quarta-feira, 15 de abril de 2026

Minhas recordações de Leonel Brizola

Leonel Brizola voltou a ocupar, enviesado, o bate-boca político em sua terra natal. E não é para menos. Mesmo já não sendo, hoje, o que foi no passado, o PT é, ainda, uma força eleitoral no RS. E, como tal, se preparava para lançar candidato ao governo do Estado, uma importante alavanca na eleição de deputados estaduais e federais.

O candidato da vez era Edegar Pretto, 55, escolhido como pré-candidato petista para o governo do Rio Grande do Sul. Já pilchado, com o pé no estribo, teve que abandonar, forçado, o bagual pronto para correr a cancha reta eleitoral, em favor de candidata pedetista. Desfeita grande, para ele, seu partido e o eleitorado petista. A imposição esdrúxula veio de Brasília, para vitaminar a candidatura de Lula da Silva, cada vez mais mal de pernas.

Repetia-se a operação de Lula da Silva e seus capas-pretas, que liquidou, em maio de 1998, a candidatura de Wladimir Palmeira e o PT do Rio de Janeiro, ao apoiar Antony Garotinho, com igual objetivo. Por essas e por outras, Leonel Brizola propusera que Lula da Silva “pisaria no pescoço da mãe para se eleger presidente”. No caso, reeleger.

<><> Rifando o PT sulino

É difícil avaliar o estrago que a decisão monocrática realizará nas filas petistas. A senhora Juliana, 50, que recém-apenas abandonou o apoio ao conservadorismo sulino, tem currículo. Sua candidatura se deve a portar o sobrenome do Brizola, de quem é neta. A candidata formou-se em Direito na Universidade Santa Úrsula, instituição privada, simpática, mas de segunda linha. Ela viveu sempre da política, explorando o nome do vovô. Sua produção bibliográfica é quase nula.

Preparando a campanha, organizou, em parceria, o livro Brizola por ele mesmo: documento inédito, com uma longa entrevista com o caudilho. Foi acusada de “impostura intelectual” para com a Silvana Moura, que reivindica ter realizado, com Ney D´Ávila, as entrevistas com Brizola, há trinta anos, sem sequer serem citados na capa, segundo parece, por exigência da “netinha”.

Não vou votar em Edegar Preto e, menos ainda, na pedetista. Sirvo-me apenas do ensejo,para pôr no papel recordações minhas de Leonel Brizola, em geral, enviesadas, pois são, sobretudo, causos que escutei de meu pai, do qual herdei o nome, associado ao agnome “Filho”. Por isso, assino, apenas, Mário Maestri.

Recordações minúsculas que talvez avancem, milimetricamente, um melhor entendimento da atribulada vida de Leonel Brizola. Nos anos 1950, o caudilho foi tema habitual de meu pai, nos almoços da família, em comentários dirigidos a minha mãe. Guri, jamais dei a importância merecida à conversação.

Leonel Brizola e meu pai tiveram uma trajetória de vida inicial paralela. Ambos eram de extração popular. Menos meu pai, mais Leonel Brizola, que ficou órfão e que, guri, trabalhava para ajudar a família. Meu pai era filho de mecânico atuante. Ambos nasceram em 1922 e cursaram a Escola de Engenharia em Porto Alegre. Meu pai se formou em 1945, Leonel Brizola anos mais tarde. Um e outro casaram-se com filhas de famílias latifundiárias.

O pai de Leonel Brizola, pequeno lavrador e tropeiro, morreu na Revolução de 1923, lutando ao lado dos libertadores, aplastados, outra vez, pelos castilhistas. Brizola ingressou na política, em 1945, nas filas do apenas-organizado Partido Trabalhista Brasileiro, herdeiro político dos republicanos positivistas. Elegeu-se deputado estadual em 1947.

<><> Família integralista

Nos anos 1930, meu avô, com meu pai, ainda quase criança, pela mão, se arrolou na Ação Integralista Brasileira, quando Plínio Salgado visitou Porto Alegre. Toda a família Maestri-Taboada aderiu aos camisas-verdes, participando fardada de reuniões e marchas. Meu pai ia para o Colégio Anchieta com a camisa verde por debaixo do uniforme, segundo me contou seu grande amigo, Riopardense de Macedo, que vestia a camisa vermelha da juventude comunista, também por debaixo do uniforme.

Plínio Salgado apoiou o golpe do Estado Novo, acreditando que suas hostes se seriam a milícia da ditadura getulista. Quando Grtúlio Vargas fechou todos os partidos, inclusive a AIB, os integralistas participaram no fracassado assalto, de 11 de maio de 1938, ao Palácio de Guanabara, para matar Getúlio Vargas.

A repressão golpeou os integralistas em todo o Brasil. Meu avô amargou alguns dias na prisão, sendo solto quando minha avó foi chorar as pitangas com a esposa, creio, do interventor federal Cordeiro de Farias. Ela queimara, no quintal, toda a parafernália integralista da família – uniformes, bandeiras, retratos.

Durante a guerra, meu pai tinha, em seu quarto, um grande mapa da Europa, onde acompanhava eletrizado os avanços do Eixo, até o início da debacle. Tudo sem alarde, sobretudo, porque meu tio Luís, o irmão preferido da então sua noiva, lutava na Itália como piloto da FAB, morrendo abatido, em Alessandria, em 26 de abril de 1945. Meu pai se formou, se casou, abriu uma pequena construtora, continuou trabalhava meio turno na Prefeitura Municipal.

Leonel Brizola seguiu sua vida política ascendente, apoiado em seu carisma, capacidade administrativa e impressionante capacidade de comunicação, quando o palanque e a rádio eram os principais meios de contato com a população. Ele foi, talvez, o maior orador brasileiro de sua época.

Em 1953-54, Leonel Brizola foi secretário de obras públicas no governo de Ernesto Dornelles, eleito pelo PTB e dissidência do PSD. Sua gestão se destacou pelo dinamismo. Em 1954, com 32 anos, candidatou-se à prefeitura de Porto Alegre, pelo PTB, em oposição ao PSD. Os dois blocos eleitorais se igualavam. Brizola e os trabalhistas buscaram o apoio do pequeno Partido de Representação Popular, reinvenção de Plínio Salgado.

Após o fracassado putsch de 1938, Plínio Salgado foi preso, em São Paulo, em 26 de janeiro de 1939, seguindo, a seguir, para exílio dourado em Portugal, sob a ditadura de Oliveira Salazar. Em Portugal, viveu revival místico que preparou a sua volta ao Brasil, quando da queda de Getúlio, em 1945.

Procurando seguir vivendo da política, Plínio Salgado fundou o Partido de Representação Popular, que reuniu os desmilinguidos magotes de integralistas renitentes e católicos conservadores anti-comunistas. O PRP nasceu com uma ala carola e conservadora e outra laica e criptofascista. Meu pai pertencia à segunda.

Em inícios dos anos 1960, acompanhei meu genitor a uma conferência na sede do PRP em Porto Alegre. Na primeira fila, estava um velho militante portando a farda integralista completa, olhado por meu pai com orgulho e saudades, e com desconfiança pelos perrepistas cristãos anti-comunistas não-fascistass.

O PRP era o fiel da balança e garantiu a eleição de Leonel Brizola à prefeitura, apoiado, também, pelo PCB, na ilegalidade. Meu pai assumiu a Secretaria Municipal de Obras e Viação, aos 32 anos. A administração brizolista foi um sucesso, com destaque para o saneamento e a educação. Meu pai orgulhava-se de sua passagem pela prefeitura, uma enorme elevação social para um filho e neto de camponeses italianos e galegos. Mas reclamava que saíra da experiência com sua pequena construtora semi-inativa. O preju fora grande.

Em 1959, apoiado no sucesso como prefeito, Leonel Brizola elegeu-se governador do Estado, sempre aliado ao pequeno PRP. Mas, desta vez, teve que convencer meu pai a assumir a secretaria estadual de obras públicas, devido à situação periclitante de sua pequena construtora, ao se concluir a administração.

Leonel Brizola propôs a meu pai que uma coisa era ter sucesso na iniciativa privada e outra ter o sentido da realização ao dirigir uma secretaria estadual de tal importância, como a que lhe era proposta. Meu pai certamente esperava ser convencido. Entrevi Brizola, quando chegou à nossa casa, na rua Duque de Caxias, 864, para oficializar o convite. Eu tinha, então, 11 anos.

<><> Outros tempos

Cada dia, pela manhã, por dois anos, chegava um carro, com motorista, que levava meu pai ao trabalho, passando diante do colégio Anchieta, onde estudávamos, meu irmão e eu, a uns duzentos metros. Jamais, fizesse sol ou chovesse, embarcamos no automóvel de placa branca e um preto reluzente maravilhoso.

Leonel Brizola dirigiu o mais empreendedor governo conhecido pelo Rio Grande do Sul, superando as realizações de Júlio de Castilhos, Borges Medeiros e Getúlio Vargas. Retomou iniciativas de Flores da Cunha, reprimidas por Getúlio, que impôs ao Rio Grande do Sul o papel de “celeiro do Brasil”, para apoiar o industrialismo do Rio de Janeiro e São Paulo. Questionou o atrelamento dos recursos nacionais em favor do Centro-Sul e exigiu respeito ao pacto federalista.

Reivindicou a instalação no Sul da Refinaria Alberto Pasqualini. Instituiu a Aços Finos Piratini, com 51% de capitais públicos. Encampou a Companhia Telefônica Nacional, subsidiária da ITT, em favor da Companhia Rio-grandense de Telecomunicações. Ampliou a Companhia Estadual de Energia Elétrica e nacionalizou a estadunidense ITT. Iniciou a Estrada da Produção Porto Alegre/Alto Uruguai.

Leonel Brizola fundou, com Santa Catarina e Paraná, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul. Por primeira vez no Sul, questionou o latifúndio, com desapropriações na Fazenda Sarandi e Banhado do Colégio. A economia regional cresceu a taxas em torno de 7% anuais.

A rede pública de ensino fundamental conheceu uma expansão fantástica, com a construção de milhares de escolas pré-fabricadas, de alvenaria e madeira de pinho tratada. A quase setenta anos, encontramos, ainda, funcionando, uma ou outra Brizoleta. As matrículas escolares duplicaram-se e o número de professoras triplicou.

Meu pai participou, como secretário de obras públicas, no planejamento construção das escolinhas. Contava que, uma vez, perguntou ao governador se não exageravam na expansão das Brizoletas, não havendo professoras para elas. Leonel Brizola respondeu, com razão: “Maestri, se faltar, pegamos uma moça letrada do município, lhe damos um lustro, e ela vai ensinar muitas crianças.

Tempos mais tarde, ao inaugurar uma Brizoleta, em um cafundó sulino, ao agradecer em nome da região, a professora pontificou: “Senhor governador, não tema, eu analfabetizo um aluno em seis meses”. Leonel Brizola não teria pestanejado.

O avanço na educação foi enorme. Mas os principais eixos do governo foram o saneamento e as infraestruturas dirigidas à industrialização regional, sob a gestão de um Estado forte. Iniciativas que modelaram o Rio Grande do Sul por décadas, até a maré privatizadora. Reduzir o seu legado sulino ao impulso da educação é erro crasso, não raro nascido de objetivos político-ideológicos.

<><> Uma revolução para o país

A visão de mundo de Leonel Brizola, como a de Getúlio Vargas, assentava raízes no positivismo comteano do Partido Republicano Rio-Grandense. Sua ação exemplar como governador e a liderança na derrota ao golpe, em 1961, viabilizavam seu sonho com a presidência, para fazer, no Brasil, o que fizera no Rio Grande do Sul. Seu desejo de revolucionar o país era antigo.

Durante a administração municipal, Leonel Brizola verbalizara, em conversa com meu pai: “Maestri, nosso país precisa uma revolução!”. No que foi vivamente apoiado por seu secretário, a quem perguntei que revolução seria a proposta pelo governador e apoiada por ele. Confessou-me que não sabiam, ele e Leonel Brizola, muito bem, o sentido do que propunham. O impulso industrialista do país ensejava o sentimento da necessidade de revolucionar as instituições carcomidas. Não se tratava de uma revolução socialista!

Meu pai contava que, ao reclamar que o governo estadual dava muito espaço à propaganda comunista, Leonel Brizola dissera “não te preocupa, Maestri. Os comunistas são como o rádio, dás um pequeno giro no botão de sintonia e eles saem do ar!”.

Em 1955, Leonel Brizola candidatava-se ao governo, apoiado pelo PRP, e o PTB e o PSD formavam a chapa presidencial JK-Jango. Plínio Salgado concorria também à presidência, com o PRP. Brizola falou ao meu pai: “Maestri, apoiamos a candidatura JK-Jango. Mas gostaria de contribuir para a campanha do Plínio. Podias levar para ele nossa contribuição?”. Meu pai acedeu com prazer.

E dito isso, o governador retirou do cofre um embrulho volumoso com dinheiro, com um forte cheiro de bolor que impressionou meu pai. Era doação, retirada do tesouro partidário, para não complicar a aliança sulina com o PRP. Não sei se foi devido ao pedido que meu pai viajou de automóvel para Brasília, com meu irmão mais velho, João Luiz.

<><> Contando a bijuja

Leonel Brizola declarou o valor da doação, feita por debaixo do poncho. Meu pai pediu-lhe que contassem a dinheirama. Leonel Brizola reagiu, surpreso: “O que é isso, Maestri! Contas com minha confiança absoluta”. Meu pai insistiu e terminaram contando a bijuja, por um bom tempo. Feito isso, pediu que o governador assinasse um bilhete com o valor da contribuição. Leonel Brizola assinou, olhando já torto.

Em Brasília, o pacote foi entregue, olho no olho, a Plínio Salgado, que leu o bilhete, com o valor, assinado por Leonel Brizola. Ao agradecer, meu pai pediu que repetisse a operação. O constrangimento foi o mesmo, mas contou e assinou um bilhete, que foi apresentado, na volta, ao governador. Me explicou a operação embaraçosa: “em política e nos negócios, meu filho, é assim. Hoje amigo e aliado, amanhã, quem se sabe! Com os recibos, ninguém poderia dizer que a doação encolheu no trajeto!”.

Bisbilhotei os bilhetes e seus arquivos sobre sua participação na política, que mandou queimar, sem dó, acho que em momento de amargura. Um outro caso, marginal, contado por minha mãe, foi que, durante viagem governamental à Alemanha, Leonel Brizola e meu pai foram levados a um clube noturno, onde lhes deram caniços de pescar, para retirar o sutiã, apenas o sutiã, jurou meu pai, de algumas dançarinas.

Meu pai contava, igualmente, que Leonel Brizola e ele visitaram uma loja de aparelhos tecnológicos alemães, onde Brizola dirigiu olhar guloso para pequeno gravador de bolso, que, talvez por constrangimento, não comprou. Ao menos essa teria sido a impressão de meu pai, talvez também seduzido pela possibilidade de gravação discreta de conversas políticas.

Com a radicalização nacionalista de Leonel Brizola, o PRP rio-grandense, com meu pai à frente, rompeu a aliança com o PTB e o governo. Ele comentava que não poucos perrepistas empregados no governo não seguiram a instrução do partido. Meu pai retornou à iniciativa privada, mantendo militância formal no PRP, até a sua dissolução, em 1964. Com a vitória do golpe, sem resistência, Leonel Brizola se refugiou em Montevidéu, no Uruguai. Meu pai foi visitá-lo, meses após o golpe, desta vez, levando-me a tiracolo.

Minha primeira impressão de Leonel Brizola não foi boa. Ingressamos em uma grande sala, em um amplo apartamento, onde havia numerosos refugiados. Em minha avaliação na época, em forma ríspida, Leonel Brizola mandou que se retirassem, que “tinha que conversar com o Maestri”. Eu 16 anos.

Meu pai voltou, uma outra vez, a visitar Leonel Brizola, em uma praia uruguaia. Após comerem lautamente, meu pai meteu a mão no bolso para pagar, vista a situação do amigo. Brizola lhe disse: “Deixa, Maestri. Desde que os milicos me fizeram sair de Montevidéu, eles foram obrigados a arcar com meus gastos. E completou, rindo: Eu como e assino!”.

Na volta da segunda visita, militares golpistas foram falar com meu pai, para alguma desconfiança sobre sua retidão político-ideológica. Responderam prontamente que não! E explicou que visitara um amigo na desgraça, como faria qualquer homem de caráter. Os militares não quiseram discutir questões de caráter.

<><> Anticomunista de carteirinha

Meu pai apoiou a ditadura e seus herdeiros, mantendo-se anticomunista visceral e conservador de carteirinha. Seguiu, sempre, amigo fiel de Leonel Brizola, encontrando-se, socialmente, com ele. vez e outra, no Brasil e no exterior. Meu pai foi sempre um brizolista irredutível, arrancando sua admiração da administração fabulosa que Leonel Brizola fizera como prefeito e governador no Sul. Período que certamente foi o mais feliz na vida de meu pai.

Na volta ao Brasil, o caudilho fundou um partido meio híbrido, tendo como grande proposta a educação, deixando de lado o nacionalismo, o anti-imperialismo e o desenvolvimentismo. Suas duas administrações no governo do Rio de Janeiro foram pífias, em relação à do Rio Grande do Sul, à exceção das iniciativas na educação. Os tempos eram outros e o homem também.

Não se propôs a disputar o voto do trabalhador com o PT e investiu na proposta de um socialismo moreno, invenção de Darcy Ribeiro, jamais bem explicada. Para tal, recebeu nas filas do PDT, com banda de música, a Abdias do Nascimento que, chegava dos Estados Unidos, propondo a guerra racial contra os brancos, apesar de se ter aninhado debaixo das asas do caudilho, pra lá de branco.

Como Lula da Silva, jamais deixou que crescessem a sua sombra direções partidárias consistentes, o que já não era fácil, devido ao zig-zag eleitoral crescente do PDT, sob sua direção. Ao morrer, não deixou herdeiros. Seu partido tornou-se uma legenda parlamentar de orientação errática.

Meu pai, nesses anos, já não era mais o integralista e nacionalista duro. Mantivera-se como intransigente anti-comunista, na esfera política, e liberal sem travas, na econômica. Mas sempre brizolista. Quando da morte de Brizola, em 21 de junho de 2004, aos 82 anos, Lasier Martins, me chamou. Ele conhecia meu pai e tinha meu telefone, já que, volta e meia, me chamava, para debater com exóticos direitistas em seu programa “Conversas Cruzadas”.

Propôs que trouxesse meu pai para dizer algumas palavras no velório. Com minha mãe, ele vivia na rua Duque de Caxias, 1220, a uns cento e cinquenta metros do Palácio Piratini, onde se realizavam as exéquias públicas do mais importante líder político sulino da segunda metade do século XX. “Tá louco! – respondeu meu pai esbravejando. Se isso é coisa que o Lasier me proponha. Só faltava eu ir lá para dar vexame, depois de velho. Cair no choro, diante da televisão, sem poder falar”.

Ele já chorara no quarto, a portas fechadas, me contara minha mãe. Na ocasião, pensando na morte, me pediu, uma outra vez, que cobrisse seu caixão com a bandeira integralista. Prometi, novamente. Mas não cumpri, quando faleceu, em 2010. Nem tinha o compromisso de fazê-lo, já que passara a vida me dizendo que os comunistas eram mentirosos e que não respeitavam suas promessas!

 

Fonte: Por Mário Maestri, em A Terra é Redonda

 

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