Ryan
Grim: Guerra no Irã ameaça investimentos em IA e venda da Warner Bros
Os
fundos soberanos do Golfo Pérsico estão conduzindo uma revisão ampla dos
investimentos nos Estados Unidos, movidos por uma combinação entre necessidade
comercial e recalibragem política impulsionada pela guerra no Irã, segundo
fontes próximas das deliberações nos contratos financeiros de alto nível.
Em
especial, a fusão planejada entre a Paramount Skydance e a Warner Bros
Discovery, que se tornou possível a partir do financiamento do Golfo, está
sendo objeto de um novo olhar. Uma reunião adiada do conselho da Autoridade de
Investimentos do Catar acontecerá na semana que vem, enquanto o fundo recalibra
sua abordagem de investimentos, segundo uma fonte que conhece as deliberações.
“Mesmo de uma perspectiva puramente numérica, é preciso olhar para isso
novamente”, diz a fonte do setor, que pediu anonimato para falar livremente
sobre questões de investimento que raramente são discutidas em público.
Não é
esperado que nenhum anúncio decorra da reunião, segundo a fonte, considerando
que o Catar está pouco inclinado a desistir unilateralmente do negócio sem que
a Arábia Saudita acompanhe. Retirar-se do acordo seria considerado um golpe
político contra Israel e os Estados Unidos, que o Catar considera que não teria
condições de sustentar sozinho nas atuais circunstâncias.
A fusão
entre os dois conglomerados de mídia foi anunciada em 27 de fevereiro de 2026.
No dia seguinte, os EUA e Israel lançaram um ataque surpresa contra o Irã, que
respondeu, como prometido, atacando os países do Golfo que abrigam bases
militares estadunidenses. Esses mesmos países do Golfo são os principais
apoiadores financeiros da fusão, de acordo com os documentos arquivados na
Securities and Exchange Commission, SEC, equivalente à Comissão de Valores
Mobiliários no Brasil. Fundos soberanos ligados à Arábia Saudita, ao Catar e
aos Emirados Árabes Unidos se comprometeram com 24 bilhões de dólares (121 bilhões de
reais) para financiar o acordo, que custou cerca de 111 bilhões de dólares
(561 bilhões de reais).
No
cenário atual, continua parecendo provável que o o acordo da Paramount se
mantenha, mas isso pode mudar caso a guerra dure pelo menos mais um mês, e os
ativos de petróleo e gás do Golfo sofram um ataque ainda maior. Trump voltou
sua atenção para a infraestrutura de petróleo do Irã, e o Irã prometeu retaliar
atacando ativos de petróleo do Golfo. No entanto, mesmo as circunstâncias
atuais estão obrigando os fundos soberanos a olharem com mais profundidade para
todo o conjunto de negócios em suas carteiras. Um representante da Paramount
não quis se manifestar. Representantes do Fundo de Investimento Público (Reino
da Arábia Saudita), L’imad Holding Company PJSC (Emirados Árabes) e Autoridade
de Investimentos do Catar não responderam aos pedidos de comentários.
O que
está em risco é o cerne da economia dos EUA, que atualmente é movida pelo
crescimento das empresas de IA e dos data centers que as alimentam. Jason
Furman, economista de Harvard, calculou que mais de 90% do
crescimento do PIB dos Estados Unidos no primeiro semestre de 2025 foi
impulsionado pela IA e investimentos relacionados. Grande parte da construção de data
centers é financiada com dinheiro do Golfo, e as empresas dos EUA também estão
construindo intensamente no Golfo.
Tudo
isso agora ficou incerto. “A história não é apenas sobre os negócios
especificamente, mas se você pensar nos data centers de IA e todo o crescimento
que está chegando nos próximos anos, de onde vem a maior parte desse capital?”,
diz o pesquisador. “Boa parte vem do Golfo. E se o Golfo – não politicamente,
mas até mesmo apenas de uma perspectiva financeira – não puder se comprometer
com isso, quais são os efeitos sobre essas empresas e a economia dos EUA? Acho
que ninguém fez essa conta, mas tem algo aí, sem dúvida.”
“Os
hiperescaladores” – em referência às maiores empresas, como a OpenAI – “estão
bem, esses caras são enormes, podem pagar por isso, mas e o próximo nível?”,
disse, pensando na extensa categoria de empresas que podem afundar sem apoio do
Golfo.
Uma
segunda fonte, com estreitas relações com os principais líderes do Golfo, disse
que os países estão olhando atentamente para todos os acordos que fecharam,
diante das novas realidades financeiras em jogo.
No
começo de março, o jornal Financial Times informou que a Arábia
Saudita, o Catar, os Emirados Árabes e o Kuwait estava coletivamente
reavaliando os investimentos, com o objetivo de cancelar alguns, segundo uma
autoridade do Golfo. “Vários países do Golfo começaram uma análise interna para
determinar se as cláusulas de força maior podem ser invocadas nos contratos
vigentes, ao mesmo tempo em que revisam compromissos de investimento atuais e
futuros para aliviar parte da tensão econômica prevista para a atual guerra”, a
autoridade teria dito ao FT. “Especialmente se a guerra e as despesas
relacionadas continuarem no mesmo ritmo.”
A
guerra e as despesas relacionadas não apenas continuaram, mas se aceleraram. A
fonte do setor disse que o desinvestimento provavelmente aconteceria sem
alarde, mas era inevitável. “Apenas matematicamente, vai ter que acontecer”,
ele disse. “Não acho que será óbvio, não acho que será transmitido dessa forma.
Mas acho que vai acontecer. E quando as coisas voltarem a se acumular, as
pessoas vão se perguntar, são as mesmas pessoas que estão envolvidas agora ou
mais tarde, e vai haver o questionamento: elas vão fazer a mesma coisa de novo?
Elas vão pensar em diversificar? Essa é a questão.”
Segundo
ele, os investidores do Golfo “simplesmente não terão condições de manter a
escala em que haviam se comprometido”.
A
Paramount é dirigida por David Ellison, filho de Larry Ellison, fundador da
Oracle, um dos homens mais ricos do mundo e o maior doador da ONG Amigos das
IDF (Forças de Defesa de Israel). Larry Ellison investiu bilhões para cobrir a
fusão de seu filho com a Warner Bros. Os Ellison compraram o veículo The Free
Press, da jornalista Bari Weiss, e deram a ela o controle da emissora CBS News,
a partir da admiração de David Ellison pelo apoio de Weiss a Israel. Weiss
comemora a guerra, incomodando os jornalistas de sua
redação,
mesmo quando ameaça o império midiático de seu patrocinador. A aquisição da
Warner Brothers também dará a Ellison o controle da CNN.
Em
última análise, mesmo que a preferência da agência do Catar seja por deixar o
acordo, o fundo permanecerá a não ser que a Arábia Saudita também saia. “Não é
uma decisão do Catar. Não é uma decisão entre os sauditas e os Emirados Árabes.
É uma decisão dos sauditas, porque todos os três países precisam estar
comprometidos para que o acordo faça sentido, a menos que seja possível
encontrar outros investidores asiáticos”, disse a fonte do setor. O fundo
soberano Tencent, da China, estava envolvido anteriormente, mas desistiu para que a transação não precisasse
passar por investigação federal nos EUA por motivos de segurança nacional.
O
resultado mais provável da próxima reunião, segundo a fonte do setor, é que o
fundo continue com uma abordagem de esperar para ver, levando em conta o rápido
desenvolvimento da situação política e econômica. “Se os sauditas entrarem, o
Catar vai atrás. Se os sauditas não entrarem, o Catar não vai seguir, vão
apenas adiar, adiar, adiar e ver o que acontece. Todos ainda podem dizer ‘não,
não, estamos comprometidos, estamos comprometidos. E há milhões de formas, caso
isso se estenda por mais um mês, é possível usar força maior, é
possível fazer qualquer coisa.”
Uma
fonte do Catar com informações sobre o processo também disse que o acordo ainda
tem grandes chances de se concretizar.
A
decisão de Trump de humilhar publicamente Mohammad bin Salman, ou MBS, o
príncipe herdeiro da Arábia Saudita, também jogou areia no relacionamento com
os sauditas. Na conferência de investimentos apoiados pela Arábia Saudita,
Trump falou sobre seu relacionamento com MBS. “Pouco tempo atrás, estávamos
juntos, e ele olhou para mim e disse: ‘sabe, um ano atrás você era um país
morto. Agora, você é o país mais em alta no mundo'”, disse Trump. “Ele não
achou que isso iria acontecer. Ele não achou que estaria puxando meu saco,
realmente não achou. Ele achou que eu seria só mais um presidente americano que
é um perdedor com um país que está indo ladeira abaixo, mas agora ele precisa
ser legal comigo. Diga a ele que é melhor ser legal comigo, que ele tem que ser.”
Na
mesma conferência, o fundo soberano da Arábia Saudita
anunciou um corte de 15% em investimento de capital.
Steve
Bannon, aliado de Trump, se juntou ao escárnio. “Talvez possamos ficar com dois
ou três desses príncipes uniformizados”, disse em seu podcast, The War Room (A
Sala de Guerra). “Tem algum filho nas forças especiais? Vamos reunir essas
famílias reais e ver o tamanho do que elas estão dizendo.”
O
insulto contribuiu para o ar de incerteza em relação ao financiamento da
Paramount, segundo a fonte do setor. “Olha, isso que aconteceu uns dias atrás
não é pouca coisa. Quer dizer, nós conhecemos o MBS. Foi uma conduta muito
ofensiva. Não sei se a palavra é ‘vingativo’, mas ele estaria disposto a tomar
medidas drásticas com base nas emoções”, disse.
Segundo
ele, a maior parte do setor ainda está presa na névoa da guerra a não ensaiou
cenários de longo prazo. Ele diz que Trump também não parece ter pensado muito
nas coisas, especialmente em relação à promessa do presidente de fornecer
energia para a Europa. “Os efeitos indiretos serão imensos, quem vai fornecer
GNL e gás para a Europa nos próximos anos? São os EUA. Mas quem também precisa
desse gás para ampliar os data centers? São os EUA. Então, algo tem que ceder.”
O acesso ao hélio, um componente essencial da indústria
da IA,
também está em risco em decorrência da guerra.
Os
principais atores – China, Rússia e até a Arábia Saudita – todos têm incentivos
para continuar, ele explica.
A
Arábia Saudita “não está sendo tão afetada por essa guerra quanto as pessoas
podem pensar, seus preços à vista subiram, eles são, logisticamente, o centro
de tudo agora”, diz. “Isso está fazendo diferença.”
“Se
você pensar em quem realmente tem incentivos para desescalar agora, não sobram
muitos. O Irã está satisfeito se isso continuar. Israel está satisfeito se
continuar. Os EUA aparentemente não se importam. Não parece afetá-los. E então
vem a China, e a China talvez não queira, mas a Rússia está se beneficiando
mais do que ninguém. Então é realmente o Catar que precisa desescalar para sua
própria segurança. O Kuwait está ferrado. O Bahrein está ferrado, mas eles não
são realmente atores.”
¨
Irã se torna potência mundial após 1,5 mês da guerra com
EUA e vence nas conversas, diz analista
O Irã
está em melhor posição após negociações com os Estados Unidos em Islamabad,
afirmou à Sputnik Maria Kicha, orientalista russa.
Na
avaliação de Kicha, Teerã provou ao mundo que é possível conversar com
Washington a partir de uma posição de força.
"O
Irã é o grande beneficiado dessas negociações. Em apenas um mês e meio,
tornou-se uma potência mundial. É o Irã que negocia com os EUA em uma posição
de força e dispõe de mecanismos de pressão sobre Washington", ressaltou.
Segundo
a analista, para os Estados Unidos e Israel, a
única opção de vitória continua sendo o desmantelamento completo do Estado
iraniano, mas isso não aconteceu.
Além
disso, a especialista salientou que o Irã é o vencedor da primeira rodada
de negociações com os EUA em Islamabad.
Ao
mesmo tempo, Kicha concluiu que o Irã resistiu à agressão dos Estados Unidos e
de Israel e agora tem tempo para se reagrupar e recorrer ao seu arsenal de
mísseis escondido em armazéns subterrâneos.
O Irã e
os Estados Unidos iniciaram negociações em Islamabad no dia 11 de abril, após o
presidente estadunidense, Donald Trump, anunciar que havia chegado a um
acordo com Teerã sobre um cessar-fogo de duas semanas.
No
entanto, mais tarde, o chefe da delegação norte-americana, o vice-presidente dos EUA, J. D.
Vance,
anunciou que não foi possível chegar a um acordo com o lado iraniano.
¨
Irã exige na ONU indenização de países árabes por
cumplicidade em ataques de EUA e Israel
A
Missão Permanente da República Islâmica do Irã junto às Nações Unidas (ONU)
apresentou uma reclamação de
indenização contra
cinco países da região: Bahrein, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos
(EAU) e Jordânia. Teerã responsabiliza diretamente essas nações por sua
participação e facilitação da guerra travada pelos
Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.
O
Representante Permanente do Irã, Amir Saeid Iravani, denunciou esses Estados
por se envolverem em atos internacionalmente ilícitos, violando suas obrigações
soberanas e princípios fundamentais do direito internacional. Segundo a
declaração oficial, essa cumplicidade ativa
na agressão regional gera
uma responsabilidade internacional inescapável que obriga os envolvidos a
reparar integralmente os danos causados por suas ações.
A
exigência de Teerã inclui indenização integral por todos os danos materiais e
morais resultantes das hostilidades. O diplomata iraniano enfatizou que o uso
de territórios regionais ou de recursos logísticos para apoiar a ofensiva de
Washington e Tel Aviv constitui uma violação da segurança coletiva e, portanto,
os países envolvidos devem arcar com as consequências financeiras e jurídicas
de seu alinhamento com as potências agressoras.
Esta
ação judicial perante a ONU marca uma nova fase na estratégia de defesa da
República Islâmica, que busca estabelecer um precedente quanto à
responsabilidade dos Estados que facilitam ataques externos contra nações
vizinhas. A exigência de indenização soma-se às acusações anteriores do Irã
sobre a perda de soberania desses governos devido à influência do eixo
imperialista no Oriente Médio.
A
agressão que começou em 28 de fevereiro, perpetrada pelos EUA e por Israel sob
o pretexto de uma “mudança de governo”, resultou em 3.375 mortes, incluindo 383
menores, após 39 dias de ataques.
A
ofensiva não só teve como alvo
instalações-chave como o terminal da Ilha de Kharg, o aeródromo de
South Pars, a ponte B1 Karaj-Teerã e a escola Shajareh Tayyebeh, mas também
devastou uma vasta rede de outras infraestruturas vitais em todo o país. Essas
perdas massivas paralisaram os serviços de energia, saúde e transporte,
violando direitos fundamentais da nação persa.
¨
EUA e Israel podem usar negociações para preparar
operação terrestre no Irã, alerta Rússia
Os
Estados Unidos e Israel podem usar as negociações de paz como forma de preparar
uma operação terrestre contra o Irã, alertou nesta terça-feira (14) o Conselho
de Segurança da Rússia em comunicado, "enquanto o Pentágono continua a
aumentar o contingente de tropas norte-americanas na região".
Mais
cedo, os Estados Unidos mobilizaram mais de 10 mil militares para
monitorar o cumprimento do bloqueio naval ao
Irã, determinado
pelo presidente norte-americano, Donald Trump. Além do contingente, pelo menos
12 navios e dezenas de aeronaves do país foram direcionados para a região.
Já Chas
Freeman, ex-assessor do secretário de Defesa dos EUA para segurança
internacional, afirmou à Sputnik que a medida não só mina o frágil cessar-fogo
de duas semanas, mas, se estendido a navios não pertencentes ao
Irã, significará uma ação militar contra terceiros países não
envolvidos no conflito.
"Significará
ações militares contra os países que usaram a diplomacia para obter a permissão do Irã para que seus
navios passassem pelo estreito de Ormuz. Esses países
incluem aliados americanos, como o Japão e a República da Coreia, além de
grandes potências mundiais e regionais, como China, Índia e Turquia."
<><>
Escalada no Oriente Médio
Já o
órgão russo acrescentou que, caso não haja acordo
nas negociações com o Irã, as hostilidades poderão ser retomadas com maior
intensidade.
Segundo
o comunicado divulgado pelo Conselho de Segurança, as autoridades iranianas
mantêm o controle da situação interna e o sistema de governança estatal e
militar segue estável. O texto também destaca que o Irã ainda possui
quantidades significativas de armamentos.
Fonte:
The Intercept/TeleSUR/Sputnik Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário