressalta que “uma democracia não pode tratar como apenas mais uma opinião aquilo que ameaça a própria democracia, transforma adversários em inimigos e faz da violência um projeto político”.

Entre os nomes que aparecem na lista de apoiadores da campanha de Lula estão: Carlos Minc Baumfeld, David Zylbersztajn, Jaques Morelenbaum, Lilia Schwarcz, Michel Gherman, Natalia Timerman, Raquel Rolnik e Tatiana Salem Levy.

<><> Fator Lottenberg

De acordo com a coluna da jornalista Mônica Bérgamo na Folha de São Paulo, os promotores da iniciativa tinham planejado tornar pública essa postura em um momento mais adiantado da campanha, mas tomaram a decisão de antecipar essa divulgação após as sabatinas realizadas pelo Jornal Nacional, telejornal noturno da Rede Globo, na última semana.

O fato que mudou a programação do grupo teria sido a declaração do principal adversário de Lula, o senador de extrema direita Flávio Bolsonaro (PL), anunciando o médico Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (CONIB), como o nome que indicará como ministro da Saúde em um hipotético governo seu.

Lottenberg não se manifestou oficialmente sobre a oferta, seja para confirmar que aceitaria o cargo caso Flávio seja eleito presidente, seja para rejeitar ou se afastar da promessa.

>>>> Leia, abaixo, a íntegra do manifesto:

Diante, mais uma vez, da ameaça à frágil democracia que construímos no Brasil, nós, judias e judeus, nos manifestamos publicamente em apoio à chapa Lula e Alckmin nas eleições de 2026. Fazemos essa escolha face a uma sociedade em que discursos autoritários, inconstitucionais e de ameaça aos direitos humanos voltam a ocupar o espaço público como se fossem propostas políticas legítimas

Não podemos normalizar discursos como “polícia atira para matar”, nem propostas de regimes de exceção, perseguição a grupos sociais e retirada de direitos sendo defendidas em rede pública como parte natural do debate democrático. Uma democracia não pode tratar como apenas mais uma opinião aquilo que ameaça a própria democracia, transforma adversários em inimigos e faz da violência um projeto político.

Assinamos este manifesto também em lembrança de nossas histórias. Sabemos o que significa uma sociedade aceitar pouco a pouco o autoritarismo, a perseguição e a construção de grupos humanos como inimigos. Por isso, nossa memória nos convoca à defesa dos direitos humanos, das lutas sociais, do SUS, da igualdade racial, da justiça social e de todas as conquistas democráticas que permitem que diferentes grupos lutem por seus direitos.

Nosso apoio a Lula e Alckmin não significa acreditar que a democracia brasileira esteja pronta, nem que todas as transformações que desejamos estejam representadas nessa chapa. Significa reconhecer que há uma diferença fundamental entre lutar para ampliar direitos dentro de uma democracia e permitir que avancem projetos que ameaçam as próprias condições dessa luta. Defendemos uma sociedade em que nossas diferenças não sejam transformadas em ódio, perseguição ou inimigos a serem eliminados. Em 2026, estamos com Lula e Alckmin em defesa da democracia e da possibilidade de continuarmos lutando por ela.

<><> Executivo do Bank of America vira cotado para ministro da Fazenda de Flávio

O executivo Alexandre Bettamio, do Bank of America (BofA), passou a figurar na lista de cotados para assumir o comando do Ministério da Fazenda em eventual governo Flávio Bolsonaro (PL).

O nome de Bettamio, segundo apurou a coluna, foi levado a Flávio por integrantes do mercado financeiro como alternativa ao de Marcelo Kayath, ex-presidente do banco Credit Suisse no Brasil.

Kayath tem atuado como conselheiro de Flávio e anfitrião de encontros do senador com membros da Faria Lima na campanha. O mais recente deles ocorreu na semana passada, em São Paulo.

A nomeação de Bettamio para o Ministério da Fazenda é defendida por um grupo de aliados de Flávio Bolsonaro ligados ao atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Segundo apurou a coluna, a administradora Daniella Marques, que também é cotada para a Fazenda, não se oporia ao nome de Bettamio. O executivo é amigo do ex-ministro Paulo Guedes, padrinho da administradora.

Caso Bettamio vire ministro da Fazenda, aliados de Daniella defendem que Flávio nomeie a aliada para a chefia da Casa Civil, posto com assento no Palácio do Planalto e acesso diário ao presidente da República.

<><> O currículo do executivo

Bettamio ingressou no Bank of America em 2008. Desde então, já comandou o banco no Brasil e na América Latina. Atualmente, ele comanda a área de Corporate e Investment Banking da instituição americana.

Filho de um oficial do Exército, o executivo foi educado em colégio militar e cursou a Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), perfil que costuma ser bem visto pelo clã Bolsonaro.

•        Flávio Bolsonaro encontra ministro de Bukele e diz que ‘tem pouco preso’ no Brasil

O candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), encontrou-se com o ministro da Justiça e Segurança Pública salvadorenho, Gustavo Villatoro, neste domingo (30/08), em São Paulo.

Após o encontro, o senador defendeu a adoção, no Brasil, de medidas inspiradas na política de segurança pública de El Salvador, implementadas durante o estado de exceção instituído por Nayib Bukele em março de 2022.

Segundo Flávio, Bukele e Villatoro conseguiram “implementar um dos maiores e mais eficazes resgates de soberania e devolver a segurança pública para o povo salvadorenho”.

“É uma experiência que obviamente é possível ser inspiradora para nós aqui no Brasil”, afirmou, ao defender a ampliação do encarceramento no país, que conta com 965 mil detentos, a terceira maior população prisional do mundo.

“Tem pouco preso no Brasil. Tinha que ser mais, só não tem mais porque a legislação é frouxa”, declarou o candidato. “Vamos criar mais meio milhão de vagas em presídios pra que ladrão de celular que comece com pena de no mínimo 8 anos de cadeia fique preso, não apenas seja preso”, complementou.

Atualmente, 28% dos presídios nacionais encontram-se superlotados, em meio a um crescimento médio de 3,3% ao ano da população carcerária desde o início da década.

<><> CECOT

O senador propõe, em seu programa de governo, construir cinco presídios federais batizados de “Treva”, inspirados no Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), megacomplexo penitenciário construído em El Salvador, alvo de diversas denúncias de tortura e violações de direitos humanos.

Relatório da Anistia Internacional, divulgado em julho deste ano, destaca que a atual política de segurança de El Salvador é marcada por detenções arbitrárias em massa, suspensão de garantias e graves violações de direitos humanos que podem configurar crimes contra a humanidade.

Após quatro anos de estado de exceção no país, mais de 90 mil pessoas foram detidas e pelo menos 470 morreram sob custódia do Estado, afirma o documento. Além disso, milhares de famílias ainda buscam informações sobre o paradeiro, as condições de saúde ou a situação jurídica de parentes presos.

Durante o encontro, Villatoro afirmou que seria possível construir algo semelhante no Brasil. “Nós fizemos em El Salvador, que é um país pequeno, é verdade, mas muito pobre”, afirmou.

“Se vocês são um país grande e têm muitas riquezas, não tem explicação para que as facções criminosas continuem dominando os territórios. Basta ter um presidente da República que tenha coragem de enfrentá-los”, acrescentou, ao que o senador respondeu: “Flávio Bolsonaro terá”.

Villatoro também recomendou a eleição de uma ampla bancada de aliados no Congresso para facilitar a aprovação de regras mais rígidas de combate ao crime organizado.

<><> Violações de direitos humanos

O modelo de segurança elogiado por Flávio Bolsonaro impera em meio a um estado de exceção, instaurado em março de 2022 e sucessivamente prorrogado, levando à suspensão de garantias constitucionais e ao enfraquecimento das instituições, aponta a Human Rights Watch (HRW), em outro relatório, divulgado no ano passado.

Nesse período de exceção, afirma a entidade, forças policiais e militares realizaram operações em massa, principalmente em bairros de baixa renda, enquanto organizações de direitos humanos documentaram prisões arbitrárias, desaparecimentos forçados, tortura, maus-tratos e violações do devido processo legal.

Segundo a entidade, a população carcerária do país ultrapassa hoje 108 mil pessoas, o equivalente a cerca de 1,7% de uma população de 6,4 milhões de habitantes. A organização também documentou detenções de milhares de crianças e adolescentes e sustenta que muitas pessoas foram presas sem evidências de ligação com gangues.

Alterações legislativas aprovadas em 2022 elevaram para até dez anos a pena de prisão pelo crime de “associação ilícita” para crianças de 12 a 15 anos e para até 20 anos no caso de adolescentes entre 16 e 18 anos. Outras mudanças permitiram julgamentos coletivos e ampliaram a utilização da prisão preventiva obrigatória.

•        Anunciado por Flávio, médico fez doações para Bolsonaro e vereadora do Novo

Anunciado por Flávio Bolsonaro (PL) como futuro ministro da Saúde caso seja eleito presidente da República, o médico Cláudio Lottenberg registrou uma doação de R$ 20 mil para a campanha de Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2022, quando o ex-presidente perdeu a disputa para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Outra doação de Lottenberg registrada na Justiça Eleitoral foi uma de R$ 10 mil, em 2020, para a candidata a vereadora por São Paulo Janaína Lima, então no partido Novo. Ela foi eleita na ocasião.

O mandato da parlamentar acabou marcado por uma briga com a colega de partido, Cris Monteiro, que acabou gerando a expulsão de Janaína da legenda. Após não ser reeleita, a ex-vereadora voltou a ocupar o noticiário ao retirar e levar embora uma privada e pias do seu antigo gabinete.

<><> Críticas à gestão da pandemia

Presidente do Conselho do Hospital Israelita Albert Einstein e ex-diretor da instituição, Lottenberg foi escolhido para chefiar a pasta da Saúde do eventual governo Flávio Bolsonaro, segundo o senador, para levar “o padrão Einstein para todo o SUS”. A escolha foi anunciada durante a sabatina da TV Globo na última sexta-feira (28/8).

Em entrevista ao jornal O Globo publicada em março de 2021, quando o Brasil registrava mais de 2 mil mortes por Covid-19 em 24 horas, Lottenberg criticou a falta de coordenação do governo federal no combate à doença e a ausência de lideranças políticas como exemplo no cumprimento de medidas sanitárias.

“A utilização de máscara e do álcool gel, que deveria ser um mantra, não aconteceu. É culpa de uma ordem de governança que não soube construir, em um ano, um mínimo de entendimento”, disse o médico à época, chegando a afirmar não ter visto “grandes líderes de diferentes países aparecerem publicamente sem máscara.”

As críticas ocorreram em um momento em que Jair Bolsonaro questionava publicamente medidas de combate à Covid-19, como o uso de máscaras e o isolamento social, enquanto o país registrava recordes de casos e mortes.

Nesse sábado (29/8), Flávio minimizou as críticas e disse que prefere não discutir o passado. O senador ainda afirmou que “ninguém tem certeza” sobre o que deveria ter sido feito durante a crise sanitária.

 

Fonte: Opera Mundi/Metrópoles

 

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