quarta-feira, 15 de abril de 2026

Emir Sader: O Líbano se tornando uma nova Gaza

Eu consegui estar no Líbano, país do meu pai e dos meus avós por parte de pai.

Eu já havia estado na Palestina. Circulava o dia inteiro até que, no final do dia, bem ao estilo das famílias árabes, sempre me convidavam para jantar. Mostravam, nas paredes, uma coleção de fotos: o filho, preso; o tio, morto; e assim por diante.

Eu já havia estado no Egito, em Marrocos, na Tunísia. Uma unanimidade era que a melhor comida árabe era a libanesa. Pude constatar isso em Beirute.

Foi emocionante chegar a Beirute, recordando-me da vida do meu pai, das duas viagens dele ao Brasil, até retornar com a família. Era uma cidade bonita, cantada pelos europeus em prosa e verso, como uma cidade europeia no mundo árabe.

Agora, vendo os bombardeios na Palestina, fico imaginando o que pode ter acontecido com todas aquelas famílias. Da mesma forma, vendo hoje os bombardeios e os destroços que os ataques de Israel produziram, com mais de 200 mortos, vem-me um sentimento de imensa tristeza por todas aquelas pessoas que me receberam com tanto carinho e com tanta comida deliciosa.

O Líbano, como alguém disse, está se tornando, dolorosamente, uma nova Gaza, bombardeado pelos dois lados, sendo destruído como país. E Beirute, como cidade.

Antes de Hiroshima, não se pensava que uma cidade podia desaparecer. Desde então, várias desapareceram, sob bombas e aviões. Olhando o centro de Beirute destruído, volta uma sensação de medo da perda de uma cidade querida.

Em Beirute, peguei um carro e fui para o norte, tentando chegar a Kfifen, a pequena cidade em que meu pai nasceu. Fui subindo e me assustou como tudo é tão perto: um cartaz dizia “Síria a 15 quilômetros”.

Tentei chegar, mas, antes de alcançar Trípoli, já não era possível seguir. Havia uma grande quantidade de emigrantes vindos da guerra civil na Síria. Tive que voltar.

Fiquei com um sentimento ambíguo: por um lado, imaginar meu pai vivendo na capital; por outro, a tristeza de ter chegado perto de sua cidade natal, mas não poder alcançar Kfifen.

Hoje, o sentimento é de profunda tristeza. Líbano e Beirute se tornando uma nova Gaza, bombardeados de vários lados. Mesmo com o cessar-fogo, Israel realizou bombardeios duríssimos, provocando destroços no centro da capital.

Onde estarão aqueles que me acolheram tão calorosamente? Onde estarão meus parentes que pude rever e que me receberam com as melhores comidas árabes?

¨      Irã adverte Trump e diz que tropas estão em "alerta máximo de combate"

O Irã anunciou que suas forças armadas estão em “alerta máximo de combate” e afirmou estar preparado para enfrentar qualquer cenário, em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos. A declaração foi feita por autoridades militares iranianas, que também alertaram que qualquer ataque contra o país será respondido de forma “dura e decisiva”, segundo informações divulgadas pela televisão estatal iraniana.

De acordo com o general de brigada Majid Ibn Reza, que atua como ministro interino da Defesa, o país elevou o nível de prontidão de suas tropas diante do agravamento do cenário internacional. Ele afirmou que o Irã está preparado para “qualquer cenário” e reforçou o alerta de que qualquer agressão será respondida com firmeza.

A tensão aumentou após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que a Marinha norte-americana faz um bloqueio aos portos iranianos. Segundo ele, a medida inclui a interceptação de embarcações que tenham pago taxas a Teerã, após o fracasso das negociações de paz entre os dois países no fim de semana.

Paralelamente, o Ministério da Defesa do Irã afirmou possuir estoques militares significativos. Em declarações divulgadas pelo Young Journalists Club, veículo associado à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o porta-voz da pasta, Sardar Talaei-Nik, destacou que as “reservas estratégicas” das forças armadas, incluindo mísseis e drones, foram devidamente abastecidas antes de qualquer possível conflito.

Segundo ele, esses recursos foram “suficientemente e adequadamente fornecidos antes da guerra”, indicando que o país se preparou antecipadamente para um eventual confronto. A combinação de prontidão militar elevada e garantias sobre a capacidade logística reforça o cenário de crescente tensão entre Teerã e Washington, com impactos diretos na estabilidade regional.

¨      EUA e Israel já mataram mais de 5 mil em ataques ao Irã e Líbano

Mais de 5 mil pessoas morreram no Irã e no Líbano desde o início dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel nas últimas seis semanas, segundo balanços divulgados por autoridades locais, evidenciando a escalada da violência e o agravamento da crise humanitária na região. As informações foram divulgadas por autoridades locais e meios oficiais

No Irã, ao menos 3.375 pessoas morreram desde fevereiro, quando começaram os bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel, conforme dados da emissora estatal Islamic Republic of Iran Broadcasting (IRIB). Já no Líbano, o Ministério da Saúde informou que pelo menos 2.089 pessoas perderam a vida desde o início das ofensivas israelenses em 2 de março

Entre os mortos no território libanês, ao menos 166 são crianças, o que evidencia o impacto direto do conflito sobre a população civil. Autoridades alertam que o número de vítimas pode aumentar diante da continuidade das operações militares

Israel afirma que seus ataques no Líbano têm como alvo posições do Hezbollah. As ofensivas começaram há seis semanas e continuam sendo realizadas, mesmo após o atual cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos

Além do Irã e do Líbano, o conflito já provocou centenas de mortes em outros países do Oriente Médio, incluindo Iraque, Israel, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait, Cisjordânia ocupada, Omã, Bahrein e Arábia Saudita, de acordo com dados de autoridades locais.

¨      Bloqueio do estreito de Ormuz revela desejo de Trump de evitar operação terrestre, diz analista

A tentativa do líder norte-americano, Donald Trump, de estabelecer um bloqueio do estreito de Ormuz que já está sob controle do Irã mostra o seu desejo de sair do Irã e evitar uma operação militar terrestre, afirmou o professor de relações internacionais da Universidade de Pusan, Robert Kelly, em artigo para a revista 19FortyFive.

Segundo o artigo, no período que antecedeu o atual cessar-fogo na guerra do Irã, Trump enfrentou uma dura escolha entre invadir o Irã para abrir o estreito de Ormuz e alcançar a desnuclearização ou retirar suas tropas, porque a Força Aérea estadunidense havia se mostrado insuficiente para essas tarefas.

"Enquanto o Irã continua restringindo o acesso através do estreito, o plano de Trump parece ser um bloqueio do bloqueio. A explicação mais óbvia para esse estranho 'bloqueio do bloqueio' é o desejo de Trump de evitar uma guerra terrestre", diz a publicação.

Kelly afirmou que Donald Trump optou por retirar suas tropas e anunciar o bloqueio de Ormuz. Na avaliação dele, isso mostrou a intransigência do Irã e o não reconhecimento da derrota, apesar de todas as declarações de Trump.

Segundo Kelly, Trump pode agravar a situação iniciando uma invasão ao Irã para tentar obter uma vitória real, ou assinar um acordo que a maioria consideraria uma derrota para os EUA.

"Este bloqueio, assim como o cessar-fogo da semana passada, é mais uma tentativa de evitar uma escolha difícil, à luz da incapacidade da aviação norte-americana de lançar um golpe decisivo", disse.

Na opinião do especialista, Trump quer bloquear o estreito de Ormuz para piorar a crise energética em todo o mundo. Em condições de grande escassez de petróleo e gás, muitos países ao redor do mundo devem ficar irritados com Teerã e descontar toda a sua raiva nela.

No entanto, é muito provável que a comunidade internacional culpe o próprio Trump pela crise energética, e não o Irã, pois percebe esse conflito como uma guerra desnecessária iniciada pelo desejo do próprio chefe da Casa Branca, concluiu Kelly.

No domingo (12), Donald Trump disse que os Estados Unidos vão começar a bloquear todos os navios que tentem entrar e sair do estreito de Ormuz. Ele também instruiu a Marinha dos EUA a rastrear e interceptar todos os navios que pagaram ao Irã pela passagem pelo estreito.

¨      Irã pretende restaurar maior parte de sua capacidade de produção de petróleo no curto prazo

É possível retomar cerca de 70% a 80% da capacidade pré-guerra em um a dois meses, afirmou o vice-ministro do Petróleo do Irã, Mohammad Sadegh Azimifar, ao canal iraniano SNN.

Após os ataques militares de Estados Unidos e Israel contra instalações petrolíferas iranianas, equipes foram mobilizadas já no dia seguinte em praticamente todas as refinarias danificadas, e empresas contratadas iniciaram os trabalhos de restauração, destacou Azimifar.

O ministro do Petróleo do Irã, Mohsen Paknejad, afirmou durante reunião com executivos da Companhia Nacional de Petróleo que, apesar dos ataques, não houve interrupção no fornecimento de combustível, e as exportações de petróleo do país continuaram normalmente.

Após o anúncio do presidente Donald Trump de "bloquear todos os navios" que tentarem sair ou entrar do estreito de Ormuz neste domingo (12), o Irã mobilizou forças especiais navais ao longo de sua costa sul e elevou o nível de prontidão militar, em resposta ao aumento das tensões com os Estados Unidos e ao fracasso das negociações diplomáticas realizadas em Islamabad, Paquistão.

¨      Israel alerta militares para possível retorno de guerra com o Irã, afirma mídia

As Forças de Defesa de Israel (FDI) iniciaram os preparativos estruturais para uma nova operação contra o Irã, com uma lista de alvos para ataques, que terão como foco instalações militares iranianas, informaram nesta segunda-feira (13) jornais israelenses.

O fracasso das negociações entre EUA e Irã no Paquistão seria o motivo da nova ofensiva, segundo o portal de notícias Ynet, citando fontes familiarizadas com o assunto, e a ordem veio do chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI), tenente-general Eyal Zamir.

O Irã e os Estados Unidos realizaram conversas em Islamabad no sábado (11), após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar um acordo com Teerã para um cessar-fogo de duas semanas.

O vice-presidente J.D. Vance, principal negociador dos EUA, anunciou ontem que os países não chegaram a um acordo após mais de 12 horas de negociações.

Mais cedo, Trump anunciou que vai impor um bloqueio total no estreito de Ormuz, afirmando que embarcações que paguem taxas ao Irã poderão ser perseguidas e interceptadas por forças americanas em águas internacionais.

Em seguida, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) confirmou que iniciará um bloqueio naval a partir de 13 de abril, às 10h00 (11h00 em Brasília), para impedir o tráfego marítimo com destino a portos iranianos.

A medida será aplicada a embarcações de todas as nacionalidades que entrem ou saiam de zonas costeiras do Irã, incluindo portos no golfo Pérsico e no golfo de Omã. Navios que transitarem pelo estreito de Ormuz com destino a portos não iranianos poderão continuar a navegação.

¨      Turquia alerta que pode se tornar o próximo adversário regional de Israel

O ministro das Relações Exteriores da Turquia, Hakan Fidan, afirmou nesta segunda-feira (13) que Israel pode passar a considerar o país como um novo adversário regional após o Irã, no contexto das estratégias da nação sionista no Oriente Médio. Em declarações feitas à agência Anadolu, Fidan também avaliou que a política regional israelense “não se sustenta sem um inimigo”.

O chanceler defendeu a criação de um novo arranjo de segurança no Oriente Médio, baseado no respeito à soberania, à integridade territorial e à segurança nacional dos países da região. A proposta, de acordo com ele, tem como objetivo reduzir tensões e promover estabilidade no longo prazo.

<><> Contexto regional

Fidan manifestou preocupação com a situação na Síria e no Líbano, destacando que as agressões militares israelenses nesses países representam um fator de instabilidade. Segundo ele, esse cenário pode se agravar diante das atuais tensões no Oriente Médio.

O ministro também comentou o processo de cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, classificando-o como “sincero”. Ele alertou, ainda, para riscos envolvendo rotas marítimas estratégicas e defendeu a manutenção da navegação no Estreito de Ormuz por meios pacíficos.

A multiplicação de vítimas em diferentes territórios reforça o caráter regional da crise e aponta para um cenário de instabilidade prolongada, com consequências humanitárias cada vez mais amplas.

¨      Turquia chama Netanyahu de "Hitler do nosso tempo"

O governo da Turquia reagiu duramente às declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o presidente Recep Tayyip Erdogan, afirmando que os ataques verbais são consequência do “incômodo causado pelas verdades” expostas por Ancara em fóruns internacionais. A chancelaria turca também reiterou que seguirá pressionando pela responsabilização de Netanyahu por crimes de guerra.

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia afirmou que as críticas do líder israelense refletem uma tentativa de desviar a atenção de acusações graves e de sua situação no cenário internacional. O comunicado mencionou ainda que há um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional contra Netanyahu por crimes de guerra e contra a humanidade.

Na nota oficial, o governo turco sustentou que as declarações contra Erdogan fazem parte de uma estratégia para enfraquecer negociações de paz em andamento e manter políticas expansionistas na região. Ancara destacou sua determinação em responsabilizar o premiê israelense, ao mesmo tempo em que reafirmou apoio à população civil afetada pelos conflitos.

A reação não ficou restrita ao Ministério das Relações Exteriores. Integrantes do gabinete presidencial turco também criticaram duramente Netanyahu. O vice-presidente Cevdet Yilmaz declarou que “a luz da verdade é o pesadelo dos opressores”, acrescentando que as falas contra Erdogan representam um reflexo do desconforto diante da exposição dos fatos e uma manifestação de “sentimento de culpa”, sendo, segundo ele, “nulas e sem efeito”.

Já o ministro da Justiça, Akin Gurlek, afirmou que as declarações de Netanyahu, partindo de alguém alvo de um mandado de prisão internacional, “demonstram a profundidade do impasse jurídico e moral” enfrentado pelo líder israelense.

O ministro do Interior, Mustafa Ciftci, também se posicionou, classificando as acusações como “infundadas” e reflexo de “desespero e esgotamento político”. Ele responsabilizou Netanyahu por ataques contra civis na Faixa de Gaza e reforçou a crítica à condução da política israelense na região.

As manifestações do governo turco ampliam a tensão diplomática entre os dois países, em um contexto de crescente pressão internacional sobre o conflito no Oriente Médio e suas consequências humanitárias.

>>> Leia, na íntegra, a nota emitida pelo Ministério das Relações Exteriores da Turquia:

Netanyahu, que tem sido descrito como o Hitler do nosso tempo devido aos crimes que cometeu, é uma figura bem conhecida, com um histórico claro.

Um mandado de prisão foi emitido contra Netanyahu pelo Tribunal Penal Internacional, sob acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Sob a administração de Netanyahu, Israel enfrenta processos perante a Corte Internacional de Justiça por acusações de genocídio.

O objetivo atual de Netanyahu é minar as negociações de paz em andamento e continuar suas políticas expansionistas na região. Caso não consiga, ele corre o risco de ser julgado em seu próprio país e provavelmente ser condenado à prisão.

O fato de nosso Presidente ter sido alvo de autoridades israelenses com acusações infundadas, descaradas e falsas é resultado do desconforto causado pelas verdades que temos expressado de forma consistente em todas as plataformas.

A Turquia continuará a apoiar os civis inocentes e intensificará seus esforços para garantir que Netanyahu seja responsabilizado pelos crimes que cometeu.

 

Fonte: Brasil 247/Sputnik Brasil

 

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