sexta-feira, 17 de abril de 2026

Delação de Vorcaro: acordo mira devolução de dinheiro e atuação de autoridades

A espinha dorsal da negociação da delação de Daniel Vorcaro reside em critérios, como a devolução financeira e os atos de ofício de autoridades delatadas — que são as ações que uma autoridade pública pratica por causa do cargo que ocupa, o que ela tem poder legal para fazer dentro da função.

O ponto central da negociação será quanto ele está disposto a devolver.

Nos bastidores, o entendimento é direto: não existe “alvo ou exclusão”, segundo investigadores relataram ao blog. Mas o eixo do acordo — que ainda precisa ser fechado — será o montante de devolução do dinheiro desviado.

Quem acompanha as tratativas reforça que, para evitar qualquer risco de nulidade, a lógica seguirá técnica: sem alvos pré-definidos, sem exclusões e com necessidade de provas robustas, sobretudo em casos que eventualmente envolvam autoridades, quando será preciso demonstrar ato de ofício: o que foi pedido ou o que foi feito.

Vorcaro começou a preparar anexos de delação antes da segunda prisão, ainda em domiciliar.

Mas avaliação é de que o processo ainda está no início e deve ser estruturar longe de modelos mais amplos como os vistos em outras delações, como na época da Lava Jato.

•        Prisão de ex-presidente do BRB levará às conexões políticas por trás da tentativa de venda do Master para banco público

A Polícia Federal (PF) acredita que a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa levará às conexões políticas por trás das operações fraudulentas do Master com o banco público e a tentativa de compra do banco de Daniel Vorcaro.

Investigadores avaliam que as negociações entre as duas instituições financeiras foram precedidas de contatos de políticos ligados aos dois lados.

Paulo Henrique Costa, preso nesta quinta-feira (16), começou sua carreira no sistema financeiro como técnico da Caixa, passando depois a ocupar cargos de destaque a partir de suas relações com políticos do Centrão. Foi nomeado a partir dessas conexões para presidir o BRB.

Segundo as investigações, políticos do Centrão teriam conversado com o ex-presidente do BRB para que ele fechasse as operações com o Master para socorrer a instituição de Daniel Vorcaro, que enfrentava dificuldades de liquidez.

O BRB acabou comprando mais de R$ 16 bilhões de créditos do Master, sendo que cerca de R$ 12 bilhões eram de carteiras fraudulentas.

Depois que o Banco Central descobriu as fraudes nas carteiras, a autoridade monetária determinou que as operações fossem desfeitas.

Paulo Henrique Costa disse que R$ 10 bilhões foram desfeitas, mas as investigações mostraram que parte delas foram substituídas por créditos podres, sem valor.

Além de políticos do Centrão, outro alvo da investigação é o ex-governador de Brasília Ibaneis Rocha, candidato ao Senado no Distrito Federal.

Ele garante que não sabia das fraudes, mas a PF investiga operações com fundos da Reag, que tinham relação próximo com Vorcaro, realizadas pelo escritório de advocacia da família do ex-governador.

Os diálogos entre Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro extraídos de telefones celulares mostram que os dois tinham, segundo as investigações, uma relação muito próxima e de negócios, ao contrário do que o ex-presidente do BRB afirmou em depoimentos na PF.

Num deles, Paulo Henrique Costa chegou a tentar demonstrar que tinha divergências com Vorcaro, o que a operação realizada nesta quinta pela PF desmente.

•        'Fiz as contas para chegar no valor que combinamos': mensagens entre Vorcaro e ex-BRB apontam ajuste milionário por imóveis

A investigação da Polícia Federal (PF) que resultou na prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apontou que "há fortes indícios" de que ele e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, "ajustaram um valor milionário a título de corrupção".

As mensagens trocadas entre os dois, mostrando que imóveis milionários de luxo fariam parte de um suposto acerto, surpreenderam até investigadores com quem o blog  de Andréia Sadi conversou. Chamou atenção a naturalidade com que Vorcaro e Paulo Henrique conversavam sobre corrupção e lavagem de dinheiro.

O documento obtido pelo blog com o conteúdo das conversas faz parte da nova fase da Operação Compliance Zero deflagrada pela PF, que prendeu o ex-presidente do BRB nesta quinta-feira (16).

➡️ O BRB é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. Ele aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra do banco de Daniel Vorcaro.

Paulo Henrique Costa é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o Banco Master sem lastro.

O conteúdo das conversas, que inclui desde planos de carreira futuros até a escolha de materiais de construção, é apontado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como prova de que o executivo atuava como um "verdadeiro mandatário" de interesses privados dentro do banco público.

Em uma das conversas, Paulo Henrique agradece a Vorcaro pelo "alinhamento pessoal" e afirma estar "empolgado com o que vamos construir"

Em seguida, Daniel Vorcaro responde:

•        DANIEL VORCARO: “Fala amigo, ótimo, também estou empolgado. Vou alinhar tudo com Daniel. Vou te passar uma pessoa que te mostrará o apto”.

•        PAULO HENRIQUE: “Fechado! Obrigado”.

Os diálogos também mostram que os imóveis de luxo não eram apenas investimentos abstratos, mas faziam parte de um "cronograma pessoal".

Paulo Henrique enviou mensagens relatando visitas às propriedades em São Paulo acompanhado da esposa. Em um trecho, ele comenta que a esposa estava "meio cismada" com uma das unidades e pede para olhar outra para ter "parâmetro".

•        PAULO HENRIQUE: “Estive no outro hoje de manhã. A esposa ainda está meio cismada. Seria ótimo olhar outro para construir uma referência”.

•        DANIEL VORCARO: “Por quê?”

•        PAULO HENRIQUE: “Hoje estava com a região toda fechada. Seria bom dar o parâmetro”.

•        DANIEL VORCARO: “Ah tá. Esse outro é uma cobertura. Já pensando trazer família.”

•        PAULO HENRIQUE: “Eu venho na frente mesmo e elas vêm depois. Boa.“

•        DANIEL VORCARO: “Vale a pena ver”

•        PAULO HENRIQUE: “Claro. Qual o empreendimento?”

•        DANIEL VORCARO: “Outra coisa, quando tiver um tempinho aí final de semana, veja se conseguimos falar. Esta semana estou com um gargalo de 300mm na quarta, queria bolar contigo o que acha que poderíamos conseguir fazer”.

•        PAULO HENRIQUE: “Meu foco é nisso nessa semana. Já monto uma estrutura na segunda com a equipe. O que ainda temos de carteira varejo? E aí equilibro com PJ”.

•        DANIEL VORCARO: “Vou levantar aqui com minha turma. E te volto.”

Enquanto cobrava celeridade na entrega dos imóveis, Paulo Henrique tranquilizava o empresário sobre sua atuação no BRB, afirmando estar "focado na agenda que combinamos" e "tratando de carteira de outro lado".

Em outro momento de pressão, Vorcaro questiona se ele ainda tinha interesse no negócio (deal), ao que o então presidente do banco responde: "Estou com vc. Continuo no deal mode. Estou virando noite e tentando resolver".

As investigações da PF pontam que o ex-presidente do BRB negociou pelo menos seis imóveis de Vorcaro em troca de supostamente facilitar os negócios entre os dois bancos. Os imóveis são avaliados em cerca de R$ 140 milhões e dois dos empreendimentos estão sediados em Brasília.

Do montante, cerca de R$ 74 milhões foram efetivamente pagos. Segundo a investigação, o pagamento total dos valores acordados entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique não se concretizou porque o banqueiro soube "da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina" ao ex-presidente do BRB por meio da aquisição e repasse de imóveis.

•        'Preciso dele feliz', diz Vorcaro sobre imóvel para ex-presidente do BRB

A investigação da Polícia Federal (PF) que levou à prisão do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, revela mensagens do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre apartamentos que seriam oferecidos ao executivo para facilitar um esquema envolvendo o banco.

Em uma das conversas, ao tratar de um imóvel, Vorcaro afirma a uma corretora: “Preciso dele feliz. Reverte isso aí”. Vorcaro procurou a profissional após o ex-diretor do BRB dizer que ficou decepcionado por não conseguir visitar um dos apartamentos que fazia parte do acordo entre eles.

As mensagens fazem parte dos documentos da nova fase da Operação Compliance Zero obtidos pelo blog. A operação foi deflagrada nesta quinta-feira (16).

A PF ponta que o ex-presidente do BRB negociou pelo menos seis imóveis de Vorcaro em troca de supostamente facilitar os negócios entre os dois bancos. Os imóveis são avaliados em cerca de R$ 140 milhões. Dois dos empreendimentos estão sediados em Brasília e outros quatro na cidade de São Paulo.

De acordo com as investigações, cerca de R$ 74 milhões foram efetivamente pagos. O pagamento total dos valores acordados entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique não se concretizou porque o banqueiro soube "da instauração de procedimento investigatório sigiloso para apurar, exatamente, o pagamento de propina" ao ex-presidente do BRB por meio da aquisição e repasse de imóveis.

➡️ O BRB é um banco público controlado pelo governo do Distrito Federal. Ele aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra do banco de Daniel Vorcaro.

Paulo Henrique Costa é suspeito de não seguir práticas de governança e de permitir negócios com o Banco Master sem lastro.

<><> BRB e Master

O Banco de Brasília (BRB) aparece no caso Master por ter sido o principal interessado na compra da banco de Daniel Vorcaro e por ter realizado operações financeiras que estão sob investigação.

A negociação previa a aquisição de participação relevante no Master e foi apresentada como uma alternativa para evitar a quebra da instituição. No entanto, o Banco Central (BC) vetou a operação ao concluir que não havia viabilidade econômico-financeira e que o negócio poderia transferir riscos excessivos ao banco público.

Além da tentativa de compra, a Polícia Federal (PF) apura se o BRB adquiriu carteiras de crédito problemáticas do Master. O foco é entender se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações.

<><> Daniel Monteiro, advogado do Master, é preso pela PF em SP

A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (16) o advogado Daniel Monteiro, considerado próximo a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Ele é apontado como o administrador de vários fundos usados em operações financeiras para dificultar a rastreabilidade do dinheiro de movimentação ilícita. A defesa do advogado ainda não se manifestou.

A prisão foi em São Paulo e faz parte da nova fase da Operação Compliance Zero, que também prendeu em Brasília o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, segundo informações do blog da Camila Bonfim.

A operação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso na Corte, investiga um esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas que teriam sido destinadas a agentes públicos.

 

Fonte: g1 

Nenhum comentário: