sexta-feira, 17 de abril de 2026

Raíssa Araújo Pacheco: Nas fronteiras, a violência também é mercadoria

Num momento em que a violência no México e em outras periferias globais atinge níveis extremos, a ensaísta e ativista tijuanense Sayak Valencia propõe um deslocamento teórico: e se a violência, em vez de ser apenas um subproduto do capitalismo, tivesse se tornado ela mesma uma mercadoria?

É essa a hipótese central de Capitalismo Gore, obra publicada no Brasil pela sobinfluencia edições, que articula filosofia feminista, crítica da economia política e análise cultural para compreender a atual fase hiperconsumista do capitalismo.

Valencia observa que, nas regiões do chamado Terceiro Mundo, corpos torturados, decapitados ou mutilados circulam como produtos em um mercado regido pela impunidade e pela austeridade estatal. O termo “gore” do título evoca tanto o terror explícito quanto a exposição crua dos mecanismos de lucro sobre a morte.

A autora conecta fenômenos aparentemente dispersos: a ascensão de governos autoritários, a erosão da sociedade civil, o aumento da violência contra as mulheres e a transformação de cidades inteiras em paisagens despovoadas e fantasmagóricas.

Com sua abordagem filosófica feminista, a autora aponta que nesse sistema a misoginia é uma peça essencial, não um mero acidente – a masculinidade violenta e o narcopoder andam de mãos dadas com a lógica de acumulação.

Escrito a partir da fronteira Tijuana-San Diego, o livro oferece categorias analíticas e ferramentas epistemológicas forjadas no chão empoeirado desse espaço fronteiriço em permanente convulsão. Não se limitando a um diagnóstico fechado, a obra nos convida a repensar a política de morte no neoliberalismo tardio.

Disponibilizamos um trecho do primeiro capítulo logo abaixo. Boa leitura!


1. A EXPLOSÃO DO ESTADO COMO FORMAÇÃO POLÍTICA

A ética deve estar à altura do que nos acontece. Gilles Deleuze

<><> A preocupação (filosófica) com a violência

Embora seja verdade que a violência é um comportamento que nos acompanha desde o início daquilo que conhecemos como História, também é certo que este fenômeno não foi suficientemente estudado pela filosofia — ou seu estudo careceu de difusão —, exceto em casos isolados como os de Maquiavel e Hobbes, nas obras de quem a violência foi um fator decisivo. No primeiro caso, como uma ferramenta determinante para o acesso ao poder e para a sua conservação e, no segundo, como um traço da condição humana e da “sociabilidade”.

Há também alguns teóricos contemporâneos que tratam (ou trataram) o tema da violência como um elemento transversal importante em suas obras, como Georges Bataille, Slavoj Žižek, Judith Butler, Giorgio Agamben e Achille Mbembe. 

No entanto, a preocupação filosófica com o tema está longe de ser evidente — o que é paradoxal porque a violência recrudesceu no último século, tornando-se o eixo determinante do Ocidente e da vida contemporânea, isto é, transformou-se em um paradigma interpretativo da realidade atual. Como explica Charles Tilly:[…] Em termos absolutos (e per capita), o século XX foi o mais violento dos últimos dez milênios do planeta. Basta recorrer ao balanço de vítimas em conflitos armados, principalmente nas duas grandes guerras mundiais, e lembrar que na segunda metade do século XX sobrevivem práticas militares como as  guerrilhas, os conflitos de baixa intensidade, o genocídio, o politicídio, o democídio ou a limpeza étnica.

Assim, o século XX pode ser entendido como sinônimo de violência, que se radicalizou com o neoliberalismo e o surgimento da globalização, até alcançar, na primeira década do século XXI, o status de realidade gore. Aqui, caberia a pergunta sobre a diferença entre a forma de violência vinculada ao capitalismo gore e as outras formas de execução. A resposta estaria em um entramado fortemente vinculado à lucratividade econômica, que promove tanto a sua prática, quanto sua espetacularização e posterior comercialização mediante os meios de informação. No capitalismo gore, a violência é utilizada tanto como uma tecnologia de controle, quanto como uma gag, que também é um instrumento político. A gag é parte da tradição humorística e teatral, especialmente a circense, e é definida como: “uma unidade fechada de pura hilaridade: tem a ver com o gosto muito infantil e bastante primitivo pela surpresa desintegradora, pela desordem que irrompe a partir do prazer bem instintivo de que as coisas saiam de seu lugar, caiam ou despenquem inesperadamente.”

A violência e sua espetacularização aparecem como vetores transversais a todos os campos do conhecimento e da ação, constituindo-se tanto como modelos por antonomásia de interpretação da atualidade, quanto como os principais produtores de uma episteme g-local, que se estende das periferias aos centros do planeta, e vice-versa.

Entendemos a violência como uma categoria interpretativa com distintas transversais; uma delas tem a ver com o fato de que, para nós, a violência está intimamente vinculada à ação, isto é, o conceito de violência que utilizamos inclui tanto o seu exercício fático e cruento quanto sua relação com o midiático e o simbólico.

Agora que a violência é episteme, devemos lembrar mais do que nunca que a filosofia “(…) começa quando os deuses emudecem [e o que é esta violência desenfreada do capitalismo gore senão um silêncio de referentes, um esquecimento?]. No entanto, como toda atividade filosófica se baseia na palavra”,  é preciso que a filosofia não se esqueça da dívida que tem com o discurso e o poder que também possui de criá-lo, de criar ideias e interpretações da realidade que nos cerca.

Nesse sentido, consideramos necessário um aprofundamento do tema da violência em nossa disciplina, já que é inquestionável que — como ferramenta (efetivíssima) da economia mundial — produziu uma espécie de giro discursivo próprio, compreendido enquanto um horizonte de sentido e de referência. 

Entendemos essa episteme da violência como o conjunto de relações que unem nossa época às práticas, discursivas ou não, que dela se originam, criando certas figuras epistemológicas contemporâneas que não têm relação direta com o que se conhecia como os modelos adequados de interpretação da realidade; cria-se uma fissura nos pactos éticos ocidentais e na aplicabilidade do discurso filosófico ocidental às condições econômicas, sociais, políticas e culturais do mundo atual.

Assim, afirmamos que a união entre a episteme da violência e o capitalismo dá origem a um fenômeno a que denominamos capitalismo gore. Este iniciou sua trajetória com o estado de exceção no qual se vive em muitos confins do planeta, principalmente nos países com economias deficitárias pertencentes ao que se conhece como Terceiro Mundo, e nas fronteiras destes com o Primeiro Mundo.

Ressaltamos que é prioritariamente no Terceiro Mundo e em suas fronteiras que os efeitos do capitalismo gore são mais evidentes e brutais. Essa ênfase tem a ver com nosso interesse em mostrar que, assim como é certo que as práticas gore — pelo menos as mais nítidas — se originam no Terceiro Mundo, também é verdade que para pensar suas lógicas, seus processos e consequências, devemos construir pontes conceituais, desenvolver um conhecimento menos exotizante e mai  próximo das ações e demandas referentes à realidade terceiromundizada; porque esta nos informará sobre os fenômenos que hoje enfrenta e seguirá enfrentando o Primeiro Mundo. Com isso, não sugerimos que os fenômenos ocorridos nesses espaços, e as categorias para interpretá-los, sejam universalizáveis, nem que ontem com uma validade e aplicabilidade desvinculadas de diferenças geopolíticas. Identificamos, sim, certos processos que estão ligados à globalização e ao fluxo de modelos econômicos criminosos que começam a ganhar visibilidade nas sociedades primeiro mundistas tanto nos noticiários, quanto nas práticas de consumo que, por meio do cinema, da música, dos videogames, da arte e da literatura, cumprem a função de instaurar, legitimar e reproduzir identidades violentas — e, em muitos casos, criminosas.

O Primeiro Mundo carece de conhecimento sobre essas lógicas e suas ações, não porque não tenha participado das lógicas criminosas, mas porque essa forma de exercer a criminalidade está ligada às práticas de globalização que permanecem, ainda hoje, desconhecidas e imprevisíveis quanto a seus efeitos; o resultado é um vazio epistemológico, teórico e prático, evidente na falta de um conjunto de códigos comuns que decifre as práticas gore.

<><> A explosão do Estado-nação

Em primeiro lugar e seguindo Foucault, abordamos o liberalismo — doutrina de base do neoliberalismo atual — fazendo uma espécie de recompilação-reflexão sobre a ruptura que implicou em que a Razão do Estado deixasse de ser concebida como uma Polizeiwissenschaft.

O conceito de Polizeiwissenschaft é proposto pelos estudiosos alemães no século XVIII, e é concebido como uma tecnologia governamental que “se ocupa dos problemas da população: saúde, natalidade, higiene”.  A leitura feita por Foucault do liberalismo como uma prática, mais do que uma ideologia, “(…) 

como uma forma de atuar orientada à consecução de objetivos [econômicos]”, dinamita a concepção do Estado entendido como um ente totalitário, racional, mas também do Estado como benfeitor. Assim, é questionada a própria noção de governabilidade, reduzida pelo liberalismo à intenção jurídica de criar “uma sociedade política baseada em vínculos contratuais”  regulados pela lei:

[…] Porque a lei define formas de intervenções gerais que excluem medidas concretas, individuais, excepcionais, e porque a participação dos governados na elaboração da lei, em um sistema parlamentar, constitui a forma mais eficaz de economia governamental. 

É preciso lembrar que o Estado de Direito garantido pela lei está regido pela lógica liberal que garante liberdade de ação aos economicamente mais poderosos. No entanto, a liberdade de ação não é propriedade exclusiva nem daqueles que detêm o poder econômico, nem daqueles que, por possuí-lo, se valem da lei. De fato, as práticas gore não estão sujeitas à lei, a desafiam, e podem ser lidas no marco da liberdade de ação. Do mesmo modo, as práticas de resistência opositora se apoiam na ação e não são favoráveis nem ao sistema neoliberal nem às práticas gore, mantendo uma equidistância crítica em relação a ambas.

O clamor liberal por um Estado reduzido em suas responsabilidades frente à sociedade e aos seus sujeitos, estabelece uma relação de sujeitos “sujeitados” definida unidirecionalmente pelo marco legal. Isto é, as exigências que esse sistema impõe ao indivíduo, ao responsabilizá-lo por si mesmo, tornando social e intersubjetiva, e, de alguma maneira, privada a negociação de suas relações econômicas, desconsidera os sujeitos que carecem de poder para negociar em pé de igualdade.

O neoliberalismo norte-americano vai mais longe que o liberalismo, pois não só pretende, como, de fato, “amplia a racionalidade do mercado a âmbitos não exclusiva nem predominantemente econômicos: a natalidade, a família, mas também a delinquência e a política penal”, desconsiderando que a liberdade dos processos econômicos pode produzir distorções sociais.

Essa ampliação da racionalidade econômica demanda a implantação de um modo débil e flexibilizado de governabilidade pelo Estado, de modo que seja a economia quem conduza a governamentalidade e suas gestões, impulsionando — mediante a desregulação promovida pela globalização — iniciativas ambíguas que habilitam a precarização mundial do trabalho e alentam o surgimento de práticas gore, executadas por sujeitos que buscam cumprir uma das regras mais importantes do liberalismo para construir legitimidade econômica, de gênero, e, portanto, social, a saber: encarnar a figura do self-made man.

Assim, a globalização, cujas premissas fundamentais remetem ao neoliberalismo, evidencia a explosão do Estado que, no contexto contemporâneo, cumpre um papel ambivalente, pois tem por base uma política global e de convivência. Ocorre que, na era global, o Estado é melhor compreendido se o concebemos como parte de uma política interestatal mundial que, ao mesmo tempo que elimina fronteiras econômicas, fortalece fronteiras internas, recrudescendo seus sistemas de vigilância.

Dita proliferação de fronteiras, vigilância e controles internos aumenta os custos, mas também a demanda de mercadorias gore: tráfico de drogas, pessoas, contratação de assassinos de aluguel, segurança privada gerida por máfias, etc.

No entanto, a flexibilização econômica do Estado não ocorre em detrimento do poder e do controle por ele exercidos. “Isto é, nessa nova governamentalidade esboçada pelos economistas, sempre se buscará o aumento das forças do Estado.”

A explosão do Estado benfeitor pode ser observada no deslocamento da governamentalidade dirigida pela economia (as empresas transnacionais legítimas e ilegítimas que fazem com que as lógicas mercantis sejam adotadas inexoravelmente por todo o sistema), transformando o conceito de Estado-nação em Mercado-nação. Isto é, transformando uma unidade política em uma unidade econômica regida pelas leis da troca, do lucro empresarial e conectada mediante múltiplos laços ao mercado mundial.

<><> Estado-nação / Mercado-nação

Para falar da transformação da governamentalidade caberia perguntar: como surge e se populariza a ideia de globalização? Para esta pergunta há muitas respostas, mas nos centraremos sobretudo no desprestígio do conceito de ideologia. Em 1989, Francis Fukuyama, politólogo estadunidense, publicou um livro intitulado O fim da história e o último homem, em que, numa reinterpretação neoliberal de Hegel, declarava o fim das ideologias e das grandes metanarrativas, estabelecendo como seu marco a queda do comunismo.

Agora, estamos em uma linha trânsfuga da História, isso porque o tempo continuou avançando sem os incômodos obstáculos para o pensamento único, isto é, para a religião do neoliberalismo absoluto. Assim, a queda do comunismo, a desideologização e a deshistoricização terminaram sendo campo fértil para a emergência da globalização.

Entendemos a globalização como uma desregulação em todos os âmbitos, acompanhada do máximo enfraquecimento das mediações políticas em benefício exclusivo da lógica do mercado. O que inclui:

1. Mercado de trabalho desregulado.

2. Desterritorialização (segmentação internacional e descontextualização do âmbito próprio de cada país).

3. Decodificação de fluxos financeiros pela promoção exacerbada da política neoliberal.

4. Estratégias aplicadas para que o dinheiro viaje na velocidade da informação (união entre a economia e a tecnologia).

No entanto, o discurso neoliberal apresenta a globalização à sociedade como uma realidade que poderia ser baseada na igualdade. Com a ideia de um acesso-igual-a-tudo, [46] ordena a aceitação do mercado como único campo que a tudo iguala, estabelecendo necessidades que são artificialmente naturalizadas e incitam o consumo sem qualquer distinção.

É importante destacar que a união entre economia, política e globalização populariza o uso de novas tecnologias sob o pretexto de eliminar fronteiras e encurtar distâncias — mesmo que apenas virtualmente. Contudo, dita união busca criar uma consciência social acrítica e hiperconsumista que acolha os sistemas de controle e de vigilância sem que tenham que se ocultar, aparecendo, no fim, como lógicos, aceitáveis e desejáveis pela própria sociedade. Assim, as noções de privacidade e liberdade são condicionadas e transgredidas. E uma nova ideia de identidade pessoal, nacional e social se configura. O social contemporâneo pode ser entendido como uma aglomeração de indivíduos encapsulados em si mesmos que compartilham um tempo e espaço determinados e participam de forma ativa ou passiva (radical ou nuançada) de uma cultura do hiperconsumo.

A cultura do hiperconsumo é uma consequência lógica das práticas políticas e da emergência da nova classe dominante: empresários. No conceito atual de cultura, já não há espaço para heróis, apenas para publicitários.

Com a explosão do Estado como entidade política, ocorre a ressignificação mercantil dos conceitos de nação e nacionalismo. Para revisar o conceito de nacionalismo, citamos Clifford Geertz, que o definia, em meados da década de 1970, como “amorfo, com metas incertas, parcialmente articulado, mas altamente inflamável apesar de tudo”. Geertz o dividia em dois tipos, conforme os enunciados mobilizados pelo nacionalismo para se legitimar:

1. Essencialista: apela a termos como tradição, cultura, caráter nacional, parentesco sanguíneo, língua, etc.

2. Epocalista: apela à história de nosso tempo, sua direção e seu significado.

O mercado se apropria desses enunciados, os toma, absorve e devolve ao próprio discurso de forma ressignificada  — ressignificação que responde exclusivamente aos seus interesses —, instituindo, de forma sutil, um novo formato de nacionalismo que apela aos conceitos de união e identificação mediante o consumo, tanto de bens simbólicos quanto materiais. Porque no interior das lógicas mercantis, tudo é passível de ser comercializado, inclusive conceitos, de forma que os conceitos de nação e nacionalismo podem se converter em penduricalhos culturais para decoração.

O conceito de Estado-nação foi desestruturado e desbancado pelo de Mercado-nação. Esse deslocamento é fundamental porque “algo que todos sabem, mas ninguém sequer pensa em demonstrar, é que a política de um país reflete o sentido de sua cultura”.

Embora seja verdade que o Mercado-nação já não se reduz geograficamente a um país, também é certo que o neoliberalismo tem os Estados Unidos como seu principal representante; estes estendem sua cultura por meio da tecnologia, dos mass media, do networking, da publicidade e do consumo a todos os confins da terra. Assim, são criados desejos consumistas, inclusive naqueles lugares onde estes dificilmente poderão ser satisfeitos pela via legal, afiançando-se o Mercado como a Nova Nação que nos une.

Cabe esclarecer que a implementação desse discurso não ocorre de forma direta e visível; ao contrário, é promovida mediante um travestimento discursivo, em que os termos do mercado são trocados por outros conhecidos e defendidos por uma perspectiva identitária e mesmo nacionalista, fazendo com que dito intercâmbio seja quase “natural”. Cuida-se para que o uso e a popularização dos conceitos do Mercado-nação não substituam bruscamente os utilizados pelos distintos nacionalismos e/ou nações. Buscar que o discurso das nações não desapareça, mesmo apenas em tese, é uma estratégia para mobilizá-lo como um envoltório de legitimação que acoberte o discurso consumista do Mercado-nação.

Se incita ao discurso das nações para desarmá-las, imobilizá-las, para que a ação fique diretamente à disposição do mercado. Isto fica claro se observarmos que na maioria dos países europeus onde a direita governa, se defende uma economia neoliberal e, ao mesmo tempo, um discurso conservador nacionalista.  Porém, sob os preceitos nacionalistas subjaz o sistema do Mercado-nação que impõe como parâmetros de identidade pessoal, cultural, social e internacional, o uso e consumo de marcas registradas (TM), logos (®), nomes (©), assinaturas, ícones e/ou teorias populares, etc., que exigem um poder aquisitivo em troca de um padrão de identidade.

Revisamos a explosão do Estado e o desmantelamento do conceito de nação no Primeiro Mundo. No entanto, cabe esclarecer que esses processos tomaram uma direção distinta no Terceiro Mundo, onde a explosão do Estado se dividiu entre a integração das demandas neoliberais e a interpretação literal destas pela população terceiro-mundista, dando origem a um Estado paralelo hiperconsumista e violento.

 

Fonte: Outras Palavras

 

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