Veja
cinco sinais de atenção à saúde feminina
Mulheres
passam por mudanças significativas em cada fase da vida, que destacam a
necessidade de cuidados preventivos específicos, as conquistas sociais e os
desafios existentes no combate à desigualdade de gênero.
No
contexto da saúde, as mulheres passam por mudanças significativas em cada fase
da vida, que destacam cuidados para além da prevenção do câncer. Entre os
principais estão a realização periódica de exames preventivos, principalmente
contra o câncer de colo de útero e de mama, além da escolha por métodos
contraceptivos, sem comprometer o bem-estar e a saúde.
A
realização de consultas ginecológicas permite a prevenção e o tratamento de
infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), enquanto a priorização da saúde
mental, contribui para evitar transtornos psicológicos e para combater
situações de vulnerabilidade.
Play
Video
A
manutenção de um estilo saudável de vida inclui ainda a prática regular de
atividades físicas, uma boa conduta nutricional e o autocuidado. Algumas
doenças são próprias do sexo feminino e o diagnóstico precoce é fundamental
para um tratamento bem-sucedido.
<><>
Saúde integral
No
Sistema Único de Saúde (SUS), a maior parte dos atendimentos se iniciam nos
serviços da atenção primária, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Durante a
consulta, se necessário, o médico solicita exames laboratoriais e de imagem,
que também são ofertados pelo SUS. Após avaliação médica dos resultados, a
paciente pode ou não ser encaminhada para atendimento especializado na rede
pública.
"O
motivo da busca da mulher ao consultório é para fazer check-up, fazer
rastreamento de algumas doenças, se preparar para engravidar. Isso tudo está
dentro do contexto do cuidado com a saúde da mulher, que vai desde cuidar das
doenças que são as mais prevalentes em mulheres até prevenções de
doenças", afirma a médica ginecologista, Raquel Autran, responsável pela
divisão de gestão do cuidado da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, em
Fortaleza, no Ceará.
Manter
hábitos saudáveis contribui para a prevenção de doenças. Uma alimentação
balanceada com frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, aliada à
uma ingestão menor de gordura, ajudam a ter uma vida mais sadia. O Ministério
da Saúde recomenda dietas que priorizem alimentos in natura e a redução do
consumo de ultraprocessados.
A
Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda de 150 a 300 minutos, no mínimo,
de atividade aeróbica por semana para adultos saudáveis e uma média de 60
minutos por dia para crianças e adolescentes. Fazer uma atividade física ao
menos 30 minutos por dia, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo
de álcool e não fumar são algumas das recomendações que ajudam a prevenir
doenças.
"É
importante se atentar para dieta e fazer sempre uma atividade física, isso
começa na infância que isso é o que vai prevenir algumas doenças quando ela
chegar em uma idade maior. Vale lembrar que as principais causas de mortalidade
na mulher são as doenças cardiovasculares, e prevenção é praticar atividade
física e fazer vistas ao profissional de saúde para avaliação", afirma
Raquel.
>>>
1. Planejamento reprodutivo
O
planejamento reprodutivo é um importante recurso para a saúde das mulheres. Ele
contribui para uma prática sexual mais saudável, possibilita o espaçamento dos
nascimentos e a recuperação do organismo da mulher após o parto, melhorando as
condições que ela tem para cuidar dos filhos e para realizar outras atividades.
"Nesse
ritmo de vida acelerado, não houve tempo sequer para as reflexões e
questionamentos sobre a sincronia entre corpo, mente e ovários. E infelizmente,
os ovários não acompanham a mulher da vida moderna. Com o passar dos anos,
nossos óvulos diminuem em quantidade e em qualidade, por isso nossas chances de
engravidar são cada vez menores e cada vez maior o risco de aborto associado
com malformações embrionárias. Portanto, é fundamental termos a consciência de
que a fertilidade feminina é finita e está extremamente atrelada a idade",
afirma a médica ginecologista Ana Flávia Hostalácio, da clínica de saúde
feminina Oya Care.
Para a
especialista, conhecer o próprio corpo permite estabelecer planos reprodutivos
a longo prazo.
"O
autoconhecimento nos da autonomia para decisões. Portanto, conhecer melhor o
corpo, avaliar a reserva ovariana - o famoso 'estoque de óvulos', e acompanhar
o ritmo dessa depleção, complementa a independência que ganhamos, em partes, na
década de 60 no que tange o planejamento reprodutivo. Permite ter segurança em
escolher o melhor momento para a maternidade, seja pela necessidade de
antecipa-la, seja pela possibilidade de poder seguir os planos, ou pela escolha
em preservar a fertilidade, como congelar óvulos, e me permitir pensar sobre
isso somente lá na frente", diz.
A
médica Raquel Autran afirma que, diante do desejo de engravidar, exames devem
ser feitos para descartar doenças infecciosas.
"Quando
a mulher quer engravidar, precisamos principalmente afastar as doenças
infecciosas. Ao chegar no consultório, ela fala do seu histórico, faz exames
físicos e checagens de prevenção de doenças, como diabetes gestacional, doenças
da tireoide, tudo isso identificado precocemente garante uma gravidez mais
segura", comentou Raquel.
É
importante que a mulher faça uma consulta quando antes dela iniciar um método.
"Na consulta ela vai poder dizer o que quer para saber quais são os
métodos mais eficazes. Vai avaliar doenças que ela possa ter, ou até mesmo na
família, que possa contraindicar algum do tipo de método. O profissional de
saúde poderá dar as opções para que ela possa escolher", destacou Raquel.
>>>
2. Saúde íntima
Cuidados
com a higiene íntima são essenciais para evitar o aparecimento de infecções,
inflamações e muitos outros problemas de saúde, alerta a Federação Brasileira
das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Doenças genitais
comuns podem colocar em risco a vulva, vagina e colo de útero.
Uma das
infecções vaginais mais frequentes é a candidíase que, de acordo com uma
pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística
(Ibope), atinge pelo menos 52% das mulheres brasileiras, ao menos uma vez na
vida.
"É
uma doença bem comum no ciclo feminino, em que muitas vezes as mulheres têm a
infecção recorrente, até por conta da falta de conhecimento sobre cuidados com
a saúde íntima. Mas vale o alerta que nem tudo que coça é cândida, então é
recomendado que sempre que tiver a dúvida, recorra ao médico para que seja
comprovado com diagnóstico clínico laboratorial", explica a médica
ginecologista Marcia Terra Cardial, vice-presidente da Comissão Especializada
em Trato Genital Inferior da Febrasgo, em comunicado.
Outra
doença habitual na rotina feminina e pouco conhecida é a vaginose bacteriana.
"Nessa doença, a mulher sente um odor forte, semelhante ao de peixe, que
ocorre pelo desequilíbrio vaginal em relação às bactérias do bem, onde existe
uma diminuição dos lactobacilos e um aumento das microrganismos que podem levar
a algum tipo de infecção" explica a ginecologista.
A
higiene íntima feminina pode ajudar a evitar riscos que podem evoluir para
quadros mais graves.
"Indicamos
as mulheres que façam higiene genital com sabonete líquido adequado para cada
fase da vida, uso da calcinha de algodão ou seda, sempre de cor neutra no dia a
dia, e sem o absorvente diário. A higiene após urinar ela deve ser sempre para
trás, sempre lavar ao evacuar, papel higiênico deve ser neutro sem perfume, e
também é muito importante hidratar a pele da vulva, é bem comum tratar o
recenseamento de todo o corpo e esquecer de cuidar da pele da vulva",
afirma a médica.
>>>
3. Métodos contraceptivos
Diferentes
estratégias podem ser utilizadas com o objetivo de se prevenir a gravidez, como
o preservativo masculino e feminino, pílula combinada, anticoncepcional
injetável mensal e trimestral, dispositivo intrauterino com cobre (DIU),
diafragma, anticoncepção de emergência e minipílula. Os serviços podem ser
adquiridos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Especialistas
afirmam que a escolha pelo melhor método deve ser feita de maneira
individualizada, considerando aspectos do perfil de cada paciente, com o
objetivo de tornar a prevenção mais confortável e de fácil adesão.
Além de
evitar a gravidez, o preservativo contribui para a prevenção das infecções
sexualmente transmissíveis (ISTs), causadas por vírus, bactérias ou outros
microrganismos, transmitidas, principalmente, por meio do contato sexual
desprotegido com uma pessoa que esteja infectada.
>>>
4. Saúde mental
A
Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que a saúde mental feminina é afetada
por seu contexto de vida ou por fatores externos, que podem ser socioculturais,
econômicos, de infraestrutura ou ambientais. A identificação e a transformação
desses fatores pode ser uma direção para prevenção de problemas psicológicos
graves, como depressão e ansiedade.
No
relatório global de saúde mental de 2022, a OMS destaca que mulheres e jovens
sofreram de maneira mais significativa o impacto das consequências sociais e
econômicas da pandemia de Covid-19. Segundo a OMS, gênero, grupo étnico e local
de residência podem afetar as chances de desenvolver uma condição de saúde
mental.
As
mulheres tendem a ser mais desfavorecidas socioeconomicamente do que os homens
e também são mais propensas a serem expostas à violência praticada pelo
parceiro íntimo e violência sexual, que são fortes fatores de risco para uma
série de condições de saúde mental, especialmente transtorno do estresse
pós-traumático.
Elas
continuam a ser mais propensas a estar financeiramente em desvantagem devido a
salários mais baixos, menos poupança e empregos menos seguros do que seus
colegas do sexo masculino. Na pandemia, as mulheres também suportam grande
parte do estresse em casa, especialmente quando forneciam a maior parte dos
cuidados informais adicionais exigidos pelo fechamento das escolas. Uma
avaliação rápida concluiu que a violência contra mulheres e meninas se
intensificou no primeiro ano da pandemia, com 45% das mulheres relatando ter
sofrido alguma forma de violência, direta ou indiretamente.
Os
transtornos depressivos e de ansiedade são cerca de 50% mais comuns entre as
mulheres do que entre os homens ao longo da vida, enquanto os homens são mais
propensos a ter um transtorno por uso de substâncias. Como os transtornos
depressivos e de ansiedade representam a maioria dos casos de transtorno
mental, no geral, um pouco mais de mulheres (13,5% ou 508 milhões) do que
homens (12,5% ou 462 milhões) vivem com um transtorno mental no mundo, de
acordo com o relatório da OMS.
Diferentes
estratégias promovem a saúde mental, incluindo a intervenção psicossocial, que
possibilita o enfrentamento de questões pessoais como a ressignificação do
sofrimento e a busca por redescobrir e potencializar as habilidades. O site
Mapa da Saúde Mental permite a consulta de locais que oferecem o atendimento
gratuito, voluntário ou com preços acessíveis no país.
>>>
5. Imunização
Tradicionalmente,
nos sistemas de saúde por todo o mundo, a prioridade tem sido o cuidado da
mulher no campo da saúde reprodutiva, com foco na atenção ao pré-natal e parto.
No entanto, outros cuidados também são importantes para a saúde integral como a
prevenção dos cânceres de colo do útero e de mama e o recebimento de vacinas
específicas.
"Há
várias doenças que afligem o universo feminino que são prevenidas por meio das
vacinas. Mais recentemente, podemos falar da vacina do HPV, que é uma vacina
muito segura e que tem reduzido drasticamente assistência de câncer de colo do
útero, entre outros tumores, mas principalmente do colo uterino", afirma
Raquel.
A
vacinação é uma opção segura e eficaz de prevenção da infecção ao HPV. O
imunizante é oferecido gratuitamente pelo SUS para meninas de 9 a 14 anos, além
de mulheres de 15 a 45 anos vivendo com HIV/Aids, transplantados e pacientes
oncológicos.
Como
funciona o esquema vacinal: crianças e adolescentes de 9 a 14 anos devem
receber o esquema de duas doses. Adolescentes que receberem a primeira dose
dessa vacina entre 9 e 14 anos, poderão tomar a segunda dose mesmo se
ultrapassados os seis meses do intervalo recomendado, para não perder a chance
de completar o esquema vacinal.
A
médica ginecologista destaca também outras vacinas importantes para as
mulheres. "Você toma vacinas quando está grávida prevenindo vírus que
acomete mais mulheres gestantes, a vacina da hepatite B que está no calendário
vacinal da mulher ele vai exatamente seguindo esse ciclo de vida dela",
reforçou.
Fonte:
CNN Brasil

Nenhum comentário:
Postar um comentário