quinta-feira, 16 de abril de 2026

Efeito Lula: Brasil volta às 10 maiores economias do mundo

O crescimento do PIB brasileiro impulsionado pelo petróleo recoloca o país entre as maiores economias globais em 2026, segundo projeções atualizadas do Fundo Monetário Internacional (FMI). A revisão positiva nas estimativas econômicas fez o Brasil retomar a décima posição no ranking mundial, superando o Canadá após ter ficado fora do grupo no ano anterior.

O relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO), do FMI, aponta que, após ocupar a 11ª colocação em 2024 e 2025, o Brasil volta ao top 10 global impulsionado por fatores como o câmbio e o aumento das receitas com petróleo.

De acordo com o FMI, o desempenho brasileiro foi beneficiado pela valorização do setor petrolífero em meio ao cenário internacional de alta nos preços da commodity. Esse movimento está relacionado ao impacto da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, que provocou forte elevação nos preços dos combustíveis e é considerado pela Agência Internacional de Energia (AIE) como o maior choque do petróleo já registrado.

Além do avanço do setor energético, o comportamento da taxa de câmbio também influenciou diretamente o posicionamento do Brasil no ranking global. Como o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) em dólares leva em conta a conversão da moeda local, a valorização do real frente ao dólar contribuiu para elevar o tamanho da economia brasileira quando comparada internacionalmente.

Outro fator destacado foi a revisão para cima da projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026. O FMI elevou a estimativa de expansão econômica de 1,6% para 1,9%, contrariando a tendência global de desaceleração. No cenário mundial, a expectativa de crescimento foi reduzida de 3,3% para 3,1%, refletindo os efeitos do encarecimento da energia e das tensões geopolíticas.

As projeções indicam ainda que o Brasil deve continuar avançando no ranking das maiores economias. Em 2027, a expectativa é que o país ultrapasse a Rússia e alcance a nona posição global. No ano seguinte, poderá superar a Itália e ocupar o oitavo lugar, mantendo-se nessa faixa até o fim da década.

O relatório do FMI também destaca que o Brasil possui fundamentos que ajudam a enfrentar choques externos, como reservas internacionais robustas, baixa dependência de dívida em moeda estrangeira e regime de câmbio flexível. Esses elementos contribuem para dar maior resiliência à economia diante das oscilações do mercado global.

Apesar da relevância do país no ranking do PIB total, o indicador não reflete necessariamente o nível de riqueza da população. Economistas costumam utilizar o PIB per capita para avaliar esse aspecto, já que ele considera o tamanho da população.

Nesse critério, o Brasil apresenta desempenho mais modesto. Em 2025, o PIB per capita brasileiro foi de US$ 10.685,69, segundo o FMI, posicionando o país abaixo de nações menores como a Albânia e distante dos líderes globais. O ranking é liderado por Liechtenstein, seguido por Luxemburgo, enquanto os Estados Unidos aparecem apenas na oitava posição quando considerada essa métrica.

•        Real forte alivia o câmbio, mas o Brasil continua refém das commodities. Por Henrique Pinheiro

A valorização recente do real diante do dólar deveria, em tese, produzir um alívio imediato sobre a economia brasileira. Em condições normais, dólar mais fraco significa menor pressão sobre combustíveis, fertilizantes, remédios importados e insumos industriais. Mas o Brasil vive uma contradição típica de países dependentes das exportações de commodities: mesmo com o real ganhando força, os preços internos continuam pressionados porque o mercado internacional segue dominado pela guerra e pela volatilidade energética.

A crise no Oriente Médio, agravada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, mantém petróleo e derivados em patamares elevados. O bloqueio no Estreito de Ormuz e o risco de interrupção no fluxo global de energia ainda pesam sobre os preços internacionais. Resultado: o dólar cai, mas gasolina e diesel não recuam na mesma velocidade.

O mesmo ocorre com fertilizantes. O Brasil importa cerca de 85% do que consome, e grande parte desses insumos depende diretamente do mercado externo, fortemente afetado pela geopolítica. Mesmo com o real valorizado, os preços seguem altos porque a pressão internacional continua.

Esse fenômeno expõe uma fragilidade estrutural da economia brasileira. Somos grandes exportadores de commodities, mas continuamos importadores dependentes de insumos estratégicos. Vendemos soja, minério, petróleo bruto e carnes, mas importamos fertilizantes, tecnologia, máquinas, semicondutores e derivados refinados.

É o retrato de uma economia primarizada.

Quando o dólar sobe, o país sofre porque tudo encarece.

Quando o dólar cai, o benefício é parcial porque os preços externos continuam mandando.

Ou seja, nem o câmbio favorável basta para blindar o consumidor brasileiro.

A dependência excessiva das exportações de commodities cria uma armadilha. O Brasil lucra quando o mundo compra bem nossos produtos primários, mas continua vulnerável porque não controla os preços dos insumos essenciais que importa. É uma balança desequilibrada.

O agronegócio exportador ganha com dólar alto e reclama quando o real se valoriza. Mas até o próprio campo depende de insumos dolarizados. Fertilizantes caros anulam parte do ganho cambial. O setor exporta muito, mas também importa muito para produzir.

Enquanto isso, a população enfrenta inflação persistente em itens básicos, mesmo quando o câmbio melhora.

Esse é o problema central: um país excessivamente dependente de commodities fica sempre subordinado a choques externos. Cresce quando os preços internacionais favorecem suas exportações, mas continua exposto à inflação global e à instabilidade geopolítica.

A valorização do real é positiva, sim. Ela reduz parte da pressão inflacionária e melhora expectativas. Mas não resolve a raiz do problema: a vulnerabilidade estrutural de uma economia que exporta produtos primários e importa insumos estratégicos.

Sem reindustrialização, autonomia tecnológica e menor dependência externa, o Brasil continuará preso a essa equação perversa:

vende barato o que extrai,

compra caro o que precisa.

•        Lula defende queda dos juros e diz que vai chamar Galípolo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (15) que pretende conversar com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao mesmo tempo em que voltou a criticar o patamar da taxa de juros no país. Segundo Lula, uma mudança de perspectiva da autoridade monetária poderia contribuir para a redução dos juros, especialmente ao considerar a realidade de trabalhadores e da classe média.

A declaração foi feita durante um evento voltado ao anúncio de medidas econômicas para impulsionar o setor habitacional. Na ocasião, o presidente adotou um tom descontraído ao mencionar a intenção de dialogar com Galípolo.

Durante o discurso, Lula rebateu críticas de que o governo estaria focado apenas em beneficiários do Cadastro Único (CadÚnico) e afirmou que políticas públicas também contemplam trabalhadores com renda intermediária. “Uma pessoa que ganha R$ 10 mil, R$ 9 mil, R$ 11 mil, se for uma pessoa muito equilibrada, ele tem um dinherinho para pagar uma prestação de casa. E todo mundo quer trocar o aluguel por uma prestação de casa”, declarou.

O presidente também reforçou que a ampliação do programa habitacional busca atender esse público. “Todo mundo quer trocar. As pessoas têm que ter uma chance só. E esse é o papel desse programa. É tentar criar condições para que as pessoas tenham uma casa, porque se não o cara, pô, esse Lula só governa para o CadÚnico. E eu, e eu, que sou metalúrgico, que sou torneiro mecânico igual a ele. Por que eu não tenho direito de ter uma casa?”, questionou.

Segundo Lula, a partir dessa lógica, o governo decidiu elevar o padrão do programa Minha Casa, Minha Vida e trabalhar pela redução dos juros. Ele sugeriu que o Banco Central deveria considerar as ações do governo federal. “A gente pensou em elevador o padrão e baixar a taxa de juro, gente. Veja que se o Banco Central olhar pra nós, vai baixar a taxa de juros. O Banco Central precisa olhar o que o Tesouro fez, o que o Planejamento fez aqui. Quando o Galipolo voltar da viagem dele da Europa, eu vou dizer, olha, os 'meninos da gastança' estão reduzindo dinheiro”, afirmou.

O presidente não detalhou a quem se referia ao mencionar “os meninos da gastança”. A fala ocorre em meio a críticas recorrentes do chefe do Executivo às decisões do Banco Central sobre a política monetária.

Em março, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros, a Selic, para 14,75% ao ano, marcando o primeiro corte após um período de quase dois anos sem redução. A discussão sobre o nível dos juros segue como um dos principais pontos de tensão entre o governo federal e a autoridade monetária.

•        Economia brasileira está no “caminho certo”, diz Durigan ao comentar relatório do FMI

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quarta-feira (15), que a economia brasileira segue “no caminho certo”, ao comentar a revisão das projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). As novas estimativas constam no relatório World Economic Outlook. De acordo com o FMI, a revisão para baixo da economia global está associada às tensões no Oriente Médio, que impactam os preços de energia e ampliam as incertezas econômicas. No caso brasileiro, o documento indica melhora na estimativa de crescimento em meio ao cenário internacional adverso, informa o jornal O Globo.

“A economia global deve crescer 3,1%, abaixo do esperado anteriormente, reflexo direto das incertezas internacionais. Diferente desse movimento, o Brasil teve sua previsão elevada: de 1,6% para 1,9%”, declarou Durigan. Ele também afirmou que o resultado está próximo das previsões do mercado financeiro. Segundo ele, o Boletim Focus, do Banco Central, projeta crescimento de 1,85% para o Produto Interno Bruto (PIB).

Play Video

“O número está alinhado ao mercado (1,85%, segundo o Boletim Focus) e acima da estimativa do Banco Central. Esse resultado reforça que estamos no caminho certo: responsabilidade fiscal, crescimento sustentável e soberania econômica caminham juntos”, disse.

<><> Cenário internacional

O FMI aponta que o Brasil tem se beneficiado, neste momento, por ser exportador líquido de energia, diante da alta dos preços do petróleo provocada pelo conflito no Oriente Médio. O relatório também alerta para riscos no cenário global, incluindo a possibilidade de inflação mais elevada e desaceleração econômica mais intensa, caso o conflito se prolongue.

Nesse contexto, o Fundo recomenda a priorização do controle da inflação e cautela em políticas fiscais que possam pressionar os preços.

•        Fundo da BlackRock ligado ao Brasil atrai o maior fluxo de investimentos em 10 anos

O ETF da BlackRock voltado ao mercado acionário brasileiro registrou sua maior entrada diária de recursos desde 2017, refletindo o aumento do interesse global por ativos do país e a expectativa de um ambiente econômico mais favorável nos próximos meses. O movimento reforça a confiança de investidores estrangeiros no potencial das ações brasileiras em meio a mudanças no cenário internacional.

Segundo reportagem da Bloomberg, investidores destinaram mais de US$ 337 milhões ao iShares MSCI Brazil ETF (EWZ) na segunda-feira (14), o maior fluxo diário para o fundo em quase nove anos. O ETF, que administra cerca de US$ 11,3 bilhões e é o maior listado nos Estados Unidos com foco em ações brasileiras, tem atraído capital ao longo de 2026, impulsionado pela diversificação de carteiras fora dos ativos norte-americanos.

<><> Interesse estrangeiro impulsiona mercado brasileiro

O aumento da demanda por ações brasileiras ocorre em um contexto de maior apetite global por risco, com investidores buscando oportunidades em mercados emergentes. Fatores como a valorização das commodities, os juros reais elevados e a menor dependência do país em relação à importação de petróleo contribuem para esse cenário.

O gestor de portfólio da Deltec Asset Management, Greg Lesko, destacou o protagonismo do capital estrangeiro na recente valorização do mercado local. “O Brasil atraiu fluxos significativos de investidores estrangeiros, e a próxima etapa deve ser sustentada pela participação doméstica à medida que a queda dos juros torne as ações mais atraentes”, afirmou.

<><> Expectativa de juros menores e eleições influenciam cenário

As apostas em um ciclo de redução das taxas de juros e a possibilidade de políticas econômicas mais favoráveis após as eleições presidenciais de outubro têm reforçado o interesse pelo mercado brasileiro. No primeiro trimestre de 2026, o ETF acumulou mais de US$ 1,6 bilhão em entradas, o melhor desempenho para o período desde 2009.

Mesmo diante da volatilidade global recente, especialmente causada por tensões no Oriente Médio, as ações brasileiras demonstraram resiliência. Em março, o EWZ recuou apenas 0,9%, enquanto o ETF de mercados emergentes iShares MSCI Emerging Markets (EEM) registrou queda de 9,2%.

<><> Brasil ganha destaque entre mercados emergentes

Analistas apontam que o Brasil ocupa uma posição favorável no cenário internacional atual. Para Thea Jamison, diretora da Change Global Investment, o país apresenta fundamentos sólidos mesmo em condições adversas. “O Brasil está em uma posição privilegiada. A volatilidade global chama atenção para as oportunidades locais, e qualquer ciclo de queda de juros pode ser um forte catalisador para as ações”, disse.

Com a perspectiva de juros em queda e um ambiente político em transição, o mercado acionário brasileiro tende a seguir como destino relevante para investidores globais ao longo do ano.

 

Fonte: Brasil 247 

Nenhum comentário: