Como
chatbot de IA descobriu condição rara de mulher após anos de diagnósticos
errados
O
ChatGPT ajudou uma jovem no País de Gales a descobrir sua rara condição de
saúde, após anos de diagnósticos errados por parte dos médicos.
Phoebe
Tesoriere é da capital galesa, Cardiff, e tem 23 anos. Ela conta ter sido
diagnosticada com ansiedade, depressão, epilepsia e foi alertada que seria
tratada como paciente de saúde mental, se continuasse retornando ao pronto
atendimento.
Tesoriere
sofreu uma convulsão e passou três dias em coma. E, ao sair do hospital, ela
colocou seus sintomas no chatbot de inteligência artificial.
Ela
conta que a ferramenta sugeriu diversas condições, incluindo paraplegia
espástica hereditária. Tesoriere apresentou a condição para seu clínico geral e
testes genéticos confirmaram o diagnóstico.
O
Conselho de Saúde da Universidade de Cardiff e Vale declarou que "lamenta
saber da experiência de Phoebe no nosso atendimento."
A
clínica geral Rebeccah Tomlinson orienta as pessoas que pesquisarem sobre
problemas de saúde com ferramentas como chatbots de IA a discutir os resultados
com profissionais de medicina.
Um
recente estudo da Universidade de Oxford, no Reino Unido, concluiu que as
pessoas que usam IA para conselhos de saúde recebem resultados bons e ruins, o
que dificulta a identificação de quais são os aconselhamentos confiáveis.
Tesoriere
entende a dificuldade enfrentada pelo hospital no seu diagnóstico, mas conta
que precisou recorrer à IA porque sua experiência foi "muito
solitária".
"Tive
que lutar para ser ouvida", relembra ela.
"Manquei
por toda a infância. Nasci sem um soquete no quadril e passei por cirurgias
quando era bebê. Por isso, achei que tivesse a ver com aquilo."
Ela
também tinha problemas de equilíbrio quando era criança e foi testada para
dispraxia, que afeta a coordenação física. Mas ela não tem esta condição.
Quando
tinha 19 anos, Tesoriere desmaiou e teve uma convulsão no trabalho. Mas ela
conta que os médicos disseram que era ansiedade, o que foi acrescentado aos
seus registros médicos.
"Eu
não tinha histórico de ansiedade, era uma pessoa muito feliz e vibrante",
segundo ela.
Tesoriere
conta que, em 2022, foi diagnosticada com epilepsia e teve medicamentos
receitados.
Mas, em
dezembro de 2024, ela voltou a se sentir mal. E não conseguia continuar com sua
medicação para epilepsia, o que causou mais convulsões.
Tesoriere
tinha dificuldade para andar e foi diagnosticada erroneamente com paralisia de
Todd, uma condição neurológica vivenciada por indivíduos com epilepsia. Nela,
as convulsões são seguidas por um breve período de paralisia temporária.
Em
janeiro de 2025, ela caiu de uma escada, o que a levou a três meses no
hospital, com exames inconclusivos.
Até
que, em julho de 2025, uma grave convulsão deixou Phoebe Tesoriere em coma por
três dias. E ela conta que, quando se recuperou, um médico disse que ela não
tinha epilepsia, mas sim ansiedade.
Foi
então que Tesoriere colocou seus sintomas no ChatGPT. O chatbot respondeu com
uma lista de possíveis condições, incluindo paraplegia espástica hereditária.
"Analisei
a questão várias vezes com a minha parceira, perguntando 'vou ao médico?', 'não
vou?', 'o que devo fazer?', 'com certeza, não pode ser isso'", relembra
ela.
Felizmente,
o clínico geral concordou que poderia ser uma "razão plausível". E os
testes genéticos confirmaram a sugestão da IA.
O NHS
(serviço de saúde pública do Reino Unido) afirma que não se sabe quantas
pessoas sofrem de paraplegia espástica hereditária porque esta condição, muitas
vezes, não é diagnosticada.
Os
sintomas podem ser controlados com fisioterapia.
Tesoriere
não consegue mais trabalhar como professora de alunos com necessidades
educacionais especiais devido aos seus sintomas e usa uma cadeira de rodas.
Agora,
ela busca um novo caminho na sua carreira, cursando um mestrado em psicologia.
Ela afirma que ainda quer "fazer algo que ajude as pessoas".
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'É difícil para os médicos conhecer tudo'
Um
porta-voz do Conselho de Saúde de Cardiff e Vale declarou que "comentar o
caso de uma paciente individual seria inadequado e, por isso, não podemos
emitir mais comentários".
"Convidamos
Phoebe a entrar em contato com nossa equipe de relacionamento, caso deseje
discutir qualquer aspecto do atendimento que ela recebeu do Conselho de Saúde
da Universidade de Cardiff e Vale."
A
clínica geral Rebeccah Tomlinson atende a região de Cardiff e do condado de
Vale of Glamorgan, no País de Gales. Ela destaca que "é difícil para os
clínicos gerais conhecer tudo. E, com as pressões sobre o NHS, precisamos saber
ainda mais."
"Os
pacientes que trazem informações ajudam a entender o que eles estão pensando e
orientar a discussão com mais clareza", prossegue ela.
Para
Tomlinson, as ferramentas de IA "são um bom ponto de partida, que deve ser
seguido por uma consulta a um profissional médico para discutir as preocupações
com mais detalhes".
"É
útil que os pacientes venham munidos de informações, mas o médico precisa estar
aberto e receptivo para o paciente. O atendimento médico precisa ser uma
conversa de duas vias."
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Como os chatbots de IA são usados na saúde?
A IA
vem se tornando cada vez mais parte do nosso dia a dia, mas o seu uso para fins
de assistência médica divide opiniões.
No
início do ano, um estudo da Universidade de Oxford concluiu que os chatbots de
IA fornecem aconselhamento médico impreciso e inconsistente, que poderia
representar riscos aos usuários.
A
pesquisa concluiu que pessoas que usam IA para assistência médica receberam
algumas respostas boas e outras ruins, o que dificulta a identificação de quais
aconselhamentos elas devem seguir.
Em
janeiro, foi lançado nos Estados Unidos o ChatGPT Health, uma nova função do
chatbot para analisar os registros médicos das pessoas e oferecer
"melhores respostas", segundo a empresa desenvolvedora, a OpenAI.
A
companhia declarou que a função não se destina a "diagnóstico ou
tratamento", mas 230 milhões de pessoas enviam semanalmente ao chatbot
perguntas sobre sua saúde e bem-estar.
Ativistas
levantam preocupações sobre o acesso do ChatGPT Health a dados de saúde
confidenciais. Mas a OpenAI afirma que a função foi projetada para
"auxiliar, não para substituir a assistência médica".
Não se
sabe ao certo se a função será introduzida em outros países, ou quando.
Enquanto
o debate sobre seu uso segue acalorado, milhões de pessoas, incluindo Phoebe
Tesoriere, usam cada vez mais as ferramentas de IA para tarefas como
personalizar seus feeds nas redes sociais, encontrar amigos e familiares em
fotos no smartphone e pedir conselhos sobre questões do dia a dia.
Fonte:
BBC País de Gales

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